Domingo, 26 de Junho de 2005

O hoje…

Nunca, em toda a sua história civilizacional, o homem foi mais indigno e miserável do que hoje! Mente-se descaradamente e sem o menor rebuço. Cometem-se os mais hediondos e tenebrosos crimes em nome do bem colectivo. Proliferam os vexames do homem pelo homem, o seu roubo, a sua escravidão, a sua suprema humilhação…

Por outro lado, nunca o servilismo e a mediocridade desceram tão baixo e foram tão evidentes. Nunca tantos sorriram e louvaram tão poucos outros que em si limparam as botas conspurcadas e infectadas pelos ínvios percursos que fizeram, fazem e continuarão fazendo. Nunca o cheiro social foi tão pestilento e nauseabundo. Nunca se morreu e se deixou morrer tão lentamente…

Nunca o paradoxo em que vivemos foi tão evidente e transparente como hoje: - a sociedade está podre, o mundo está podre, a civilização faliu e não haverá orçamentos rectificativos que lhe valham tal a sua degradação e o estado actual de decomposição psico-somática em que, sem retorno, já entrou!

A acompanhar este caos social, a natureza também manifesta desordem. Ou não chove ou do céu caiem dilúvios que matam, destroem e tudo arrasam. Ou os termómetros atingem mínimos a que não estávamos habituados ou o sol dardeja calcinando a terra e tornando-a desoladoramente propícia à terrível praga dos fogos estivais. Os terramotos, que sempre houve, os maremotos, que sempre houve, vão somando vítimas em número cada vez maior e talvez apenas porque o homem, já não cabendo em si mesmo, resolveu sair de si e abandonar a sua condição de ser fraco e transitório para se crer perene, sábio e infalível, capaz, mesmo, de alterar as leis supremas do equilíbrio universal…

Do meu canto, de olhos esbugalhados e tremendo… assisto, apavorado e impotente, ao que se passa à minha volta e, porque estou só, democraticamente, vou votando a horas certas e dando, assim e como que em legítima defesa, a minha confiança àqueles que não conheço, que não sei de onde vieram e que nem mesmo terei a certeza de que sejam homens.

Acho que também eu me estarei a converter em cidadão de hoje!
publicado por Júlio Moreno às 10:51
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Sábado, 18 de Junho de 2005

A norma potencialmente assassina...

A Constituição da República Portuguesa, sendo a Lei das Leis surge como sendo uma das que maior número de vezes e mais impunemente é violada, muito especialmente pelos fautores de outras leis e primeiros responsáveis pela vigilância do seu rigoroso cumprimento. Referimo-nos, como facilmente se deduz, ao Governo, ao Parlamento e, naturalmente, ao Presidente da República e vem isto a propósito da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, pesadíssimamente estabelecida no novíssimo Código da Estrada, e das garantias fundamentais do cidadão entre as quais avulta a da sua integridades moral e física (nº1. do artº. 25º. e alínea b) do artº 9º, ambos da Constituição da República Portuguesa).

Com efeito, a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança para os condutores e passageiros dos veículos automóveis, quando em circulação, porque, para além de salvar vidas também poderá condenar algumas (e há bastantes exemplos disso), viola flagrantemente aquelas garantias por, assim, poder representar a morte do cidadão condutor ou do que, por si, for transportado, desde que levem, colocados, os respectivos cintos de segurança e isto porque cumpriam o imperativo dessa disposição legal.
Apenas porque pode matar, ainda que numa percentagem ínfima de casos - como certamente afirmarão os seus doutos defensores, havidos como especialistas na matéria - a norma que obriga ao uso do cinto de segurança será uma das muitas que surge ferida de evidente nulidade, por inconstitucional e por ilegítima, vistas as razões antes apontadas.

Por isso, somos em absoluto contrários à obrigação do uso do cinto de segurança, já o não sendo quanto à obrigatoriedade da sua existência a bordo dos veículos, tanto particulares como públicos de passageiros. Só que o seu uso ou não uso deverá constituir prerrogativa de cada um de acordo com as suas convicções pessoais sobre a matéria. Aceitamos, pois, a obrigatoriedade do cinto a bordo dos veículos mas contestamos, veementemente, que o seu uso não seja considerado facultativo.
Deste assunto gostaríamos que se ocupasse o nosso Tribunal Constitucional antes que a norma do novo Código se converta em norma assassina de cidadãos cumpridores da lei.
publicado por Júlio Moreno às 13:53
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Europa unida! Que Europa?...

