Sábado, 26 de Junho de 2010

Ora aí está!

No passado 23 de Junho, Intervindo, como cidadão, no programa televisivo “antena aberta da RTPN” tive ocasião de enviar o e-mail que abaixo transcrevo e que dispensará, após leitura, quaisquer comentários complementares de tal modo ele expressa o que era – e continua a ser - a minha opinião sobre o assunto.

 

Realçarei, no entanto, a premunição de que a produção e comercialização dos famigerados “chips” bem podesse vir a ser mais uma estranha negociata para algum “espertalhão” ligado ao aparelho partidário do PS, mais um “boy”. Tratava-se,, naquele momento,, de uma mera convicção pessoal baseada apenas no que tem vindo a lume – e que já a ninguém surpreenderá! - sobre a probidade, isenção e lisura dos negócios que se vêm hoje conhecendo e se desenrolam à margem, mas bem perto, deste estranho "partido" que nos vem desgovernando!

 

Vejamos, então, o que nesse e-mail dizia::

 

"----- Original Message -----

From: Júlio Moreno

To: antena aberta rtp

Cc: Julio Moreno

Sent: Wednesday, June 23, 2010 11:48 AM

Subject: Portagens

 

"A criação de portagens é justa desde que seja levada a efeito em todo o território nacional e em estrita obediência ao princípio do utilizador-pagador, o que não será o caso a manter-se a obrigatoriedade de aquisição de "chips" para todas as viaturas automóveis.  

Trata-se, afinal, de uma medida de emergência para, num curtíssimo espaço de tempo, o Estado arrecadar 125 milhões de euros, no mínimo, com a venda dos referidos equipamentos electrónicos (mais um imposto!), restando ainda saber se, tal como aconteceu com o Magalhães, alguém será beneficiado com a sua massiva produção. Penso que a Assembleia da República deverá estar bem atenta a este problema pois se me afigura a mais uma tentativa do governo de tentar remendar - e mal, como se vê! - mais um dos seus múltiplos desastres governativos. 

 

Júlio Moreno

74 anos - reformado""

 

Ora, curiosamente, o “Expresso” de hoje publica o sintomático título que abaixo se transcreve. Preocupado, pergunto-me: - “Será que sou bruxo?” Agora estou, curioso, aguardando o desenvolvimento da notícia…

 

“Expresso: «Ex-assessor do Governo vende chips para SCUT»

“Pedro Bento passou do gabinete do secretário de Estado Paulo Campos para a empresa pública que gere o sistema de portagens nas auto-estradas.””

Que mais irá acontecer?

 

publicado por Júlio Moreno às 10:37
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

Não resisti em transcrever...

 

Pela simplicidade, pela oportunidade e pela profundidade que encerra, não resisto em transcrever aqui um pequeno texto que o meu primo Luís acaba de me enviar por e-mail ao mesmo tempo que lhe agradeço publicamente o facto de mo ter mandado:

 

“" SER FELIZ OU TER RAZÃO ? "*
Para reflexão...*
“**Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou no mapa
antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, napróxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa
que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns
minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta certeza deque eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco
mais... E ela diz: - Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.
Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamosestragado a noite!**
“**MORAL DA HISTÓRIA:
“**Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra
sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão,
independentemente, de tê-la ou não.
“Desde que ouvi esta história, tenho-me perguntado com mais frequência: 'Quero ser feliz ou ter razão?' Outro pensamento parecido, diz o seguinte: 'Nunca se justifique. Os amigos não
precisam e os inimigos não acreditam. Passe este e-mail aos seus amigos,para ver se o mundo melhora...

Eu já decidi... EU QUERO SER FELIZ e você?* - *"Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam. "
SENSACIONAL!!!!!*””

 

No texto é pedido para passar este e-mail aos nossos amigos. Eu preferi fazê-lo aqui!

publicado por Júlio Moreno às 19:07
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Lembrando Keepling…

 

Se sentes o que ninguém te disse que sentia,

Se ouves a música que nenhum som produz,

Se tremes com o calor e se te abrasa o frio,

Se gostas do caminho e da mão que te conduz,

.

