Por ser verdade… e mão amiga mo ter enviado não resisto em transcrever aqui o texto que segue (sem comentários…);
"Nação valente e imortal"
Segue a transcrição:
“Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
“Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver
“- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
“- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo
que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
“As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
“Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
“Loureiro para o Panteão já!
“Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
“Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.
“Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram
“Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara.
Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.
“Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
“Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
“Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
(crónica satírica de António Lobo Antunes, in visão abril 2012)””
O que percebo de futebol e nada é a mesma coisa. Porém, por vezes e à falta de melhor entretenimento da TV ou de um novo livro para ler – os que tenho comigo já os li, reli e voltei a ler ao ponto de quase poder, deles, referir algumas frases completas e, o que é mais difícil, muito mais difícil mesmo, a página em que se encontram escritas! – dou comigo a ver alguns rapazes a correr, desconchavadamente alguns, atrás de uma bola o que me faz recordar aquela história da velhota inglesa que, tendo visto um desafio pela primeira vez na vida e ao ser-lhe perguntado se havia gostado, respondeu que sim mas que, por ela, seria muito melhor de dessem uma bola a cada um em vez de andarem todos a correr atrás da mesma!
Mas vamos ao tema que escolhi para “blogar” hoje e que me parece ser coisa séria e a dar que pensar aos cérebros priviligiados que administram essas competições futebolísticas onde, infelizmente, alguns jóvens têm morrido ultimamente, fulminantemente atingidos por irremediáveis paragens cárdio-respiratórias. Têm morrido e, quanto a mim, ingloriamente já que todo o esforço com que se empenharam e que lhes terá roubado a vida é, afinal, coisa de somenos uma vez que se poderia decidir o vencedor por “penalties”, que o mesmo será dizer por moeda ao ar e convertendo-se aquilo a que se convencionou chamar desporto a um mero jogo de fortuna e azar!...
Vem isto a propósito do tristíssimo espectáculo que tive a oportunidade de ver durante cento e vinte e tal minutos, o Real Madrid – Bayern de Munique, e que, tendo sido decidido por “penalties”, alguns dos quais estrondosamente falhados por jogadores experientes e que não erram mas que, por uma manifesta falta de “sorte” (o azar e a sorte!), chutaram a bola para o lado, para o ar ou para a mãos de um guarda-redes a quem terá saído, e a esse com propriedade e verdade, na lotaria, uma verdadeira bola de ouro!
É triste, é feio! Direi mesmo que é fazer pouco de tamanho esforço feito por campeões e magos da bola que exaustos, com a saúde diminuída, quando não em acelerado risco da própria vida, decidir assim das consequências objectivas de um tamanho esforço feito! Ganhou lo Bayern! A moedinha foi-lhe favorável…
Proponho, assim, que para futuro e a não ser aceite a proposta que adiante faço, os campeonatos desportivos de façam por uma espécie de plebiscito (até para ver se deste modo os plebiscitos passam a servir para alguma coisa!), por um totobola com os respectivos 1 – X – 2; alternativamente, verificado o empate após o prolongamento, novo jogo fosse realizado nos dias imediatos (número de dias a fixar) e em campo neutro. Caso persistisse o empate ambas as equipas fossem declaradas vencedoras do troféu em disputa. Mas isso da moeda ao ar, isso é que não por tão vergonhoso que me parece ser.
Deste modo se alcançaria a pretendida “verdade desportiva” e se poupava muito com a redução de comentadores desportivos e dos respectivos salários e os fins de semana poderisam ser passados mais descansadamente, sem distúrbios de “claques” e na plácida e merecida mansidão da pesca!
Mas que tenho eu a ver com isto? E porque não perco esta mania de me meter onde não sou chamado?
Perante o que diàriamente venho observando, interrogo-me sobre a questão de saber a quem mais aproveitará o sensacionalismo noticioso hoje permitido em Portugal - leia-se exageradamente permitido - apoiado que é por uma Justiça complacente, dir-se-ia mesmo que timorata e manifestamente inoperante e cuja inoperância vem sendo insistentemente aproveitada por quantos não vêem no que se passa a “sua” democracia – observe-se neste 25 de Abril o comportamento “birrento” de Mário Soares, do desertor-poeta Alegre e do redondo senhor presidente a quem o velho e desaparecido jornal “O Tempo”, pela sarcástica pena de Manuel de Portugal, apelidava então, com graça e oportunidade, de D. Lourençote da Melena e Pá e, no passado recentíssimo, a total impunidade das gravíssimas declarações de um dos auto-proclamados donos do País: - Otelo!