Quem acreditar que, de uma cimeira europeia nascerá uma Europa unida, fraterna e, em uníssono, a cantar o hino europeu, está, a meu ver, redondamente enganado!

A Europa nunca foi unida. Qual a razão ou razões por que o viria a ser agora? Não é velho aquele adágio que prognostica que a história sempre se repete? Pois então! A repetição aí está!

A diferença, talvez!, é que dantes, ainda há pouco, havia guerras, marchas, tiros e rufar de tambores. Havia, entre centenas de outros, Napoleões, Hitlers, Mussolinis, Nelsons e Wellingtons… Hoje, como tudo isso terá passado à tal história que se pretenderá alterar contra natura, passou a haver discussões inconclusivas, cimeiras sem acordos e tratados recusados ou atraiçoados ( como Chamberlain já fazia no seu tempo!). Mas a desigualdade rácica, de opinião, de quereres e de vontades, essa, por ser atávica, manter-se-á na sua ancestralidade poeirenta de séculos! O homem será, mesmo que o não queira, cada vez mais igual a si mesmo!

(Aqui um brevíssimo parêntesis para dizer que começarei talvez a entender o “heavy metal”, o “dar de frosques” e o “buena fixe” e a compreender um pouco o fenómeno da droga e dos drogados, cansados de uma luta que sentem, que não vêm nem definem mas que sabem não ser sua e que não saberão enfrentar porque desaprenderam como expressar-se!):

Mudar isto, não sendo impossível, será tão difícil e improvável como remover os Pirinéus, transformar a península na jangada de pedra do nobel Saramago ou fazer entender aos grevistas o quão utópica e auto-contraditória é a greve, qualquer greve, mera e passageira ilusão de força que sempre tornou e tornará mais fracos os que já o eram! De facto, pretender que, apenas porque uns senhores, de fino trato e de esclarecidas inteligências (mas cujos azimutes de intenção estarão longe de ser conhecidos!) se decidiram alugar uma casinha em Bruxelas e aí se banquetearem diariamente entre discursos e reuniões falaciosas onde a linguagem muda de sentido e o sim quererá dizer não e o talvez uma subtil, mas não menos incisiva, recusa ou negativa, pretender isso e ansiosamente esperar por isso, parece-nos concertada manobra de diversão política quando não síndrome de pavor, de um pavor que se terá instalado na Europa e, talvez, no próprio mundo consciente, talvez, do caminho que leva e do abismo que dele se aproxima.

E nós, portugueses, que fizemos e temos feito? - Recusámos uma federação de estados ultramarinos, em que Portugal seria, de facto e de direito, o “cabeça de série”, e aceitámos, por via de uma modernidade saloia e desprovida de sentir, a subalternidade, quase vexatória, de servirmos uma Europa tirana e desunida, eivada de vícios e de mazelas e que, a troco de alguns euros, porque sempre foi mais rica, nos vem impondo restrições de toda a espécie, nas pescas, na agricultura, nos orçamentos e no nosso próprio estado, pretendendo subalternizar à sua a nossa própria lei fundamental! Tenhamos vergonha do presente e, na redenção do passado, o orgulho, que quase perdemos, de sermos portugueses.

Não serão espartilhos de Bruxelas ou fatos à medida de Washington ou Moscovo que nos ataviarão para o futuro. Nós, portugueses, sempre fomos diferentes. Curiosos, timoratos, atrevidos e… nem sempre verdadeiros, mas diferentes! Saibamos só continuar a sê-lo e reconstruamos as velhas naus com que do Restelo partimos à descoberta de um mundo que ainda hoje está por desvendar…
publicado por Júlio Moreno às 13:06
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Sexta-feira, 17 de Junho de 2005

A exploração noticiosa…

Meus senhores, basta!