Se, parada no escuro, olhando, tudo vês,

Se, na capela entras p’ra orar e sais chorando,

Se te agasalha o vento e a dor te anima,

Se julgas que alguém por ti está chamando,

.

Se tomas sobre os ombros toda a dor do mundo,

Se queres a quem te fere e o mesmo a quem te ama,

Se por estares confusa te deixas ir ao fundo,

.

Se, pelo que tu sentes, ninguém já reclama,

Se, tudo o que já deste, partiu do teu profundo...

Então ri-te p’ra vida!... É ela quem te chama!…

 

                                               Júlio Moreno, 2003

publicado por Júlio Moreno às 17:53
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As minhas noites... só!

 

Apagar, sozinho, a luz do candeeiro,

E ver, por fim, a luz da própria escuridão,

Sentir-te, quente e nua, ali, me dominando

A vontade, o pensamento e o coração!

 

Meditar depois... Sereno já e confiante

Na luz que, em ti, os meus olhos viram…

Lembrar o amor louco que então vivi

Quando os teus lábios, cerrados, se me abriram…

 

Então o receio que sentira se extinguiu

E, em seu lugar, um braseiro me acendeste.

Com o teu corpo o meu corpo se fundiu

 

Foi então que senti que tu viveste

Aquele mesmo jeito que tanto nos uniu

Nas outras vidas que, comigo, já tiveste!

 

                                     Júlio Moreno, 2003

publicado por Júlio Moreno às 17:30
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

Será a “intelectualite” uma doença mental ou uma manifestação recorrente do “nacional-carneirismo”?

Muitas vezes me assalta esta dúvida.

Será, de facto, a “intelectualite” uma doença mental ou uma mera e desconchavada manifestação pública do “social-carneirismo” que vulgarmente acompanha as elites pensadoras e as que, por tal se querem fazer passar, e que, em tempos idos, mas não há tantos que difícil se torne recordá-los, exuberantemente se manifestavam todos os domingos nos adros da Igrejas onde, contrastando com a sobriedade das pedras das fachadas e do burilado das suas entradas, se destacavam as elegantes “toilettes” femininas, onde não faltavam as mais ricas e trabalhadas jóias e as belas mantilhas rendadas ou as belíssimas e vastas “capelines” e os homens, trajando fato completo, onde predominava o tom escuro, alguns mesmo vestindo camisas de colarinho engomado, não dispensavam o lenço branco que sobressaía do pequeno bolsinho dos casacos.

As conversas, essas, nada tinham a ver com as cerimónias litúrgicas para que tinham vindo e o sentimento religioso que era pressuposto existir, antes versavam os mais variados temas das ocorrências políticas e sociais da semana que findara, ou os habituais mexericos, fazendo-se, na oportunidade, os mais avançados augúrios para os dias que se aproximavam quaisquer que fossem os temas que abordassem mas onde, por via de regra, abundavam os políticos, nacionais ou internacionais, provinciais ou locais.

No funeral de ontem, de José Saramago, repetiu-se a tradição no mais puro estilo português e, se eu trabalhasse nas obras diria – por deformação profissional, entenda-se – que se juntou ali a mais fina flor do entulho nacional, muito se criticando a ausência pessoal – em carne e osso – do Presidente Cavaco Silva, ausente nos Açores onde permaneceu tranquilamente e mais uma vez demonstrando a sua inatacável independência intelectual, social e política e reafirmando a sua qualidade de português responsável, indefectível patriota e bom chefe de família (mesmo sem ser, que eu saiba, sócio do Benfica!).

