Domingo, 17 de Fevereiro de 2013

Diana

 

Não, não foi uma pessoa. A Diana foi uma cadela de raça pura, “Castro Laboreiro”, que me foi oferecida por um professor do Liceu de Guimarães onde dei aulas de educação física quando comandava a GNR em Guimarães.

 

Da Diana foi-me dada a oportunidade de ver uma sua irmã gémea no Jardim Zoológico de Lisboa cuja jaula ostentava os dizeres de advertência ao público: - “Animal feroz. Não aproximar das grades.”

 

Ora a Diana não era um animal feroz, nunca o foi, muito embora e por algumas vezes tivesse tido a oportunidade de demonstrar a sua “personalidade canina”.

 

Dócil e meiga à sua maneira, não era obediente. Quando a chamava levantava a orelha, arregalava o olho do lado de onde lhe provinha o som mas só se mexia quando queria.

 

Um dia, era o meu filho Jorge muito pequeno, (o segundo a contar da erquerda na foto que acima publico) e traquina e teimoso como era, não me deixava ler tranquilamente o jornal não obstante várias vezes avisado por mim para que parasse de me abanar um dos braços com que o segurava. Esgotados os argumentos suasórios de que dispunha, só com uma leve sapatada na fralda que o enchumaçava ele parou com o que há mais de meia hora vinha fazendo mas, como lhe era peculiar também, reagiu à ofensa e sentado no chão à minha frente desatou numa choradeira interminável.

 

Porém, ao fazer o que fiz não reparei que a Diana, que se encontrava na sala, enrolada junto de uma cadeira parcialmente oculta pela camilha da mesa que lá havia, ao ver o que se passara foi de um salto que sobre mim se lançou abocanhando-me um braço e só me não mordendo efectivamente porque tinha vestido um velho blusão militar de couro verde. Todavia, a pressão que senti, deu para entender o aviso que me fazia após o que se dirtigiu ao Jorge, que continuava choroso e sentado no chão, lambendo-lhe cuidadosamente o rosto e as lágrimas até que este, porventura surpreendido com o que a cadela fazia, parou de chorar já quer não era de dor que chorava.

 

Esta, seguidamente, sentada entre mim e o meu filho e fitando-me com os seus olhos cor do aço, que eram a sua característica, declaradamente me desafiou a tocar-lhe de novo.

 

Durou largos minutos aquela nossa postura até que eu, passada a surpresa que tivera, me decidi a afagar a cabeça da cadela que docilmente aceitou o meu afago mas sem se desviar da posição que tomara, sentada entre mim e o Jorge.

 

Nesse momento exacto, eu que já sabia estar nomeado para a Repartição do Justiça do Comando-Geral, para onde me teria de mudar em breve, decidi que acontecesse o que acontecesse o futuro da Diana seria em nossa casa até terminar os seus dias o que efectivamente veio a acontecer, anos mais tarde já havia saído da Guarda, estava separado da minha mulher e, segundo soube, estando a Diana muito doente e havendo-a transportado para a sua seira, onde tinha o seu ninho, teimou em arrastastar-se de noite para ir morrer no tapete, no quarto dos pequenos, entre as duas camas. Fora a sua forma de se despedir dos seus meninos...

 

Entretanto e tempos antes, numa manhã e como habitualmente, deslocando-me de carro em direcção ao escritório onde trabalhava, em Lisboa, vi pelo retrovisor e por mero acaso, já perto da estação de Oeiras, que ela me seguia, correndo desalmadamente atrás do carro e obrigando-me a parar  e retroceder para a levar a casa. Aí descobri que ouvindo-me sair, o que fazia todas as manhãs mas tendo um poucvo da janela da marquise aberta, não hesitou em saltar da altura do primeiro andar para vir atrás de mim, correndo atrás do meu carro.

 

Outra coisa que, um dia vim a saber que ela habitualmente fazia: - “autorizava” a entrada do homem que vinha contar a electricidade ou a água mas já os não deixava sair sendo necessária a intervenção de algum dos pequenos ou da mãe para que saissem.

 

Duas curiosidades mais acerca desta cadela que, como uma outra, esta última de raça “boxer” tigrada permanecem vivas na minha memória e que tanta companhia me fizeram...

 

Gosto verdadeiramente dos cães, que desde menino tive e com quem sempre convivi. Detesto muita gente que me rodeia e com quem sou forçado a conviver...

 

Acho que, um dia destes, irei escrever aqui as suas histórias que de todas me recordo e conservo no meu coração.

publicado por Júlio Moreno às 23:40
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