Sábado, 28 de Abril de 2012

O que percebo de futebol…

O que percebo de futebol e nada é a mesma coisa. Porém, por vezes e à falta de melhor entretenimento da TV ou de um novo livro para ler – os que tenho comigo já os li, reli e voltei a ler ao ponto de quase poder, deles, referir algumas frases completas e, o que é mais difícil, muito mais difícil mesmo, a página em que se encontram escritas! – dou comigo a ver alguns rapazes a correr, desconchavadamente alguns, atrás de uma bola o que me faz recordar aquela história da velhota inglesa que, tendo visto um desafio pela primeira vez na vida e ao ser-lhe perguntado se havia gostado, respondeu que sim mas que, por ela, seria muito melhor de dessem uma bola a cada um em vez de andarem todos a correr atrás da mesma!


Mas vamos ao tema que escolhi para “blogar” hoje e que me parece ser coisa séria e a dar que pensar aos cérebros priviligiados que administram essas competições futebolísticas onde, infelizmente, alguns jóvens têm morrido ultimamente, fulminantemente atingidos por irremediáveis paragens cárdio-respiratórias. Têm morrido e, quanto a mim, ingloriamente já que todo o esforço com que se empenharam e que lhes terá roubado a vida é, afinal, coisa de somenos uma vez que se poderia decidir o vencedor por “penalties”, que o mesmo será dizer por moeda ao ar e convertendo-se aquilo a que se convencionou chamar desporto a um mero jogo de fortuna e azar!...

 

Vem isto a propósito do tristíssimo espectáculo que tive a oportunidade de ver durante cento e vinte e tal minutos, o Real Madrid – Bayern de Munique, e que, tendo sido decidido por “penalties”, alguns dos quais estrondosamente falhados por jogadores experientes e que não erram mas que, por uma manifesta falta de “sorte” (o azar e a sorte!), chutaram a bola para o lado, para o ar ou para a mãos de um guarda-redes a quem terá saído, e a esse com propriedade e verdade, na lotaria, uma verdadeira bola de ouro!

 

É triste, é feio! Direi mesmo que é fazer pouco de tamanho esforço feito por campeões e magos da bola que exaustos, com a saúde diminuída, quando não em acelerado risco da própria vida, decidir assim das consequências objectivas de um tamanho esforço feito! Ganhou lo Bayern! A moedinha foi-lhe favorável…

 

Proponho, assim, que para futuro e a não ser aceite a proposta que adiante faço, os campeonatos desportivos de façam por uma espécie de plebiscito (até para ver se deste modo os plebiscitos passam a servir para alguma coisa!), por um totobola com os respectivos 1 – X – 2; alternativamente, verificado o empate após o prolongamento, novo jogo fosse realizado nos dias imediatos (número de dias a fixar) e em campo neutro. Caso persistisse o empate ambas as equipas fossem declaradas vencedoras do troféu em disputa. Mas isso da moeda ao ar, isso é que não por tão vergonhoso que me parece ser.

 

Deste modo se alcançaria a pretendida “verdade desportiva” e se poupava muito com a redução de comentadores desportivos e dos respectivos salários e os fins de semana poderisam ser passados mais descansadamente, sem distúrbios de “claques” e na plácida e merecida mansidão da pesca!

 

Mas que tenho eu a ver com isto? E porque não perco esta mania de me meter onde não sou chamado?

publicado por Júlio Moreno às 13:31
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

A actual democracia portuguesa

Perante o que diàriamente venho observando, interrogo-me sobre a questão de saber a quem mais aproveitará o sensacionalismo noticioso hoje permitido em Portugal - leia-se exageradamente permitido - apoiado que é por uma Justiça complacente, dir-se-ia mesmo que timorata e manifestamente inoperante e cuja inoperância vem sendo insistentemente aproveitada por quantos não vêem no que se passa a “sua” democracia – observe-se neste 25 de Abril o comportamento “birrento” de Mário Soares, do desertor-poeta Alegre e do redondo senhor presidente a quem o velho e desaparecido jornal “O Tempo”, pela sarcástica pena de Manuel de Portugal, apelidava então, com graça e oportunidade, de D. Lourençote da Melena e Pá e, no passado recentíssimo, a total impunidade das gravíssimas declarações de um dos auto-proclamados donos do País: - Otelo!