Cavaco Silva representou grande parte do sentimento nacional, foi coerente com ele mesmo e mais uma vez demonstrou que sabe bem qual é o seu dever como Presidente da República. Fez-se representar, enviou condolências mas não esteve lá. Deu inteira e cabal prioridade às suas convicções pessoais, à sua qualidade de Presidente de Portugal e à sua concomitante condição de pai de família e de avô, afastando-se do pacto que em certas ocasiões se estabelece, quer tácita quer expressa e interesseiramente, entre o dever patriótico e o dever da pseudo-cultura.

Quanto a Saramago quem sou eu para julgá-lo? Apenas me cumpre afirmar aqui a minha convicção pessoal de que, nos últimos dias de vida, muito provavelmente é bem capaz de se ter tentado aproximar um pouco daquilo de que tanto se afastou durante a sua vida… Reafirmo, portanto, o que ontem disse: - Paz à sua alma e que Deus lhe perdoe as blasfémias que proferiu ao referir-se à Bíblia como um "manual de maus costumes" e apodando Deus de calaceiro e preguiçoso já que "trabalhou seis dias e depois não fez mais nada"! e a Pátria a traição que ousou praticar vaticinando para um melhor futuro de Portugal a sua transformação numa mera província espanhola…

Sei que, com o que acabo de escrever, e tendo em consideração o que, desde ontem e sobre este assunto, venho escrevendo, alguns - dos poucos que me lerem - me irão achar parecido com aquele cão que agarra a presa nos dentes, a sacode e não a larga mais… Porém, longe de me ofender com tal comparação muito me orgulharia acaso a fizessem pois os cães, além de persistentes, audazes e pouco timoratos são, por via de regra, os mais fieis amigos dos seus donos!

publicado por Júlio Moreno às 12:03
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Domingo, 20 de Junho de 2010

Do PD da IOL de hoje, 20 de Junho de 2010:

 

“Populares desvalorizam ausência de Cavaco

“…

“A polémica ausência de Cavaco Silva é notada na Praça do Município, em Lisboa, onde decorrem as cerimónias fúnebres de José Saramago, mas é desvalorizada. Populares recordam a animosidade que existia entre o actual Presidente da República e o escritor.

“ «Sabemos que Saramago não gostava de Cavaco Silva. Havia uma certa animosidade. No fundo é menos hipócrita da parte dele não vir. Isso é com ele. Saramago sempre fez o que quis. É bom que Cavaco Silva faça o mesmo», diz Ana Gonçalves, professora de português, que veio à praça do Município prestar homenagem ao escritor que dá nome à escola onde lecciona.

“Teresa Salema vai mesmo mais longe. Sublinha que não é do quadrante político do Presidente da República, mas desculpabiliza inteiramente a sua ausência: «Cavaco Silva, no fundo é um bom homem. Acredito que se ele não está é porque não pôde reprogramar a sua vida para cá estar».

“Susana Estrela é menos benevolente. Reconhece que Cavaco Silva esteja a ser «fiel aos seus princípios», mas considera que devia estar presente. «Devia esquecer os diferendos e vir aqui, enquanto Chefe de Estado, representar o povo português», sublinha.

“Ismael Gonçalves ironiza: «provavelmente Saramago também não quereria que ele estivesses presente».

Este pequeno “apontamento” de opinião pública parece-me particularmente feliz em quanto à imagem que dá do Povo português: - ele mesmo polémico, dividido mas correcto e verdadeiro, em perfeita sintonia com o que lhe vai na alma segundo as mais díspares perspectivas por que analisa o facto de o Presidente não estar presente nas cerimónias fúnebres de José Saramago.

(Farei aqui um pequeno aparte para referir que, quando falo em Povo, dele excluo a classe política e a intelectualidade dominante que esses estarão – pelo menos assim são capazes de julgar-se – muito acima do Povo!)

