Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

Curiosidades de um Fevereiro frio ... (recuso-me a escrever "fevereiro")

A “troika”, o desemprego, a crise, as medidas de austeridade, o desemprego e as omnipresentes CGTP e UGT, são termos que andam no ar e como que o empestam dificultando a respiração de quem, como é o meu caso, sofre de obstrução respiratória crónica e faz diariamente dezasseis horas de oxigénio...

“Aprioristicamente” a dita troika assemelha-se a um laboratório mal cheiroso de ideias económico-programáticas já fora de prazo. Cuida das finanças. Descura a economia. Corre o risco de matar o doente da cura! Cheira-me a que, também para eles, como reza a anedota, a coluna do “haver” é a que fica do lado da janela...

Temos hoje – dizem os entendidos, que o não sou, não obstante me tenha dedicado a vida inteira ao exercício de uma actividade das que mais emprego gerou neste País! – um dos maiores desempregos de que há memória. Setecentos mil, novecentos mil desempregados, até um milhão já eu ouvi!

Paralelamente assisto a uma CGTP renovada – para pior, diga-se – que parece apenas preocupar-se em regressar aos gloriosos tempos do PREC quando, bem ao arrepio do que o País agora necessita, teima em incentivar e decretar greves como as únicas formas que conhece de “proteger” os trabalhadores.

Fala-se em “direitos adquiridos” e nunca ouço falar em “deveres prometidos ou acordados”.

Fala-se em produtividade e pouco ouço falar em produção.

È nesta embrulhada, que agora me parece por demais perniciosa para apenas lhe chamar ridícula, que o novo e melífluo líder daquela central sindical clama às bases para que o ouçam sem se dar conta de que estas já nem sequer o vêm, preocupadas que estão, como lhes compete, em arranjar a solução que mitigue a fome dos seus filhos e lhes garanta a dignidade de vida a que terão indiscutível direito. É que já sabem que não é considerando como seu eterno inimigo o “patrão” – tal como Lenine ensinou – que logram obstar a que as fábricas fechem por falência ou as empresas se desloquem para locais mais favoráveis.

É, pois, neste contexto que me atrevo a considerar como possível a introdução na nossa legislação laboral daquilo a que os americanos chamam “incentive pay” e mais não é do que o prémio dado aos melhores, aos que mais produzem mas de uma forma bem peculiar e que os não faça adormecer à sombra dos louros conquistados confundindo-o com os ditos “direitos adquiridos”.

Explico-me: – o bom e produtivo trabalhador, que se distingue dos demais e vai para além do rotineiro e quotidiano cumprimento da sua obrigação, deve ser recompensado com palavras – o velho “louvor” militar que eleva a auto-estima e cultiva o amor-próprio– e, economicamente, com o aumento do salário que lhe proporcione, a si e aos seus, um melhor nível de vida.

Deve saber, porém e simultâneamente, que esse aumento, ou os aumentos que por tal forma houver grangeado, não lhe serão nunca atribuídos a título definitivo – como direito adquirido – mas sim e tão somente enquanto durarem os méritos laborais de produtividade que os motivaram já que, falhados estes, tais benefícios pecuniários lhe poderão ser retirados regressando ao nível salarial que lhe competir pelo acordo colectivo.

Creio que a economia nacional muito teria a ganhar se aplicasse este método embora tivesse primeiro que vencer o enorme obstáculo que seria o de “formar”juízes e de criar normas que definissem regras inequívocamente  justas e que permitissem, sem margem para dúvidas, fazer com que o sistema funcionasse com isenção, equidade e livre de compadrios ou compromissos de outra ordem bem ao jeito da eterna “cunha” portuguesa.

Aqui deixo a sugestão ao Primeiro-ministro do meu País para que a pondere e lhe atribua o mérito ou o demérito que, porventura, mereça.

E já agora, que os dias vão gélidos e tão frios que ameaçam de morte os mais desgraçados que moram na rua, destemperando brutalmente a amenidade climática que, por força já do hábito, talvez pudessem ainda suportar, uma palavra apenas  para dizer, como alguém que me é muito próximo me recordou há pouco,  que não tenho notícia de que algo tenha sido feito pelos altos – e mesmo baixos - dignatários da CGTP, UGT, PCP ou BE em prol dos “sem abrigo” que tanto e tanto proclamam defender mas que me parece só preocuparem outros de coração bem mais empedrenido...

publicado por Júlio Moreno às 21:52
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1 comentário:
De contoselendas a 8 de Fevereiro de 2012 às 00:56
Bem vindo pelo regresso.
Atualmente em Portugal o bom e produtivo trabalhador já é aquele que cumpre um objetivo estipulado pelo patrão. Remunerado com prémio de produção. Objetivo esse que ao fim de algum tempo sobe para um patamar superior, obrigando o trabalhador a um maior esforço para atingir tal distinção, num ciclo vicioso.
Nunca percebi porque se critica tanto a função pública e se fica feliz por estes descerem em direitos para o “nosso” patamar “miserável”. Afinal os “mamões do estado” se fossem prejudicados não retirariam estes direitos. Já estão precavidos e bem servidos. Afinal são governantes.
Nunca percebi o porque de criticar-se tanto os partidos de esquerda, ditos defensores dos coitadinhos, e afinal sabe-se o que são… e não se critica e penaliza aqueles que na direita se dizem os também defensores do povo – CDS-PP – e que quando chegaram ao poder compraram submarinos, também não se critica e penaliza, tão severamente, aqueles que sem ideologia estão sempre alternadamente no poder, PS e PSD.
Não ter opinião em Portugal parece ser saudável para sobreviver assim não se compromete com ninguém. As promoções no local de trabalho são mais fáceis para quem abana a cabeça e calasse, sem direito a ser escutado pois pode até ter uma boa opinião e ou ideia. O silêncio é Ouro. Assim sobrevive o compadrio e a má liderança.

Saudações

Contoselendas


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