Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Desde que me recordo do aparecimento da informática e dos computadores

Desde que me recordo do aparecimento da informática e dos computadores – desde os famosos Spectrum, aos Amstrad, tanto portáteis como de mesa, até aos modernos e actuais computadores da mais alta performance; - desde que me recordo de ser num edifício de grandes dimensões onde a nossa TAP – nos seus tempos áureos – guardava as suas informações, pelo que constantemente sobre ele me reclamavam a mais rigorosa vigilância, informações essas que iam desde as escalas do pessoal, tanto de terra como de voo, aos respectivos honorários em função das horas e locais do respectivo trabalho, até à enumeração das múltiplas e quase infinitas peças de equipamento das respectivas aeronaves, seu loteamento, número de horas de trabalho em que devia ser usadas para prevenção da chamada “fadiga do material” e respectivas necessidades de substituição, etc., etc.; - desde tudo isso e desde esse tempo que me transformei num fervoroso adepto da novidade informática e do imenso mundo tecnológico que ela representava pelo que alguém, chegou a dizer-me que eu andaria “vestido” de máquina de calcular tal era a minha paixão autodidacta por esses então loucos e milagrosos mecanismos...


Esse momento de euforia, alimentado – reconheço-o hoje – pela mais profunda e pecaminosa ignorância no que concerne às consequências sociais em que tal “monstro” se viria posteriormente a transformar, roubando milhões de postos de trabalho e permitindo o bilateral sentido do actual progresso através da criação de armas de tal modo evoluídas que permitem as “guerras” cirúrgicas mas que, nem por isso, deixaram de ser menos mortíferas e insidiosas, ao serviço dos poderosos e detentores de melhores e mais complexos e sofisticados sistemas de mecanismos e, simultâneamente, permitem que, no campo da medicina, os métodos e meios de diagnóstico e de cura – se bem que já bem distantes dos princípios “hipocráticos” que dantes a informavam! - fossem cada vez mais poderosos, esse momento de euforia cedo se transformou em revolta, e da mais acicatada e pura, já que mais uma vez serviu para verificar que o homem nunca soube, na sua ânsia de tudo ter e conquistar, travar a tempo os malefícios decorrentes dos novos caminhos que percorre, no caso vertente, da nova era computorizada e robotizada.


Já há dias, neste mesmo local, aflorei um pouco este tema que hoje se me avoluma diante dos meus olhos e vai tomando proporções cada vez mais alarmantes tão assustadores são os números actuais do desemprego e tão fácil se vai tornando a quem tão facilmente e quase impunemente vai roubando o povo e enriquecendo nesses paraísos fiscais para onde só os números são levados pela Internet mas que correspondem, na realidade, a autênticas fortunas de milhões retiradas da circulação fiduciária honesta, dinheiro para ser “lavado”, como se designa, mas que regressa após estranhas digressões por tais locais do mundo!


Quem não souber ler, (mesmo sem perceber lá muito bem o que lê!) escrever e contar, teclar num computador e uns rudimentos de ingles a par de possuir uma carta de condução, bem pode considerar-se um deserdado da vida, um fracassado e um “zé ninguém”! Mas quem só souber isto, para onde vai, como viverá?


Quando se não souber como e quando plantar as batatas, semear o trigo e mondar a horta, quando as crianças já não souberem distinguir uma galinha de um dinossauro, quando outras pensarem que são as árvores que nos fornecem os sacos de plástico! –como há casos verídicos que conheço – pergunto qual o sabor que terão as notas de dólar ou as de euro, talvez estas mais apaladadas para os europeus!, como se cozinharão e com que molhos de tinteiros informáticos deverão vir a ser temperadas depois de confeccionadas para alimentação dos povos que, vivendo tal progreso, já se terão de há muito esquecido das belezas paisagísticas de uma encosta rude de montanha onde ao fundo corra, pelo vale que aí se forma, um pequeno, se bem que, muito provavelmente poluído, riacho, para só se estasiar perante a beleza arquitectónica de uma ponte de betão, de uma graciosa curva de auto-estrada ou de um magnífico edifício de cento e tal andares para onde se entra mas de onde nunca se saberá, ao certo, se se poderá sair!


Simultâneamente recordo as chamadas “projecções” dos economistas que, qual “bruxos esclarecidos” dos nossos tempos, vão pautando, através dos seus variados discernimentos e conjecturas, os nossos destinos fazendo-nos sofrer na pele as variações bolsistas que, quais termómetros de estranhas medidas, nos vão espartilhando e condicionando a vontade de viver, senhores que já não nos sentimos dos nossos próprios destinos, hoje comandados pelo progresso tecnológico que não cessa de aumentar sem que seja acompanhado do correspondente e equilibrador factor humano e de humanidade, esse sim, o verdadeiro valor do espírito capaz de valorizar a vida!


Ouvir falar, com grande eloquência e não menor convencimento próprio, os nossos parlamentares e governantes, comentados por certos esclarecidos e e infalíveis jornalistas, confesso que é coisa que cada vez mais me vai dando vontade de rir e mais me vai ajudando a passar o meu tempo nos dias cada vez mais sombrios e já curtos que antevejo pela frente...

publicado por Júlio Moreno às 12:30
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