Claro que Cavaco Silva tinha todo o direito de não estar presente, como não esteve. E se tivesse estado não o estaria fazendo em representação do Povo português, tal como afirmava Susana Estrela, pois não me estaria representando a mim, que faço parte desse mesmo Povo e, como eu, a centenas, talvez milhares que pensem como eu. No entanto, perante um acontecimento que mobilizou grandes massas populares e em que a fina flor da intelectualidade e da política portuguesas fez questão de comparecer e, quem sabe, de procurar bem as câmaras da TV para, através delas, serem vistos em Portugal inteiro, cumpriu a sua obrigação com exemplaridade e de forma digna enviando as condolências à família, essa sim, verdadeiramente enlutada e digna do maior carinho e respeito.

Apoio a posição de Cavaco Silva, ponderado e imparcial Presidente de todos os portugueses, incluindo ele próprio, no que terá sido acompanhado por Jaime Gama, a segunda figura do Estado, ambos “bem ausentes” nos Açores onde, por estranho que pareça, também é Portugal.

Ismael Gonçalves, esse, dado o momento, terá sido menos feliz no comentário proferido. Mas não lhe poderemos levar a mal pois é consabido que onde está um português está sempre uma graçola, ainda de mau gosto como esta.

Mas eu, confesso, ignorava que Saramago não gostava de Cavaco Silva e que este lhe retribuía na mesma moeda. Seria interessante que o articulista desse a conhecer ao público quais as razões de tal desavença. Aqui fica a sugestão.

publicado por Júlio Moreno às 15:32
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Apetece-me escrever…

Apetece-me escrever e hoje atrever-me-ei a fazer aqui uma pública confissão: – gosto de escrever, gosto de ler o que escrevo mas, lidos e relidos os meus pequenos textos, nunca com eles me satisfaço plenamente, achando-os sempre aquém, muito aquém do que pretendia e do me ia na alma ao escrevê-los!

Quando, por dever de ofício, era obrigado a escrever extensos relatórios, repositórios conclusivos de complexos processos militares que iam da mera infracção disciplinar ao crime, sempre procurei ser objectivamente crítico quer dos factos, do “presumido delinquente” e do “instrutor do processo”, quer da própria interpretação da lei, buscando, numa síntese verdadeira e clara, a adição dos factos, pró e contra, que conduziriam quer à culpa quer à inocência do pretenso prevaricador e, de tal forma, ajudar quem, em última instância, iria ter de se pronunciar pela existência de culpa ou pela ausência dela e, em estrita obediência aos preceitos do velho RDM (Regulamento de Disciplina Militar) ou do Código de Justiça Militar, punir ou absolver.

Recordo, nesses tempos que já lá vão há muito!, de ser eu mesmo a pedir ao meu saudoso Chefe do Serviço de Justiça do Comando-Geral da GNR, onde então me encontrava como Adjunto, que me retirasse das mãos os relatórios sob pena de não mais os concluir tantos eram os erros de forma e talvez de estilo, logo de conteúdo, que neles encontrava quando os relia pelo que constantemente lhes fazia pequenas, pequeníssimas alterações, procurando melhorar o sentido e o alcance das palavras e medir bem o seu peso na conjuntura em que as utilizava, muitas vezes lamentando que o nosso léxico não fosse mais prolixo e capaz de, com maior eficiência, me permitir transmitir ao papel o que me ia na alma naqueles momentos em que sentia plena consciência de que, em grande parte, estaria nas minhas mãos a sempre temida espada da Justiça.

-“É um perfeccionista…” – respondia-me ele com a sua habitual bonomia, ao mesmo tempo que, acedendo ao meu pedido, pegava nos relatórios que, por sua vez, analisava, nunca os alterando, antes de os levar ao General, Comandante-Geral para despacho e decisão final.

