Sábado, 26 de Março de 2011

Uma pequena história

Em 1980/81 não havia casas para arrendar em Lisboa.

Por haver sido aceite o meu plano para a fundação da Prosegur em Portugal o que, por Madrid, me havia sido pedido, vi-me na urgentíssima contingência de ter de encontrar um “buraco” em Lisboa que servisse para nele instalar a sede da Empresa. Encontrei, finalmente, um pequeno andar na avenida Joaquim António de Aguiar, num local de parqueamento quase impossível e a alguns metros acima do “Lord” cabeleireiros.

Pertencia a casa ao Dr. Eduardo Catroga que, a instâncias minhas e porque a casa era de seu Pai, que a utilizava aquando das suas deslocações a Lisboa, só ao fim de muita insistência acedeu finalmente em arrendar-ma com a promessa, da minha parte e vista aquela circunstância, de que lha restituiria no momento em que mo pedisse. Assim, foi feito o respectivo contrato de arrendamento mas esta cláusula nele não figurava havendo apenas a garanti-la a palavra dada.

E Empresa instalou-se e os negócios aí se iniciaram finalmente. Passado algum tempo – um, dois anos, talvez menos, talvez mais, não posso de momento precisá-lo – o Dr. Catroga informou-me, telefonicamente, de que iria necessitar da casa daí a algum tempo pelo que pretendia a rescisão do contrato.

Coincidiu este pedido com a presença em Lisboa de um dos administradores da casa mãe, de Madrid, com quem discuti o assunto e o problema enorme que o facto nos acarretaria, e que me aconselhou a ignorar tal pedido uma vez que, como observou, a circunstância que o legitimava não figurava no contrato celebrado.

Não lhe respondi mas decidi encetar de imediato as necessárias diligências no sentido de encontrar novo local para a sede da Empresa, o que, tal como havia acontecido, se mostrava tarefa quase impossível. Porém, quando no final desse mês, me desloquei ao gabinete do Dr. Catroga para efectuar, pessoalmente e como de costume, o pagamento da renda formalmente lhe garanti que no dia aprazado – não me recordo se no mês seguinte se daí a dois meses – viria entregar-lhe a chave do apartamento.

- E para onde vai? – perguntou-me ele, entre o curioso e o preocupado. Li-lho nos olhos.

 – Não sei – respondi – estou procurando e para qualquer sítio será… No dia combinado, porém, V.Exa. terá o seu andar de volta…

Despedimo-nos, como era costume, com um amistoso aperto de mão.

Valeu-me, na altura, um ex-camarada meu da GNR que, tendo alguns andares na avenida João XXI – o que eu ignorava – um do quais iria vagar, me permitiu a milagrosa solução de tão aflitiva emergência.

Já cerca de trinta anos decorreram desde esta ocorrência mas estou certo de que os intervenientes que aqui menciono por certo se lembrarão dela como eu me lembro…

publicado por Júlio Moreno às 10:54
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