Fico perplexo perante o despudor (outra designação só se enveredasse por termos menos decorosos!), fico perplexo e pasmado perante o despudor e a desfaçatez com que certas notícias vêm a público tanto pela forma como pelo conteúdo!

Claro! É necessário que o povo saiba, que o povo conheça, dirão e advogarão (não muito convictos mas assim fazendo justiça aos seus tortuosos intelectos) os seus autores e os "proprietários" dos “mídia” que as publicitam e que argumentarão ainda: - dantes nada se conhecia, nada se sabia, e o povo era quem pagava pelas trapalhadas e trafulhices, sempre ocultas, que eram mais do que muitas!

Reconheço a verdade crua de tal argumentação. Assim era e assim foi! Mas, no meu modestíssimo entender, não posso deixar de contrariar aqui tão simplista como só aparente lógica de virtudes, já porque se vem pretendendo remediar um mal praticando outro talvez de pior índole e de muito mais nefastas consequências já porque a outras entidades competirá a divulgação pública dos tais factos a que, “subentendidamente”, me vou referindo!

O poder da comunicação social, esse bem conhecido quarto poder, está definitivamente instalado no nosso país, sem lei que o regule e sem que se vislumbrem processos de o impedir de chegar a primeiro pelo medo que já provoca em quem pretenda afrontá-lo! Ele ignora a lei! Pura e simplesmente faz tábua rasa das determinações legais que impõem o segredo de justiça, que proíbem as insinuações caluniosas, e, bem no íntimo, poderá até pretender traficar influências junto do poder judicial, e de outros poderes, ao mesmo tempo que, tão clamorosa e flagrantemente, despreza a nossa já bem fragilizada Constituição da República!

E o Ministério Público, a Procuradoria Geral da República, os Ministros da Justiça e os senhores Comandantes e Directores Gerais das Polícias, para já não falar nos senhores Deputados, que fazem? Que atitude tomam perante tais enormidades que, entusiasmando os cada dia mais facciosos clubismos políticos de opinião, assim vão espalhando as dúvidas, a desordem e a descrença na democracia bagunçosa em que vamos vivendo por nunca termos sabido como a verdadeira se pratica. Terá de ser o cidadão comum a fazê-lo? Ah!... democracia assim não é vontade do povo! Será, quanto a mim e como já várias vezes tenho dito, “vontade do demo”!

Portanto, meus senhores, basta! Vejam só o que estamos transmitindo à juventude! Hoje e pelo que vejo até poderei compreender que ela se esteja nas tintas para os pais, avós outras “coisas” que não sejam “concertos rock” e “curtição”… Cada povo tem o futuro do seu presente e pelo andar das coisas o nosso não será brilhante, nada brilhante mesmo!
publicado por Júlio Moreno às 18:00
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Segunda-feira, 13 de Junho de 2005

À morte de Álvaro Cunhal...

Não deverá haver antagonismo maior do que o existente entre a minha ideologia e a de Álvaro Cunhal. Ele terá sofrido às mãos de quem professaria outras ideologias, talvez mais próximas das minhas. Eu sofri às mãos carniceiras dos seus vesgos seguidores. No plano social e político estaremos provavelmente pagos. Porém, nos planos moral, cultural e ético-político, aqui lhe presto a minha homenagem póstuma pelo mérito de ter sido um homem íntegro e coerente nas suas erradas convicções, mas que ele julgaria certas, e de ter sido dos raros políticos deste país que, sempre fiel à sua verdade, nunca terá enganado os portugueses que o ouviam. Descrente em Deus, como creio que o seria, não se importará, por certo, que, hoje e aqui, lhe deixe um sincero "paz à sua alma!".
publicado por Júlio Moreno às 12:16
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Sábado, 11 de Junho de 2005

A solução que tarda...

Não sou xenófobo, nunca o fui e a um negro deverei talvez a vida. Sou partidário da solidariedade, da amizade e da sã convivência entre os povos. Sou partidário da liberdade mas sou, igualmente, partidário da responsabilidade e, sobretudo, da competência dos dirigentes que é o que falta, infelizmente, neste país.


