Comentário a um comentário sobre um tema que me é caro e que, já por algumas vezes, aqui trouxe já: a língua portuguesa, e que eu bem gostaria de ter aprofundado em devido tempo já que agora será tarde pois “burro velho não aprende línguas”, nem que seja a sua!...
Voltando ao assunto e, depois de declarar o meu total apoio ao Senhor Embaixador pelas suas considerações neste post "Suissa" do seu blog "Duas ou três coisas", direi ainda que, coisas há que a ciência, no seu estado actual, não saberá explicar muito bem ainda. Entre elas estará esta coisa esquisitíssima a que se chama “hereditariedade”.
Meu avô paterno, filólogo, pedagogo, dicionarista, gramático, prosador e ligeiramente poeta, Augusto Moreno, de seu nome, natural de Lagoaça, Freixo de Espada à Cinta, mas brigantino, como se considerava, e sempre transmontano de alma e coração, ter-me-á deixado esse gene que me faz arrepiar a pele sempre que ouço ou leio coisas como “alavancar” a economia, “agilizar” a acção, confundir “a moral” com “o moral” e outros mimos linguísticos com que a comunicação social de hoje, tanto a oral como a escrita (não obstante os correctores ortográficos que hoje equipam a grande maioria dos computadores e processadores de texto – e creio que o “Magalhães também ), nos vem brindando.
Acredito que uma língua, e para mais sendo viva como a nossa é, terá, por definição, necessidade de crescer, de melhorar, de se ataviar com roupagem nova (tanto mais que acabámos de chegar à Europa!) mas, como tudo na vida, deverá fazê-lo dentro de certos limites e com bem alicerçadas razões, tendo sempre em consideração a natureza das próprias raízes não vá a planta crescer, doente ou deformada, como me parece que estará a acontecer pelo que já não sei se tal mutação ficará na história ou na estória!
Virá talvez a propósito recordar o novíssimo acordo ortográfico onde a predominância do brasileirismo é tão evidente e tão empurrada, casa adentro, pelas telenovelas que nos preenchem o quotidiano que não sei se algum professor de português terá mais coragem de apontar como errado ao seu aluno que, querendo descrever como o criminoso foi preso pela polícia, escreva como terá ele sido pego, isto do mesmo modo que a maioria dos programas informáticos costumam conter a seguinte ressalva “português do Brasil.” nenhuma menção fazendo ao “português de Portugal.” – (Julgava o Bill Gates um pouquinho mais culto!...)
Concluiria dizendo que será caso para pasmarmos porque, pela primeira vez na história do planeta (e tema, talvez, para um futuro Nobel de Física) que a água do rio estará, algures, correndo da foz para a nascente…
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