Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Do Portugal Diário da IOL de hoje:

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“«Com duas ou três semanas assim Sócrates arrisca-se a perder» - “Marcelo Rebelo de Sousa fala de uma semana terrível para o primeiro-ministroPor: /FC 29-06-2009 09: 34 - Marcelo Rebelo de Sousa considera que a última semana foi «terrível» para José Sócrates. No seu espaço habitual de comentário da RTP, considerou que o primeiro-ministro pode mesmo vir a perder as eleições de 27 de Setembro. «Esta semana foi horrível. Se houver duas ou três destas semanas, ele corre mesmo o risco de perder as eleições porque houve sempre coisas mal contadas. Esta foi a primeira mal contada. Primeiro, o número de arguidos no caso Freeport tem subido aceleradamente e cercando politicamente o primeiro-ministro. Pessoalmente não, mas o facto é que presidente e vice-presidente do instituto, que dependiam dele, foram constituídos arguidos. Para além disso, o Ministro da Agricultura disse uma coisa e dez minutos depois o primeiro-ministro disse outra», frisou, a propósito de José Manuel Marques, director da Reserva Natural do Estuário do Tejo. ""


Marcelo Rebelo de Sousa considera que "arrisca-se a perder...". Por mim, eu penso, e definitivamente, que já perdeu.


O que me surpreende é que tenha durado tanto! Que se tenha conseguido equilibrar numa corda tão bamba como tem sido a da sua política de mentiras, meias verdades e embustes (a começar pelos do seu próprio "curriculum" académico onde a nebulosidade é constante e o mau tempo aconteceu por vezes), que configurarão plenamente a novíssima mas consagrada figura jurídica da "trapalhada" em que se apoiou o anterior Presidente Sampaio para dissolver uma Assembleia da República com maioria absoluta, feita por dois partidos, é certo mas que, nem por isso mesmo deixava de o ser, e o actual, com fortíssimas razões para lhe copiar o "gesto", não o fez ainda nem o fará, estou certo, apenas pelo facto de saber que estaria errado e que cometeria, assim, mais um dos maiores atropelos constitucionais que já se viram no País recente.


Mas é precisamente aí que reside a diferença: - na génese do gesto que hoje, como então já acontecia, não resistiria à visível e claríssima parcialidade de uma atitude presidencial que não estamos a ver Cavaco Silva ser capaz de utilizar.


Marcadas que já estão as eleições, que constitucionalmente se cumpra, pois, a vontade do Povo: - então já não cego pela política demagógica de um populismo flagrante e mais próprio de feira do que de Estado - e que tenha a hombridade de dizer nas urnas sob que governo pretende viver; - se no de um que escamoteia a verdade por todas as formas e feitios a que tem acesso, que faz e mantém promessas que nunca teve a real intenção de cumprir, que durante muito tempo se foi acomodando com a desculpa esfarrapada e torpe do verdadeiro estado ("calamitoso" alegou sempre)  em que veio a encontrar o País, como se um candidadto a primeiro-ministro não tivesse a estrita obrigação de o saber já e ao pormenor e não o vir a invocar depois como pretensa desculpa para o que foi todo o começo do seu rotundo falhanço. Sócrates, um mau ministro do ambiente, paladino da co-incineração desaconselhada pelos mais competentes na matéria, mas da qual não abdicava, era já então a lagartixa que nunca deveria ter chegado a jacaré.


O Povo, porém, não o viu assim, acreditou nele, na teatralidade do seu gesto e na demagógica retórica dos seus arrasoados, (e o Povo é, sempre foi e sempre será, um rebanho dócil á espera do pastor que o saiba conduzir - veja-se o passado recente exemplo hitleriano capaz até de o conduzir à quase total aniquilação e morte!) e o resultado viu-se: - uma arrogância política crescente e já fastidiosa e entediante; uma obra meia feita mas em qualquer ponto sempre inacabada; um conflito aberto com quase todas as classes sociais e políticas, inclusivé dentro do seu próprio partido a um passo de cindir-se não fora a intransigemte coragem e sanidade mental e política de um Manuel Alegre e de alguns outros como ele; um dia-a-dia de novas e chocantes notícias onde a moralidade e a ética são tão pouco visíveis que nesessitam de ser constantemente apregoadas (mas não demonstradas até agora, contrariamente ao que pretende o senhor ministro da propaganda - cuja inteligência iluminada das suas parlamentares intervenções vem quase cegando a Assembleia!), enfim, todo um corolário de "trapalhadas" que bem justificariam já outra acção e atitude não fora a verticalidade e a dignidade do homem que tivemos a felicidade e clarividência de, em boa hora, escolher para Presidente.


