Sexta-feira, 12 de Maio de 2006

Provavelmente

Do PD de 12/05-2006:


“Centenas de clientes das empresas filatélicas Afinsa e Fórum Filatélico, alvo de uma operação anti-fraude desencadeada esta semana e que resultou em nove detenções, continuaram hoje a concentrar-se em frente às sedes das duas empresas em Madrid.”


Provavelmente há insolvência. Provavelmente há burla. Mas o que é também muito provável é que o interesse dos banqueiros, grandes e misericordiosos senhores do nosso dinheiro, estivesse a ser prejudicado!


Para quando mega operações às mega roubalheiras dos bancos em parcelas tão pequeninas que quase se não vêm? Os bancos não abrem falência, alegar-se-á! Claro! Beneficiam da protecção da lei e escudam-se no sigilo bancário que funciona mais para eles do que para os seus estimados clientes!


Um negócio de usura que devia ser banido da face da terra. É imoral e é ilegítimo, embora seja legal.

publicado por Júlio Moreno às 11:08
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Terça-feira, 9 de Maio de 2006

As coisas que nunca se dirão…

Aperta-se-me o coração quando penso. Quando penso e sinto coisas que nunca poderei ou deverei dizer, que nunca poderei gritar e que tão fundo feriram e vêm ferindo a minha alma!

Tenho filhos. São três. Tenho e não tenho, ao mesmo tempo… Tenho porque os gerei, vi nascer e tantas vezes lhes preparei e dei os biberões de leite condensado a que uma indesculpável vaidade materna os condenara; e não tenho porque, embora estando então exausto, os abandonei no período de maior vulnerabilidade das suas vidas. – o da formação do seu carácter!

Hoje, naturalmente, sofro a sua injusta ingratidão e a frieza da sua indiferença! E isso dói-me… Dói-me como nunca imaginei que me doesse!

Adoro o mar! Nele me revi e nele me perdi. A minha costela, no entanto, é serrana, transmontana. Terá de ser, por isso, supostamente rija e dura como as fragas e os penedos das alturas. Sinto que sim, que é. Sinto que o foi, que o continuará a ser. Mas sinto igualmente que, por essa mesmíssima razão, quando um dia chorar serão lágrimas de pedra as que rolarão na minha alma.

Escrevo estas linhas no dia do aniversário de um deles. Quisera que fosse amigo. Me esforçaria por entendê-lo se se dissesse inimigo. Mas indiferente!?... Indiferente não…

Uma pessoa, uma só em todo o mundo, entenderá o que nunca aqui escrevi…
publicado por Júlio Moreno às 20:18
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Segunda-feira, 8 de Maio de 2006

Celeste…

Ela era linda. Era cigana. Franzina e loura, de tez morena e olhos verdes, sempre brilhantes e vivos como os dos gatos. As vestes negras que sempre a cobriam, adelgaçavam-lhe a figura e realçavam-lhe a elegância natural do corpo ajoujado ao peso das coisas que lhe davam e de outras que, não lhe sendo dadas pela lei dos homens talvez lhe fossem consentidas pela lei de Deus.

Celeste era o seu nome. Estou a vê-la, muito alta, da pequenez dos meus cinco ou seis anos. Descalça, subia ligeira as escadas de pedra da cozinha e, quando não entrava logo, descarada, sentava-se na soleira da porta aguardando o que sabia ser já certo.

Comia sempre o que houvesse e que nunca lhe foi negado. Com um obrigado e um adeus, ligeiro e furtivo, fazia-me às vezes uma festa na cabeça bem ao desagrado de minha mãe, o que eu notava, e ia-se embora tal como viera: - ligeira e ágil movendo-se como se não pusesse os pés no chão.

Ouvia dizer que era perigosa e não sabia porquê. Nunca tive medo dela!...

Mas a Celeste deixou de aparecer. Passou muito tempo, meses, muitos meses se não anos, até que a vi de novo. Voltara lá a casa mas já não vinha tão linda nem tão ligeira! Parada, de pé, junto da porta da cozinha, sobre a anca, então proeminente, encavalitava agora uma criança, loura e suja, que um xale preto arrimava à cintura. Os seus olhos já não tinham o brilho que antes vira e das suas feições, mais vincadas e sombrias, transparecia agora uma melancólica tristeza.

Comeu, como sempre e, como quase sempre acontecia, a minha mãe falou com ela de coisas que não entendi… Desceu as escadas e foi-se embora, levando consigo a criança que, entretanto, devia ter adormecido pois calara-se… Nunca mais a vi.

Soube mais tarde, muito mais tarde, que o seu nome era Celeste, que roubava e que enfeitiçava os homens. Que estivera presa e que morrera. Senti uma dor ligeira no meu coração. Era pena e, talvez, saudades dela. Compreendi então que almas assim não podem ser presas. Prende-las é matá-las. E foi o que fizeram…
publicado por Júlio Moreno às 13:31
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2006

O professor de inglês...

