Sábado, 30 de Abril de 2011

A democracia, os seus intérpretes e as condicionantes da sua aplicação hoje ao Portugal real

Complexo tema este que escolhemos para a nossa reflexão de hoje. No entanto e porque a julgamos necessária e talvez urgente, abalançámo-nos a fazê-la mesmo contra os poderosos ditames da nossa própria razão que nos aconselhava precisamente o contrário.

Assim, vencendo uma vez mais o temor, que não raro nos assalta, de não sermos capazes de, por palavras, dar a conhecer aos outros o nosso pensamento, entendemos que o País, no que respeita à democracia que vive, se encontrará a funcionar em três níveis completamente distintos que importará distinguir e que muito se diferenciarão entre si.

Todos nós sentimos, e pretender ignorá-lo é dar uma tristíssima nota de nós mesmos, que existem hoje em Portugal três classes de democratas:

- uma, a dos genuínos e que, com utópico idealismo - atento o País em que vivem e a pouca clarividência do Povo que pretendem servir -  insistem em cultivar a democracia com convicção e elevação, obedecendo escrupulosamente às suas regras mesmo, e sobretudo, quando elas os conduzem a situações que lhes são notoriamente adversas;

- outra, a dos que dela estarão plenamente conscientes em termos de procedimento e significado mas só dispostos a aceitá-la enquanto se virem pessoalmente compensados pela sua prática, logo prosseguindo outros métodos, recheados de artimanha e plenos de reserva mental, e que nada terão a ver com ela sempre que os seus interesses periguem ou ameacem divergir da finalidade que buscavam alcançar; e, finalmente

- outra ainda, a daqueles que, pela sua imaturidade ou natural insuficiência mental, quando não pela estúpida arrogância com que pretendem disfarçar aquilo que não entendem e por tal razão ignoram, afirmando-se ”nas tintas” para a democracia em que ouvem falar sem que saibam sequer o que seja e considerando como muito mais importantes os resultados e as intrigas do futebol, os mexericos em que se enreda e de que se alimenta certa imprensa escrita ou os “reality-shows” - de que o recém ocorrido Cogresso Socialista foi bem claro exemplo -  e com o que vão mitigando a sua inesgotável sede do “nonsense” que, muitas vezes, nem chegam a entender mas que lhes servirá de diversão.

Assim, aqueles que por sua iniciativa – tradição, tendência, necessidade ou “escape” – enveredarem pelos caminhos tortuosos e difíceis da política, pertencendo também  – não se julguem isentos! - a uma das categorias antes enunciadas, nunca deverão perder de vista que, tal como eles próprios, também aqueles a quem se dirigem e que os ouvem, poderão pertencer, sem que o saibam, ao primeiro, ao segundo ou ao terceiro grupo e ser, nessa perspectiva e condição, que possam vir a utilizar as palavras que tenham ouvido ou os postulados que lhes tenham enunciado.

Pensamos assim que o exercício da democracia, sob pena de nos alongarmos infindavelmente em discussões estéreis e que a muito poucas soluções práticas e concretas poderiam conduzir e que, quando concluídas poderão estar já a pecar por desactualizadas, deverão revestir sempre um certa, embora controlada dose de “imperium”, e serem sempre produzidas em circunstâncias tais que não façam com que a “guerra” se perca por demasiada ingenuidade estratégica na táctica a utilizar perante o “inimigo”.

Por aqui se poderá talvez concluir que a democracia mais não deverá ser considerada do que uma forma indolor de se exercer o poder soberano sobre toda uma Nação mas que, em conjunturas de excepcional gravidade, como a que vivemos, não poderá vacilar perante os inimigos que no e do seu próprio seio queiram alimentar-se.

Portugal vive, neste momento e sem qualquer preparação prévia que o proteja – que a não tem por muito que se afirme o contrário – uma democracia incipiente, titubeante e em sérios riscos de se desmoronar, que não corre ainda nas veias de quem a proclama e onde já vimos começar a despontar uma séria tentativa monopolista apoiada numa arrogante dialéctica que só na mentira vai encontrando o suporte em que se apoia, isto perante a passividade e total inoperância dos que, recusando a utilização das mesmas armas, só fugazmente se lhe vão podendo opor.

NOTA - Este "post", depois de publicado, sofreu algumas alterações que resultaram não só de uma maior actualidade factual - a desenvolver em "post" subsequente - como igualmente da nova redacção de alguns pontos em ordem a torná-los mais claros e, porventura, mais consentâneos com o pensamento do seu autor.

publicado por Júlio Moreno às 00:45
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