Mas a quem mais aproveitará este estado actual da própria Nação, aturdida que estará com o que se vem passando e sem conseguir vislumbrar o Norte constantemente apontado por outras tantas iluminadas cabeças que descobriram a mágica poção curativa mas que, aqui para nós, insitem em não a revelar a ninguém?!…
E é assim mesmo que neste velho país onde, pobre e alegremente, a grande maioria do Povo está saturado de índices, de gráficos, de análises e comentários, não obstante continue sem quaisquer indícios palpáveis de aculturação, se tem vivido uma muito jóvem e ainda muito pouco esclarecida e consolidada democracia – o tal mal menor de que falava Churchil nos Comuns – que eu sou levado a concluir que a quem mais interessará este estado de coisas, este desnorte mesclado do atávico pessimismo nacional será ao cada vez mais acentuado e irresponsável sensacionalismo de um pseudo jornalismo, arvorados que estão, alguns dos seus profissionais, em criteriosos relatores-cronistas desta comédia política que vivemos – creio que nos outros países algo de semelhante se passará – a quem mais aproveitará, dizia, será precisamente aos “media” do actual progresso - televisivo em primeiro e destacado lugar - que quanto mais aproxima as nações mais vem afastando os povos, retirando-lhes a identidade e proclamando uma fraternidade negocial onde sobressai um novo imperialismo consumista que só a poucos aproveitará e, dentre estes também, aos novéis politólogos que, enfaticamente nos lêm a sina, nos traçam perfis e, grosseiramente, nos esboçam o carácter analisando o presente e vaticinando o futuro!
Uma tristeza!...
Mas, como nem tudo é mau, eis que vai surgindo assim, diariamente e para muitos, a oportunidade de, sob o tal rótulo de jornalista, “noticiar”, com total impunidade e muito despautério, bem ao jeito de cada um, a notícia que vai tendo entre mãos e que muito raramente corresponde à verdade factual e se não destina a acalmar e a tranquilizar a opinião pública, antes e bem pelo contrário, a pretendendo desnortear, exaltar e mobilizar negativamente.
E assim é que eu, procurando informar-me, manter-me actualizado e acompanhar as pequenas “ditas” e “desditas” do Povo a que pertenço, beneficiando deste prodígio de técnica e modernidade que é a televisão e que os meus tempos de menino me recusaram, salto de “canal” em “canal” e, escorregando pela desentupida canalização de que vou dispondo, dou frequentemente comigo a ver os desenhos animados que são os que melhor me ilustram certas circunstâncias do quotidiano desta nossa vida nacional e tão gloriosamente democrática…
Meu Pai era, durante a época balnear, director clínico das Caldas Santas de Carvalhelhos, Estância Termal situada em pleno Barroso, a nove quilómetros de Boticas, numa pequena cova formada pelas serranias envolventes e onde eu, sempre obrigado a acompanhar os meus Pais, me julgava um “desterrado” durante aqueles meses de Junho a finais de Setembro.
Quando havia gente da minha idade o tempo passava-se bem e depressa. O pior era quando não havia e eu tinha de inventar o que fazer durante todo o santo dia. Foi assim que travei amizade com a minha amiga Rola, uma égua castanha oriunda do Exército onde havia sido abatida porque cegara do olho esquerdo o que a tornava um animal perigoso por assustadiço, como me afirmava o Tio Camilo, seu dono e que, por atenção a meu Pai a quem deveria alguns favores médicos, ma emprestava sempre que eu queria para dar as minhas passeatas pelas serras as quais cheguei a conhecer quase tão bem como as palmas das minhas mãos. Tornámo-nos amigos, eu a a Rola e foram muitas as aventuras que fizemos juntos. Eu interessado nos pesseios a cavalo e ela interessada nas papas de aveia com vinho – sopas de cavalo cansado - que eu lhe dava sempre que íamos a Vilarinho da Mó, terra da Tia Miquelina, nos confins do mundo e que só se alcançava a pé, a cavalo ou de carro… de bois!