Não se estranhe, por isso, que eu veja e reveja muitas vezes estes meus textos, de tal forma os burilando e retocando que, por vezes e no final, nem eu mesmo consigo lá muito bem entender o que escrevi e, sobretudo, para quem e porquê os escrevi! É que, perdoem-me a imodéstia, mas lapidar um diamante é obra só de peritos e eu sei bem, eu sinto-o, que terei alguns diamantes em bruto na minha alma mas que não saberei bem como os lapidar…

Vem isto a propósito – tudo nesta vida tem um propósito, nem sempre muito evidente, mas sempre um propósito – de um comentário de um amigo que há dias aqui escrevia assim: - “ ... não nos podemos esquecer que estes comentadores são aqueles que nos reforçam o ego para o ódio e o ressentimento. Isto basta para dizer da sua cultura a todos os níveis Portugal o Pais do facilitismo tem o que merece nos mais diferentes quadrantes. Vejamos a nova politica para passar do 8º para o 10ª Ano e perceberemos o porque de tão poucos comentários as suas opiniões ou de outros, não é que não leiam. Não entendem, não se querem esforçar.””.

 

Este comentário, se bem que proveniente de um jovem sensível e sofredor – presumo-o! – alimentou a minha alma e reforçou a minha convicção ao ponto de pensar que talvez não perca o meu tempo quando aqui extravaso as minhas convicções sobre os temas que têm o condão de “bulir” comigo, com o meu “eu” profundo. Bem haja, pois, pelo que escreveu e no que, talvez até contra a minha vontade, começo eu mesmo a acreditar. “Iliteracia” – neologismo dos nossos dias – mas que é bem capaz de sintetizar correctamente a cultura nacional mormente daqueles que se julgam cultos porque ostentam um “canudo” debaixo do braço mas permanecem insensíveis ao palpitar dos corações dos seus semelhantes e, tantas vezes, mentem a si mesmos e são infiéis aos seus próprios sentimentos.

 

Pobre evolução humana! Pobre humanidade que se verga hoje, mais do que nunca, ao que julga ser o “politicamente correcto”…

publicado por Júlio Moreno às 11:39
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Sábado, 19 de Junho de 2010

Lamento a morte de José Saramago ...

Lamento a morte de José Saramago como lamento a morte de qualquer ser humano. Tal como já o referi aquando da morte de Álvaro Cunhal, não obstante o ateísmo a que as suas filiações partidárias sempre os conduziram - ou obrigaram!? – não só lamento a sua morte como me permito aqui encomendar a sua alma a Deus e a fazer os votos mais sinceros por que na Sua misericordiosa companhia encontrem a paz que na terra nunca tiveram a felicidade de viver.

O que nessa mesma morte nunca lamentarei, apenas porque não posso, em consciência, fazê-lo, é o desaparecimento de um prémio Nobel da Literatura Portuguesa, que nunca nele reconheci, pois nunca fui capar de o ver, como jamais o verei, como equiparável a um Eça de Queirós, a um Alexandre Herculano, a um Ramalho Ortigão, para já não falar de um Camões, de um Guerra Junqueiro ou de uma Florbela Espanca, e de tantos,tantos outros que esses sim, constituiriam e constituem a verdadeira plêiade da literatura portuguesa.

Será visceralmente irresistível, será intelectualmente incompreensível mas, seja como for e como o quiserem considerar, este meu sentir é humanamente verdadeiro e coerente com a postura que desde sempre assumi perante o que considero ser um desvario intelectual e uma improbidade moral em que os tempos modernos têm vindo a transformar as coisas que desde sempre me habituei a respeitar porque assim terei sido ensinado.

Considero José Saramago como um indiscutível mestre de ideias, como um argumentista invulgar e talvez mesmo um verdadeiro ideólogo, mas nunca um escritor na acepção por que entendo tal designação e atributo já que nunca pontuava os seus escritos e, como sabemos, a pontuação é um dos principais atributos de qualquer texto assim com a inflexão verbal que damos à nossa voz complementa e verdadeiramente caracteriza o sentido daquilo que queremos exteriorizar quando falamos assim se distinguindo um declamador de um simples dizedor de versos ou um verdadeiro tribuno de um mero verborreico de fastidiosos discursos…

José Saramago era, sim, um pensador, polémico, frio e arrogante, pouco dado a uma exuberância de sentimentos que talvez lhe tivessem ficado bem se exteriorizados quando questionado sobre os vários temas que audaciosamente abordava, desde os históricos aos actuais, sociais e políticos, filosóficos e metafísicos por cujos meandros quis enveredar mas, a meu ver, sem êxito, ou melhor, com um êxito semelhante ao que hoje vemos ser reconhecido a uma qualquer banda de “heavy metal”, que, quanto mais barulho - que não música – fizer, melhor será e mais conceituada por uma cultura já cansada dos seus imortais Mozart, Chopin, Schumann ou Tchaikovscky  que terão já passado de moda!

