Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Unbelievable but it has happened...

She is a very, very small and lovely baby girl with only seven months old. So I was very much surprised when she succeeds picking up the phone from her grandmother’s hands and has started to talk with me. Here is the conversation we have witch fortunately I’ve recorded in my computer:


- “Hi – she said. I know who you are…”


- “Who’s talking, I said? Is it you, G…?”


- “Yes – she said – it is me and I want to talk with you because I know you like very much my mother and you love very, very much my grandmother… So, I think you are a nice guy… - she continue – and this is why I am talking with you even being almost impossible a child like me and with my age to talk with an old man like you…”


- “Ho, yes, yes – I said – I am very much surprised because I never thought it would be possible to hear such words from a child of your age!...


- “But it isn’t – she said – it is possible and true. The only difference is that I only talk with people I want. If I don’t want it I refuse to talk and I cry and I will be obstinate… I cry and when I cry that way I always get what I want… But please keep these secretly otherwise I will never more talk with you. Do you promise me to keep these secret?...”


- “Well, dear G… I will try, I will try, so help me God but you know I am not sure I will succeed so strange is what is happening!... One thing, however, I can promise it is that I will never pronounce your name to anybody even to your relatives… Is it enough for you?”


- “Well… - she said – if you can’t do more than that I must accept it but keeps this compromise and I will continue to trust you…”


- “This I promise… oh yes, I promise…”


- “Ok – she said – now I can’t talk any more with you because am hearing my grandmother that is coming back and I am going to start crying a little because I am having a little hunger and I want some more milk and also play a little beet with her before she puts me into sleep… Bye, bye J… we will be back soon!


And the strong noise I’ve heard makes me know that she has dropped down the phone because it was to big to her little hands… Don’t you thing that this is something remarkable and should be registered, here, in my blog?

publicado por Júlio Moreno às 13:47
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Do PD da IOL

“- Nove accionistas perderam 2 mil milhões com BCP - 2009/01/28 08:17Redacção / MD - Empresários detém 25% do maior banco privado português - Um grupo de accionistas do Banco Comercial Português (BCP) está a tentar convencer o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) a comprar o conjunto das suas participações no banco... - Segundo o mesmo jornal, estes accionistas- ... -terão contraído empréstimos junto da banca portuguesa para comprar acções do BCP, nomeadamente durante a «guerra» para o controlo do banco em 2007. - Com a forte queda do título BCP, acções que serviram de garantia ao financiamento junto dos bancos, estes accionistas estão já em incumprimento no pagamento destes empréstimos. O «buraco» é já de 2 mil milhões de euros. - Alguns destes accionistas vendedores e advogados seus representantes foram contactados pelo «DN», mas não quiseram prestar esclarecimentos sobre o assunto, sem contudo negar estas negociações.”” </p>

Comentário:


- É este o resultado do”legalmente” autorizado “casino” dos ricos a que vulgarmente se chama “bolsa”.


Chega a ser verdadeiramente chocante o que, por vezes, se lê acerca de certas chamadas “operações bolsistas” – como uma de há tempos, e de que me recordo tal o nojo e repulsa que me suscitou - que referia ter, determinado homem de negócios português, “embolsado” do dia para a noite, numa mera operação de “roleta” da bolsa 83 milhões de euros”.


Como tantas vezes tenho dito, não sou economista e acho que, se o fosse, nos dias que vão correndo, rapidamente deixaria de o ser de tal modo me arrepiam e enojam certas acções, ditas “operações” – como se o facto de um carteirista meter a mão no bolso do transeunte que, por si, despreocupadamente, passa, e dele retirar a sua carteira cheia de dinheiro não fosse igualmente uma operação! – operações essas legais mas às quais lhes faltará a mais sagrada das virtudes que será a da legitimidade quando não mesmo da humanidade, mais se confundindo com as daqueles grandes carnívoros das estepes africanas que entre si disputam os despojos das suas frutuosas caçadas deixando para os mais fracos e menos poderosos os ossos ressequidos e embranquecidos pelo sol ainda que, por vezes, com certos resquícios de alguma carne que os abutres não terão tido ou tempo ou oportunidade de comer !


Sim. Os senhores deste mundo, os "accionistas", que fazem eles pelo povo e pelo país que os alberga e lhes dá de comer, directa e indirectamente os engordando física, social e políticamente de uma forma quase irresponsável?


