Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

Morte e nova vida ao entardecer…

 

Os cabelos brancos do homem estavam em desalinho por causa do vento que soprava forte, ali, à beira mar, naquela rocha suavemente arredondada onde se sentara. O seu olhar, de uma limpidez acinzentada, tinha-o perdido talvez bem para lá da linha do horizonte que havia já bastante tempo fixava.

Pensava...

Pensava, e, no turbilhão de ideias que lhe povoavam o cérebro matemático, arrumado e habituado a deduzir e a encontrar as soluções das complexas equações algébricas e dos problemas de matemática quântica, matérias que ensinava, sentia que algo de infinitamente grande o invadia e dele se apossava numa sensação única e que não se recordava de já alguma vez ter sentido.

E essa sensação perturbava-o. Já na véspera, pelo entardecer e olhando o por do sol da varanda de sua casa e vendo como ele se afundava lentamente naquela linha curva daquele mar imenso que tanto amava e o horizonte tão bem recortava. desdentão  que essa sensação estranha se fixara nele sem que tivesse sido capaz de a afastar tal como lhe acontecia sempre que tinha de preparar alguma lição mais avançada para as aulas do dia seguinte. Recordou então em como era fácil resolver os seus complexos problemas matemáticos e de como era fácil explicar essas matérias aos seus alunos… Mas como explicar o inexplicável? Aquilo que tinha ali mesmo ante os seus olhos e que, sempre que o via, o deslumbrava sem sequer imaginar qual pudesse ter sido o processo de cálculo que levara a tamanho e tão grandioso evento como era aquele: - o por do sol!... Mais um, apenas mais um dos muitos que observara já em toda a sua explendorosa magificência e quântica magnitude!

E o homem sorriu. Sorriu interiormente, muito mais para si do que para quem o pudesse estar a observar naquele momento e que não era ninguém pois estava só. Sorriu enigmaticamente já que subitamente sentiu que começava a entender algo que nunca conseguiria ensinar aos seus alunos e que ele mesmo estava ainda muito longe de compreender também…

Pensava e sonhava...

Foi quando a verdadeira noite já caía que o encontraram.

Tinha tombado para o lado esquerdo e da têmpora, ligeiramente ferida pelo impacto com a rocha onde se sentara, um ligeiro fio de sangue, agora já coagulado, como que lhe manchava o sorriso em que naquele mesmo instante, simultâneamente fugaz e eterno, a morte o supreendera e finalmente o levara a resolver a equação que nunca em vida resolvera.

- É o professor... - alguém explicara a alguém. - Aquele que morava naquela casa... acolá!...

publicado por Júlio Moreno às 17:31
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