Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Recordando e homenageando...

Tive, na GNR, um camarada que tinha uma inteligencia brilhante e um raro sentido de humor.

Já faleceu – só muito tarde o soube - e não citarei o nome pelo qual todos o conhecíamos já que isso será o que menos importa pois “ele” bem sabe que é a ele que aqui recordo com grande saudade pelas tantas horas de agradável e são convívio que ambos vivemos. Nem sempre de acordo, é certo, mas sempre na melhor e na mais salutar das amizades.

Eram célebres e acho que ficarão para sempre na lembrança de quem com ele teve a felicidade de conviver e privar algumas das frases que costumava proferir, uma das quais, me foi especialmente dirigida e que seguidamente aqui mesmo irei hoje recordar.

Era hábito de uns quantos oficiais, entre os quais eu me incluía, acabado que fosse o almoço na messe, juntarmo-nos na pequena sala de trabalho dos oficiais do esquadrão onde ocupavamos, literalmente o digo, as mesas e cadeiras que não eram as nossas.

Talvez por hábito, talvez porque me fosse mais agradável ou porque fosse um dos primeiros a chegar, era a mim que cabia ocupar a cadeira e pequena mesa de trabalho dele que, quando chegava, tinha o seu lugar ocupado pelo que, educadamente como sempre o foi, procurava outro para se sentar durante a pequena cavaqueira que todos ali tínhamos diàriamente e antes de serem horas para que cada qual regressasse ao seu trabalho – eu, às minhas funções e aos intermináveis processos, na Repartição de Justiça.

Se me tivesse dado ao trabalho, que não seria muito, de pensar um pouco melhor no que aquela minha abusiva liberdade representava, bem por certo que nunca teria ocupado aquele lugar e aquela cadeira, pelo menos da forma leviana e um tanto atrevida, porque o fazia. Mas era assim e acho que nem nisso sequer pensava.

Um dia, porém, para minha grande estupefacção – e lição de educação e civilidade, porque não confessá-lo? – quando me preparava para mais uma vez me sentar na cadeira dele verifiquei que, na secretária e sob o vidro que, como disse, recobria o respectivo tampo, talvez ao lado de um pequeno calendário ou de qualquer outro papel sem especial significado, estava um letreiro enorme que, oblíquamente, atravessava o tampo de secretária e que, em letras bastante grandes e bem visíveis, dizia o seguinte:

- “Se não tem nada que fazer, não o faça aqui...” - (assinava: “Confúcio”).

Aprendi a lição. Julgo que me não voltei a sentar naquele lugar, pelo menos sem a sua permissão ou, se sentado, oferecendo-lho logo que ele chegava, mas não me senti ofendido porque sabia nunca ter sido esse o seu propósito ao escrever o que escrevera.

Por isso mesmo, deixei-me sorrir interiormente como hoje ainda me sorrio ao recordá-lo com infinita saudade!

Que estejas em paz Luis e que um dia nos possamos encontrar de novo são esses os meus mais ardentes votos... Teu amigo Júlio.
publicado por Júlio Moreno às 00:22
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1 comentário:
De Contoselendas a 16 de Março de 2009 às 12:19
Adorei estes dois ultimos posts, Um Abraço.

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