Assim Deus lhe dê força e ânimo para remar contra correntes e marés pois essas não irão faltar-lhe e serão tanto mais fortes quanto moralmente débeis forem os seus adversários.

publicado por Júlio Moreno às 08:28
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Já quase não sei porque espero. Só sei que espero.

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Já quase não sei o que é ter esperança. Só sei que a mantenho.

Já lá vão mais de seis anos! Seis longos… eternos anos!...Anos que não conseguirei talvez nunca definir e que se vão acumulando no meu peito de forma estranha e quase indescritível já que, ora se amontoam sem ordem alguma, aparentando uma enorme confusão e um não menos enorme turbilhão, ora se ordenando, disciplinadamente, obedecendo como que a uma lógica que estará bem longe de o ser.

Espero e esperarei.

Sinto a esperança e com ela morrerei.

Tenho um farol e por ele me guiarei...

Tudo isto eu sinto e digo agora porque a lei inexorável do tempo não me perdoará os dias que já vivi e não voltarei a viver, as alegrias que já julguei sentir e que espero agora voltar a sentir algures, mas de verdade, embora saiba que já não com o vigor e a força de outrora mas com um renovado querer, sinónimo de conseguir, e o que então me animava, me fez rejuvenescer e me fará agora viver por décadas ainda!

É ela… um ser aparentemente forte mas tremendamente frágil, como uma árvore de forte de tronco mas encimada por delicadas folhas que estremecem à mais pequena e suave brisa de um sentimento hostil. É ela mesma… para quem a vida também tem sido madrasta se bem que, tal como eu, tenha tentado contorná-la através dum trabalho árduo, constante e atordoante que nos lavava a alma e quase nos fazia então viver como se vivessemos realmente...

Estranhamente, porém, e não obstante o tempo passe, sei que desta vez eu e ela viveremos. Digo estranhamente porque por esta “causa” já morri um dia. Um dia de temporal em que o mar nada poupou e em que a espuma branca que tantos admiram e que a mim, como a ela, tanto nos fascina, já um dia abafou a minha respiração, encheu os meus pulmões com o seu misto salino de ar a água e me matou e conservou longe até um dos primeiros dias de Abril do já longínquo ano de 36 em que voltei!...

Tenho-me tantas vezes afirmado aqui contra o progresso, algum progresso. O progresso negativo que não só não entendo como abomino até porque frio, impuro, conspurcado pelas atrocidades que, no seu caminhar, já cometeu ceifando vidas, espezinhando almas e só visando o lucro efémero que nada poderá jamais edificar…

Aqui me penitencio, porém, já que reconheço que tem sido uma pequena mas valiosa parte desse mesmo progresso que me tem feito viver, ouvindo, ainda que ao longe, a sua voz fresca e tão carinhosa e meiga de menina que tanto me encanta e vem iluminando o meu caminho!...

Me declarei a ela dizendo: " Mesopotâmia!"... - estranha forma de lhe dizer do meu amor...
publicado por Júlio Moreno às 19:22
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Para onde caminha o mundo?

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Recordo, e ainda não vão lá muitos anos, o tempo em que as estações do ano eram coisas certas, com ligeiríssimas excepções – talvez algum nevoeiro pela manhã em certas zonas costeiras do Norte durante o mês de Agosto - mas em que toda a gente podia confiar.

O Inverno, essa enorme estação dos grandes frios (aqui chamamos frio quando a temperatura desce a 5 0u 6 graus!) e das chuvas intermináveis, de miudinhas, de cima para baixo e de baixo para cima, a torrenciais, de alguns temporais e, de um modo geral, caracterizado por um clima algo, inóspito, de neves e geadas a requerer gabardinas, sobretudos e grossos camisolões e meias de lã.