Morreu Saramago! Morreu um homem. Sinto a dor da família e dos seus próximos mas não entendo a subserviência dos pseudo-intelectuais e dos políticos que, a uma só voz, manifestam tão publicamente o seu grande pesar, quando no quotidiano, ignoram a morte de milhares de Saramagos aos quais Deus quis fazer terminar o seu percurso e sofrimento nesta terra e perfilham posições sócio-culturais em tudo contrárias às leis da natureza à sombra das quais afinal vivem e vieram a este mundo e das quais estranhamente se orgulham chamando-lhes “progresso”!

Tristes tempos estes em que vivemos! Tristes tempos em que, sendo a Bíblia considerada “um manual de maus costumes”, prestamos obediência aos seus ensinamentos e simultaneamente louvamos quem a calunia e despreza!

Morreu Saramago. Morreu um ser humano. Inteligente, sem dúvida que o era mas que, no meu modesto entender, terá usado muito mal esse dom que lhe foi dado e não constituirá motivo para luto nacional já que, se assim fora, Portugal deveria viver um luto permanente.

Abandonemos a hipocrisia social e pseudo cultural em que vivemos. Respeitemos o homem, como tal, prestemos-lhe a homenagem adequada à sua verdadeira dimensão, mas atrevamo-nos, de uma vez por todas, e tal como Eça o fez um dia quando afirmou que a morte do Presidente da República não era um motivo de consternação geral; pelo contrário, animava o comércio…

Se os homens me não entenderem eu sei Quem me entenderá.

publicado por Júlio Moreno às 18:22
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Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

Parece incrível...

Parece incrível! Mas… será verdade? Quando um primeiro-ministro mente descarada e impunemente ao País perante a passividade (leia-se cumplicidade) das Instituições, particularmente a da Justiça, já nada me deveria poder espantar… Mas espanta e faz-me sentir remorsos e quase vergonha de continuar vivendo a cultivar recordações de um passado de honestidade e de trabalho e cujo regresso parece tardar…

 

Tal como costumo iniciar estes meus textos mais contundentes, direi, mais uma vez, que “mão amiga” fez chegar ao meu conhecimento as linhas que se seguem e abaixo transcrevo sem qualquer outro comentário que não seja o de que a mim, como português e militar que fui, servindo sob as ordens de um dos mais ilustres cabos de guerra que este País já teve, o Marechal António de Spínola, me suscita tanta covardia, podridão e alegre e democrática política “sucialista”: - VERGONHA e NOJO!

 

Segue o texto tal como o recebi:

 

“Quem vai votar neste senhor? Tenham juízo! Da outra vez, este idiota nem soube o que fazer com os votos que teve!  - Deixem-no fazer poesia e que fique bem.”

 

“Assunto: FW: Comparando Militares do QP a Manuel Alegre "O DESERTOR"- REPASSAR para Portugal inteiro”.

 

“O pateta alegre, além de estar senil esquece o passado. Em democracia, excluindo a democrácia portuguesa, quem tectos de vidro deve estar enterrado, para que as pedras não lhe caiam em cima. Comparando Militares do QP a Manuel Alegre "O DESERTOR"- REPASSAR para Portugal inteiro”
 
