Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Para quem acreditar que metade do caminho já terá sido percorrido...

Desde há já algum tempo que alimentava o desejo de escrever algumas linhas sobre Barack Obama, a América e, através dela, sobre o mundo e o nosso próprio destino enquanto homens, seres inteligentes – ou supostamente inteligentes – e que, como disse Von Braun ao insípido jornalista que o interrogava, vogamos, pela mão de Deus mas, com a liberdade com que fomos criados, ao sabor da nossa própria sorte e vontade, a bordo desta nave espacial que é a Terra, esta, por enquanto, como único planeta habitável pelo homem mas continuando a ser o minúsulo espaço de um cosmos quase infinito e que tantos de nós, sobretudo os mais poderosos e responsáveis, tão obstinada e criminosamente se empenham em destruir.


Muito pouco sei acerca da história americana e da do mundo, em geral – nem mesmo tenho a certeza de que D.Afonso Henriques tenha sido o nosso primeiro Rei, tantos são os que se empenham em querer e impedir a exumação do seu túmulo!, ou que tenha sido Colombo e não os Vickings os primeiros orientais a pisar solo americano – mas sei, e disso não me resta a mais pequena sombra de dúvida, de que na humanidade, com e tantas vezes por ela, como se proclama, a desumanidade existe e sempre existirá.


Barack Obama surge no momento exacto e no local certo porque nem noutro qualquer teria tido hipótese de surgir e muito menos de vencer, convencendo, como venceu e convenceu!


E eu sempre fui e continuarei sendo um dos convencidos.


Dizem-me que terei nas veias algum sangue árabe, subtilmente misturado pelos caprichos de um destino, ainda longe de ser verdadeiramente desvendado, com um pouco de britânico.


Porém, sinto que nessas mesmas veias, corre, ainda vivo, um sangue que, procurando ser generoso e democrático, se sente, e cada vez mais, serrano e transmontano, descendente, por certo e também, daqueles a quem, já antes de Cristo, Júlio César se referia dizendo não saberem governar-se nem deixarem que outros os governassem; eu, que sempre me julguei ser, em grande parte, citadino mas cujas reminiscências subconscientes e intensamente subliminares me terão ligado ao mar, que sofri, terei amado e pelo qual já terei morrido, amando, algures um dia!


 Talvez por tudo isto seja o que sou: - irreverente, teimoso, curioso e apaixonadamente seguro da análise que, para mim, faço de quanto me rodeia, seja “coisa” ou “gente”, “ilusão” ou “fantasia”!


Tem-me valido este meu feitio e modo de ser as mais saborosas vitórias e as mais dolorosas derrotas ao longo desta vida que, já não sendo curta, penso estar lone de ter terminado ou de estar próxima do fim, porque nela floresce ainda, qual fina urze campestre e serrana e que o vento abana no seu singelo e resistente caule, a doce visão da esperança...


Vêm? Sou mesmo assim: - propus-me falar de Obama e eis-me desenrolando o emaranhado novelo da minha própria personalidade. Certo de que me perdoará quem tiver a peciência de aqui me ler, retomo o propósito com que iniciei estas linhas: - Barack Obama.


Obama surge neste início do século XXI como o corolário certo e necessário de um evoluir social global a cujo destino, nem que muitos o queiram e desejem, poderemos, de algum modo, fugir.


Xenofobia e racismo surgir-nos-ão, assim, como coisas do passado e, lá para meados do século, serão palavras que nem nos lembraremos de terem existido, sendo os respectivos vocábulos eliminados dos textos de qualquer cultura então actual apenas figurando nos léxicos como repositório histórico e erudito mas cuja vivência fará com que alguns sintam dor e outros os recordem com mágoa e criminosa saudade.


 Os novos, porém, esses tê-los-ão afastado das respectivas vidas cujo sentido terá então um rumo bem diverso e onde a fraternidade e a igualdade deixarão de ser as peças rectóricas imprescindíveis nos discursos do mundo em que vivemos ainda para serem meras circunstãncias factuais desse mundo que virá.


Com Barack Obama nos E.U.A.. assim como já com Nelson Mandela na África do Sul, outros conceitos germinarão nas sociedades humanas, alastrando ao planeta onde, um pouco por todo o lado, os ricos e poderosos de ontem e de hoje, se irão desvanecendo e, a menos que recorram ao covarde escape do suicídio como suja e ignóbil forma de fuga às suas responsabilidades, irão recebendo o merecido prémio da sua arrogância e desonestidade. A humanidade terá, assim, tendência para uniformizar a cor da sua pele e, o que será bem melhor e muito mais importante, para uniformizar a cor dos seus próprios sentimentos em relação ao seu próximo.


Eis porque vejo Barack Obama como algo de novo e imperecível, e como sendo o princípio de algo jamais reversível e que, com a fatalidade do “livre destino” que Deus, Halah ou Buda sempre deram ao homem, servirá para lhe dizer aquela palavra que muitos se recusaram a ouvir e, sobretudo, a observar. – BASTA!

publicado por Júlio Moreno às 16:40
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