Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005

Todos os dias prometo...

É isso mesmo! Todos os dias prometo a mim mesmo não voltar a abordar estes assuntos, aqui ou em qualquer outro lugar, pois tantos o têm já feito (e muito melhor do que eu) sem que os incêndios terminem e os senhores ministros também! Ligo a TV: - incêndios e ministros! Ouço a rádio: - ministros e incêndios! Consulto a internet: - o mundo se espanta com a proporção calamitosa do que nos acontece!


O ar cheira a fumo. O sol esconde-se. A lua cheia surge vazia! O luar já não embala os namorados. A frescura dos pinheiros e o som do vento que os atravessa, já se não sente, já se não ouve! O país de antanho, velho, arcaico, (que terá perdido o orgulho de estar só para viver hoje tão mal acompanhado!), cedeu lugar a um outro, moderníssimo, europeísta até mais não poder, eivado dos vícios da própria modernidade e que os novos senhores nunca souberam prevenir e controlar e onde os exemplos que vêm de cima serão os piores para um Povo ainda na pré-primária da verdadeira civilidade.


Assim, hoje, e não obstante costume ser fiel ao que me prometo, não consegui calar esta voz que me vem de dentro e me brada, forte e sonora e sem que eu possa impedi-lo: - é urgente, urgentíssimo que se promovam cursos de gestores de países, de gerentes e administradores de nações pois os políticos não servem, definitivamente, não prestam e são eles mesmos os principais fautores do que acontece com a sua indisfarçável ganância, ignorância e indesculpável imprevidência todos os dias amplamente demonstrada.


Aproximámo-nos da Europa, que nunca fez parte dos nossos horizontes e onde só chegaremos quando e se a Espanha no-lo consentir – não esqueçamos que o espaço aéreo é controlável! Destruímos uma marinha e já nem de barco poderemos alcançá-la Voltámos costas ao Atlântico, a nossa vocação de sempre. Cortámos amarras com a África, com as Américas e com os outros continentes a que o mar outrora nos levou, para servir as ambições utópicas e infantilmente saudosistas de uns tantos que nos brindaram com o euro, que nos duplicou o custo de vida, enquanto que, para si, reservaram os poleiros começados a construir em Mastricht e hoje já bem consolidados em Bruxelas!


E esses, que assim fizeram por lá, por cá, o que vêem fazendo? Em nome de uma democracia que não sabem sequer o que é (sobretudo onde começa e onde acaba!) mas com a qual enchem as suas bocas gulosas e sempre famintas e nos enchem os ouvidos, já sem tímpanos capazes de os ouvir, nada, absolutamente nada fizeram que não fossem promessas e fracassos sucessivos que nos conduziram ao que nos resta hoje: - um país sem futuro e sem fronteiras, absorvendo em nome de uma pseudo solidariedade internacional, gente perigosa que, vinda de fora, ensina e põe em prática métodos criminosos e de uma violência para a qual, por não estarmos habituados, não estamos preparados (polícias são abatidos a tiro por adolescente marginais e taxistas vão morrendo – 3 num só mês!), pelo que, a cada dia que passa, se vai tornando mais perigoso viver.


A classe dirigente, com uma notabilíssima falta de vergonha, desmultiplica-se em iniciativas de um escandaloso «venha a nós» e, evidenciando uma erudição tecnocrática de duvidosíssimas raízes, cada dia mais vai inculturando o seu Povo, oferecendo-lhe patéticos e inconcebíveis programas de televisão, criados em nome de uma actualidade e modernidade podres, e não lhes ensinando sequer a ler, escrever e contar, com isso o fazendo caminhar para um desemprego crónico e uma regressão já muito dificilmente evitável em termos de bem-estar e de progresso.


Não será tempo de parar, pensar e agir, quem tiver ainda forças que eu já não tenho?
publicado por Júlio Moreno às 11:00
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2005

Ao "comentário simples" de Coelho (no PD)

Concordo com quanto afirma no seu oportuno e muito bem estruturado comentário onde analisa, com grande clarividência, o mau trabalho dos sucessivos governos post 25 de Abril e aponta, com acutilante e destemida certeza, a sua causa. Com efeito, a democracia não a vivemos ainda. E não a vivemos porque ela não se estabelece por decreto nem se apreende pela frequência, mais ou menos sonante, de qualquer mestrado em ciência política. A democracia é de geração espontânea e em tudo gratuita sendo só necessário que, realmente, corra nas nossas veias e seja sentida nos nossos corações.(Propositadamente evito as reticências pois o PD, por artes mágicas, costuma substitui-las por pontos de interrogação! Adiante, porém.)


