Sexta-feira, 5 de Abril de 2013

O jornalismo e a notícia nos “midia” do nosso tempo

 

A forma como o jornalismo convive com a democracia e a incompreensível benevolência e impunidade de que beneficia foi e é, cada vez mais, uma das coisas que mais me confunde hoje em dia!

Adoro a liberdade. Sempre que pude ou actuei em situações em que ela estivesse em causa a pratiquei porque sempre acreditei nela e por ela pugnei dentro dos limites da justiça, da decência e da dignidade que sempre a deve acompanhar e ser a bússola de quem nela acredita e a pratica.

Paralelamente reconheço a utilidade, quando não mesmo a necessidade, da existência de notícias e de noticiaristas – actualmente designados por jornalistas isto porque até há bem pouco tempo as notícias nos eram principalmente transmitidas pelos jornais – os quais, pouco atempadamente, iam informando as gentes do que se ia passando nas suas comunidades ou mesmo no mundo, hoje progressivamente mais globalizado e mais pequeno tudo por forma a que estas, conhecidas que sejam quase no momento em que se verificam, possam alertar as pessoas para os acontecimentos que as possam prejudicar directa ou indirectamente.

Acredito na Justiça. Numa Justiça verdadeiramente justa – passe o pleonasmo -, isenta, lógica e coerente, que use as leis no melhor sentido que as informaram ao serem concebidas e promulgadas e a elas submeta todos: – os ricos e os pobres, os iletrados e os doutores, os políticos e os não políticos, os crentes e os não crentes, numa só palavra: - os cidadãos.

Sei que neste mundo sempre houve gente honesta e gente desonesta. Sempre houve quem mentisse e quem falasse verdade. Os que mentiam em proveito próprio e outros que o faziam em proveito alheio. Os generosos e sem qualquer interesse que pudesse advir dessa generosidade e outros gananciosos ou agiotas, actuando sempre em proveito próprio, as mais das vezes, a coberto de actuações plenas de reserva mental mas pretensamente louváveis e pelas quais até chegaram a ser condecorados!.

Em suma, desde Abraão – recordando a Bíblia – que houve o bem e quem o praticasse, e houve o mal, que se lhe opunha, e sempre foi praticado pelos pérfidos e criminosos ou pelos meramente inconscientes ou ignorantes – daí a frase atribuída a Cristo na cruz; - “Perdoai-lhes. Senhor, que não sabem o que fazem!...”.

E é precisamente aqui que retomo o tema fulcral deste exercício.

Alguns dos senhores jornalistas de hoje, porém, mormente aqueles que dia a dia evolucionam e chapinam na lama da política, que querem efervescente e não deixam assentar, não são nem ignorantes nem inconscientes. Muitos são cultos e inteligentes - por vezes menos do que se julgam ser e apenas meros visionários! – mas é conscientemente que fomentam o mal que lhes dá o lucro e a notoriedade de que vivem: - a intriga descarada ou palaciana que muitos já nem cuidam de dourar - a calúnia, a dúvida, a insinuação, muitas vezes vil e torpe, e que, a coberto de uma pseudo-deontologia profissional que sistematicamente lhes faculta a ocultação da fontes e, deste modo a impunidade, e que tanto criam como destroiem reputações, manipulam as massas, deformam a opinião pública em vez de a formarem e, a seu bel-prazer ou consoante o clube político a que pertencem, constroiem e destroiem as ilusões de que se alimenta o Povo!

Vivemos em democracia, dizem. A nossa sociedade é livre, proclama-se. A famigerada polícia política desapareceu. A tolerância continua sendo o apanágio do Povo português e, segundo a bela canção de Zeca Afonso, - o mero pilar de apoio e propaganda do 25 de Abril -  convenceu-nos de que o Povo é quem mais ordena e fez com que entregassemos o nosso destino nas mãos, ímpias e sujas, de muitos políticos profissionais conferindo-nos a ilusão de que alguma vez nós, o Povo, poderíamos fazer prevalecer a nossa vontade e obrigar realmente o poder a cumprir o que promete!

Santa ignorância a nossa! E como pode haver gente que tanto beneficie com a desgraça alheia? Com a sua confusão a alienação da mente, mais dada à reacção que ao reciocínio e, por isso mesmo, semeando a esmo doutrinas, “pró e contra”, na expectativa de... “um nada” em termos colheita!

Interrogávamo-nos acima em como poderia haver gente que tanto beneficiasse de tal comportamento e a resposta não deveria ser outra senão a da mais veemente e convicta negativa. Mas não. Há gente assim. Muita gente assim, tal como existem animais necrófagos assim há gente que se alimenta da desgraça, da inquietação e do mau viver daqueles a quem incidiosamente inculca boatos – que hoje se denominam previsões políticas – informaçõesde Estado vendidas e compradas a seres ocultos e nunca desvendados ou desmentidos, a não ser por factos que se não venham a confirmar, mas porque beneficiam do irresponsável e impenetraval sigilo das fontes hoje vertido em ciência - dantes sociologia hoje politologia!

Passa-se com o jornalismo quase o mesmo que se passa com a Justiça e a eterna questão doutrinária do “ónus da prova”, que tanto costuma ocupar os meios jurídicos e de que os “mídia” nos nossos dias se fazem eco: - uns a favor, outros contra e outros ainda nem uma coisa nem outra mas que, se constituir matéria “chocante”, de “bolinha encarnada” no canto do écran, com ela nos massacram diariamente e recorrendo à mais fantasiosas insinuações ou deduções. E isto porque:

- a um cidadão que surge rico e descarado dono de fortuna fabulosa a Justiça não acusa porque não tem provas, alega!  Não o obriga a “demonstrar por A mais B” como angariou e amealhou tantos valores já o “ónus da prova” pertencerá a quem acusa e não ao acusado que, assim, se sente confortavelmente impune e intocável para continuar a exercer a sua criminosa actividade pois o contrário seria a “inversão do ónus da prova” e isso a lei não consente dando,  assim, todas as armas a quem mais ofenda a sociedade e o Estado para que possa continuar a fazê-lo;  - já com a violação e o estupro - e outros actos-crime que, por definição e princípio, são sempre cometidos no mais secreto dos sigilos e cumplicidades -  as polícias e os tribunais, logo se esmeram e encarniçam na descoberta das provas susceptíveis de conduzir os seus autores à cadeia, o que não raro, conseguem tal como, e graças a Deus, compete a um Povo civilizado!

Todavia esta situação assemelhar-se-á ao naco de carne que se atira a um cão para lhe apaziguar a ferocidade e distrair o instinto...

Assim, e bem a contra-gosto”, vejo o nosso jornalismo de hoje na sua esmagadora maioria.

publicado por Júlio Moreno às 03:25
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