“Comparando Militares do QP a Manuel Alegre "O DESERTOR"
“Apoio, subscrevo e assino por baixo.
“Manuel Alegre - um DESERTOR
“Muito obrigado pelo seu concordante comentário sobre a potencial candidatura de Manuel Alegre à “Presidência da República.
“Teria preferido, a bem da nossa Nação, que o seu comentário fosse no sentido de me provar que estou “errado, o que, lamentavelmente eu não vou ouvir de ninguém.
“Sabe, o que mais me incomoda é que, com 2 filhos e 6 netos, olho para o meu "prazo de validade" a chegar “ao fim e sei que vou morrer com a angústia de lhes deixar um País, uma Nação, governados por aquilo que já “o nosso saudoso Rei D. Pedro V - infelizmente morto na flor da idade - descrevia, na sua correspondência “para o seu tio Alberto, marido da Rainha Vitória de Inglaterra, como uma "canalhocracia".
“E inquieta-me profundamente que, desse último quartel do século XIX até aos nossos dias, não só nada tenha “mudado para melhor, como a imunda República que nos governa, cujo primeiro centenário que este ano os “socialistas irão celebrar e que custará aos contribuintes DEZ MILHÕES DE EUROS tenha, pela sua prática “política legitimado que possamos dizer, hoje, que não é mais uma canalhocracia que nos governa, mas sim (e “salvo raras e honrosas excepções) uma "quadrilhocracia".
“Na minha qualidade de cidadão em uniforme que dedicou à nossa Pátria os melhores anos de toda a sua vida, “a troco de um prato de lentilhas, já vi quase de tudo e, como anteriormente afirmei, só me falta ver Manuel “Alegre - um DESERTOR - eleito PRESIDENTE DA REPÚBLICA e, nessa qualidade e por inerência do “cargo, como Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas.
“Espero que os portugueses acordem antes que tal possa acontecer. Cordialmente,
“Fernando Paula Vicente
“Maj-General da FAP (Ref.)””

“Quando estava num aquartelamento, no Norte de Angola, passava informações ao MPLA através de “um militar negro que prestava serviço nesse mesmo aquartelamento.
“Um dia, depois de ter tomado conhecimento deste caso, o Comandante da companhia mandou formar “as tropas e, com estas na posição de sentido, mandou esse militar negro dar um passo em frente: “ficaram todos a saber quem era o "Pombo Correio".
“Cada vez que o Traidor Alegre saía com a sua coluna em patrulha, nada lhe acontecia mas, no dia “seguinte, outro colega que saísse em patrulha, era logo atacado, originando baixas entre os nossos “soldados.
“Esse pateta alegre, alem de desertor-traidor à Pátria, é ainda assassino de portugueses pois que, depois “de ter desertado para o Congo Leopoldeville (actual Kinshassa), junto à povoação de Nóqui, no Norte “de Angola, enviava informaçóes através de uma emissora contendo informações das posições das “nossas tropas.””

“Noutros tempos estes crimes eram punidos com a pena de morte por fuzilamento. Nos tempos que correm, a “cobardia dá origem ao encolher de ombros, ao "deixa-andar", por isso está Pátria, que já foi, está “transformada num autêntico pântano!  PORTUGAL já era, não passa de "TERRA DO NUNCA", como no "Feiticeiro de Oz"...
“Conheci este General Piloto Aviador no posto de Capitão, na  antiga Base Aérea em Luanda; era pouco “falador, mas era muito educado e correcto o que me leva a partilhar totalmente das suas ídeias.
“Aníbal Pinho - Piloto da FAP Reformado””

 

Leram tudo?

 

Tenho 74 anos e já não sinto força física para afrontar tanta canalhice mas sou dos que acreditam que a força de um homem não reside apenas na sua força física mas que, quando esta faltar, será a força da razão a prevalecer e que esta saberá levar os seus netos a levantarem-se e a dizerem: - BASTA!

publicado por Júlio Moreno às 16:08
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Domingo, 13 de Junho de 2010

Congratulo-me com o que ouvi hoje

De facto, tenho boas razões para me congratular com as sempre sábias palavras dos homens lúcidos, sérios e profundamente conhecedores das matérias que abordam e que não se confinam só às respectivas profissões como também sabem ser profundos em quanto à generalidade do social e cultural da Nação e, muito principalmente, pela forma simples, directa e eficiente – o que a muito poucos é acessível – com que explicam as suas razões às mais díspares audiências televisivas que seguem, em minoria, os programas em que intervêm e aos quais se sobrepõem, como é sabido, quaisquer Rocks in Rio ou banhadas em piscinas de estúdio.