As forças de segurança já não são forças. São agrupamentos itinerantes de homens esforçados, abnegados e valentes (que sacrificam ingloriamente as suas vidas) mas desprovidos de ideais e de coesão porque divididos entre políticas sectoriais e liderados, no topo, por incompetentes demagogos, profundos desconhecedores da realidade no terreno e imbuídos apenas de algumas ideias colhidas à pressa nos manuais de ciência política importada do estrangeiro (porque em Portugal não existe!) e desenvolvendo paulatinamente a actividade que escolheram (para a qual, “ab initio” ninguém os votou!) e que nós, pagantes, aceitámos e consentimos sem cuidar de averiguar das suas competências e adequabilidade às funções que exercem (vide Galp e o senhor dr. Gomes!).


Mas aqui trata-se de segurança, senhores, de segurança para nós todos, para os nossos filhos, para os nossos netos... O inimigo está aí. Está aí, presente, diria que omnipresente e em crescendo de número e de força.


Marginais forjados nas amplas liberdades democráticas que, distraidamente, lhes criámos quando os sabíamos nascidos e criados entre guerras fratricidas das suas ditas pátrias de além mar, nunca tendo, em suas vidas, acordado para um dia de paz e de harmonia! Trazem, na testa, colado e bem visível, o rótulo da sua formação: - ausência de princípios, noção empírica da lei da selva, de onde provirão na sua maioria, do vale tudo e de que o que vale e tem peso é apenas e só a força, nunca a razão, a qual desconhecem e nunca se desenvolveu nas suas atrofiadas mentalidades! Há dias eram 5, passaram a 10, a 50 e surgiram ontem como 500! A negros e brancos dos bairros medíocres, juntaram-se drogados e traficantes, alguns mafiosos internacionais que o espaço Schengen vai consentindo. Amanhã serão 5 mil e depois... bom, a natural e inexorável progressão geométrica em que parecem desenvolver-se ditará os novos números, determinando igualmente as já mais do que previsíveis consequências! Os cidadãos são assaltados, as famílias colocadas em risco e a autoridade escassa, sem liderança e sem norte... Surgirão os tiros, as mortes, as caçadas aos bandos, as mortes de policiais e de civis, apanhados no meio da contenda, os julgamentos de fachada, efectuados por juízes imberbes, politizados e incompetentes, prestando preito e vassalagem às leis iníquas, insanas e completamente inúteis que os orientam e que desvirtuam totalmente o fim último para que terão sido criadas.


Os auto-proclamados responsáveis deste país, (e assim os considero porque nunca entendi como foi feita a sua primeira escolha que, depois, só se repetirá!) ainda não entenderam que para tudo é necessário competência técnica e não a duvidosa teórico-partidária que ostentam e com a qual vêm preenchendo os cargos de chefia (vide já citada Galp!). Ainda não entenderam estes dirigentes que a lei se fez para servir os homens e que os homens não existem para servir a lei, dela se tornando escravos mesmo nas suas mais do que duvidosas e aberrantes disposições! Legislam-se disparates como o novo código da estrada e enchem-se de inutilidades as toneladas de papel que diariamente poluem a Assembleia e circulam de comissão em comissão! Os problemas reais são adiados e a intranquilidade e insegurança instalam-se e tomam conta do dia-a-dia dos portugueses ao mesmo tempo que os ditos técnicos se auto-atribuem principescos vencimentos e iníquas leis de reforma (vide Banco de Portugal e uma vez mais a Galp!)…
O Povo já está farto de tibiezas e de mediocridades democráticas. O Povo quer segurança, paz e tranquilidade. Quer competência no poder. Está farto de compadres e de compadrios. Quer ver restituída a autoridade a quem a deva deter na defesa do bem comum. Não quer mais comissões tecnocráticas e despesistas. Quer acção no terreno e competência real. Não quer mais doutores e doutores que talvez o não sejam. Quer líderes e chefes a quem seguir e nos quais possa confiar. Agora quer ver mesmo realidades, cansou-se do palavreado. Quer ver gente capaz a tomar decisões oportunas e correctas nas cadeiras do poder Não quer ver mais ocorrências como as da praia de Carcavelos que tão bem marcou o nosso 10 de Junho! Do senhor Presidente da República e das entidades a quem, em Guimarães, foram distribuídas condecorações, quem se lembra já? Carcavelos e a violência e a desordem que aí imperaram, essa vai estar presente na nossa memória colectiva durante muito mais tempo.