Todavia, e porque não haverá bela sem senão, um ligeiríssimo aparte pelo que se refere à Suécia, país exemplar, sem dúvida, mas que, e quanto a mim, terá atingido o paradoxo da civilização. E digo isso porque, das vezes que lá estive, nunca vi as pessoas a rir (nem a chorar, é verdade!), mas os risos (poucos) a que tive a oportunidade de assistir, foram risos artificiais e resultantes, muitas vezes, de alguns copitos de "snaps" a mais.


O povo sueco, exactamente porque terá atingido um elevadíssimo nível de vida em termos de média europeia, e um muito elevado grau de estabilidade económica e social, terá deixado de sentir a necessidade que nós, latinos, sentimos de lutar por aquilo que visionámos e nos seja caro. Um dia, com grande surpresa minha, recebi o pedido de um técnico de elevado gabarito para vir trabalhar em Portugal, desmotivado que estava com o seu trabalho e a rotina da sua vida em Estocolmo. Recordo que, por volta dos anos 70 ou 80, numa das minhas deslocações àquele país, me contava ele que o Estado tudo garantia, inclusive o direito de não trabalhar como mera opção de vida. E o cidadão que assim tivesse optado apenas teria um trabalho em cada mês: - o de postar-se em frente de um "guichet" esperando a sua vez para que lhe pagassem o subsídio a que tinha direito e para o qual, os trabalhadores, como esse meu amigo engenheiro, haviam contribuído com 55 a 60% do seu salário! Me perguntava ele como era em Portugal e eu lhe respondi textualmente, traduzindo logo depois o portuguesíssimo idiomatismo de tal frase: - meu caro, em Portugal, quem não trabuca não manduca... O que então era verdade!


Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Nem o proteccionismo sueco nem o abandono português. Talvez tenhamos de procurar o meio termo porque aí sim, aí estará a virtude. Mas... e há sempre um mas nas nossas vidas! Já Caius Julius Caesar dizia, em 100-44 AC, há mais de 2.000 anos: - "Há, nos confins da Ibéria, um povo que nem se governa nem se deixa governar!" (diz-me uma amiga, que há bem pouco tempo me recordou a frase, que esta verdade histórica não estará confirmada mas, a avaliar pelo que sei de nós e pelo que ?ouvi? de César, acredito bem que a tenha proferido).
publicado por Júlio Moreno às 23:54
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A Alexandre de Castro

Totalmente de acordo com a sua opinião que integralmente partilho e à qual alio um estranho sentimento interior de vergonha por estar a ser assim representado aos olhos de um mundo cada vez mais global e exigente.

Também eu fui, e sou, um dos mesquinhos que criticaram veementemente a atitude o Sr. Primeiro-Ministro que, ao proceder como procedeu e agora, ao pretender justificar o injustificável, demonstrou ao País não ter perfil para o cargo para que se candidatou e foi eleito.

Penso que esta conclusão será algo que os portugueses, particularmente os socialistas e democratas de alma aberta de cujo pensamento me aproximo, deverão ter em conta em próximas eleições. É que, quem assim procede, perde, desde logo, toda e qualquer autoridade para falar e pretender que o escutem. O seu discurso de defesa não é mais do que um chorrilho de esfarrapadas frases sem nexo nem o menor conteúdo mais uma vez confirmando que política não será mais do que a ciência ou arte de enganar um Povo! Só que, assim o espero, este terá sido o seu último engano, ou melhor, o embuste final pois não quero querer que os portugueses tolerem a sua eventual repetição!

«A exploração em torno das minhas férias tem sido demagógica, injusta e mesquinha. São ataques injustificados» - afirma o Primeiro-Ministro. Será que, ao proferir tais afirmações, entendeu mesmo o significado dos termos que empregou ou apenas se terá limitado a vasculhar à pressa num mau dicionário de elegantes impropérios para encontrar aqueles que lhe pareceram mais ajustados ou lhe vieram à mão para uma defesa que não conseguiu?

