Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

É mais do que óbvio...

"DO PD da IOL de 10-02-2009 - 18:56h
- "Ministro quer mais polícias, mas não explica crime.
- "Rui Pereira apresentou Estratégia de Segurança para 2009.
- "No final, desapareceu...""
...

É mais do que óbvio de que o actual Ministro da Administração Interna – bem falante e que se diz eminente jurista e legislador – não faz a mais pequena ideia do que é o crime em si mesmo e, sobretudo, o que é a criminalidade no terreno.

Teria sido seu “insubordinado” se, ao tempo em que fui elemento das Forças de Segurança (GNR) ele fora o Ministro. Felizmente que o não era e felizmente que os Ministros de então, se bem que com algumas “nuances” características de quem pretende afirmar-se no e com o poder, admitiam e iam seguindo as indicações, técnicas e tácticas, que lhes eram dadas pelas Chefias militares e policiais de então (igualmente militares) e com outra perspectiva da realidade e da respectiva missão.

Pessoalmente – era eu tenente - tive um pequeno caso com um Ministro do Interior de então e, ao cabo de brevíssima e correctíssima troca de palavras foi a minha opinião e a decisão que havia tomado aquelas que prevaleceram o que valeu então ao Ministro da Marinha, Almirante Quintanilha de Mendonça Dias, que estava presente, num tom de galhofeiro e quiçá apaziguador da querela que talvez se aproximasse, as seguintes palavras que recordo perfeitamente: - “Ora diga lá senhor Ministro que somos nós quem manda, ora diga lá!...”

Hoje, porém e ao que vejo, tudo isso mudou.

A segurança – ou melhor, a insegurança! - é, em primeiro lugar, definida pelo Ministro das Finanças, seguindo indicações do nosso Primeiro, e só depois interpretada, corporizada em texto legal e “mandada” cumprir pelo MAI.

É sabido que o progresso se manifesta em todas as direcções e que um dos índices que serve para medir o nível de vida e de desenvolvimento dos povos é o da sua criminalidade – ponto de vista geralmente aceite mas que hoje, porém, se deverá pôr – e muito! - em causa senão nós seríamos um dos melhores e mais evoluídos países do mundo e o seu expoente, quase máximo, seria o Brasil o que, como é bom de ver, não será o caso.

É certo de que se acentuaram com a proclamada “liberdade” – e de que forma! – as desigualdades sociais e hoje já se fala, o que dantes era só murmurado entre dentes, do chamado crime de colarinho branco que mais não é do que a máfia elitista do charme que, de há muito, vem roubando milhões e milhões impunemente.

Hoje já se prendem banqueiros corruptos, políticos corruptos e afins se bem que pouco ou quase nada se toque na Justiça, ela também certamente, sofrendo, aqui e além, de idênticos sintomas e o que será bem pior, manifestando que se estará nas tintas para quem nas tintas se estará para com ela.

Só à luz desta sucessão sucessiva de sucessos poderemos entender o que se passa no mundo em que vivemos e muito particularmente nas esferas do combate à criminalidade, que agora já se admite ser violenta e que se apresentará, quanto a nós, em crescendum teóricamente imparável a menos que medidas sejam tomadas e essas não serão exactamente as da repressão, macia e doce, do “termo de identidade e residência” ou mesmo da prisão preventiva tantas vezes inconsequencial e tão relutante ao erário público administrado pelo senhor Ministro da Justiça, que, não obstante o dinheiro que poupa ao libertar os criminosos, confessos e, diria mesmo que congénitos já que outra coisa não viram desde que nasceram senão crimes, armas e tiros... mesmo assim deixa que se assaltem os Tribunais ,neles chova em plenas salas de audiência, e permanecçam sem condições de dignidade e segurança para utentes e magistrados, mas sim pelas da educação e pelo regresso aos “bons” valores dos velhos tempos, dos tempos dos botas de elástico que, como eu, atingiram já os setenta e dois anos de idade!

Igualmente se não mediram - a curto, a médio e a longo prazos – os efeitos da demagógica decisão de constituir o espaço Shenguen onde as fronteiras foram abolidas no seio dos países ditos comunitários – e que, como a realidade dos factos o vem demonstrando e a prática vivida se encarregará de demonstrar com maior evidência, nada terão de comum! – daí resultando que a verdadeira fronteira de Portugal se situa hoje bem para lá da Hungria e sem possibilidades alguma de controlo no que toca ao fluxo e refluxo de pessoas e de bens, isto enquanto um Conselho Europeu se reune, discute, viaja e regularmente se banqueteia em lautas e faustosas jantaradas para discutir a utópica Europa unida que nunca verá a luz do dia, como infelizmentente já viu o “famigerado euro” que, para nós, portugueses, veio elevar para o dobro e sem quaisquer contrapartidas o nível de vida e, consequentemente, a pobreza dele decorrente, para o dobro, isto não obstante os sábios e palavrosos doutores na matéria se tenham esforçado por convencer o Zé Povinho de que não senhor, de que tudo iria continuar na mesma e como estava!

Realmente, dantes roubava-se “um escudo” ; hoje rouba-se “um euro”, ou seja duzentas vezes mais qualquer que seja o ponto de vista pelo qual seja encarado: .- o monetário ou o estatístico...
publicado por Júlio Moreno às 13:01
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