Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Onde pára um certo senhor? Será que vive em “crise”?

Houve, em tempos recuados e simultâneamente saudosos – por sermos mais novos mas de má memória pelo que então nos aconteceu - um determinado e mui importante e vaidoso senhor, autarca ilustre na cidade-mãe daquela onde eu vivia e vivo, passando depois para o o exercício de um alto cargo ministerial, onde, no mínimo, terá sido ridícula a forma como actuou, vindo a sair devagarinho, pela porta dos fundos e sem o estardalhaço que costuma acompanhar a despedida dos membros do governo pelos “actos heróicos e condecoráveis que, ao serviço da Pátria, praticaram” – da Pátria deles, entenda-se, que não da minha ou da nossa para o comum dos portugueses, se assim o preferirem.

Saído do “tacho”onde se acolhia, ao cabo de muito pouco tempo soube anichar-se, por meritória e notabilíssima decisão de compadrio, no confortável lugar de administrador duma importante empresa nacional, a mesma que, sem rebuços de vergonha e sem se dar sequer ao incómodo de vir a público explicar das razões por que assim procede – aumenta os combustíveis logo que o petróleo aumenta e só os diminui largos meses depois de este ter baixado, com o que arrecada incomensuráveis e “incriticáveis” lucros! – esse senhor, dizíamos, continuaria então a cometer actos perfeitamente notáveis e a todos os títulos louváveis para benefício da Pátria, isto para quem tão descaradamente “mentira” ao signatário aquando de um prometido encontro para depois de férias...

Mas, talvez num rebuço e envergonhada modéstia,terá dito então o referido senhor: - “Mas... eu de petróleos e petrolíferas não percebo nada!...” mas isto sem que de tal o impedisse e, embora a custo como acreditamos que haja acontecido, se coibisse firmemente de abichar o lugar que lhe criaram os “bosses” dos “boys” e onde foi então auferir, se a memória me não atraiçoa, a módica quantia de 15.000 “contos”, era essa a moeda de então, a título de remunaração mensal!...

Teremos, de convir que tal soma seria um pouco descabida para quem nada percebia do “negócio” – segundo o próprio e de acordo com notícias coevas publicadas – mas que, nem por isso deixou de efectivar-se e de, ao que nós saibamos, lhe ser pronta e regularmente paga mensalmente além de bónus e outras mordomias essas bem escondidas dos olhares do povo que já então, como eu mesmo, começava a dar sinais de extrema debilidade económico-financeira.

Mais eis que surge a “crise”! Este assustador ciclo que hoje vivemos e para alerta do qual tocam todas as sirenes de alarme em todos os continentes e acorrem todos os “especialistas” no seu combate, dizendo uns que é preciso golpeá-la na cabeça e opinando outros que bastará cortarem-lhe os pés para que não possa caminhar, dizendo outros ainda que talvez com umas aspirinas ela passe!...

O nosso Primeiro, esse, porém, surge curto, conciso e gesticulante: - política de Robim dos Bosques, que o mesmo quererá dizer tirar aos ricos para dar aos pobres!

Pobre figura de rectórica, anti-nacionalista até, quando, para isso, já cá tinhamos tido o Zé do Telhado! e tristíssima figura de político quando se não definem quem serão os ricos e quem serão os pobres!...

Alvitraremos, por isso, ao nosso Primeiro que, para ser, de facto, um Robim dos Bosques à moderna, deverá deixar os fatos elegantes e de fino recorte com que se adorna, envergando andrajosas túnicas de serapilheira feitas, e se deverá mudar para as matas de Leiria ou do Buçaco para daí, em surtidas rápidas e inesperadas, atacar, sem dó nem piedade os bancos – verdadeiras albufeiras de dinheiro! - os banqueiros, que fabulosos lucros continuam a apresentar, e todos aqueles que, acumulando incalculáveis riquezas, sem que nunca ninguém tivesse indagado como nem porquê, mantendo os seus bem “gerenciados” aforros nos bem conhecidos paraísos fiscais das “offshores”, e deixando de prosseguir na fiscalização tributária a política de supermercado que vem seguindo de conseguir elevadas somas de que necessita à custa da multiplicidade (enorme quantidade, para quem não saiba o que queremos dizer) dos micro, pequenos e pequeníssimos empresários e particulares que são muitos, muitíssimos mesmo, mas que um dia se poderão cansar da sua passividade e permissividade como há dias atrás já alertava um não menos responsável ex-Presidente da República...

E já agora, meu caro senhor, será que também estará a ser afectado pela crise ao ponto de não ter já dinheiro para custear o “capuchinho vermelho”, desculpem-me, o capachinho escuro- esbranquiçado que tão bem lhe vai com o seu ar de verdadeiro galã de capa de revista (esta é de homenagem a um velho companheiro meu já falecido) e desta comédia em que o País se vem transformando?

Alvissaras a quem souber do seu paradeiro pois, ao exemplo de algumas cartas, sem resposta, que já lhe escrevi gostaria de o poder contactar de novo...
publicado por Júlio Moreno às 12:41
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