Senhor Primeiro-Ministro, as suas faltas são injustificadas e, pelo facto, deverá incorrer na sanção correspondente: - processo disciplinar com vista ao despedimento! Espero sinceramente que haja alguém acima de si que o faça… o sr. Presidente da República, por exemplo. A esmagadora maioria dos portugueses já o fez e essa, que eu saiba, representa o Povo e o Povo é, afinal, quem mais ordena…

Evite o processo; aja com dignidade!
publicado por Júlio Moreno às 08:48
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2005

Polémica branda...

CRÍTICA A UM MEU COMENTÁRIO PUBLICADO NO PD DA IOL:


Caro JM - esclarecimentos de Albion Pedro Alves - de Manchester (2005-08-18 01:26) Referente ao artigo: Londres: brasileiro estava sentado no metro quando foi morto O senhor escreveu: «Quererá o senhor jornalista (aqui o senhor parece-me descabido) afirmar nas suas entrelinhas que a polícia britânica faz parte do crime organizado pois acoita bandos de assassinos com a agravante de o soldo lhes ser pago pelo próprio Estado?» Resposta: Nem mais! É exactamente isso! Um exemplo: um indivíduo, chamado Haroon Rashid Aswat, foi o 1º acusado de ser o cérebro por detrás do ataque de Londres a 7/7 e a 21/7 mas, poucos dias depois, a acusação desapareceu. A razão foi ter «vindo a lume» que ele está relacionado aos Serviços Secretos Britânicos... Eis o que um especialista americano em terrorismo John Loftus disse na Fox News: "Back in 1999 he came to America. The Justice Department wanted to indict him in Seattle because him and his buddy were trying to set up a terrorist training school in Oregon... we've just learned that the headquarters of the US Justice Department ordered the Seattle prosecutors not to touch Aswat... , apparently Aswat was working for British intelligence." Caro JM, quer o assassínio de Jean de Menezes quer os atentados de Londres são histórias muitíssimo mais complexas do que, aparentemente, imagina... Cumprimentos


MINHA RESPOSTA AO CRÍTICO:


Resposta a Pedro Alves – de Manchester Caro Pedro Alves (suponho que em Manchester, próximo de uma zona de muito caras recordações para mim!). Agradeço-lhe, desde já, a sua crítica em relação à forma como coloquei o problema – e que, como terá verificado, visava fundamentalmente o um certo jornalismo dos nossos dias (felizmente que o temos também de primeiríssima qualidade) – e gostaria que não visse, de forma alguma e da minha parte, qualquer concordância com métodos pouco ortodoxos de certas actuações policiais, sejam elas britânicas, americanas, portuguesas ou chinesas. De modo algum! Mas, já agora e plagiando um pouco o seu estilo: - À minha interrogação (pasmada!) sobre se a polícia britânica faria parte do crime organizado acoitando bandos de assassinos e tendo, como agravante, o facto de o soldo lhes ser pago pelo próprio Estado, o senhor respondeu: - “Nem mais! É exactamente isso!” – e cita como exemplo corroborativo do que tão categoricamente afirma o testemunho que um especialista americano em terrorismo, John Loftus, terá dado na Fox News: - "Back in 1999…” (supõe-se que o aludido Haroon Rashid Aswat) “…he came to America. The Justice Department wanted to indict him in Seattle because him and his buddy were trying to set up a terrorist training school in Oregon... we've just learned that the headquarters of the US Justice Department ordered the Seattle prosecutors not to touch Aswat... , apparently Aswat was working for British intelligence.", rematando o seu comentário com um amigo e tocantemente paternalista: -: “Caro JM, quer o assassínio de Jean de Menezes quer os atentados de Londres são histórias muitíssimo mais complexas do que, aparentemente, imagina...” Meu Caríssimo Pedro Alves, sem pretender por em causa a sua opinião nem intentar, aqui, fazer prevalecer a minha, sempre lhe direi que: - 1º - Não conheço o invocado perito em terrorismo que assim possa falar, com tal autoridade, em matéria tão delicada e controversa já que envolve, em si mesma, uma tão enorme mescla de especialidades que raramente caberão no corpo de um homem só já que irão desde o conhecimento de estratégias geopolíticas, à psicologia dos povos, das pessoas, dos grupos e das multidões, às componentes químicas e físicas dos explosivos, à arte cénica ou de representar e ao moderno marketing noticioso, sem esquecer a magia da esperteza; - 2º - Feliz ou infelizmente, talvez conheça um pouco mais sobre a matéria do que o meu amigo pensa, para, sobre ela e em termos de polícia, poder afirmar que: a)- nem todos os seus agentes serão santos assim como nem todos serão criminosos (já La Palice diria o mesmo, não lhe parece?); b)– a técnica policial tem razões e lógicas que a razão e a lógica comuns desconhecem (ainda bem e ainda mal!); e que c)– todos louvamos a polícia quando esta nos salva e livra de apuros e que costumamos ser os seus mais ferozes e inclementes críticos sempre que, por ela ou pelos seus agentes, são cometidos erros como o que estará em causa, trágicos, sem dúvida, mas que, nem por isso, passarão de meros erros por mera culpa e sem a intenção dolosa que os enquadre no restrito e específico âmbito de crimes cometidos por assassinos a soldo como transparece da sua crítica. Aqui lhe deixo, pois, o meu necessário esclarecimento esperando que o possa receber em toda a plenitude da desinteressada intenção com que o produzi. Até sempre.