Mas não é mais uma das minhas aventuras com a Rola o objecto da minha história de hoje. Hoje proponho-me contar o que me aconteceu numa bela manhã quando, levando comigo um livro e uma carabina especial, de 18 tiros e calibre 22, que já havia estado apreendida por haver morto um homem mas cujo dono de então não hesitava em me emprestar, me dirigi para os lados do Lago dos Amores – um profundo lago naturalmente escavado na rocha pela própria água que nele se despenhava com grande força e de rasoável altura haveria por certo alguns milhares de anos e onde se fazia inteiro jus ao conhecido aforismo popular que afirma que “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”.
Pois bem, a meio do caminhol para o Lago, num belo lameiro, em acentuado declive para o pequeno rio que ai passava, transbordando do Lago, decidi sentar-me um pouco para ler um bocado beneficiando daquele local aprazível e que, qual anfiteatro, me proporcionava uma ampla visão sobre um vasto horizonte no qual figuravam os demais lameiros do outro lado do rio e onde, na ocasião, pastavam, indolentes e pachorrentas, algumas vacas.
Não havia passado muito tempo desde que me sentara quando uma voz, vinda do meu lado direito me saudou cortezmente e me observou, referindo-se à arma que tinha a meu lado: - “Linda espingarda!... Corta longe?...”, assim se querendo informar do seu alcance que, na verdade, era bastante elevado, muito próximo dos mil metros.
-“Corta longe, corta…” - respondi-lhe eu depois de haver correspondido à sua saudação e reconhecido o homem das muitas vezes que já o vira conduzindo o gado para os pastos.
- “Chega além às vacas?” – insistiu o homem, manifestamente interessado na arma e talvez,como como logo deduzi, em dar mesmo um tiro com ela.
- “Às vacas?...” exclamei eu. – “Muito para além das vacas…”, que deveriam estar a cerca de duzentos e cinquanta metros de nós. –“Muito para além das vacas…” – continuei convicto. “Quer experimentar..” – sugeri fazendo então menção de lhe entregar a arma.
Ora, mortinho por isso estava o nosso amigo cujos olhosbrilharam logo que acabei de lhe fazer a oferta.
- “Se o senhor me desse licença… era capaz de experimentar…” – respondeu um pouco envergonhado.
Peguei então na espingarda, meti-lhe uma bala na câmara e, recomendando-lhe que escolhesse outro alvo que não as vacas, passei-lha então para as mãos que logo avidamente a seguraram enquanto que, com a vista procurava o alvo da sua eleiç.ão. Vi então que apontava para o lameiro onde pastava o gado e, sem que o pudesse impedir, foi nessa direcção que disparou o tiro dos seus desejos.
Ainda o estampido seco do tiro ecoava no ar quando uma vaca das que pastavam serenamente, alçava uma pata traseira e, mugindo de dor e com ela no ar, começava aos pinotes no campo.
- “Ai a minha vaca que lhe acertei…” – gritava agora o homem que, desvairado, me devolvia a arma e se lançava pela encosta abaixo até ao rio que atravessou numas poldras que havia perto, logo correndo em direcção às suas vacas por onde ficou atarefadíssimo na procura das mazelas que causara.
Soube, mais tarde, que um curandeiro veterinário lá da aldeia lhe havia extraído da coxa de uma pata trazeira a bala que ali se alojara porque, na verdade, a arma “cortava bem longe…”
Estranhamente são as pessoas que menos ou muito poucas razões teriam para me estarem reconhecidas que mais o estão e, inesperadamente, assim mo vêm demonstrando! Inversamente, aquelas que, em meu entender, alguma obrigação teriam em fazê-lo, são as que mais me votam ao esquecimento, alheando-se de mim, talvez até do que para elas represento, ou deveria representar, fazendo-me desde já antever o que ocorrerá com elas após a minha morte! E são negros presságios estes já que não é numa prateleira que me põem – como soi dizer-se – mas é mesmo dentro de um armário!...