Explique-me que assim não será, quem o possa, queira e saiba fazer…
publicado por Júlio Moreno às 10:53
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Sexta-feira, 10 de Junho de 2005

Jornalistas acusados pelo Ministério Público...

Há, hoje, notícia de que o MP terá deduzido acusação a alguns jornalistas que terão denegrido, com maior ou menor consciência do facto, figuras públicas e políticas e o próprio Chefe do Estado.


Não votei Jorge Sampaio. Não pertenço ao PS. Admiro Vitorino mas não simpatizo particularmente com Jaime Gama. No entanto, simpatizo muitíssimo menos com certa estirpe actual de jornalismo que tanta saudade me faz do jornalismo sério e probo, cristalinamente contundente, quando necessário, mas honesto e que sabia distinguir, nunca as ultrapassando, as fronteiras de uma decente legitimidade noticiosa, informativa e, muito principalmente, formativa.


Não quero, com isto, dizer que não tivesse havido mau jornalismo no passado e que a própria e abominável censura não tivesse contribuído para, de certa forma, o minimizar. Houve-o, como sempre o haverá. Só que, nos dias de hoje, a sua percentagem ultrapassa as raias do concebível para atingir níveis nunca imaginados tal a sua audácia e demonstrada falta de escrúpulo, sobretudo na tábua rasa que vem fazendo do tão discutido e proclamado "segredo de justiça" convertido, afinal, em segredinhos de Polichinelo; segredo de justiça esse que é igualmente desprezado, ao que vou observando, pela própria justiça que, só de tempos a tempos, se levanta em sua defesa, sua dele e sua dela, entenda-se!


Dirão que sou saudosista do passado! Assim será, não nego. Só que de um passado bem próximo, que ainda se enxerga na memória, de quando as pessoas sabiam escrever sem erros ortográficos e de sintaxe - não obstante os acordos luso-brasileiros, hoje talvez mais brasileiros do que lusos - e, dizendo o que pensavam, pensavam o que diziam!


Que horrorizados ficariam meu pai e meu , um, médico de profissão, e, outro, professor, homem de dicionários, filólogo e grande estudioso da língua portuguesa se se pudessem aperceber, ainda que só levemente, das mutilações que a língua que falavam vem sofrendo e do mal como vem sendo utilizada!


Senhores juízes: - apliquem, pois, a justiça da lei mas, sobretudo, a justiça das vossas consciências no que, estou certo, estas possam representar do verdadeiro querer do nosso povo que, gostando bem de romaria na romaria, não admitirá a chicana pseudo democrática que certos jornalistas vêm fazendo ao abrigo da liberdade de que dispõem mas que não entendem. A prová-lo, o recente incidente do Dr. Alberto João Jardim, que se excedeu, é certo, mas talvez por cansaço, como eu, desses mesmos senhores, sempre os mesmos…


E, já agora, recomendaria que, na escola de jornalismo, fosse aplicado o programa da quarta classe de 1945/46, de que deve haver cópias nos arquivos ministeriais e, se não houver por via da sanha destrutiva que se apoderou dos novos servidores da pátria, talvez se possam encontrar na moderna Torre do Tombo da Biblioteca Nacional (de Lisboa!).-.
publicado por Júlio Moreno às 12:23
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2005

A Europa, o euro e a vida.

Tenho, por natureza, tanto de crédulo e, neste contexto, até de ingénuo, como de céptico e de ter "de ver para crer", como São Tomás.

Vem isto a propósito de, pela crise de europeísmo que vivemos, com os "nãos" rotundos da França e da Holanda à Constituição Europeia, toda ela cozinhada em lume brando e à revelia dos povos aos quais iria ser aplicada - esperemos que o não seja! - a minha memória ter recuado para o tempo, não muito distante, em que determinados sábios economistas nos davam cabo cabeça tentando demonstrar que a mudança da moeda para o euro em nada mudaria a nossa vida pois, da aplicação da sua equivalência ao escudo, nada seria alterado na nossa economia tanto diária, como de curto, médio e longo prazos! Disseram-nos isto. Voltaram a dizer e nunca se cansaram de nos tentar convencer.