publicado por Júlio Moreno às 13:13
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005

Será que o sr. Primeiro-Ministro terá a dignidade de se demitir?...

Perante o estado apocalíptico a que o país chegou, a arder, positivamente, por todos os lados, isto perante a tranquila passividade governamental e do próprio Presidente da República que mais não terá sabido fazer (que se conheça) do que condecorar uma banda de famosos que, a despeito das suas actuações meritórias, teve o desplante de comparecer, andrajosa e de chapéu de cowboy, na sessão solene (ou será que o não foi?) em que foi condecorada, perante o facto de o sr. Primeiro Ministro permanecer de férias enquanto que o Povo que o elegeu sofre e se apavora, perante isto e quando um Ministro que, pelas pastas que já sobraçou, concluímos que ainda se não terá cansado de pastar e se recusa a conferir às regiões mais afectadas o estatuto de calamidade pública tão reclamado pelos autarcas que, no terreno, avaliam a situação real e que já todo o mundo conhece e comenta, só me resta indagar para quando o acto de civismo que se espera de tais políticos: - terem a dignidade de se demitir!
publicado por Júlio Moreno às 11:08
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Será isto jornalismo?...

Quando, em fase de inquérito - que, segundo se depreende estará a ser levado a cabo por uma comissão independente (cito: "…o ministro britânico do Interior, Charles Clarke, considerou que é preciso deixar a Comissão Independente «fazer o seu trabalho sem pressões»…" - fim de citação) - se publicitam notícias desta natureza (cito: "…O brasileiro Jean Charles Menezes, morto por engano pela polícia britânica, que o confundiu com um terrorista, estava sentado numa das carruagens do metropolitano quando foi abatido a tiro, revelou a estação de televisão britânica ITV…" - fim de citação), interrogo-me: - Será isto jornalismo?

Terão estes senhores o direito de continuar, impunemente, a deformar a opinião dos cidadãos, gozando de uma tribuna privilegiada como é um jornal televisivo, para, ao que tudo indica, sem provas ainda e baseados apenas no testemunho de um cidadão que se diz sentado no banco em frente da vítima (cito: "…Terça-feira à noite, a ITV, citou uma testemunha, um homem que estaria sentado em frente de Menezes na carruagem do metro e que contou: «De repente, entraram polícias (na carruagem) e, olhando para o brasileiro gritaram: Polícia!» …" - fim de citação), cidadão esse que não apresenta, à partida, quaisquer credencias que o afirmem como testemunha confiável e credível?

Será que, sem ter terminado ainda o inquérito (insisto neste ponto), se poderá, impunemente e com a ligeireza de quem faz apenas deslizar a esferográfica no papel sem meditar um momento na simples fundamentação lógica do que afirma? Será que pode, um qualquer jornalista, alheando-se de todo e qualquer dever deontológico e profissional, pôr assim em causa a actuação da polícia, confundindo os leitores e fazendo aumentar ainda mais a intranquilidade pública britânica e dos cidadãos de outras nacionalidades que vivem ou visitam a Grã-Bretanha?

