Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Como que continuando: - as causas da crise…

 

                                               Pastor e rebanho (in Wikipédia)

 

Muito se tem falado sobre a crise económico-financeira que avassala o País nos últimos tempos mas muito pouco se vem falando acerca das suas verdadeiras origens, isto para além dos estafados discursos da corrupção e do insaciável despesismo do Estado, alimentado por um Governo que se habituou a governar nas costas dos portugueses e a ocultar-se sob fantásticos malabarismos contabilísticas e mais do que irrealistas necessidades, pré-fabricadas e concebidas apenas para favorecimento de meia dúzia, ou melhor, de umas boas dúzias de meias dúzias, que a tanto, se calhar e por defeito, montarão os “boys” do partido que nos ia desgraçando o País: - o Partido “Sucialista”! (Não confundir com “Socialista”).

Pois bem.

Muito se tem falado, escrito e descrito sobre o assunto em questão mas o que nunca vi abordado foi o que reputo ser o verdadeiro cerne do problema: - o deliberado e insaciável aproveitamento de uma jovem democracia ainda ignorante e fragilmente alicerçada numa Constituição retrógrada e utópica, alcançada após uma Revolução falhada nos seus verdadeiros propósitos, que não eram, nem nunca o foram, os de derrubar um Governo, ou mesmo um regime, mas sim e tão somente um Ministro, o do Exército (a quem apelidavam então de “meia-nau” por só ter proa) conforme era desejo dos “prejudicadíssimos” e “inconformados” capitães do QP (Quadro Permanente) em vias de serem igualados, na escala de promoções, pelos do QC (Quadro de Complemento, vulgo, milicianos) que eram quem verdadeiramente mais dava o corpo ao manifesto nas matas africanas enquanto que grande parte dos outros permaneciam nos quartéis-generais “concebendo” tácticas e estratégias operacionais… Mas adiante que isto será pretexto para um próximo “discurso”.

Assim e na verdade, voltando ao assunto deste comentário, a crise que hoje se despoletou, terá tido a sua remota origem na desgraçada Constituição de 76 e nos chavões pseudo socializantes com que, de ponta a ponta, a submergiram e afogaram.

Tudo aí passou a ser social, tudo passou a ser socialismo sem que, em primeiro lugar, se tivesse cuidado de ensinar democraticamente ao Povo (e não só!)que, embora deslumbrado, permanecia ignorante e inculto, qual o verdadeiro sentido de tal termo e, o que seria mais importante, qual a verdadeira dimensão do seu conceito começando por lhe ensinar o basilar e que seria o de que a sua liberdade só começaria onde a do seu próximo terminasse!

Assim e por falta destas basilares noções, durante algum tempo ministradas por uma certa elite militar, facção cubano comunista do novo exército que emergia – entendeu-se que democracia seria o mesmo que o “tudo nosso”. Um “tudo nosso”, que se entendia por legítimo nem que, para o efeito, se tivesse de roubar aquilo que a outros pertencia. Era o esbulho total, a bagunça total a que o Povo se dedicava sob o olhar atento daqueles que entendendo bem o que de mal por essa razão poderia acontecer, se iam aproveitando com “paternalista” condescendência (termo então esconjurado mas que, nem por isso, deixou de, na sua prática ser constantemente aplicado!) quando não com criminoso incentivo.

Assim se prenderam inocentes, se saquearam casas, terras, bens e expropriaram consciências que, perante a «novidade», se deixaram embalar e levar pelo “dolce far niente” de tudo ter sem nada fazer…

Foi deste modo que, com total impunidade e original libertino espírito revolucionário, pois cheirava a cravos!, pouco a pouco se sangrou o tesouro e, com a ausência de produção, se paralisou a economia do Pais!

Ora aqui, precisamente neste ponto, é que estará – a meu ver – o verdadeiro cerne da questão, a verdadeira e única origem da crise dos nossos dias: - quando os Sindicatos e os sindicalistas – que, curiosamente e desde a revolução vêm permanecendo nos seus postos, resistentes que são a todos e quaisquer ventos de mudança! – irresponsavelmente incentivavam a massa anónima, dócil mas ignorante dos verdadeiros “produtores” deste País – os obreiros das colmeias, a paralisarem a produção, a abandonarem os “favos”, a expulsarem os “mestres”,a  apropriaram-se da maquinaria como coisa sua, exigindo o impossível de exigir que era o de pretender que o patronato, estrangeiro em grande parte, lhe desse o que queriam, pela força, sem negociação possível e recorrendo insistentemente a métodos violentos e totalmente irresponsáveis, no que eram apoiados pelos que encabeçavam as manifestações de rua, fiscalizavam piquetes de greve e gritavam palavras de desordem social mas que nunca deixaram de ter, garantido, o pão na sua mesa: - os sindicalistas de profissão.

Sim, sindicatos e sindicalistas – que apoio e considero legítimos na sua ponderada actuação democrática mas que só deverão ser consentidos em povos com uma sólida cultura da democracia – o que nunca, desde Júlio César! – foi o caso português que, no seu conjunto, sempre formou um povo de certo modo anárquico e rebelde a carecer, como em todos os rebanhos acontece, de um pastor…

A diferença será, porém, de que, para alguns, bastará a batuta de um maestro para que todos toquem ou cantem em uníssona harmonia e, para outros, como, infelizmente, de tal nós seremos o exemplo, para nos manter na ordem será necessária a ajuda de um bom cajado transmontano bem ferrado na ponta…

Surpreendam-se, depois, com as ditaduras!

publicado por Júlio Moreno às 13:05
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