Não é que a morte me assuste, não assusta. Tenho, quanto a ela, como já aqui há tempos confessei, alguma curiosidade até pois acredito em Deus e na vida numa outra dimensão, fora da temporalidade que, dia a dia e por mercê do "homo sapiens", nos esmaga e asfixia roubando-nos aquilo para que teremos sido criados e que seria toda a alegria de viver e bem-fazer além de toda uma imensa gratidão por estarmos vivos e poder sentir.
Na morte o que me atemoriza, confeso-o, é o sofrimento que possa ter de passar para a atingir e, se esta surgir de repente e sem aviso, o sofrimento que, por isso mesmo, sem que tenha havido tempo antes para a sempre necessária preparação, ela possa causar àqueles que, na verdade, me amam e que, por alguma forma, durante a vida – esta tão curta e simultâneamente tão longa vida!- sempre me manifestaram o seu carinho, o seu amor e a sua preocupação e que me irão certamente recordar com saudade não me deixando morrer nas suas memórias e nos seus corações pelo menos enquanto estes também baterem…
São reflexões deste tipo que hoje preenchem o meu quotidiano, sobretudo quando me vejo ao espelho, a barba cada dia mais branca, crescendo inexorávelmente e indiferente à disposição com que me encontro ou às vezes em que a faço, ou ainda quando, debruçado sobre esta janela mágica para o mundo que o meu computador e a internet me proporcionam, consulto o extracto da minha magra conta-reforma, sempre atento às necessárias despesas a que o simples acto de viver me obriga dentro deste turbilhão desvairado dos milhões que hoje devemos, ontem nos emprestaram e amanhã teremos de pagar, coisas de que os políticos de hoje tanto se entretêm em falar.
Sei que não vem a propósito mas penso, por isso, que para se ser político é necessário, em primeiro lugar, ser-se sado-masoquista pois só assim se comprenderá a sanha que todos têm de sofrer as agruras da governação, em segundo lugar, ser-se desempregado de longuíssima duração e, em terceiro e último lugar, ter-se perdido todo e qualquer sentido de humanidade e de Justiça com que Deus sempre nos dota no acto do nascimento - a consciência…
“Cogito ergu sum” ou melhor: “pensando vou vivendo”…
Cada vez entendo menos a graça inteligente de um certo e mui destacado membro dos antigos “gatos fedorentos”.
Agora, pelo que me parece e julgo saber, desfeito o grupo que, na realidade, já federia um pouco – pelo menos aos meus sentidos olfativos – eis que o maioral se trasladou, noticiado com pompa e circunstância, para a rádio onde continua a brindar-nos com o seu humor finíssimo, subtil e tão inteligente que a minha embotada sensibilidade não percebe e o meu paupérrimo intelecto não alcança!
Agora dá-nos conta de uma gravação em DVD que, pelo que diz, mostrará ao mundo os diáfonos dedinhos da sua querida netinha a escarafunchar nos buraquinhos de uma tomada eléctrica talvez em busca de felicidade perdida (digo isto porque me parece uma frase bonita e que me parece estar bem de acordo com o elevado grau intelectual da família já que é de prever que a netinha não degenere e saia tão inteligente quanto o avozinho).
Um breve parentesis para louvar a Antena 1 e a TV que tão bem cuida dos seus ouvintes e telespectadores ao divulgar de forma tão subliminar quão inócua tão proveitoso ensinamento! Bem hajam… e… haja igualmente paciência…
Será que isto atenuará os efeitos da crise?
Como costumo dizer, “mão amiga” acaba de me enviar o texto que, a despeito de o ter já reenviado aos amigos que constam do meu livro de endereços, não quis deixar de o colocar aquí onde poderá vir a ser lido por outros. Trata-se, a meu ver, de um texto bem escrito, curioso e, sobretudo, oportuno e que muitas outras questões poderá deixar no ar.
