Quinta-feira, 15 de Novembro de 2012

As greves gerais…

 

Combustão viva: desprende luz e calor. Exemplo: gasolina em chamas.

Combustão lenta: não desprende luz. Exemplo: oxidação do ferro.””

(In Wikipedia)

 

Todavia ambas destroiem aquilo em que se manifestam e o resultado final são… cinzas!

 

Admito as greves porque estão consignadas na Constituição (a que temos!) e reconheço que “in extremis” serão o único meio de combate dos explorados contras os seus exploradores – como seria o dos escravos contra os esclavagistas e os seus chicotes -  isto quando outros meios lhes não assistam, o que não é o caso actualmente no nosso País.

 

Em vez desta brandura soeza da CGTP prefiro – eu que julgara nunca vir a dizer uma coisa destas! – a frontalidade paranoica de um Otelo sugerindo uma nova revolução. Com os meus 76 anos de idade ainda seria homem capaz de dar uns quantos tiritos com a velha “Mauser”, a espingarda de guerra do meu tempo!

 

A greve geral está para a sociedade como a combustão lenta está para o ferro que lenta mas inexoradamente acaba por destruir-la e reduzi-la a pó.

 

Será isto o que o Povo quer? Não, não é porque o Povo é sensato – “é sereno”, teria dito o saudoso almirante Pinheiro de Azevedo - muito embora pouco sensível e quase sempre crédulo perante as burlas do “conto do vigário”.

 

E alguém hoje terá dúvidas de que as teorias “comprovadamente falidas” do PC não passam de um conto do vigário? Apenas para enunciar algumas das razões que me levam a estas conclusões interrogo:

 

   1-      Quantas greves se fizeram na União Soviética durante o regime comunista?

   2-      Porque seria que o Povo, que tão bem vivia, tinha senhas de racionamento para se ir abastecer no dia-a-dia e nas prateleiras dos mercados     se não via um só produto ocidental sendo um sabonete que se oferecesse ou um um par de meias de nylon de senhora considerados presentes divinais?

   3-      Quantas vezes a “palavra” foi aí livremente utilizada sem que os que a usaram não tivessem ido parar à Sibéria?

   4-      Quantos Pasternaks não terão vivido e morrido na mais completa ignorância?

   5-      Quantos países vivendo as mais “amplas liberdades” se viram forçados a construir muros de Berlim?

   6-      Quantos generais e oficiais superiores do Exército inocentes foram mandados executar pelo criminoso Stalin?

   7-      Será que hoje já se vive bem em Cuba?

   8-      Será que o senhor Arménio Santos – cujas ladaínhas se adivinham mesmo antes de falar - sente as dificuldades económicas do Povo que diz proteger? E se sente porque não aparece em público vestido como um simples electricista que é, chefe de uma família em dificuldades, quiçá igual às que diz defender, mas antes se apresenta perante as câmaras da TV como um verdadeiro “senhor” para quem a vida nunca terá sido madrasta?

   9-      Ou será que o referido senhor já pensa no curso superior que o Partido, a notoriedade e a publicidade que rodeia o cargo lhe poderão proporcionar? E

   10-    … muitas mais questões poderiam ser aqui consideradas se a tanto me ajudassem “o engenho e a arte” além do espaço no blog, claro!…

 

Mas o País está em crise.

 

Não há trabalho e muito menos emprego, como dantes havia e se considerava.

 

As terras, cortadas que foram por auto-estradas por onde não circulam carros mas que serviram para separar populações e servem, como a outras “coisas”, às abençoadas PPP, estão abandonadas porque todos quiseram fugir dos campos para as invejáveis benesses das grandes cidades e o urbanismo desmedido foi crescendo ao mesmo ritmo a que cresciam as grandes fortunas, as colmeias suburbanas e as grandes guerras de influência.  

 

Assim e não havendo quem cultive os campos qualquer dia estaremos a comer “euros” salteados, gratinados ou com molho “béarnaise”… com a desvantagem de já serem muito poucos para pagar ao estrangeiro a comida que já não teremos.

 

Esta, a dívida e os enormes encargos em euros (aos milhões!) que, por acção dos governos que antecederam o actual (a quem incumbirá “apenas”pagá-los a tempo e horas como estipula o acordo assinado pelo PS, que o negociou, e pelos PPD e CDS-PP que o avalizaram)  constitue a luta em que o País se empenhou e que as greves gerais, portuárias e de comunicações rodoviárias e ferroviárias tão bem e tão rapidamente irão ajudar a resolver não só as liquidando como muito especialmente nos credibilizando perante eventuais investidores interessados no nosso soalheiro País situado entre os 30 e os 40 º de Latitude Norte.