Aparentemente rude, de estatura mediana e sobre o forte, rosto tisnado pelo sol e como que picado de bexigas, com um grande bigode, farfalhudo e negro, nariz quase aquilino e olhar penetrante, parecia uma fera! Mas nela, afinal, se escondia um homem sensível e quase tímido, vivendo uma vida amargurada pela morte, estúpida, cruel e quase inimaginável dos seus dois únicos filhos, já crescidos, afogados no mesmo dia no lodoso rio Leça onde, segundo ouvi dizer, calmamente passeavam de barco após um “pic-nic” entre amigos… A rapariga caiu à água e não sabia nadar. O irmão, mais velho e que também não sabia, ter-se-á atirado também na ânsia de a salvar… Morreram ambos… Paz às suas almas!

Por cá ficou um pai de coração desfeito, um homem angustiado e bem diferente do que teria sido se essa tragédia não tivesse acontecido!

Por isso, acho que os seus filhos passaram a ser os seus alunos. E eu tive a honra de ser um deles…Era professor de inglês, terrível e mordaz nas suas críticas e nos seus ditos (recordo: - “o … Brito é tão bruto que até escreve bruto com “i”" ou então, como aconteceu comigo quando lhe entreguei um cartão de minha mãe que lhe pedia a minha dispensa para a aula seguinte: - ” as letras são sinais convencionais e para toda a gente ler! Que está aqui escrito?...” – minha mãe tinha, de facto, uma caligrafia difícil de entender, angulosa e, ao que julgo, muito à moda da sua época!)…

Mas o que verdadeiramente nos deliciava eram as suas narrações de história. De história de Portugal ou universal, tanto fazia, desde que entrassem batalhas na sua descrição… O grande livro vermelho, de ponto, era o campo de batalha… o tinteiro as tropas de uma das facções… a planta da sala, canetas, lápis e tudo o que houvesse à mão, a outra facção… E a batalha tinha então o seu lugar. Por entre o verdadeiro troar da sua voz emocionada ao relatar os feitos heróicos e que iam desenrolando entre os combatentes envolvidos, tácticas, avanços e recuos, cargas de cavalaria e debandada de peões, o som dos murros dados sobre a secretária, o tremer quase da sala e as chispas que lançavam os seus olhos… tudo nos transportava ao verdadeiro campo da luta que, ante os nossos olhos sempre renovadamente espantados, se desenrolava com novas formas a cada nova descrição!... Era o nosso professor de inglês, o nosso temido e querido mestre, o primeiro a ensinar-nos “I do, you do, he does…I am, you are, he is…”

Que saudade!...

Um dia, muito mais tarde, e numa das minhas fugidias vindas ao Porto, pois vivia e trabalhava em Lisboa, vi-o, sentado a meu lado, no barbeiro. Pelo espelho, vendo-o, hesitei… Temendo ter-me enganado ou que ele me não reconhecesse já, atrevi-me: - “Senhor doutor…”. Um enorme sorriso se alargou naquele rosto sempre tisnado e rude. E no breve intervalo de uma amoladela de navalha, pois o barbeiro fazia-lhe a barba, respondeu-me: -“Estava a ver que já me não conhecias…” .

Entre centenas, talvez milhares, ele não me esquecera!
publicado por Júlio Moreno às 11:02
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Quinta-feira, 4 de Maio de 2006

Mademoiselle

Il faut qui je ne m’oublie pas du temps quand je prenais mes leçons de français avec « mademoiselle », une vieille dame que demeurait à la rue du Dr. Sousa Rose, à Foz, oú nous allons, ma cousine Nereide et moi, trois fois dans la semaine. Nous avons aussi des amis français : Monique et Jean Claude et je me souvient trés bien d’une fois quand Monique m’a fait la preuve qu’elle n’étais plus une petite fille mais presque une belle femme. En découvrant sa poitrine elle m’a montré ses jeunes seins sans savoir qu’ils était les premiers seins que je voyait dans ma vie de treize ans qui j’avait a ce temps la.

Et a ce temps la je parlait le français presque si bien que le portugais et j’en avais une parfaite conscience. Pas comme aujourd’hui.

Mademoiselle, elle était alsacienne et son accent du nord n’était pas l'accent de Paris ni celui du midi que était plus en vogue du quelques filmes de l’époque en particulier d’une merveilleuse artiste que s’appelait Françoise Arnaud, mon premier amour imaginaire.

Il faudra qui je vous dis que pour long temps Françoise Arnaud a demeuré dans mon cœur et m’a fait compagnie pendent mes solitaires nuits jusqu’ a l’heure de mon départ pour Coimbra a l’université quand j’avais seize ans. Et un jour quand je me suis allée a Lisbonne j’ai fait la voyage avec une jeune fille qui était une parfaite réplique de Françoise Arnaud.

