Segunda-feira, 12 de Março de 2012

O golf

Quando hoje vejo e ouço, na televisão, notícias sobre o golf não posso evitar que muito estranhas e contraditórias sensações se apoderem do meu espírito e que, ao mesmo tempo que algumas muito me alegrem, outras causem na minha alma uma certa sensação de inexplicável tristeza e de uma infinita saudade! Passo a explicar:

Desde menino que ouço falar e me habituei ao golf, desporto que meu pai praticava e bem, e ao qual eu próprio também dava um jeito usando os “ferros” do meu pai - com parte do taco debaixo do braço e agarrando-o pelo meio já que qualquer deles era demasiado longo para a altura dos meus quatro anos! Era assim que eu brincava ao golf até que meu pai me supreendeu com a oferta de um pequeno saco com um mini “set” (Parshot) o que já me permitia jogar como devia ser e com o qual cheguei mesmo a realizar algumas proezas.

Meu pai, como já aqui tenho referido, sendo médico em Vidago, usufruia do raro privilégio, que a Empresa das Águas Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas lhe concedia, de poder jogar golf durante todo o ano num campo que, para efeitos oficiais, só estava “aberto” durante os meses da época balnear, isto é, nos meses de verão, desde Junho a Outubro quando Vidago se enchia com centenas de aquistas que, na sua maior parte não jogando golfe, não se coibiam de ir diariamente ver jogar, passeando através do frondoso e ameno parque que unia as fontes números um e dois e terminava junto do campo, precisamente junto do “tiger tee” da segunda volta já que, sendo o campo apenas de nove buracos, era necessário efectuar duas voltas – saindo de “tees” diferentes – para se completarem os consagrados dezoito dos campos normais e utilizados em competição.

Recordo que era em finais de Maio que a relva era convenientemente cortada e especialmente preparados os “greens” (no inverno eram os grandes rebanhos de ovelhas que, com inusitada mestria o iam fazendo), que era limpo o ribeiro que atravessava a zona baixa do campo (dividido em duas partes completamente distintas estendendo-se, uma, sensivelmente ao nível do parque, os “greens” 1, 6, 7, 8 e 9, e a outra, subindo serra acima, com os “fairways” 2, 3, 4 e 5, numa zona onde se ouvia o característico e saudável ruído da brisa penteando os pinheiros do cerrado pinhal e que até nós trazia aquele odor tão lavado e característico dos pinhais de então e hoje praticamente inexistente tal é a poluição que os rodeia!, para voltar a descer ao nível baixo que antes referi através do “fairway” 5, caprichoso pela dificuldade que apresentava e que, qual cascata viva, permitia desfrutar duma larga vista panorâmica do vale que se estendia até à linha do caminho de ferro que passava mesmo ao lado da casa onde morávamos). Era então que igualmente se colocava a componente metálica dos buracos e as respectivas bandeiras e os torniquetes de rega que, à tardinha, não raro davam grandes banhos aos jogadores menos previdentes.

Era, por esses dias, o golf considerado um desporto de elite, praticado só por classes abastadas ou de uma certa posição social – o que sempre me pareceu, além de muito injusta consideração, ser uma falsa desculpa dada por quantos achavam que era um desporto “chato” onde se faziam quilómetros e quilómetros a correr atrás de uma bolinha, à qual se ia dando pancadinhas aqui e além até a conseguir meter dentro de um buraquinho!  e isto porque via outros, muito mais caros do que o golf (o automobilismo, o tiro, o ténis e até o próprio cliclismo, etc.) não serem tão criticados e vilipendiados por uma certa opinão pública e para a qual talvez só houvesse um desporto relevante neste mundo: o futebol!

Hoje, porém, e sem se ter tornado – e felizmente!, um desporto de “massas, o golf surje-nos agradavelmente “democratizado” e praticado por um número cada vez mais apreciável de praticantes e jóvens na sua maioria. Saudável e proporcionando um completíssimo exercício físico, é o golf o tipo único de desporto que pode ser praticado em qualquer idade muito embora me pareça que se começará já a exagerar um tanto nos preços a pagar para se ser sócio da maior parte dos clubes.

Sem nunca ter sido o que se possa considerar um bom jogador, tenho consciência de ter atingido aquele nível médio que já começará a satisfazer o ego, sempre inconformado, dos amantes deste tipo de desporto tendo tido a felicidade de jogar na maior parte dos campos de golf existentes ao tempo no País e Ilhas sendo mesmo sócio de alguns deles, nomeadamente do Estoril-Sol e do Lisbon Sports Club, este último em Belas.

Voltarei a este assunto um dia destes pois participei, fui testemunha e ouvi contar alguns episódios dignos de serem recordados… 

publicado por Júlio Moreno às 18:46
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