Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

A diferença entre estarmos e sentirmo-nos doentes

Sinto-me doente. Sinto-me doente e, paradoxalmente, sei que estou e não estarei assim tanto! Todavia nem sempre isto acontece já que, vezes há em que, sentindo-nos perfeitamente bem, alguém que em nós repara nos diz: - Pareces doente! Que é que tens?...

De facto, de há muito que venho pensando em quanta gente se não sentirá doente sem que o pareça aos olhos avaliadores de terceiros – e o pior é quando esses olhos são os dos médicos que terão especiais obrigações sobre este assunto como tanta vez a imprensa o tem vindo a referir e é “fenómeno” que dá pelo nome de “negligência médica”! – e quanta outra se esforçará por parecer doente quando, na realidade, não o está, servindo, assim e apenas, mesquinhos interesses pessoais ainda que à custa daqueles que lhes querem bem e que com eles se preocupam ao ponto de negligenciarem a sua própria saúde!

Mundo ingrato! Mundo peçonhento já que chamar-lhe “cão” seria ignominioso para com este nobre e dedicado animal, quanto a mim, o melhor amigo que o homem tem na terra...

Pensando nisto e sabendo, como sei, quão interesseiro e matreiro é o animal humano, interrogo-me frequentemente acerca dos inúmeros porquês que poderão estar por de trás de tais situações – apenas de algumas me recordarei porque incontável será o seu número já que o homem sempre foi exímio na “arte” de representar. Penso, todavia, que todos os “porquês” se poderão resumir num só que a todos aglutinará e justificará: - a vantagem ou o benefício que daí lhe advenha directa ou indirectamente e sem que lhe importe o sacrifício que o facto traga para quem sinceramente se preocupe com quem assim se queixa numa manifestação de puro e condenável egoísmo, talvez mais digno de compaixão do que de crítica...

Mas, regressando ao ponto de partida deste meu pequeno comentário de hoje, reafirmo: - sinto-me doente não obstante, vendo-me ao espelho não me reconheça como tal ou ouvindo amigos estes me digam que tenho bom aspecto e que parece que o tempo não passa por mim, uns o fazendo por amizade ou até lisonja, outros porque não saberão ver através da opacidade do meu corpo físico e menos ainda os que comigo sintonizem as suas ondas daquele electromagnetismo que nos faz soar, qual pequenas campaínhas de alarme, os pequenos sinais de que algo vai mal neste aparente e humano mar lunar da tranquilidade!

Sinto-me doente porque sinto saudade!... Uma saudade infinita, impalpável, invisível, inefável até... Mas uma saudade que doi sem que doa que se mantém e avoluma quando seria justamente de esperar o contrário através de uma noite mais ou mernos bem dormida e de um reparador repouso tanto do corpo como da mente... Uma saudade que só a invenção maravilhosa do telefone tende a minimizar mas que, mesmo assim, sinto que é ela, verdadeiramente ela que, pouco a pouco, me vai matando...
publicado por Júlio Moreno às 13:40
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