Ora, eu desconfiei. Juro que desconfiei, não obstante todos os dias um senhor (acho que professor ou, pelo menos licenciado em economia) nos garantisse que nenhuma mudança iria ser sentida no que respeita ao chamado "custo de vida". E exemplificava, debitando números, esquemas de cálculo e tabelas ao mesmo tempo que garantia que os novos preços em euros, uma vez o escudo fora de circulação, seriam rigorosamente observados e fiscalizados para que nenhum esperto do costume pudesse vir a beneficiar indevidamente com a mudança. E explicava a teoria do "arredondamento" dizendo que as milésimas de euro, de 5 ou superiores, se deveriam "arredondar" para a centésima de euro imediatamente superior e as inferiores baixar.

Aí, vieram-me à memória as sábias instruções de Salazar a determinar que os arredondamentos dos centavos sempre se fariam mas "para baixo" se representassem pagamentos do Estado e "para cima" se constituíssem sua receita. Era a aplicação na área das finanças públicas do popular ditado: - "grão a grão enche a galinha o papo" que tão em voga estaria lá para os lados de Santa Comba. E, porque o papo era grande e o milho escasso, certamente demoraria muito tempo a encher. Já aí Salazar previa e, talvez por esta forma tivesse dado notícia - que poucos ou nenhuns entenderam! - de que, por isso, teria de estar bastante tempo à frente do país! E assim foi. Quarenta e oito anos depois é que "foi abdicado" mercê da desgraçada intervenção, na altura histérica, hoje histórica, de uma cadeira desconhecida!

Mas, e o papo do país? Ah! esse ficou cheio, cheio e bem cheio! Tão cheio ficou (não obstante na primavera que se lhe seguiu algumas incomodativas gastrites o tivessem ligeiramente esvasiado) que até deu para suportar todas as delirantes e soaristicas integrações europeias bem como as criminosas descolonizações que se fizeram, tal como se fora um pai ou uma mãe a abandonar os filhos, ao Deus dará e à sua sorte, sabendo, de antemão e como se sabia, que a doença civilizacional política já então os minava e lhes tolheria a própria vontade! Mas deixemos isto que, com o pano para mangas que tem, poderá ficar para uma próxima oportunidade. Por agora só a Europa, o euro e o nível de vida em Portugal que, no dizer de então dos aprendizes fazedores de europeísmos, nunca se alteraria.

Bom, eu comi essa do euro. Comi e como eu comemos todos. Mas caíu-me mal e, daí para cá, as indisposições sucederam-se.

O euro entrou, assim, ao serviço relegando o escudo para 200,482 "furos" mais abaixo. A paridade da nova moeda foi estabelecida (nunca soube bem como nem por quem!) e em resultado de tudo isto a moedinha mais pequenininha que passou a circular entre nós deixou de ser a de um escudo para passar a ser a de um cêntimo. Até aqui tudo bem. Porém, o grande logro viria logo a seguir. É que a moedinha mais pequenininha que nós tínhamos agora para pagar o que comprássemos equivalia não a um mas a dois escudos, o que queria dizer que se eu "hoje" quisesse comprar algo que "ontem" custasse um escudo, ou não comprava, porque não teria como o pagar; ou comprava duas unidades desse algo, sendo que o segundo algo me seria supérfluo pois não tinha sido minha intenção comprá-lo; ou ainda, e isto terá acontecido em 200% das vezes, fazia de conta que não via e deixava que o tal esperto, de que acima falava, me cobrasse o dobro do real valor do algo que eu comprara!. Estaríamos, assim, a dar mais um passo no sentido do criticável consumismo, ou a esbanjar no supérfluo, ou, conscientemente, a consentir que nos enganassem. Mas, proclamava-se que a vida e o seu "custo" permaneciam inalteráveis no nosso país de papo cheio, mas agora cheio de ventos e, talvez, de ventos mal cheirosos de cravos já apodrecidos!

