Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012

O Prof. Doutor António Borges (I)

 

Será que sou do contra? Penso que não. Deixo apenas que os meus neurónios trabalhem livremente e, com isenção e independência, façam o seu trabalho. É apenas isto o que eu faço, bem ao contrário de muitos que os vão contrariando e baralhando apenas porque lhes convém ou porque, coitados!, são constantemente atraiçoados por eles, atrofiados, e não enxergam o que a evidência quotidiana se encarrega de lhes demonstrar!

As declarações do professor escandalizaram a generalidade do País a começar pelos habituais políticos da ribalta e a terminar naqueles que se presumia virem a ser beneficiados! 

A mim não.

O que o País não está, infelizmente, habituado é a ter pela frente quem lhe fale claro, directamente e sem as subtis subtilezas (passe a redundância) dos ilustres políticos da nossa praça. Isso é um facto. Lá por fora talvez se passe o mesmo só que não tanto e de forma menos desbocada, descarada e, porventura, menos noticiada.

Mas, para que se possa entender o que digo, impõe-se-me fazer um prévio esclarecimento. Ei-lo que se segue:

Tal como já profetizava Júlio César no Senado, e muitas vezes aqui o tenho referido, de há muito que o País vivia alegremente muito acima das suas reais possibilidades e completamente alheado do que seria, de facto, a sua saúde financeira!

A Banca distribuía dinheiro a rodos – como de costume, sempre mais a uns do que a outros! – e raro era o cidadão que não se aventurava a ter a sua própria casa e um ou dois carros, sendo inúmeros os de grander luxo. Durante os largos meses que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 não foi preciso agitar a malta. Esta já se encontrava suficientemente agitada e o País, já sem as mordaças de que se queixava o ex-Presidente Soares e que só o 25 de Novembro veio temperar um pouco, dedicava-se a esbanjar o que a Europa lhe mandava, atropelando a agricultura e as pescas e selvaticamente tratando o ambiente e as terras que passaram a ter um novo tipo de cultura: a do tijolo!

Toda a criancinha tinha um "Magalhães" (melhor seria que se tivesse chamado “Sócrates”!) mas os doutores e os engenheiros não sabiam a tabuada!

Assim e recuando um pouco mais no tempo, passada a euforia dos primeiros meses, terá sido a partir dos finais de 1974, princípios de 1975, que alguns dos mais conscientes se começaram a dar conta de que a revolução tomava o freio nos dentes e de que as execuções das FP25 começavam de facto a surgir sendo, pelo que tudo indicava, o herói do 25 de Abril um dos seus chefes a par de outros facínoras bem conhecidos!

Mas, mesmo assim, poderei dar de barato que até aí se pudesse ter vivido eufóricamente a “miragem” de uma heróica, genuina e pacífica revolução nacional.

Heroica e pacífica porque tinha derrubado o regime quando, afinal, o que os senhores capitães queriam – (mas nem todos, já que entre esses alguns havia, em muito menor número, que souberam bem como aproveitar-se dos mais incautos, aqueles mesmos que, já antes, e por não estarem ainda preparados,tinham feito abortar o malogrado golpe das Caldas denunciando-o à Pide).

Mas o que a grande maioria dos heróicos “capitães” pretendiam era tão somente defender o “tacho”, que o mesmo será dizer o elitismo da sua “classe” para o que teriam de obter a “cabeça” do ministro Andrde e Silva, sucessor do “meia-nau”, como era apelidado o ministro do Exército Sá Viana Rebelo que tivera a ousadia de colocar os capitães milicianos mobilizados para o Ultramar na escala lado a lado com os capitães do Quadro Permanente o que a estes parecia uma afronta e um sacrilégio, afronta essa que já não sentiam quando eram aqueles os primeiros a serem nomeados para as missões mais perigosas das guerras na Guiné, em Angola ou em Moçambique!

(Acrescente-se, a talho de foice, que entre os heróicos capitães de Abril que pertenciam ao Q.P. alguns haveria que nem sequer sabiam ler uma carta topográfica militar e muito menos orientarem-se por ela com o auxílio de uma bússula pelo que terão chegado a andar perdidos no mato com as suas tropas!… – isto a fazer fé no que então diziam as más línguas, que eu cá não vi!

Porém, à esmagadora maioria dos revolucionários nunca lhes tinha passado pela cabeça o que, de facto e no fim daquele dia, lhes veio a acontecer. Ficaram com um País nos braços sem saberem o que fazer-lhe. A árvore estava, de facto podre e os seus frutos caíam já ao chão e por isso caíu também o regime. Porém, para tratarem do País recém-nascido e com o qual nunca haviam contado, tiveram de ir buscar apressadamente a casa o General Spínola para que cuidasse dele…

Porém, como nunca há bela sem senão, foi a partir do “camarada Vasco” que a situação se degradou. A desvairada figura do coronel, provavelmente bem intencionado no seu utópico idealismo comunista, já então e na própria fonte pelas ruas da amargura, mas cuja teimosia raiava a loucura rapidamente se incompatibilizou com o Presidente que chegou a confidenciar-me, e não só a mim como a quem comigo estava nessa reunião de 16 de Setembro, que “isto só lá iria a tiro”!

Esta frase, de que “isto só lá iria a tiro” (tenho, como disse, testemunhos do que falo) e uma vez que a teimosia do coronel se apoiava na “força” de outro desvairado e multifacetado “capitão-herói” e nas massas populares já então enquadradas por quem viera do frio, causou-me profunda impressão e, porque não dizê-lo, o receio de uma trágica guerra civil pelo que e para o facto alertei então alguns amigos próximos que eu sabia influentes junto do General.

(Continua)

 

publicado por Júlio Moreno às 22:24
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