Não será verdade que, baseado apenas no crédito que lhe terá merecido um anónimo cidadão (o nome não é referido) o jornalista se permite contrariar toda a lógica que, eventualmente por erro de fundamento inicial, terá levado a polícia a disparar matando (cito: "... Segundo a testemunha, quando o jovem brasileiro fez o gesto de quem se ia levantar, um dos polícias imobilizou-o e outro disparou oito tiros à queima-roupa, sete na cabeça e um no ombro. Outras três balas foram disparadas para o chão..." - fim de citação)? Quererá o senhor jornalista (aqui o senhor parece-me descabido) afirmar nas suas entrelinhas que a polícia britânica faz parte do crime organizado pois acoita bandos de assassinos com a agravante de o soldo lhes ser pago pelo próprio Estado? Ou será que o senhor jornalista apenas se quis vingar na polícia por uma qualquer multazinha de estacionamento com que terá sido autuado tempos atrás estando-se nas tintas para as consequências do seu acto?

Não sou britânico, serei, talvez, um longínquo descendente. Sou português e gostaria de ter mais orgulho em sê-lo se não soubesse que, também por cá, se pratica um jornalismo semelhante e que, também por cá, consciência profissional e cívica é coisa que não abunda muito.
publicado por Júlio Moreno às 10:14
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Domingo, 14 de Agosto de 2005

Sentidas condolências e… um ligeiro aparte!

Uma nova tragédia continua hoje o ciclo imparável das tragédias quotidianas deste mundo em que vivemos. A diferença está em que umas poderiam ter sido evitadas e outras não. Porém, todas podem ser sentidas. Neste caso, e cito o articulista, "O primeiro-ministro grego, Costas Caramanlis, já interrompeu as suas férias na ilha de Tinos e está a caminho da Grécia para lidar com a situação". No nosso caso, com o país a arder, gente a morrer e a tudo perder na voragem das malditas chamas, o nosso primeiro-ministro não interrompeu as suas! Há diferenças, há! E que diferenças!...
publicado por Júlio Moreno às 19:30
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Sábado, 13 de Agosto de 2005

Três a quinze anos de prisão para incendiários...

Ainda os incêndios, a lei e os incendiários, as prisões e as penalidades…


Vem isto a propósito de, num pequeno passo do artigo que comenta o número de presos efectivamente a cumprir pena por crime de fogo posto, se referir que as penalidades para incendiários em cujo fogo morrer alguém podem ser de pena de prisão efectiva de quinze anos! Ora, este aspecto é precisamente o que me custa a entender na nossa lei: - se resultar a morte, 15 anos; se não resultar a morte, poderão ser só 3 anos!


Assim e quer queiramos quer não, a lei acaba por jogar, ela própria, na lotaria das penas. Se totalizar seis acertos, quinze anos e se o número de acertos for decrescendo, a pena decresce na respectiva proporção até chegar a um mínimo de três!


Ora, fazer depender a punição de uma tão grave intenção criminosa de um acontecimento perfeitamente fortuito e não contemplado, portanto, pela votado do delinquente e muito menos da vítima, mas sim, e apenas, pela sorte ou azar dos intervenientes parece-me aberração jurídica de princípios e, como tal, a necessitar de ser revista.


Recorda-me a disposição que tanto me revoltou em tempos idos, quando exerci curandeirismo jurídico na Repartição de Justiça do Comando Geral da GNR, a qual dispunha que a punição seria atenuada para o militar infractor, com culpa e causador de acidente de viação com prejuízos para os veículos do estado, desde que este se prontificasse a pagar a totalidade, ou parte, dos prejuízos.


Todos sabemos que a responsabilidade civil objectiva funciona independentemente da culpa pelo que existirá sempre o dever de indemnizar aqueles a quem causarmos prejuízos – daí a obrigatoriedade do seguro de responsabilidade civil. Porém, atenuar ou mesmo relevar a responsabilização disciplinar ou criminal pelo facto de ser ter dinheiro com que se redimir da culpa, parece-nos não só injusto como até fomentador da própria prevaricação por incúria ou desleixo na tomada tempestiva das medidas que a possam prevenir.


Fazer depender a pena do incendiário do facto de haver ou não morte ou mortes no sinistro, parece-nos inconsequente e atentatório da próprias finalidade da lei, uma vez que não se estará a punir o acto mas sim as consequências se as houver. Nestes casos, e outros haverá em idêntica situação, perece-nos, salvo melhor opinião, que é o próprio crime que permanece impune!
publicado por Júlio Moreno às 22:14
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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2005

Mentirelogia, uma nova ciência e mentirelogista, uma nova profissão...