Percebo, e percebo hoje claramente, que o custo de vida não subiu em Portugal, não senhor! Nós, portugueses, é que descemos! E descemos tão baixo que, para além de nos ir sendo cada vez mais difícil comprar qualquer "algo", conscientemente deixamos que, os que tão democraticamente teimam em defender o seu papo, mais cheio do que o do país, nos continuem a enganar com falinhas mansas.

A provar a razão que teria quando assim pensava (e penso), aí está a Itália a pensar e repensar o regresso à lira...
publicado por Júlio Moreno às 12:27
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2005

Talvez o processo não deva parar...

Talvez o processo não deva parar, agora que o mal ou o bem estão feitos!

Mal comparado, da nova Europa resultará uma cor diferente e desconhecida, amálgama idêntica à que resultaria se, numa palete de pintor, juntássemos o preto, o branco, o vermelho, o azul, o amarelo… e por aí fora, num total de 25 cores diferentes, cada uma representando o seu país na proporção do peso demográfico ou económico de cada um. Essa amálgama resultante traduzir-se-ia numa nova cor, até hoje ignorada, nunca vista e nunca experimentada nas telas de qualquer pintor, pelo que ninguém saberia dizer se seria feia se bonita ou se utilizável ou mesmo para desprezar e deitar fora Na nova Europa passar-se-á algo de muito semelhante sendo, todavia, de temer que algum membro tente juntar ao “pastel” um pouco mais do ocre do seu clube sem que o parceiro do lado se dê conta disso. Creio que até aqui ninguém terá dúvidas.

As dúvidas só surgirão quando, posta a questão do referendo, nos indagarmos sobre como afinal, perante tantas dúvidas, perplexidade, surpresa e ignorância, chegámos até aqui! Como chegámos até aqui se, para os passos já dados – mudanças de moeda, com o incontrolado aumento de vida que daí resultou, restrições na produção agro-pecuária, restrições nas pescas e abates na frota pesqueira, camufladas hipotecas a rios de dinheiro já recebidos (e totalmente gastos sem outro efeito visível que não sejam, talvez, as auto estradas, os cursos superiores que surgiram como cogumelos em tempo favoravelmente húmido e os sinais exteriores de riqueza que entretanto foram surgindo um pouco por todos os quadrantes e talvez nos cogumelos mais venenosos!) – se para os passos já dados até hoje, dizia, ninguém nos perguntou nada e tudo correu a contento de uns quantos senhores que correram para Bruxelas onde se mantiveram a cozinhar… cozinhar em fogo brando aquilo que só eles sabiam… e a comer… a comer as iguarias que iam produzindo!

Ora, se até hoje ninguém nos perguntou nada, se o povo – quem mais ordena! – nunca foi consultado, porque raio é que surge agora a necessidade de consulta – por parte de quem mais ordenha o povo! – sobre se devemos ou não continuar? Será para sentirem as costas quentes...

Feliz ou infelizmente, no estado actual das coisas, franceses e holandeses travaram um pouco o processo; o Reino Unido interroga-se sobre se deverá ou não fazer o referendo, assim como, estamos em crer e aqui para nós, que a própria Espanha se interrogará secretamente sobre se terá assumido a melhor posição… Que fazer, então?

Eu, por mim, acho que é tempo de acordar, de voltarmos um pouco atrás e de nos interrogarmos seriamente sobre quem terá criado esta classe política que temos e que eu suspeito mesmo ser de geração espontânea e, quem sabe, vir mesmo do Big Bang já que o próprio Aristóteles dela falava só que, coitado, pobre de espírito e limitado de visão, misturando homens com animais sem cuidar de garantir primeiro a racionalidade daqueles! Coisas da antiguidade!... Mas resumindo: - para onde vão, ou querem ir, estamos nós a ver. E… de onde vieram? Esta a questão que, em sendo respondida, talvez forneça a chave para a chave de muitos mistérios e a solução para o incerto futuro que hoje temos pela frente.


Nota - a propósito do "não" francês e holandês ao referendo sobre o tratado da Constituição Europeia.
publicado por Júlio Moreno às 09:48
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Sábado, 4 de Junho de 2005

A Europa e a Constituição Europeia.