Refiro-me ao programa “Plano Inclinado”, de Mário Crespo, quase sempre anfitrião de ilustríssimos mestres em política económica como o é, sem dúvida alguma, o insigne Mestre Prof. Medina Carreira, um dos mais brilhantes e “destemidos” cérebros da actualidade portuguesa, ex-ministro das Finanças e também fiscalista e advogado, que nunca hesita em atacar, chamando as “coisas” que vão mal pelos devidos nomes – quase tudo, infelizmente! – e apontando, directamente e com a maior clareza, os respectivos responsáveis neste governo que nos “desgoverna” há cerca de uma década.

Neste último programa interveio também o ilustre economista Prof. Hernâni Lopes que, falando claro e sem tibiezas frente às câmaras, em comentários acertadíssimos sobre a conjuntura económica e moral do país, não se coibiu de anotar a falta que hoje sentimos do extinto “serviço militar obrigatório”, tema que, por um certo saudosismo militar que não escondo, diversas vezes, pensei em vir abordar aqui.

Com efeito e de um dia para o outro, extinguiu-se o serviço militar obrigatório ao abrigo de uma política de cego seguidismo das pseudo-avançadas políticas europeias e talvez também, como hoje se pretende fazer crer, por razões economicistas nunca “de facto” explicadas.

Na verdade, quem tem medo do serviço militar obrigatório? Talvez aqueles mesmos que lhe deveriam agradecer o facto de ocuparem hoje – post a totalmente adulterada e fracassada revolução dos cravos – os lugares que nunca teriam tido sem essa plêiade de soldados generosos e sem posto que, em cima dos carros de combate, obedecendo apenas aos seus chefes, ousaram desafiar o “monstro” do poder instituído e que, reconheço-o, tal como Spínola o reconheceu também, asfixiava há anos o Povo português.

O soldado do meu tempo era, talvez, o traficante e drogado de hoje ou o incipiente aprendiz de assaltante para quem já não há pais ou avós a respeitar e que, entrada a porta de armas do quartel ficava aí despido de toda e qualquer tentativa de oca arrogância sendo obrigado a subir, no interior do quartel e da organização militar, à custa de uma vontade e disciplina que lhe era imposta e à qual, com vontade ou sem ela, tinha sempre de submeter-se. Com isto não quero dizer que não houvesse cabos a merecer ser generais e generais que talvez nem cabos merecessem ser. Mas isso é outro assunto que ficará para outra ocasião.

Regressando ao tema: -na velha tropa se formaram homens na verdadeira acepção da palavra. Homens esses que, depois, geravam homens, desta forma fazendo crescer uma sociedade mais equilibrada e, sobretudo, muito mais honesta.

E agora? Agora vemos políticos que mercê de uma ascensão meteórica e as mais das vezes bem pouco clara, por inerência dos cargos a que se alcandoraram, se arvoraram em chefes dos militares – até comandantes supremos das forças armadas! – sem nunca terem sabido sequer o que era uma farda, uma espingarda ou sequer terem ouvido o toque duma alvorada!

E são esses os exemplos da democracia que nos deram e conduziram o País à beira do abismo onde nos encontramos e aos quais nos vemos hoje obrigados a obedecer qual recrutas recém incorporados!...  Oxalá não surja algum que, querendo fruir plenamente das funções que julga ter e, fazendo o que não sabe, dê como comando a voz de “um passo em frente, marche!...”

Voltarei ao assunto mais tarde, isto “se a tanto me ajudar o engenho e a arte”…

publicado por Júlio Moreno às 16:23
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