Deixo-o, então, à Vossa consideração:
“LA SEXALESCENCIA
SI miramos con cuidado podemos detectar la aparición de una franja social que antes no existía: la gente que hoy tiene alrededor de sesenta años: - LA SEXALESCENCIA. Es una generación que ha echado fuera del idioma la palabra "sexagenario", porque sencillamente no tiene entre sus planes actuales la posibilidad de envejecer. Se trata de una verdadera novedad demográfica parecida a la aparición en su momento, de la "adolescencia", que también fue una franja social nueva que surgió a mediados del S. XX para dar identidad a una masa de niños desbordados, en cuerpos creciditos, que no sabían hasta entonces dónde meterse, ni cómo vestirse. - Este nuevo grupo humano que hoy ronda los sesenta o setenta, ha llevado una vida razonablemente satisfactoria. Son hombres y mujeres independientes que trabajan desde hace mucho tiempo y han logrado cambiar el significado tétrico que tanta literatura latinoamericana le dio durante décadas al concepto del trabajo. Lejos de las tristes oficinas de J.C. Onetti o Roberto Arlt, esta gente buscó y encontró hace mucho la actividad que más le gustaba y se ganó la vida con eso. Supuestamente debe ser por esto que se sienten plenos; algunos ni sueñan con jubilarse. - Los que ya se han jubilado disfrutan con plenitud de cada uno de sus días sin temores al ocio o a la soledad, crecen desde adentro en uno y en la otra.Disfrutan el ocio, porque después de años de trabajo, crianza de hijos, carencias, desvelos y sucesos fortuitos bien vale mirar el mar con la mente vacía o ver volar una paloma desde el 5º piso del departamento. - Dentro de ese universo de personas saludables, curiosas y activas, la mujer tiene un papel rutilante. Ella trae décadas de experiencia de hacer su voluntad, cuando sus madres sólo podían obedecer y de ocupar lugares en la sociedad que sus madres ni habrían soñado con ocupar. Esta mujer sexalescente pudo sobrevir a la borrachera de poder que le dio el feminismo de los 60′, en aquellos momentos de su juventud en los que los cambios eran tantos, pudo detenerse a reflexionar qué quería en realidad. Algunas se fueron a vivir solas, otras estudiaron carreras que siempre habían sido exclusivamente masculinas, otras eligieron tener hijos, otras eligieron no tenerlos, fueron periodistas, atletas o crearon su propio "YO,S.A.".Pero cada una hizo su voluntad.
Reconozcamos que no fue un asunto fácil y todavía lo van diseñando cotidianamente. - Pero algunas cosas ya pueden darse por sabidas, por ejemplo que no son personas detenidas en el tiempo; la gente de "sesenta o setenta"", hombres y mujeres, maneja la compu como si lo hubiera hecho toda la vida. Se escriben, y se ven, con los hijos que están lejos y hasta se olvidan del viejo teléfono para contactar a sus amigos y les escriben un e-mail con sus ideas y vivencias. Por lo general están satisfechos de su estado civil y si no lo están, no se conforman y procuran cambiarlo. Raramente se deshacen en un llanto sentimental. A diferencia de los jóvenes; los sexalescentes conocen y ponderan todos los riesgos. Nadie se pone a llorar cuando pierde: sólo reflexiona, toma nota, a lo sumo… y a otra cosa. - La gente mayor comparte la devoción por la juventud y sus formas superlativas, casi insolentes de belleza, pero no se sienten en retirada. Compiten de otra forma, cultivan su propio estilo… - Ellos, los varones no envidian la apariencia de jóvenes astros del deporte, o de los que lucen un traje Armani, ni ellas, las mujeres, sueñan con tener la figura tuneada de una vedette. En lugar de eso saben de la importancia de una mirada cómplice, de una frase inteligente o de una sonrisa iluminada por la experiencia. - Hoy la gente de 60, 70.... y más, como es su costumbre, está estrenando una edad que todavía NO TIENE NOMBRE, antes los de esa edad eran viejos y hoy ya no lo son, hoy están plenos física e intelectualmente, recuerdan la juventud, pero sin nostalgias, porque la juventud también está llena de caídas y nostalgias y ellos lo saben. Hoy la gente de 60 , 70 ... y más, celebra el Sol cada mañana y sonríe para sí misma muy a menudo… Quizás por alguna razón secreta que sólo saben y sabrán los del siglo XXI. - Nota: Por favor, no te lo guardes; pásalo. Está buenísimo.