Nada. Absolutamente nada! Apenas andam por aí a reboque dos seus bel-prazeres, das suas guinadas de intuição financeira, nesta roleta infernal em que o mundo se transformou um dia, e cada vez mais, com verdadeiro culto pelo prazer e pela desumanidade, se vem transformando, cada um munido dos respectivos GPSs que lhes vão indicando o caminho dos paraísos fiscais oude a “perfeitíssima” lei dos homens os não poderá atingir – e eles sabem disso!


Há falências. Há desemprego. Há fome! Há pobreza envergonhada, como hoje tanto se propala!... Há suicídios (a soluçãos que os covardes sempre têm ao seu alcance porque não creio que seja a sombra do remorso que os leve a tomar tais atitudes mas antes o desespero por se verem sem saída e a perderem, definitiva e irremedávelmente, o seu “status” o que os levará a tais actos “heroicos” de desespero!


E, finalmente, surge uma nova estirpe de inteligentes – até aí de tocaia e bem na sombra, à espera do seu momento – que se apresentam, cada qual com a sua teoria, com planos miraculosos para salvar os paises, os bancos e os povos!...


Meus Deus, - cujo nome não invocarei aqui em vão, como mo impede a minha crença e a minha fé - meu Deus, porque não intervis e os impedis de, ao salvar os bancos de que tanto falam, se salvarem a si mesmos que é, afinal, o que eles querem: - salver, de facto, as suas cadeiras, poltronas, cómodas poltronas, onde pretendem - ainda que com os assentos um tanto quentes dos que as deixaram - continuar a desfrutar da paisagem e a fumar os seus caros e inebriantes charutos enquanto que os respectivos “motoristas” se juntam na rua e perto das potentíssimas máquinas que conduzem, em grupos de amena e inóqua cavaqueira discutindo as últimas dos respectivos “patrões”, deles, dos futebois e do mundo, já se vê!...

publicado por Júlio Moreno às 10:27
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Domingo, 25 de Janeiro de 2009

A meus Pais

O meu coração e todo o meu ser se revolta quando penso e sinto...


Sim. O meu coração e todo o meu ser se revolta quando penso nesta cruel realidade:- ao recordar-vos, hoje, sinto mais saudades de ti, meu Pai, do que de ti, minha Mãe! com isto sentindo que, embora o não parecendo, estarei a ser justo para com ambos tanto mais que as razões que assim o foram determinando de há muito que se vão esfumando e desvanecendo já!


Será, talvez, causa do que sinto e agora e aqui confesso, o facto de minha Mãe ser “omnipresente” na minha infância, quase me não dando tempo sequer para respirar e de meu Pai, bem ao contrário, ser mais distante e frio como bom transmontano que era, homem pouco exuberante de sentimentos, que pouco ou nada exteriorizava, mas de uma nobreza de carácter e de uma limpidez de alma e de abnegação pelo próximo – era médico como hoje haverá poucos, muito mais cuidando dos seus doentes do que de si próprio – e minha Mãe, severa nos meus estudos e em tudo que se relacionasse com a minha educação e formação, comprometedoramente “presente” quando eu pretendia ter as minhas fúteis liberdades e jactâncias próprias de um rapaz em puberdade, afanosamente me procurando uma camisola, evitando que eu tomasse um copo de água demasiado fria e tendo, para comigo – durante muitos anos e para mim, seu filho único – os exagerados desvelos e cuidados que só me diminuiam e envergonhavam ao pé dos rapazes da minha idade e com quem crescia no meu lento dia-a-dia.


Pobre Mãe!... Como hoje te compreendo e te estou reconhecido pelo que julgava serem demasiadamente desvelados e cansativos carinhos, quando vim a descobrir que, longe de ser o filho único que sempre julguei ter sido, soube que tivera mais dois irmãos, ambos rapazes, um nado-morto e outro que faleceu com poucos dias ou meses de vida! Daqui e por isso a redoma em que tu me criavas! O algodão em rama em que constantemente me envolvias e os extremosos e comprometedores cuidados com que me rodeavas sem que eu os pudesse compreender já que, só muito tardiamente, fui conhecedor desta triste realidade das nossas vidas!


Por isso e pelo que aqui hoje digo e confesso, te peço perdão, Mãe... Do mais íntimo e profundo fundo dos meus ser e coração te peço que me perdoes pelo que de ti cheguei a pensar e, sobretudo, pelos actos de rebeldia que perante ti algumas vezes demonstrei. Perdoa-me mas compreende-me já que os afectos não são nunca iguais e que, ao recordar hoje, com mais saudade, a figura de meu velho Pai – talvez porque tivesse perdurado mais dez anos junto de mim do que a tua – eu não quero ser injusto ou cruel contigo, quero apenas expressar com a verdade que tu mesma me sensinaste a cultivar aquilo que, na realidade sinto nestas horas em que o meu pensamento divaga e se alonga pelos tempos, às vezes já algo nebulosos, da minha infância e da minha mocidade.