Mas a quem mais aproveitará este estado actual da própria Nação, aturdida que estará com o que se vem passando e sem conseguir vislumbrar o Norte constantemente apontado por outras tantas iluminadas cabeças que descobriram a mágica poção curativa mas que, aqui para nós, insitem em não a revelar a ninguém?!…


E é assim mesmo que neste velho país onde, pobre e alegremente, a grande maioria do Povo está saturado de índices, de gráficos, de análises e comentários, não obstante continue sem quaisquer indícios palpáveis de aculturação, se tem vivido uma muito jóvem e ainda muito pouco esclarecida e consolidada democracia – o tal mal menor de que falava Churchil nos Comuns – que eu sou levado a concluir que a quem mais interessará este estado de coisas, este desnorte mesclado do atávico pessimismo nacional será ao cada vez mais acentuado e irresponsável sensacionalismo de um pseudo jornalismo, arvorados que estão, alguns dos seus profissionais, em criteriosos relatores-cronistas desta comédia política que vivemos – creio que nos outros países algo de semelhante se passará – a quem mais aproveitará, dizia, será precisamente aos “media” do actual progresso - televisivo em primeiro e destacado lugar - que quanto mais aproxima as nações mais vem afastando os povos, retirando-lhes a identidade e proclamando uma fraternidade negocial onde sobressai um novo imperialismo consumista que só a poucos aproveitará e, dentre estes também, aos novéis politólogos que, enfaticamente nos lêm a sina, nos traçam perfis e, grosseiramente, nos esboçam o carácter analisando o presente e vaticinando o futuro!


Uma tristeza!...


Mas, como nem tudo é mau, eis que vai surgindo assim, diariamente e para muitos, a oportunidade de, sob o tal rótulo de jornalista, “noticiar”, com total impunidade e muito despautério, bem ao jeito de cada um, a notícia que vai tendo entre mãos e que muito raramente corresponde à verdade factual e se não destina a acalmar e a tranquilizar a opinião pública, antes e bem pelo contrário, a pretendendo desnortear, exaltar e mobilizar negativamente.


E assim é que eu, procurando informar-me, manter-me actualizado e acompanhar as pequenas “ditas” e “desditas” do Povo a que pertenço, beneficiando deste prodígio de técnica e modernidade que é a televisão e que os meus tempos de menino me recusaram, salto de “canal” em “canal” e, escorregando pela desentupida canalização de que vou dispondo, dou frequentemente comigo a ver os desenhos animados que são os que melhor me ilustram certas circunstâncias do quotidiano desta nossa vida nacional e tão gloriosamente democrática…

publicado por Júlio Moreno às 14:40
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Sábado, 7 de Abril de 2012

O tiro na vaca

Meu Pai era, durante a época balnear, director clínico das Caldas Santas de Carvalhelhos, Estância Termal situada em pleno Barroso, a nove quilómetros de Boticas, numa pequena cova formada pelas serranias envolventes e onde eu, sempre obrigado a acompanhar os meus Pais, me julgava um “desterrado” durante aqueles meses de Junho a finais de Setembro.


Quando havia gente da minha idade o tempo passava-se bem e depressa. O pior era quando não havia e eu tinha de inventar o que fazer durante todo o santo dia. Foi assim que travei amizade com a minha amiga Rola, uma égua castanha oriunda do Exército onde havia sido abatida porque cegara do olho esquerdo o que a tornava um animal perigoso por assustadiço, como me afirmava o Tio Camilo, seu dono e que, por atenção a meu Pai a quem deveria alguns favores médicos, ma emprestava sempre que eu queria para dar as minhas passeatas pelas serras as quais cheguei a conhecer quase tão bem como as palmas das minhas mãos. Tornámo-nos amigos, eu a a Rola e foram muitas as aventuras que fizemos juntos. Eu interessado nos pesseios a cavalo e ela interessada nas papas de aveia com vinho – sopas de cavalo cansado - que eu lhe dava sempre que íamos a Vilarinho da Mó, terra da Tia Miquelina, nos confins do mundo e que só se alcançava a pé, a cavalo ou de carro… de bois!

 

Mas não é mais uma das minhas aventuras com a Rola o objecto da minha história de hoje. Hoje proponho-me contar o que me aconteceu numa bela manhã quando, levando comigo um livro e uma carabina especial, de 18 tiros e calibre 22, que já havia estado apreendida por haver morto um homem mas cujo dono de então não hesitava em me emprestar, me dirigi para os lados do Lago dos Amores – um profundo lago naturalmente escavado na rocha pela própria água que nele se despenhava com grande força e de rasoável altura haveria por certo alguns milhares de anos e onde se fazia inteiro jus ao conhecido aforismo popular que afirma que “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura”.

 

Pois bem, a meio do caminhol para o Lago, num belo lameiro, em acentuado declive para o pequeno rio que ai passava, transbordando do Lago, decidi sentar-me um pouco para ler um bocado beneficiando daquele local aprazível e que, qual anfiteatro, me proporcionava uma ampla visão sobre um vasto horizonte no qual figuravam os demais lameiros do outro lado do rio e onde, na ocasião, pastavam, indolentes e pachorrentas, algumas vacas.

 

Não havia passado muito tempo desde que me sentara quando uma voz, vinda do meu lado direito me saudou cortezmente e me observou, referindo-se à arma que tinha a meu lado: - “Linda espingarda!... Corta longe?...”, assim se querendo informar do seu alcance que, na verdade, era bastante elevado, muito próximo dos mil metros.