"Na natureza nada se perde nem nada se cria…". A frase e, sobretudo, o conceito, surgem-me como plenos de aplicabilidade ao que agora se discute: - a Europa e a sua Constituição.
Explico: - tenho razões para ser partidário do SIM, como muitos dos meus outros neurónios activos (talvez os da minha esquerda residual) parecem querer aproximar-se do NÃO. Mas, como. no meio deste conflito de interesses, fico eu, corpo inteiro de pessoa física, moral, espiritual e intelectual, não terei outra opção senão votar no NIM.
Explico: - com o NÃO tudo ficará como dantes. As velhinhas e ancestrais Nações europeias, ancoradas nas suas tradições seculares, continuarão a ser iguais a si mesmas. Usar-se-ão socas na Holanda e chapéus de coco na Grã-Bretanha. Recordar-se-ão o Bismark e o III Reich na Alemanha e torrentes de turistas continuarão a subir à torre Eifel em França. Por Espanha prosseguirão as touradas e o vinho do Porto continuará (até ver!) a provir das ingremes e soalheiras encostas durienses. A ópera continuará apanágio de "la dolce" Itália e as neves, o frio e o gelo permanecerão nos alpes suiços, no Tirol austríaco, e nas gélidas Noruega, Suécia e Finlândia assim como a chuva continuará a cair na Dinamarca. A Europa unida permanecerá retalhada e os conflitos serão resolvidos por tribunais de opinião política sem qualquer carácter prático ou decisório continuando os euro deputados de Estrasburgo a receber as suas ajudas de custo quando, como os operários da construção civil deslocados, forem às suas casas aos fins de semana. Os mídia continuarão a pontificar e a dado momento haverá duas fontes noticiosas por cada cidadão eleitor. Assim, e muito por alto, visiono a Europa do NÃO. Sem progresso. Estagnada.
Por outro lado, a Europa do SIM, muito em breve dará lugar aos Estados Unidos da Europa. A estes seguir-se-ão os Estados Unidos da América do Sul. Seguir-se-ão, talvez, os Estados Unidos da África do Norte e, pouco depois, os Estados Unidos da África do Sul. O mesmo se deverá passar no continente asiático de onde emergirão os Estados Unidos da Ásia do Norte, os da Ásia Central e os da Ásia do Sul. O grupo de Estados que mais tardiamente se formará será o dos Estados Unidos da Oceânia que será tentado a agrupar, invocando razões onomásticas, além da Austrália e da Nova Zelândia, os estados insulares existentes no Pacífico. Então, uma vez agrupadas as etnias em nações, estas em estados soberanos e estes passando a ser individualmente unidos, surgirá uma nova questão: - porque não os Estados Unidos Globais do Planeta Terra? E, um dia, estes serão mesmo a nova realidade.
Mas, tempos depois, após várias vicissitudes, dúvidas, encontros e desencontros de opinião entre os deputados dos Estados Unidos Globais do Planeta Terra, cuja capital, como paradigma de uma neutralidade inquestionável será algures na desconfortável e incorruptível Antártida, e que, por isso mesmo, estarão cheios de frio e ansiosos pelo regresso aos pequenos e confortáveis parlamentos que seus avós dantes ocupavam, será votado o REG (regresso), pois, para que a nova realidade política, social e económica seja viável (a despeito dos tremendos progressos que se prevêem no campo da informática), seja viável e se torne governável, terá de basear-se toda a sua estrutura de governo numa eficiente e radical descentralização administrativa. O REG (regresso) conduzirá, assim, à formação de uma espécie de províncias que mais não serão do que os antigos estados e países (aqueles em que hoje vivemos) tal como estavam antes de toda e qualquer fusão!... Voltarão assim as nacionalidades, os idiomas e os países...
De facto, tal como Lavoisier já afirmara, e porque na natureza, nada se perde nem nada se cria, tudo se transforma, por isso e por tudo o mais que antevejo que o melhor seja esperar para ver e, neste caso, votar nem no NÃO nem no SIM mas no NIM…
publicado por Júlio Moreno às 12:42
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