Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

O assunto do momento e da moda: - a criminalidade

Discute-se hoje muito – raro é o dia em que o tema não surja abordado nas televisões e nos jornais, além de sentido por quem lhe sofre os “efeitos” – sobre a criminalidade em Portugal, outrora conhecido e publicitado como País de brandos costumes e hoje terreno inesperadamente fértil para uma criminalidade cada vez mais violenta e organizada, vinda do espaço Shengen ou de quem a ele pretende chegar, que a todos parece deixar perplexos e sobre a qual os mais variados “técnicos e sábios” na matéria têm vertido as mais doutas opiniões e versões dos factos e das suas causas, proclamando uns que a culpa é do ministro, outros que é das polícias e outros ainda que será dos tribunais e outros ainda que será... dos criminosos!


 Perante isto, perante este corolário de opiniões tão sábias e tão oportunamente expendidas, eu, simples mortal, despido de quaisquer complexos de culpa e muito menos de sabedoria, que a não terei, pergunto-me com frequente inquietitude: - Mas será que ninguém vê o que se passa? Será que em cada acto criminoso, mais ou menos violento, ninguém reconhece as causas, as verdadeiras causas que o determinam e quais os agentes que o praticam e ao abrigo de que estado de coisas o fará com um cada vez mais arreigado sentimento de impunidade? Será?...


E é precisamente aqui que me recordo da frase, aforismo popular, tantas vezes citado por meu saudoso pai que diria simplesmente: - “Claro! O menino não sabe que os piores cegos são os que não querem ver?”, com isso lapidarmente encerrando qualquer veleidade de discusão, ele que, sendo homem de acção mas de muito poucas falas, levava a sua profissão de médico a sério, muito a sério, como se de um verdadeiro sacerdócio se tratasse... Que saudades Pai. Que saudades e como eram sempre sábias as tuas parcas palavras!...


Mas, retomando o fio do meu pensamento inicial diria muito simplesmente aos ”teóricos e sábios” de hoje e que tenham a paciência (ou veleidade!) de me ler, que a criminalidade actual se deve a causas e razões muito simples e puerilmente intuitivas:


 - em primeiro lugar a uma situação dia a dia cada vez mais catastrófica que é a da distanciação, cada vez maior, entre a pobreza e a riqueza, que crescerão ambas, no mínimo, ao mesmo ritmo - isto não obstante os politiqueiros de aviário que nos sugam o sangue e vão surgindo, de tempos a tempos, (sempre os mesmo, reparem bem!) proclamem loas e promessas de que essa distãncia vai ser e será cada vez mais encurtada! Só que nunca dizem, - coitados, eles que tantas certezas têm quanto ao que fazem e mandam fazer! - quando será esse dia e que, se por acaso o dizem, é porque se sentem muito apertados e não hesitam, coagidos que são para manterem os “tachos” que vão tendo - em mentir descaradamente ao Povo que os alimenta;


- em segundo lugar à incompetência do governo, desde o seu chefe aos seus ministros, passando pela maioria dos novéis magistrados que, sabedores da teoria (ao abrigo da qual cometem “grosseiros erros de direito”) , não têm a vivência necessária para se poderem afirmar como tal e, por consequência, só fazem disparates, como prisões ilegítimas de inocentes ou termos de identidade e residência a criminosos declarados, apenas em obediência cega a leis utópicas, imorais e cretinas, que contrariam frontalmente tudo quanto seria previsto tutelar e, sobretudo, proteger – o direito de cada cidadão e da sociedade em geral – o que, de modo algum é hoje acautelado por esse conjunto de teóricos bem falantes para quem o “dura lex sed lex” é um dogma (ainda que só aplicável a terceiros) mesmo que parido por uma cabeça oca e sem a menor sombra de razão e conhecimento real do quotidiano que vivem, completamente alheados do Povo que dizem proteger e encerrados no seu mundo de números e de fantasia, mas que fugiriam a sete pés acaso com eles acontecesso o “carjacking” da moda;


- e em terceiro lugar ao jornalista de hoje que vê no assunto um tema simples, fácil e útil de glosar e, com ele, ganhar a vida, se não vendendo já os jornais (que até gratuitos já são, pagos pelo marketing e pela propaganda dos ricos cada vez mais ricos!), pelo menos assim vão conquistando audiências numa guerra surda de “shares” (eu também vou estando na moda, como vêm!) e sem quartel onde nada importa senão ganhar seja a que preço for – veja-se o espectáculo da morte em directo dada pela TV no caso do assalto ao BES.


Portanto eis a receita para a criminalidade de que todos falam e dizem temer (se é que a não fomentam ainda que inconscientemente):


- Acabe-se o espaço Shenguen e responha-se o controlo fronteiriço e ficaz de outrora;


- Substitua-se um governo de ignorantes e de inaptos por gente que tenha os pés assentes no chão, que seja não só competente e sobretudo que não saiba mentir e a quem a força seja reconhecida pela idoneidade do seu carácter;


- Dignifiquem-se as polícias, restitua-se-lhes a autoridade perdida ao abrigo de uma democracia oca, estabelecida por decreto, mas que corre nas veias de bem poucos ainda, remunerando-se condignamente os seus agentes para que estes se não sintam na “obrigação” de se deixarem corromper quando vêm ser esse o único meio de progredir na vida e que o exemplo vem do alto;


- Deixem que os Juízes tenham cabelos brancos e a austeridade de um magistrado, porque a ele, como à mulher de César,” não lhe bastará sê-lo, é preciso também que o pareça!”.


Feito isto, que é como dizer, limpa que seja a nódoa em que o País se deixou emporcalhar, eis que o crime irá desaparecendo, nem que, para isso, seja preciso lavá-lo com Omo... “porque Omo lava mais branco!”...

publicado por Júlio Moreno às 17:46
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