Sábado, 4 de Abril de 2009

Será que ante-ontem fiquei mais velho?

É certo que, em contas de calendário, ante-ontem perfiz mais um ano de idade! Fiquei mais velho, portanto.

Mas será que fiquei mesmo? Pus-me a pensar.

Será que, por cada ano que passa, deveremos, real e matemáticamente, adicionar mais um ano à nossa vida ou, pelo contrário, deveremos diminuí-lo já que esta vida, só aparentemente nossa, a vamos ter de devolver um dia e, assim, ano após ano, a desconhecida data dessa devolução se vai aproximando? Considerando um saco, cheio de qualquer coisa, será que o estaremos enchendo a cada ano que passa ou o vamos esvasiando até que, do seu conteúdo inicial, nada mais reste por tudo já ter sido consumido ou um pouco como, para quem veja um copo meio de água, o considere meio cheio ou meio vazio?...

A questão parece-me curiosa e estou certo de que não serei eu a primeira pessoa a colocá-la. Só que uns o farão por graça e não estando a falar seriamente e eu, pelo contrário, o faço a sério e bem gostaria de obter uma resposta conclusiva que me não deixasse quaisquer dúvidas já que estas de há tempos que se vêm avolumando no meu espírito e sem que que este se aquiete e conforte com o dissipar dos “será que?...” e dos “porquês...”que sempre me vão surgindo...

Curiosamente, é à noite, quando, por vezes, não consigo conciliar o sono, que tais dúvidas mais me assaltam ao assistir, como espectador - a actor! - de primeira fila, ao desfiar de recordações vividas e logo revividas e que a ocasião, a propósito ou sem propósito algum, vão desfilando pela minha mente e por ela, como por tela cinematográfica, se desenvolvendo e desenrolando, numa cadência nem sempre lógica e inteiramente coerente, devo confessá-lo, mas que nunca atraiçoa o mérito de sempre tem de me transportar a lugares distantes e ao convívio com gentes que há muito me abandonaram quase sem que eu tenha dado conta disso ou saiba verdadeiramente do “porquê”!

Recordo então, e frequentemente, as palavras do sábio e incontestado Sócrates, - não deste de trazer por casa e que hoje, para nossa desgraça, conhecemos – mas do filósofo da antiguidade clássica, inventor da “maiêutica” – a procura da verdade no interior do homem - (Wikipédia in Sócrates) a quem muitos ouviam e pediam a douta opinião e que, não obstante a imensa sabedoria que unânimemente lhe era reconhecida, um dia a todos terá surpreendido com a célebre frase : - “só sei que nada sei...”

Em boa verdade não sei por que vos trago, hoje e aqui, estes desconjuntados pensamentos mas sinto que me alivia um tanto o escrevê-los e assim os comunicar para o exterior de mim mesmo, comunicando-os a outros, quanto mais não seja para que se não percam e cada vez mais se enredem neste misterioso e inexplorado mundo dos neurónios que cada cérebro humano – só humano? - contém e que talvez só sirvam para complicar mais a vida do que para descomplicá-la.

E assim pensando, cogitando – para usar talvez uma linguagem mais erudita e apropriada ao discusrso que hoje me ocorreu – recordo o terrível paradoxo existente entre o físico e o espiritual sem que possa saber, na hierarquia por que ambos deverão definir-se e catalogar-se no mundo deste nosso paupérrimo e tão efémero conhecimento, qual dos dois se deva por em primeiro lugar!

Se sinto uma dor e nela penso é certo que esta aumentará a menos que, mercê de algum auxílio externo, físico ou psíquico, algo a force a qualquer tendencia para diminuiar; por outro lado, se a não sinto e penso apenas que poderei vir a senti-la, é quase certo que ela virá e com ela a ansiedade com que se avolumará em grau e cardíaca arritmia, cedendo apenas a factores externos que, técnica ou casuísticamente apenas, tenham como real efeito fazê-la regredir e diminuir até á sua extinção...

É a eterna e dicotómica incógnita entre o psíquico e o somático de que me pai tanto falava e que hoje, escrevendo estas linhas, não posso deixar de me deixar sorrir ao pensar que, para alguns dos que tiverem a pachorra de me ler, o que aqui deixo escrito mais não será do que um amontoado de palavras soltas como se deixadas cair de um dicionário abanado sobre uma folha branca de papel e, por artes mágicas do tipógrafo que o compôs, tivesse o condão de deixar que as palavras dele se soltassem, aqui caindo, dispersas como pequenos borrões de tinta que espirrassem das velhas canetas de aparo quando mal manuseadas por escribas inexperientes...
publicado por Júlio Moreno às 17:17
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