E tu Pai, que hoje sei quão sensível eras sob a capa sempre austera do velho transmontano, amante das pedras, a que chamavas “fragas”, e das serranias, e que te surpreendi, sozinho, quase escondido, chorando baixinho, quando, já em casa, depois do funeral, sentiste que a tinhas perdido para sempre - a ti, que nunca tinha visto verter uma só lágrima em toda a tua vida, nem mesmo quando, no dia dos meus anos, perdeste o avô a quem tanto querias – e tu Pai, não te sintas como que envaidecido pelo que aqui deixo hoje expresso pois bem sei que a justiça era causa sagrada no teu carácter e que, por isso mesmo, bem compreenderás o que aqui hoje escrevo, numa confissão tão íntima e emotiva que tive de tornar pública para que tivesse a dimensão que ambos vós mereceis deste vosso filho que não chegou a dar-vos as alegrias com que sonhasteis e que hoje descortino claramente por entre as brumas de um passado cada vez mais distante e enevoado...


A ambos vos agradeço a vida que me desteis e que vivi e, enquanto Deus quiser, irei vivendo, procurando contornar os escolhos que, por todo o lado, se me apresentam mas sempre guiado pelo dom que de vós ambos recebi: - o de acreditar e ver, ainda que ao longe, a ténue luz de um farol que me vai apontando o rumo e guiando nesta já longa caminhada: - a luz da esperança!


Bem haja, pois, e louvado seja Deus pelos Pais que tive e que me vou esforçando por não desmerecer...

publicado por Júlio Moreno às 15:47
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Para quem acreditar que metade do caminho já terá sido percorrido...

Desde há já algum tempo que alimentava o desejo de escrever algumas linhas sobre Barack Obama, a América e, através dela, sobre o mundo e o nosso próprio destino enquanto homens, seres inteligentes – ou supostamente inteligentes – e que, como disse Von Braun ao insípido jornalista que o interrogava, vogamos, pela mão de Deus mas, com a liberdade com que fomos criados, ao sabor da nossa própria sorte e vontade, a bordo desta nave espacial que é a Terra, esta, por enquanto, como único planeta habitável pelo homem mas continuando a ser o minúsulo espaço de um cosmos quase infinito e que tantos de nós, sobretudo os mais poderosos e responsáveis, tão obstinada e criminosamente se empenham em destruir.


Muito pouco sei acerca da história americana e da do mundo, em geral – nem mesmo tenho a certeza de que D.Afonso Henriques tenha sido o nosso primeiro Rei, tantos são os que se empenham em querer e impedir a exumação do seu túmulo!, ou que tenha sido Colombo e não os Vickings os primeiros orientais a pisar solo americano – mas sei, e disso não me resta a mais pequena sombra de dúvida, de que na humanidade, com e tantas vezes por ela, como se proclama, a desumanidade existe e sempre existirá.


Barack Obama surge no momento exacto e no local certo porque nem noutro qualquer teria tido hipótese de surgir e muito menos de vencer, convencendo, como venceu e convenceu!


E eu sempre fui e continuarei sendo um dos convencidos.


Dizem-me que terei nas veias algum sangue árabe, subtilmente misturado pelos caprichos de um destino, ainda longe de ser verdadeiramente desvendado, com um pouco de britânico.


Porém, sinto que nessas mesmas veias, corre, ainda vivo, um sangue que, procurando ser generoso e democrático, se sente, e cada vez mais, serrano e transmontano, descendente, por certo e também, daqueles a quem, já antes de Cristo, Júlio César se referia dizendo não saberem governar-se nem deixarem que outros os governassem; eu, que sempre me julguei ser, em grande parte, citadino mas cujas reminiscências subconscientes e intensamente subliminares me terão ligado ao mar, que sofri, terei amado e pelo qual já terei morrido, amando, algures um dia!


 Talvez por tudo isto seja o que sou: - irreverente, teimoso, curioso e apaixonadamente seguro da análise que, para mim, faço de quanto me rodeia, seja “coisa” ou “gente”, “ilusão” ou “fantasia”!


Tem-me valido este meu feitio e modo de ser as mais saborosas vitórias e as mais dolorosas derrotas ao longo desta vida que, já não sendo curta, penso estar lone de ter terminado ou de estar próxima do fim, porque nela floresce ainda, qual fina urze campestre e serrana e que o vento abana no seu singelo e resistente caule, a doce visão da esperança...