Il n’y a pas longtemps j’ai entendu dire que mademoiselle est morte et qui a laissé sa petite maison a une de ses élèves car elle n’avait pas aucune famille ni au Portugal ni en France à cause de la guerre, je le crois.

Mademoiselle, quelque soit le lieu ou vous êtes a ce moment – et je suis sure qu’il sera bien prés de Dieu – je vous demande pardon de mon français actuel, je vous remercie pour tout ce qui vous avez fait pour moi et j’espére de vous pouvoir revisiter un jour quand le temps n’existera plus. Au revoir mademoiselle, je suis nostalgique de vous…
publicado por Júlio Moreno às 00:40
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Terça-feira, 2 de Maio de 2006

Emigrantes, imigrantes ou só migrantes?

That is a very old question to me witch answer I couldn't find yet!


Emigrants, immigrants or just migrants? The land and the sea, all together, they make the world and the world belongs to the humankind. Why this land is mine and that one is yours? What for passports or identity cards? I am Julio and the ones who know me I know them. All the others... I do not care! Nationality, old question since long time discussed and decided by the power of the weapons… Gallery of heroes! Glorious sons of nowhere have died for the right to have a place where to build up a house and get a home and a homeland…They have killed because they want to belong to somewhere… That has been considered fair and it was fair, but it should remain fair to everybody who comes after them too, not killing but in peace.


Today we have frontiers, artificial lines that don’t exist really materialized on the ground by God or by nature. Look the Palestinians and the Jews. Aren’t they men? Yes, they are but they can’t be together and live in peace just because they dispute a real land and an artificial country! What is the hope for a baby borne on that part of the world? To kill to survive and survive to be killed? ...


Today we make rules and we use papers produced by men allowing other men to cross the borders of nothing but selfish interests and so many times ignored purposes… Today we kill for petroleum. Time will come we will be killing for water and a couple of years latter for air to breath!... I am a Portuguese man! Why? Have I decided it? No of course not. I am a Portuguese man just because my mother wasn’t in Spain the day I was born and when I grew up I decide nothing but to keep the Portuguese nationality in respect for my parents wish. Besides that because a couple of centuries ago a son won a battle against his own mother and became “king” of a small county at the Hispanic peninsula. Could I have been Spanish? Yes. But I needed a lot of formalities, a lot of papers a lot of witnesses testifying a lot of lies, things they would never know like my secret wish and desire… As I do not know emigrants or immigrants I do not know or recognise white or black people, poor or rich people, seek or healthy people. Those are my perplexities… (sorry for my poor english once more...)


Nota - este arrasoado escrevi-o hoje no blog de uma muito querida amiga minha. Que ela me perdoe a ousadia que tive ao escrevê-lo.


Please. read it again. how it should be or look like after some corrections made by one real writer, called Daria Vieira Jaremko, living at New York...


That is a very old question to me witch answer I couldn't find yet!


Emigrants, immigrants or just migrants? The land and the sea, all together, they make the world and the world belongs to the humankind. Why IS this land mine and that one yours? WhY passports or identity cards? I am Julio and the ones who know me know WHO I AM. All the others... I do not care! Nationality, old question, long-discussed, and decided by the power of the weapons… Gallery of heroes! Glorious sons of nowhere have died for the right to have a place where to build a house and get a home and a homeland…They have killed because they want to belong to somewhere… That has been considered fair and it was fair, but it should remain fair to everybody who comes after them too, not killing, but in peace.


Today we have frontiers, artificial lines that don't exist really materialized on the ground by God or by nature. Look AT the Palestinians and the Jews. Aren't they men? Yes, they are, but they can't be together and live in peace just because they dispute a real land and an artificial country! What is the hope for a baby born in that part of the world? To kill to survive and survive to be killed? ...


Today we make rules and we use papers produced by men allowing other men to cross the borders of nothing but selfish interests CROSS purposes… Today we kill for petroleum. Time will come we will be killing for water and a couple of years latter for air to breath!... I am a Portuguese man! Why? Have I decided it? No, of course not. I am a Portuguese man just because my mother wasn't in Spain the day I was born and when I grew up I decideD nothing but to keep the Portuguese nationality OUT OF respect for my parents wish. Besides that because a couple of centuries ago a son won a battle against his own mother and became "king" of a small county at the Hispanic peninsula. Could I have been Spanish? Yes. But I needed a lot of formalities, a lot of papers a lot of witnesses testifying a lot of lies, things they would never know like my secret wish and desire… As I do not know emigrants or immigrants I do not know or recognise white or black people, poor or rich people, seek or healthy people. Those are my perplexities…

publicado por Júlio Moreno às 13:37
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