Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Tenho de mudar de estilo de escrever… se é que tenho estilo algum!

Dei hoje indicações a uma pessoa amiga sobre este blog que vou escrevendo desde 2005… Já lá vão uns anos! Aproveitei e reli alguns dos textos que escrevi e… perdi-me a páginas tantas de tão complexa que me pereceu a minha prosa.

Sem paciência para continuar, parei de ler e fiz naquele momento e a mim mesmo uma promessa: - Iria deixar os longos parágrafos, por vezes bem confusos e alguns até de coerência duvidosa, e ia passar a escrever de uma forma diferente. Mais directa e incisiva. Pondo dúvidas onde estas pairassem no meu espírito, mas tudo sem rodeios e pretensões ocas a uma exposição com ar de retocada, burilada e, quiçá mesmo, pouco convincente.

Sinto que devo fazer este esforço de auto crítica e de análise, directa e objectiva, deixando para trás rodeios, conceitos adverbiais de modo, de tempo ou de lugar e indo direito aos assuntos, se é que os vou tendo e estes vão merecendo que, sobre eles, continue escrevinhando.

E já agora tentarei aproveitar este meu primeiro ensaio para vir falar um pouco de um assunto que, de há muito, me vem deixando apreensivo e timorato até.

Sou crente, já o disse aqui, e creio em Deus. Mas penso que enfileiro ao lado dos pouco ou nada praticantes por comodismo, preguiça ou com o recurso da estafada auto-desculpa indesculpável do esquecimento ou falta de tempo quando tempo é precisamente o que me sobeja agora!

Emociono-me quando vejo a imagem de Nossa Senhora de Fátima pois me recordo bem - sendo, na altura, tão pequeno, teria quatro anos! - do momento em que a procissão das velas, já com um desvio que lhe não era habitual, parou em frente a minha casa e o seu andor se voltou para a minha janela e por Ela sinto hoje que fui então abençoado e salvo quando, gravemente doente e ao colo de meus pais, ardia em febre e tinha – soube-o muito tempo depois – poucas esperanças de me salvar…

E, se até aqui, tudo parecerá normal e tão somente o sinónimo da Fé que o homem que sou hoje reconhece e acalenta, perturba-me e atormenta-me o pensar que, quando rezo e a Deus e faço as minhas orações, a Seus olhos possa parecer que, sendo como sou, o faça por interesse e não com aquela devoção sincera e despegada de qualquer interesse marginal ou pessoal que tanto queria demonstrar.

Mas porque me perturbo assim quando deveria ser um acto habitual, regular e, como eu sempre quis que fosse, totalmente isento já que nada peço para mim ou evito fazê-lo o mais possível?

E porque não peço eu para mim as benesses que peço para outros e que creio firmemente também me seriam concedidas?

Porque temo que, sendo como sou e o que sou, a Seus olhos as minhas preces não tenham o mérito antes o demérito de poderem ser entendidas como feitas por interesses venais e pessoais e que só de imaginá-los de mim mesmo me envergonho.

E envergonho porque sei que a mercê de Deus se não compra nunca. Ele no-la concede ou não consoante o mérito que a seus olhos ela tenha… Mas como demonstrá-lo? … Sobretudo a Ele, que estará dentro de mim, sentindo o que eu sinto, perscrutando e conhecendo o meu pensamento, como prová-lo sobretudo a mim e de mim arredando esta dúvida que sempre me assalta de ser eu mesmo a duvidar do meu íntimo e sem poder provar-me o contrário?

Será que isto que sinto o sentirão também os outros quando rezam e falam com Deus?

Atormenta-me esta dúvida que de há muito me assalta e que, à medida em que vou avançando na idade, mais presente se encontra no secretismo do meu ser avolumando-se ao ponto de, por vezes, se me tornar mesmo quase insuportável.

Fui explícito? Ou mais uma vez me enredei em teias de palavras cujo significado nunca poderá ser entendido por quem as leia a não ser por quem me disse um dia que o que eu escrevia era como música para os seus ouvidos!... E que mágica não terá essa música que tamanha distância a todo o momento está sempre percorrendo!?...
publicado por Júlio Moreno às 01:55
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