Vêm? Sou mesmo assim: - propus-me falar de Obama e eis-me desenrolando o emaranhado novelo da minha própria personalidade. Certo de que me perdoará quem tiver a peciência de aqui me ler, retomo o propósito com que iniciei estas linhas: - Barack Obama.


Obama surge neste início do século XXI como o corolário certo e necessário de um evoluir social global a cujo destino, nem que muitos o queiram e desejem, poderemos, de algum modo, fugir.


Xenofobia e racismo surgir-nos-ão, assim, como coisas do passado e, lá para meados do século, serão palavras que nem nos lembraremos de terem existido, sendo os respectivos vocábulos eliminados dos textos de qualquer cultura então actual apenas figurando nos léxicos como repositório histórico e erudito mas cuja vivência fará com que alguns sintam dor e outros os recordem com mágoa e criminosa saudade.


 Os novos, porém, esses tê-los-ão afastado das respectivas vidas cujo sentido terá então um rumo bem diverso e onde a fraternidade e a igualdade deixarão de ser as peças rectóricas imprescindíveis nos discursos do mundo em que vivemos ainda para serem meras circunstãncias factuais desse mundo que virá.


Com Barack Obama nos E.U.A.. assim como já com Nelson Mandela na África do Sul, outros conceitos germinarão nas sociedades humanas, alastrando ao planeta onde, um pouco por todo o lado, os ricos e poderosos de ontem e de hoje, se irão desvanecendo e, a menos que recorram ao covarde escape do suicídio como suja e ignóbil forma de fuga às suas responsabilidades, irão recebendo o merecido prémio da sua arrogância e desonestidade. A humanidade terá, assim, tendência para uniformizar a cor da sua pele e, o que será bem melhor e muito mais importante, para uniformizar a cor dos seus próprios sentimentos em relação ao seu próximo.


Eis porque vejo Barack Obama como algo de novo e imperecível, e como sendo o princípio de algo jamais reversível e que, com a fatalidade do “livre destino” que Deus, Halah ou Buda sempre deram ao homem, servirá para lhe dizer aquela palavra que muitos se recusaram a ouvir e, sobretudo, a observar. – BASTA!

publicado por Júlio Moreno às 16:40
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

CONTRADIÇÕES DA MODERNIDADE E DO PROGRESSO

“Aqui d’El Rei” que o país e o mundo estão em recessão! – o que, em linguagem simples,se deverá entender que hoje se gasta mais do que o que se produz e servirá para alimentar os povos, actualmente e na sua maior parte, cada vez mais famintos e dependentes de certas “castas” - ditas políticas - auto-nomeadas, de competência medíocre quando não corrupta e mal intencionada!

Basta ouvir o monocórdico, repetitivo e, por isso mesmo, “chato” e cansativo discurso do nosso primeiro-ministro - e dos muitos economistas em geral - para se concluir que é na economia que estárá a salvação do mundo e nos seus êrros a sua desgraça!

Quem escreve este texto é um leigo na matéria, apenas sensível ao sofrimento generalizado em que hoje se vive e às recordações que lhe advém dos seus tempos de ilusão e juventude e permanecem vivas numa mente que o “progresso”, sem sucesso, teimosamente tentou corromper, desgastar e envelhecer.

 Chama-se hoje progresso à evolução teórico-económica dos povos e em que, cada vez mais, se criam máquinas e instrumentais de complexa tecnicidade mas que nunca ninguém poderá “comer” para se manter vivo! Ou será que, um dia destes, quando tivermos fome, poderemos dar algumas dentadas nos “Magalhães” tão propalados pelo nosso primeiro e com eles saciar a fome dos nossos estômagos, garantindo, desse modo, o vigor e a robustez necessárias à continuidade da vida?

Vem isto a propósito de algo que já há bastantes anos me chocou imenso e que ainda hoje, quando em tal penso – e o que é bem pior, quando a tal assisto! – me causa verdadeiros arrepios de genuíno mêdo pelo futuro que estará reservado aos milhões de netos existentes neste mundo e que as modernas guerras – em tudo artificiais e geradas nos cómodos gabinetes dos políticos e dos banqueiros – consentirem em deixar viver que vivam!

 Convidava-me, então, um amigo a visitar uma sua fábrica, textil, onde, por sinal, muito me impressionou, a vastidão dos salões de fiação e depois da tecelagem onde, para além do barulho ensurdecedor da maquinaria, era patente, a azáfama dos operários que diligentemente se moviam por entre a finíssima poeira que no ar pairava, isto não obstante os potentíssimos aspiradores que sobre os teares existiam e a absorviam a sua maior parte.