Perante o que leio, observo e ouço cheguei a uma conclusão óbvia: - a de que, ao abrigo do estatuto das novas profissões e considerando o tremendo avanço tecnológico dos nossos dias, que fará com que os actuais sistemas de calendarização e horários falhem rotundamente no seu esperado acompanhamento ao nosso ritmo biológico, haverá que criar, desenvolver e articular, com os vários sectores da ciência, uma especialidade nova, que, muito embora velha de séculos, nunca autonomamente e por esta tão necessária forma terá sido considerada. Trata-se da mentira que, em termos de ciência exacta, é hoje suficientemente desenvolvida para se poder sustentar autonomamente como profissão.

Refiro-me, portanto, à mentirelogia (do latim, mentire + logos), neologismo que definirá a ciência que estuda e põe em prática a capacidade de mentir com ritmo, lógica e nexo de causalidade, não olvidando actos, pensamentos ou frases escritas ou proferidas anteriormente por qualquer forma ou em qualquer meio de comunicação, tudo em ordem a que, do seu paulatino e quotidiano exercício, resulta uma actividade nova, credível no seu meio e perfeitamente compatível com qualquer estatuto social ou profissão.

Na verdade, este novo curso superior deveria ser particularmente exigível a quem se candidatasse a cargos públicos de certa notoriedade pelo que, no meu entender, para deputado, seria necessária a obtenção de uma classificação mínima de 15 valores como média de curso, para ministro de 18 e para primeiro-ministro, presidentes de partidos políticos ou presidentes de clubes de futebol, de 20 valores!

Então sim, através de tal licenciatura, estariam completamente justificados os títulos de doutores e de engenheiros que tão enfaticamente muitos se auto-atribuem e, simultaneamente excluídas todas as confabulações hoje existentes em torno de certos problemas como este da Ota sobre o qual nos debruçámos e que detonou este nosso comentário.

A lógica do meu pensamento terá tanto de cristalina como de cartesiana e baseia-se numa celebérrima frase axiomática que reza assim: - Se cada um vai a casa de cada um é porque cada um não quer que cada um lá vá; porque se cada um quisesse que cada um lá fosse, cada um não ia lá!...

Pensemos nisto!
publicado por Júlio Moreno às 11:45
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Quinta-feira, 4 de Agosto de 2005

Custa-me a crer!...

Custa-me a crer que a comunicação social continue a dar este tipo de publicidade gratuita e manifestamente nefasta aos incêndios que, obra de psicopatas pirómanos e outros que, sofrendo de perigoso exibicionismo saloio, vêm, assim, recompensados os riscos que bem sabem correr!

Custa-me a crer que um governo de crise, como tanto apregoa, deixe que tudo isto aconteça sem tomar medidas drásticas e concretas, que se não limitem a à aquisição ou ao aluguer de meios aéreos com o que só encherá mais os bolsos de quem já tanto vem lucrando com os fogos!

Custa-me a crer que se mantenham as penas a aplicar aos que, consciente e deliberadamente, ateiam fogos ou que, por mera culpa, inconsideração ou desleixo, os não previnem e antes os provocam!

Custa-me a crer que se não mobilize o exército para se espalhar pelo terreno e aí combater este inimigo só aparentemente sem rosto em lugar de missionar no Iraque, Afeganistão e lugares quejandos, forma mais do que segura de atear outros fogos!

Custa-me a crer que se não encare este surto cíclico de fogos como verdadeiro crime organizado e se não actue em conformidade contra ele em lugar de, diariamente, nos brindarem com extensas e ridículas informações estatísticas sobre o número de bombeiros e de veículos que se empenham neste e naquele lugares e das zonas do país mais em risco! Homenagem aos bombeiros que denodadamente lutam contra o fogo? Então publiquem-lhes os nomes e realcem-lhes os feitos tantas vezes heróicos e que tão anonimamente permanecem!

Não se alarme o país inteiro! Combata-se o flagelo com serenidade, sobriedade e eficiência, o que não vejo que seja feito. Até parece que dantes não havia matas, não havia eucaliptos nem pinheiros! Só que talvez houvesse outro espírito, outra vontade e outro ânimo. Mais gente nos campos e menos pessoal a drogar-se pelas esquinas e a abanar os braços para arrumar automóveis!

Mas esta é a tristíssima realidade em que vivemos, cercados de chamas e de incompetência governativa.
publicado por Júlio Moreno às 14:59
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