 

Portanto vivam as greves, as manifestações e os insultos bem publicitados pela imprensa consciente e democraticamente livre. Assim o País estará a salvo isto porque uma mente como a minha entende que só uma autêntica revolução, com tiros, mortos e feridos, como algumas que acontecem no terceiro mundo, nos poderá salvar da desonra que o eventual incumprimento dos acordos feitos representaria e nunca uma berraria pública, uns cartazes mal escritos, umas estafadas ladaínhas e a sapientíssima sabedoria de certos politólogos comentaristas.

publicado por Júlio Moreno às 00:59
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4 comentários:
De contoselendas a 15 de Novembro de 2012 às 02:10
Não nos iludamos todos os regimes políticos têm calcanhar de aquiles. Temos é de perguntar ao actual governo, pois os anteriores já o "foram", como pensa atrair investimento? Como vai promover as exportações? O que o Sr. Paulo Portas vai fazer com os submarinos que adquiriu para o estado? etc.
Austeridade não basta... é um ciclo vicioso. Os Portugueses sabem que se querem algo têm de trabalhar, mas como podem ser mais produtivos se as empresas de alta tecnologia se deslocam e o estado aumenta os impostos das que cá estão.
A credibilidade deste governo está melindrada desde a entrada de Paulo Portas, e agravou-se com a saída de dois elementos do governo para a entrada de três.
Desgovernados não teremos bom porto.

abraços
Contoselendas


De Júlio Moreno a 17 de Novembro de 2012 às 01:58
Caro amigo, vejo que continua atento mas veja:
- os impostos - gravíssimos, penosíssimos , concordo - são a única alternativa para pagar as dívidas do futuro filósofo Sócrates (como sabe está em Paris a estudar filosofia na Sorbone para onde - dizem as más línguas - terá necessitado de inúmeras démarches " (vulgo, das cunhas) do Embaixador Português em França- as dívidas do senhor Mário Soares (o das 3 voltas "diplomáticas" ao mundo com enormes comitivas, patrono de uma Fundação que para nada serve a não ser para nos levar em ano e meio mais de 2 milhões de euros!...isto além do nosso actual Presidente que, voltando as costas ao mar, que hoje defende (talvez arrependido!) com mágoa o digo, terá mandado abater a nossa frota de pesca, terá pago aos camponeses para que não produzissem e fossemos antes abastecidos pelos produtores franceses, e terá gasto os milhões que "diariamente" entravam no nosso País que dizia querer no "pelotão da frente" - que nem sempre inclui o vencedor da etapa! - etc.etc.. em auto-estradas e no milionário e desenquadrado ambientalmente Palácio dos Congressos, em Belém onde, a meu ver surge como um mamarracho ali plantado copmo se fora um "lego" de crianças...
Sem podermos emitir moeda, sem podermos depreciá-la para competirmos com o estrangeiro (organizado, evoluido e cujos trabalhadores, talvez para fugirem ao frio e à chuva só lhes restaria "trabalhar"...) como quer o meu amigo que se honrem os compromissos e se paguem as dívidas que tantos, desde há tantos anos, fizeram em nosso nome?! Só pelos impostos. Só por esses que doem que se fartam...
Um abraço, um obrigado e continue a pensar e a dizer o que pensa.
Esqueça os submarinos que, se os tivessemos tido no momento em que deles necessitavamos, talvez outro tivesse sido o nmosso destino!


De contoselendas a 17 de Novembro de 2012 às 14:06
Existe uma solução para o "pagamento" da divida, aquilo a que os especialistas chamam de Haircut- "Corte de cabelo". Perdão total ou parcial da divida. Afinal o investimento é um risco e aqueles que investiram em Portugal, sabendo que este não tinha dinheiro para comprir com os compromissos, assumam as suas responsabilidades e abdiquem da divida. Depois não podemos é acreditar em politicos e viver dentro das nossas posiblidades, que estes senhores voltarão a cair na tentação de querer investir em Portugal e querer que os politicos endividem o estado para estorqui-nos algum.

Abraços

Contoselendas


De contoselendas a 18 de Novembro de 2012 às 13:48
A verdade e ilusão democrática

É impossível negar que a massa oceânica dos pobres deste mundo, sendo geralmente chamada a eleger, não é nunca chamada a governar (os pobres nunca votariam num partido de pobres porque um partido de pobres não teria nada para prometer-lhes).

José Saramago in http://josesaramago.org/7504.html

Abraços

Contoselendas


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