Devia empregar essa fábrica para cima de mil operários, entre homens e mulheres, e, paredes meias com ela, um sereno ribeiro corria e fertilizava os campos de cultura que se estendiam no grande vale onde se viam também bastantes homens e mulheres labutando e trabalhando a terra, ajudados que eram pelos seus animais e instrumentos de trabalho – juntas de bois e algumas máquinas que vagarosa e tenazmente iam fazendo a terra e semeando as culturas e, para além de tudo, em pastos e extensos lameiros, se apascentavam algumas manadas de gado.

Gostei do que vi: - de toda aquela vivacidade fabril e do tranquilo bucolismo campezino que em tais ambientes assim coexistiam e que pude, satisfeito, respirar e viver.

Passou o tempo, não muito por sinal, e eis que o mesmo convite me foi novamente formulado e nova visita pude efectuar à mesma fábrica.

Devo dizer, entretanto, que os “arredores” já não eram os mesmos e que, em vez do pó esbranquiçado da estreita estrada que à fábrica conduzia, aqui e além aspergido de areão grosso que em muito o diminuía, já havia no ar o inegualável cheiro a alcatrão e no percurso cruzámos com algumas enormes e ruidosas máquinas amarelas que se ocupavam em beneficiar aquele mesmo trajecto, alargando-o e atapetando-o de negro asfalto.

O meu espanto maior foi, porém, quando cheguei à fábrica e vi que, no enorme salão de tecelagem, as máquinas haviam sido totalmente substituídas e que outras, mais velozes e modernas, continuavam o seu contínuo labor de tecer o pano... Mas havia muito menos gente, o que desde logo me apercebi mesmo antes de me ter sido explicado que aquelas máquinas eram já modernas e que um só tecelão era agora capaz de se ocupar de cinco teares ao mesmo tempo!...

A pergunta surgiu-me então, expontânea, irreflectida talvez – politicamente incorrecta, como hoje se diria:

- “E que fazem os restantes quatro operários que já não trabalham aqui nos seus teares”?

– “Tivemos de os despedir ou reformar... Foram arranjar trabalho noutro lado!” – foi a mais do que óbvia resposta que ouvi mas que – recordo-o bem – me incomodou tanto como se fora lanceta trepassando-me o peito tão dolorosa ela fora! E foi então, só então, que compreendi porque haviam aumentado as brigas de taberna, os roubos, até as violações e os incestos em que, por força das minhas funções oficiais – comandava uma Secção Rural da GNR espalhada por cinco concelhos – eu e o meu pessoal nos vinhamos gradualmente e em crescendo confrontando no nosso dia-a-dia...

Fora o progresso: - mais e melhor produção; maior e mais promissora “rentabilidade”; mais desemprego e perigosa ociosidade numa classe rural e quase analfabeta; aumento do PIB e aumento do “crime”... Passava-se isto nos anos 60 e em pleno coração textil do país – hoje em dolorosa e infindável agonia - enquanto os bancos (actuais mananciais de escândalos), verdadeiras “albufeiras” do dinheiro, vão apresentando, descarada e despudoradamente, lucros fabulosos - raiando o prório crime de “usura” tal como o tipifica o nosso Código Penal.
-E hoje, em pleno século XXI, quando a robotização e a informática “aniquilou” milhões de postos de trabalho e o homem tanto “progrediu” que até conseguiu alterar a própria natureza, chora-se a recessão, perseguem-se através do fisco os pobres reformados que levaram uma vida de honestidade, de justiça e de trabalho e deixam-se escapar – invocando oportunas “prescrições” – os que ao mesmo fisco são devedores de milhões, protegem-se banqueiros criminosos que roubaram os que neles e nas suas inconfessáveis e maquiavélicas negociatas acreditaram e hoje não podem devolver aos seus donos aquilo de que foram ardilosa e criminosamente esbulhados e hoje se encontra engolido – e talvez mesmo irrecuperável! - pela voragem da sacrossanta economia global.

Patéticamente, porém, ouvem-se vozes – muito principalmente uma que das demais se destaca pelo tom e timbre tão peculiares e já tão nosso conhecido- e que, à míngua de soluções para o embróglio a que nos conduziu, desesperadamente clama por “inventos”, “criações”, “iniciativas” e “novas tecnologias”, esquecido que está de que a época dos descobrimentos já passou há muito, que “Einsteins” se não encontram ao virar da esquina e que se algo há hoje ainda a descobrir talvez seja um cantinho neste mundo onde se possa realmente viver em tranquilidadde e em paz...

publicado por Júlio Moreno às 14:35
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