Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Touradas... mas que touradas!

 

Desde sempre me causou preocupação e a maior perplexidade a tremenda contradição entre o que se proclama e ensina e o que se pratica, na realidade.


Serão assim os povos de todo o mundo ou seremos nós quem maior propensão terá para tal? Não sei, desconheço estatísticas e ignoro mesmo que alguma autoridade pública se tenha já, alguma vez, debruçado sobre o assunto em ordem a retirar daí as suas ilacções e, eventualmente, poder vir a formular normas coercivas de conduta a impor aos cidadãos para futuro.

 

Vem isto a propósito da “festa nacional”: - a tourada! - e enaltece-se a tourada, a festa brava, quase como se o país dela dependesse!

 

Cria-se um animal, alimenta-se convenientemente, concede-se-lhe a liberdade de correr pelos campos em manada, incute-se-lhe a noção – não sei como ele a entenderá! – de que é livre de que será feliz, que terá cuidados médicos (a veterinária é nisso profundamente envolvida e, consequentemente, tremendamente responsável!) e que terminará os seus dias com uma morte natural ou então súbita, mas rápida e indolor para cumprir uma das missões para que terá sido criado: - dar de comer à humanidade como nós próprios daremos um dia aos milhões de larvas e de seres microscópicos que se irão alimentar dos nossos corpos!

 

Paralelamente e ao mesmo tempo que isto acontece, vamos mostrando aos nossos filhos que devemos respeitar os animais, não os maltratando nem causando dor ou sofrimento, antes lhes proporcionando, de acordo com os níveis de perigosidade irracional que apresentem para a nossa espécie, o melhor tratamento possível.

 

Assim se passa com os cães, com os gatos, e, de um modo geral, com todos os animais, particularmente com as espécias ditas domésticas e mesmo com as que modernamente se classificam de “protegidas”. Deste modo ensinamos os nossos filhos, procurando moldar-lhes a personalidade para que sejam amanhã cidadãos de corpo inteiro, tolerantes, complacentes e justos.

 

Mas então como apresentar-lhes depois, nas arenas, um boi mais ou menos negro, escorrendo sangue das inúmeras feridas causadas pelos “soberbos” ferros, quais arpóes, que destemidos “artistas” - os valentes de Portugal , de Aljubarrota ou Alcacer Quibir – lhes vão espetando no cachaço e pelo dorso para gáudio e delírio de uma multidão ululante não muito diferente daquela que na velha Roma assistiria eufórica às lutas de gladiadores ou dos homens contra as feras, com a agravante de terem direito a transmissões televisivas em horários nobres com imagens chocantes e narrativas monocórdiocas feitas, muitas vezes, por treinadores de bancada que comentam o que não sabem e, por inconfessada covardia, nunca experimentaram?... Como fazêr-los entender tal contradição?

 

Tudo isto é estranho, contraditório e criticável, repugnando à esmagadora maioria das consciências bem formadas, menos ao Estado. Ao Estado que, impondo desumana austeridade nesta época artificial de crise, causada por um desgoverno inimaginável e roubalheiras colossais, cortando em escolas, em hospitais e cuidados de saúde, esmaga o Povo com impostos que apenas se respeitarão exactamente porque nos são “impostos”…

 

Finalizando este meu já longo “post” e uma vez mais me socorrendo da “mão amiga” que alimenta algumas destas minhas considerações transcrevo, na íntegra o texto que acaba de chegar às minhas mãos deixando as considerações possíveis – diria que necessárias – para quem as queira fazer que eu não posso já que, se pudesse, inverteria as situações: - colocaria os touros nas bancadas e os homens, os mais fortes, ardilosos e bem armados na arena lutando contra os mais fracos, mais confiantes e desarmados…

 

Segue o texto:

 

“Por falar em subsídios, no passado dia 21/03/2012 foi publicada no Diário da República a lista dos subsídios atribuídos pelo IFAP no 2.º semestre de 2011, tal como se havia publicado a listagem relativa ao 1.º semestre de 2011 no dia 26/09/...2011.
“No ano de 2011 o IFAP atribuiu subsídios no valor de €9.823.004,34 às empresas e m...embros das famílias da tauromaquia.
- Ortigão Costa - 1.236.214,63 €
- Lupi - 980.437,77 €
- Passanha - 735.847,05 €
- Palha - 772.579,22 €
- Ribeiro Telles - 472.777,55 €
- Câmara - 915.637,78 €
- Veiga Teixeira - 635.390,94 €
- Freixo - 568.929,14 €
- Cunhal Patrício - 172.798,71 €
- Brito Paes - 441.838,32 €
- Pinheiro Caldeira - 125.467,45 €
- Dias Coutinho - 389.712,42 €
- Cortes de Moura - 313.676,87 €
- Rego Botelho - 420.673,80 €
- Cardoso Charrua - 80.759,12 €
- Romão Moura - 248.378,56 €
- Brito Vinhas - 53.686,78 €
- Romão Tenório - 283.173,89 €
- Sousa Cabral - 318.257,79 €
- Varela Crujo - 188.957,35 €
- Assunção Coimbra - 330.789,44 €
- Murteira - 137.019,76 €
“Andam os canis municipais a matar cães e gatos porque não têm mais espaço para os acolher e há 10 milhões de euros aplicados na tourada só no ano de 2011?
“As associações vivem de CARIDADE! Tal como os velhotes que nem têm dinheiro para pagar os medicamentos com a porcaria de reforma que recebem!
“Este Verão vamos ver mais e mais florestas a arderem porque as câmaras não têm subsídios para a limpeza das mesmas, e Portugal não tem dinheiro para comprar helicópteros.
“Andam as esquadras da polícia podres e os carros enfiados em garagens porque não há fundos para os arranjar.
“Andam as crianças a ir para a escola sem tomar o pequeno almoço porque há famílias que só têm dinheiro para pagar a porcaria das rendas para não dormirem na rua.
“Foram cortados subsídios de Natal para ajudar a pagar a dívida portuguesa ao estrangeiro.
“Não há dinheiro para nada mas há 10 MILHÕES DE EUROS para a tauromaquia só num ano?””

publicado por Júlio Moreno às 12:14
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