A Primavera, permitindo já e progressivamente trajes mais ligeiros, dando verdadeiramente os seus timoratos passos em Abril “de águas mil” mas já se deixando dominar pelo sol por entre algumas nuvens brancas, acasteladas e formando estranhas e bizarras figuras que eu, ainda criança, comparava a castelos, a estranhas formas de animais ou a monstruosas figuras do que hoje se chamaria de “ficção” e tanto divertem, convertidas e recriadas nesses monstruosos brinquedos denominados "transformers", as crianças de hoje.

Com as temperaturas subindo, gradual e regularmente, era-me uma estação particularmente grata por ser a do meu aniversário e das prendas que então receberia mas, paralelamente e quando comigo mesmo perdido em lucubrações a que hoje chamaria de menores mas que, na realidade e ao tempo, não poderiam deixar de ser maiores, já que era o tempo da época dos exames que se avizinhava e com ela a avaliação do meu ano de proverbial “cabulice” posta a nu nas escassas horas que demoravam cada prova, chegava mesmo a temê-la um pouco e à medida em que os seus três meses iam decorrendo.

Transposto este meio obstáculo, porém, era o Verão que surgia em todo o seu esplendor de calor, excentricidade, fulgor e fantasia, o Verão das férias, da convivência com os meus primos e primas – eu, que sendo filho único, vivia sozinho todas as restantes épocas do ano até porque no local onde vivia não abundavam os companheiros da escola que ficava ainda longe, apenas acompanhado do meu gato, do meu cão e do pintassilgo, além, terei de o confessar, do verdadeiro “zoo” que minha mãe consentia que eu tivesse no quintal – esse Verão da praia e do mar – o meu eterno e temeroso amor – e o bulício das termas, primeiro Vidago e mais tarde Carvalhelhos, com os hotéis cheios e pequenas multidões deambulando pelo parque fazendo horas para tomar 30, 40 ou 50 gramas de água mineral da fonte nº 1, fria ou morna conforme houvesse sido a prescrição do médico, e outros grupos mais reduzidos e equipando a rigor, para o ténis, indumentária toda branca, e para o golfe, com as calças assim designadas que deixavam antever meias de xadrez cujos pés calçavam grossos sapatos cardados para se agarrarem ao terreno, jogando ténis ou golfe naquele meu saudoso campo de nove buracos onde despertei para uma modalidade que sempre me encantou e na qual cheguei mesmo a ser regular jogador, muito embora sem as técnicas que hoje vejo apregoadas e convertidas em regras tão sagradas quanto “escrituras” e que, quando violadas, também então davam lugar a enormes e eloquentes discussões e protestos, o prato predilecto daqueles que, sem jeito algum para tal desporto, se esforçavam denodadamente por praticá-lo uma vez que ele corresponderia, na época em questão, à pretença obtenção de um “status” social já elevado e que, por tal via, pretendiam alcançar senão subir e mesmo transpor.

Com o final do Verão era o desfazer da festa, o despovoar daquelas zonas de tão grande lazer e prazer, dos namoricos inconsequentes mas que serviam para melhor preencher aquelas deliciosas horas de liberdade e das enormes cavalgadas pelas pradarias transmontanas e barrosãs, e o regresso triste e melancólico, e não raro pessimista, a mais um Inverno que teríamos de enfrentar, sabe-se lá com que “riscos” e dificuldades dessa vez!

Mas, pouco a pouco, tudo isto, havido sido tacitamente aceite como imutável regra que cronologicamente se repetia a cada ano, mas que se foi gradualmente modificando, ao princípio sem que se desse conta disso ou, dando-o, sem que lhe fosse dado especial significado ou importância. Porém, pouco a pouco essa mudança, em crescendo, foi-se transformando no gravíssimo problema que o mundo actual já enfrenta e não mais pode continuar a ignorar: - o problema ambiental e as marcantes alterações climáticas que, sendo embora cíclicas no historial planetário ou mesmo galáctico, nunca terá prejudicado as gerações humanas mas a que cegueira e avidez dos homens de hoje, aliada à sua mesquinhez de espírito e só pretença evolução moral e cultural, eivada de corrupção de costumes, de ganância por lucros cada vez mais fáceis e tanto mais elevados quanto mais vastas eram as massas humanas que, sem dó ou piedade, em nome do progresso escravizavam, veio, acelerar desmesuradamente o quase descalabro em que hoje já quase vivemos, tudo pondo em causa no brevíssimo espaço de 50 anos, uma gota de água na imensidão incomensurável dos tempos onde o próprio tempo não teve, não tem nem nunca poderá ter bitola por onde guiar-se.