 

-“Corta longe, corta…” - respondi-lhe eu depois de haver correspondido à sua saudação e reconhecido o homem das muitas vezes que já o vira conduzindo o gado para os pastos.

 

- “Chega além às vacas?” – insistiu o homem, manifestamente interessado na arma e talvez,como como logo deduzi, em dar mesmo um tiro com ela.

 

- “Às vacas?...” exclamei eu. – “Muito para além das vacas…”, que deveriam estar a cerca de duzentos e cinquanta metros de nós. –“Muito para além das vacas…” – continuei convicto. “Quer experimentar..” – sugeri fazendo então menção de lhe entregar a arma.

 

Ora, mortinho por isso estava o nosso amigo cujos olhosbrilharam logo que acabei de lhe fazer a oferta.

 

- “Se o senhor me desse licença… era capaz de experimentar…” – respondeu um pouco envergonhado.

 

Peguei então na espingarda, meti-lhe uma bala na câmara e, recomendando-lhe que escolhesse outro alvo que não as vacas, passei-lha então para as mãos que logo avidamente a seguraram enquanto que, com a vista procurava o alvo da sua eleiç.ão. Vi então que apontava para o lameiro onde pastava o gado e, sem que o pudesse impedir, foi nessa direcção que disparou o tiro dos seus desejos.

 

Ainda o estampido seco do tiro ecoava no ar quando uma vaca das que pastavam serenamente, alçava uma pata traseira e, mugindo de dor e com ela no ar, começava aos pinotes no campo.

 

- “Ai a minha vaca que lhe acertei…” – gritava agora o homem que, desvairado, me devolvia a arma e se lançava pela encosta abaixo até ao rio que atravessou numas poldras que havia perto, logo correndo em direcção às suas vacas por onde ficou atarefadíssimo na procura das mazelas que causara.

 

Soube, mais tarde, que um curandeiro veterinário lá da aldeia lhe havia extraído da coxa de uma pata trazeira a bala que ali se alojara porque, na verdade, a arma “cortava bem longe…”

publicado por Júlio Moreno às 03:56
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2012

Reflexões da terceira idade

Estranhamente são as pessoas que menos ou muito poucas razões teriam para me estarem reconhecidas que mais o estão e, inesperadamente, assim mo vêm demonstrando! Inversamente, aquelas que, em meu entender, alguma obrigação teriam em fazê-lo, são as que mais me votam ao esquecimento, alheando-se de mim, talvez até do que para elas represento, ou deveria representar, fazendo-me desde já antever o que ocorrerá com elas após a minha morte! E são negros presságios estes já que não é numa prateleira que me põem – como soi dizer-se – mas é mesmo dentro de um armário!...


Não é que a morte me assuste, não assusta. Tenho, quanto a ela, como já aqui há tempos confessei, alguma curiosidade até pois acredito em Deus e na vida numa outra dimensão, fora da temporalidade que, dia a dia e por mercê do "homo sapiens", nos esmaga e asfixia roubando-nos aquilo para que teremos sido criados e que seria toda a alegria de viver e bem-fazer além de toda uma imensa gratidão por estarmos vivos e poder sentir.


Na morte o que me atemoriza, confeso-o, é o sofrimento que possa ter de passar para a atingir e, se esta surgir de repente e sem aviso, o sofrimento que, por isso mesmo, sem que tenha havido tempo antes para a sempre necessária preparação, ela possa causar àqueles que, na verdade, me amam e que, por alguma forma, durante a vida – esta tão curta e simultâneamente tão longa vida!- sempre me manifestaram o seu carinho, o seu amor e a sua preocupação e que me irão certamente recordar com saudade não me deixando morrer nas suas memórias e nos seus corações pelo menos enquanto estes também baterem…


São reflexões deste tipo que hoje preenchem o meu quotidiano, sobretudo quando me vejo ao espelho, a barba cada dia mais branca, crescendo inexorávelmente e indiferente à disposição com que me encontro ou às vezes em que a faço, ou ainda quando, debruçado sobre esta janela mágica para o mundo que o meu computador e a internet me proporcionam, consulto o extracto da minha magra conta-reforma, sempre atento às necessárias despesas a que o simples acto de viver me obriga dentro deste turbilhão desvairado dos milhões que hoje devemos, ontem nos emprestaram e amanhã teremos de pagar, coisas de que os políticos de hoje tanto se entretêm em falar.

 

Sei que não vem a propósito mas penso, por isso, que para se ser político é necessário, em primeiro lugar, ser-se sado-masoquista pois só assim se comprenderá a sanha que todos têm de sofrer as agruras da governação, em segundo lugar, ser-se desempregado de longuíssima duração e, em terceiro e último lugar, ter-se perdido todo e qualquer sentido de humanidade e de Justiça com que Deus sempre nos dota no acto do nascimento - a consciência…


“Cogito ergu sum” ou melhor: “pensando vou vivendo”…

publicado por Júlio Moreno às 15:04
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