"Aprende a obsequiar tu ausencia,
a quien no aprecia tu presencia."
Un saludo a todos, en especial a los Sexalescentes.””
À bientôt…
Como digo no título deste meu “post” e para meu grande espanto, acabo de ver o novo secretário geral da CGTP a tentar convencer os trabalhadores, que muito provavelmente irão, e em grande número, vacilar na projectada adesão à “greve geral”, de que a perda do seu dia de salário no próximo dia 22, deverá ser por todos considerada como um “investimento” em não sei quê que não cheguei a entender de tal modo me revoltou a desfaçatez do senhor com tal discurso!
Com que então trata-se de um “investimento”? Quais e quantos serão os papalvos que irão acreditar nisso quando se virem, no final do mês,sem umas dezenas de euros dentro dos seus bolsos e, muito provavelmente, cidadãos de um País pelas suas mãos mais empobrecido?
É que o alegado investimento, a verificar-se a greve com a adesão que esse senhor e o seu patrão desejariam (e o partido não se cansa de proclamar que assim será!) irá necessariamente provocar ao país, cuja economia se encontra – como é consabido – particularmente florescente (!) , um prejuizo de milhões e milhõesde euros que todos pagaremos para contento e satisfação de quem nada tendo a perder mais não pretenderá do que a “bagunça”e o regresso ao saudoso tempo de Lenine ou Estaline, assassino condenado pela história e cujo percurso ideológioco e político só agora começa a ser verdadeiramente conhecido.
Tenham ao menos a hombridade de o confessar e talvez o “à vante” se venha a transformar num “à ré” sem remissão… É que, se calhar, de tanto martelarem e sem que tivessem dado conta disso, a vossa foice foi-se…
Nem de propósito, acabo de ver na TV uma reportagem da Suiça que refere que os suiços não querem as “regalias” das seis semans de férias, das 35 horas semanais de trabalho tão pretendidas pelos sindicatos, em vez das actuais 42 , e recusam mesmo a baixa dos impostos que actualmente pagam,pois, fazendo contas, chegaram à conclusão de que isso os levaria à perda de competividade e esta ao desemprego e à diminuição do nível de vida que usufruem, coisa que eles querem preservar a todo o custo já que, sendo pequenos em tamanho se têm demonstrado grandes em discernimento, sabendo muito bem que só o trabalho e a produtividade, que nunca a reivindicação, demagógica, inoportuna e puramente doutrinária a par da ociosidade do maravilhoso mundo que lhes prometem, perigosamente miúpe e sem regras, lhes poderá garantir a vida que hoje levam, uma das mais prósperas do mundo.
Outros comentários!... Para quê?
Estavamos no ano de 1961 e eu acabara de ser colocado no comando de uma Secção Rural da Guarda Nacional Republicana aqui no Norte, tinha eu vinte e cinco anos, quando, cansado de uma longa jornada de ronda aos postos feita num “Land Rover” que desfazia os tímpanos a qualquer um, seriam umas oito e meia, nove horas da noite cheguei à sede da Secção onde me esperava a primeira surpresa das muitas que, desde já, me proponho vir aqui contar e que, nalguns casos, poderão até fazer sorrir quem tiver a amabilidade e a paciência de me aturar.
Com efeito, esperava-me um jóvem casal que se recusara a ser atendido pelo sargento comandante do posto-sede pois, como alegara ao plantão de serviço, só comigo pretendia falar. A rapariga era um mar de lágrimas e o rapaz um mar de sangue que lhe escorria da cabeça e manchava completamente roupas que tinha vestidas e rasgadas. Sumariamente informado de que fora um cunhado que o agredira à navalhada por uma qualquer futilidade que já não recordo mas que, por vezes, têm o condão de incendiar os ânimos fazendo que que a fúria do momento, sobrepondo-se à razão, seja a causa de verdadeiras tragédias, depois de ter providenciado o envio do ferido ao Hospital para receber tratamento e informado sobre o local onde poderia encontrar o tal cunhado, voltei a entrar no “Land Rover”, acompanhado por uma patrulha – dois elementos da guarda, para quem o desconheça – desloquei-me ao lugar indicado que ficava longe, no meio da serra e em local que só a cavalo podia atingir-se.
