Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Curiosidades político-cronológicas a respeito do FMI

 

   Sede em Washington do FMI (in Wikipédia)

 

Anda o pessoal deste pequeno rectângulo Ibérico, geográfica e historicamente conhecido por Portugal, extremamente alvoroçado porque chegaram três senhores e, com eles, terá vindo o FMI, chamado de urgência para pagar os devaneios “socráticos” e comandita destes últimos anos!

Curiosamente, porém, e recuando apenas algum tempo na história recente da nossa tão novel democracia, verificamos que este mesmo “monstro”, que hoje tanto se teme, já por aqui andou pastando por duas outras vezes: - a primeira, em 1977, durante o I Governo Constitucional, presidido por Mário Soares, e a segunda em 1983, durante o IX Governo Constitucional, igualmente presidido por Mário Soares, sendo, em ambas as épocas, Presidente da República o General Ramalho Eanes – um dos melhores Presidentes que Portugal já teve!

E hoje, no XVII Governo Constitucional – (ena! Já são tantos!) - presidido por José Sócrates, cá temos o FMI de volta.

E que haverá de comum em todas estas vindas do FMI, perguntará o leitor?

Não acreditando em bruxedos vejo-me, no entanto, compelido em acreditar em “sinas”, pelo que sou mesmo levado a crer que será sina socialista o ter, com desusada frequência, a companhia do Fundo Monetário Internacional nos seus governos – ou “desgovernos”, (o que acham que ficará melhor semanticamente?).

Com efeito, se atentarmos no património deixado aos portugueses pelo Estado Novo – leia-se por Salazar, o “botas”, que nasceu e morreu pobre – e que desde logo, creio mesmo que logo a partir do dia 26 de Abril, passou a denominar-se “pesada herança” – que bem o devia ser atenta a enormíssima quantidade de lingotes de ouro então armazenada na Casa Forte do Banco de Portugal (dizem as más línguas que a maior do Mundo!) – ficaremos perplexos com o facto de, três anos, apenas três!, volvidos sobre o revolucionário acontecimento de 25 de Abril de 1974, o País ter tido necessidade de recorrer à caridade alheia por já lhe escassearem os meios necessários ao seu quotidiano, patriótico e democrático esbanjamento  dado que, entretanto, todo o luso Ultramar que tantas vidas custou a firmar e a manter Português já se fora, entregue em bandeja de prata por uns quantos “Miguéis de Vasconcelos” aos senhores que financiaram as guerras e o terrorismo - URSS, EUA, China e até Cuba - e que, alegando toda a sua solidariedade e fraternidade pelos povos africanos apenas lhes cobiçavam os territórios em busca das suas riquezas…

Simultaneamente, levar a notícia da nossa original revolução dos cravos a todo o mundo, democraticamente acompanhado de séquitos tão numerosos como os que então se deslocavam, a mando de D. Mário I, que também cumpria esse penosíssimo e patriótico dever, confirmado em grandes discursatas durante grandiosas jantaradas, com eminente risco de “empanturramento” e com isso abnegadamente despresando a própria saúde e a vida, foi obra cara e arriscada mas, com certeza, bem justificando quer a decisão quer o facto.

Os vindouros os louvarão por isso!

Porém e se até aqui tudo bem – quero dizer, já tudo mal! - estranho se torna que, seis anos volvidos, o FMI tenha regressado a Portugal, agradado que terá ficado com a gentileza das populações e a amenidade do clima tudo acompanhado pelo animado folclore que, quase diariamente, as classes obreiras lhe haviam proporcionado por esse País fora ao som da popularizada canção de “ A Luta Continua…” que o saudoso e moscovita Cunhal se empenhara em gravar em cassete e distribuir profusamente entre a “classe operária” como ele, tão carinhosamente, gostava de chamar a quem tinha por hábito a árdua e cansativa actividade de, rua abaixo, rua acima, avenida abaixo, avenida acima, reivindicar, reivindicar, reivindicar!...

E se, entretanto, a vinda do FMI tivesse sido interpretada – que o não foi – como um mal necessário, nos anos que vieram a seguir, desde 1985 a 1995, sob a direcção de Cavaco Silva, os ânimos esfriaram, as gargantas secaram e o regabofe como que se esfumou.

Aqui e ali, com um ou outro episódio menos digno, Portugal trabalhava, os salários eram os justos (para a época e para as reais possibilidades do País), não havia desemprego e as polícias e os Tribunais, com raríssimas excepções, iam funcionando.

Veio então Guterres. O bom e bem intencionado Guterres que, a despeito de ser mauzito em contas de cabeça, ele que, de facto era engenheiro diplomado, de descuido em descuido, dialogando talvez em demasia – (e atente-se agora na profecia de Júlio César que, já em 47 A.C. e no Senado de Roma, nos apontava a dedo como sendo um Povo que se não governava nem deixava governar, o que me não canso de repetir aqui até à exaustão por tão verdadeira que ela foi e é )– reconheceu um dia que o País se transformara num pântano e, não sei se a nado se de piroga, se pirou de cá deixando o País entregue a um Durão, de apelido Barroso, como Primeiro-ministro, e Lisboa, a capital do Império, a Santana Lopes, como Presidente da Câmara, o patamar do poder…

Engraçados foram esses tempos em que os socialistas se não entendiam e lá por casa deles, no Largo do Rato, corria alguma celeuma e burburinho bastante para os entreter e entreter o Povo que começava já a pensar em euros isto, decorria o ano de 2002.

Foi então que o PS arranjou o camarada Sócrates para seu Secretário Geral pelo que o Presidente da República de então, o socialista Jorge Sampaio, que, por ter o pé chato não cumpriu o serviço militar mas o que o não impedia de caminhar quilómetros pelos campos de golfe cujo desporto, dizem, praticava!, achando talvez como já oportuna a ocasião, decidiu invocar as “trapalhadas” de Santana Lopes, entretanto guindado a Primeiro-ministro por patriótico abandono de Durão Barroso que optou por Bruxelas, e com tal fundamento se apressou a dissolver a Assembleia – que, por estranho que pareça, detinha nessa altura uma maioria absoluta! – e, com tão nobre como oportuno gesto, colocou no poder o camarada Sócrates, até aí o “experiente” e teimoso ministro dos lixos, guindando-o à chefia do governo como nosso primeiro, posto onde se tem mantido desde então e onde, por estes dias, conseguiu o glorioso feito de levar o País à bancarrota com o que trouxe pela terceira vez o “monstro” do FMI a Portugal.

Porque vai longo, este episódio termina aqui mas o programa segue nos próximos dias…

Nota – Repare-se no aspecto “cuneiforme” do edifício em perspectiva, a indiciar, talvez e para as mentes retorcidas como a minha, o que se poderá passar lá dentro…

publicado por Júlio Moreno às 01:20
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