Era um pequeno lugar isolado e, dado o adiantado da noite, cerrada e sem lua – seriam talvez umas dez e meia pelo que só o ladrar dos cães denunciava a existência de qualquer vida ali - e à porta da taberna, acabada de fechar já que o proprietário deveria ter pensado que a Guarda viera para o fiscalizar, um reduzido número de retardatários conversavam em voz baixa com as pontas dos cigarros que fumavam rebrilhando de vez em quando.
Nada, ninguém vira o “cunhado” agressor e em sua casa, que me indicaram, uma velhota, que apareceu à janela, disse-me não ter voltado ainda nem saber do seu paradeiro e que, se fosse esse o meu desejo, me franquearia a entrada para poder revistar a casa. Recusada a oferta, fizemos outra tentativa junto de outro pequeno grupo que, entretanto, aparecera a indagar do sucedido pois a Guarda, àquela hora e em tão elevado número, eu e os dois elementos da patrulha já que o condutor ficara junto da viatura, deveria ser coisa rara ali.
Regressado à Secção, gorada que fora a expedita diligência que intentara, lá me esperava o jóvem casal com o rapaz já coberto de ligaduras, rosto incluido.
Uma coisa, porém, chamou a minha atenção: - a rapariga, essa, não era a mesma!
Claro que não. Não era nem poderia ser pois o casal que eu julgara ser o que já tinha visto, esse ainda não regressara do Hospital, e o que estava ali, na minha frente, era precisamente o formado pela irmã e pelo tal “cunhado agressor" que eu em vão procurara…
É que o primeiro preferira vir directamente à Guarda para apresentar a sua queixa, mesmo antes de ter ido receber tratamento, pretendendo, assim, fazer-nos crer que a razão estava do seu lado… O outro fora primeiro ao Hospital…
Tinham-se agredido mutuamente usando canivetes cujas lâminas estavam entaladas entre os dedos dos punhos cerrados e com os quais se socaram!... Se não estou em erro tinham cerca de trinta e tal golpes cada um…
Que eu saiba, já é a segunda vez, num relativamente curto espaço de tempo, que o “intrépido” estratega do 25 de Abril, que tão bem soube atraiçoar o homem que lhe deu o espaço necessário a revelar-se como militar, o marechal António de Spínola, vem a público dar um arzinho da sua graça apelando à necessidade de intervenção das Forças Armadas para derrubar o governo democraticamente eleito, como tanto quis outrora e porque agora talvez já lhe não convenha tanto! Pequenos cortes nas reformas…
Mas que esse senhor fale, berre ou barafuste pouco me interessa hoje - já que tempos houve em que me interessou e muito…
Adiante, porém, que isso são coisas de só gosto de me lembrar aos fins de semana e hoje é quarta-feira…
O verdadeiro problema é que alguns “comunicadores sociais”, grande parte revelando, como ele, um muito medíocre discernimento a par de uma deficiente e deformada formação cívica, em descobrindo alguma coisa susceptível de agitar a opinião pública e, quiçá mesmo, de “levantar” o povo, hoje obviamente carente e dorido, alguma coisa susceptível de fazer com que se vendam mais jornais ou se aumentem as audiências, logo se apressam a dar-lhe eco e, insensíveis às potencialmente gravas consequências, a agarram, não largando mais - tal como fazia a minha saudosa cadela boxer que preferia deixar-se ficar dependurada e a espernear no ar,do que largar o trapo de eu lhe estendera, que abocanhara e que teimava em não largar - com tudo criando um clima talvez propício a uma generalizada insurreição nacional, um e outros integrando, tanto quanto julgo saber, as situações previstas e tipificadas como crimes previstos e punidos no Código Penal Portugês, Secção II, artigos 297º e seguintes, nomeadamente o art. 330º e demais legislação correlativa.
Que o País fique alerta e tome na devida conta estes pequenos sinais que, em tempo de crise como a que estoicamente vivemos sempre vão surgindo das mais variadas proveniências e com os mais inconfessáveis propósitos.
. A actual democracia portu...
. Reflexões da terceira ida...
. Fiquei perplexo e para me...
. Há que ter cuidado com es...
. Memórias