Assim, com o ar a poluir-se a já cheio de gases nocivos que, provocando o efeito de estufa, vão, dia a dia, fazer aquecer o planeta, se vão envenenando as espécies vivas, cada vez mais privadas, como é o meu caso, do oxigénio que, nas devidas proporções, é a fonte essencial da sua própria vida, e com a consequente e previsível liquefacção dos velhos glaciares e das calotes polares cujas águas, aprisionadas há milhões de anos sob a forma de gelo e finalmente libertadas, irão aumentar desmesuradamente o volume dos mares e oceanos, submergindo metrópoles hoje ribeirinhas e que só então se revelarão como exponenciais padrões da falsa civilização em que vivem e que, assim desaparecendo, conduzirão a uma tremenda incógnita que será a da miscigenação das populações urbanas, as refugiadas, com as rurais, habitantes das alturas, produzindo choques e reduzindo a nada o que nada já foi, com planeta a caminhar inexoravelmente para uma desintegração que já começa a ser visível – como já o era de há anos para cientistas mais atentos mas aos quais os poderes terrenos, autistas políticos e económicos, nenhuns ouvidos davam – veja-se a recusa dos EUA em assinar o velhinho protocolo de Quioto – com os vulcões a surgirem, os terramotos a acontecerem e os “tsunamis” a matarem, como que assim expressando a revolta do próprio planeta pelo tratamento que lhe foi dado, julgo ser-nos lícita a pergunta que hoje já todos timoratamente fazem mas à qual muito poucos são os que a ela conscientemente respondem: - que mundo iremos nós legar aos nossos netos que o mesmo é dizer-se à humanidade vindoura certamente desejosa de regressar aos tempos em que as “estações do ano” eram tão exactas como as dos comboios e em que as nossas viagens no tempo ainda podiam ser previamente marcadas com a exactidão com que aquelas outras se marcavam!

Que Deus nos proteja, se essa for a sua vontade e me possa perdoar o fraco contributo que dei para que nada disto acontecesse!

Hoje, 29 de Junho, dia de Verão, aqui no Porto chove e faz sol lá fora e por Lisboa houve inundações que só costumavam constituir notícia nos meses de Inverno mais rigorosos…
publicado por Júlio Moreno às 13:56
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Sábado, 27 de Junho de 2009

Curiosa opinião...

ex-ministro Do PORTUGAL DIÁRIO da IOL


"FINANÇAS Diz ex-ministro das Finanças, Campos e Cunha BPN: comissão de inquérito «foi um fórum de incompetência» 2009/06/27 11:43Redacção / SPP


"Acusa Governo de se ter atrasado na resposta à crise e crítica elaboração de previsões irrealistas Para o ex-ministro das Finanças, Campos e Cunha, a comissão de inquérito ao BPN «foi um fórum de incompetência». «São situações como esta que levam a que qualquer dia só vá para o serviço público quem dele queira retirar benefícios, porque as pessoas honestas não estão para este enxovalho», revela em entrevista à «Rádio Renascença» e ao jornal «Público». Para Campos e Cunha - que também foi um dos subscritores do documento dos 28 contra o avanço dos grandes investimentos anunciados pelo Governo - diz que seria positivo para o país se existisse um pacto de regime para as grandes obras públicas, para permitir que Portugal pudesse ocupar-se de coisas mais importantes. O ex-ministro das Finanças aponta ainda o dedo ao Governo por este se ter atrasado muito na reacção à crise e por ter feito previsões completamente irrealistas em Outubro. «Erros destes são demasiadamente clamorosos para serem possíveis», conclui.""


Comento eu:


- Curioso, curiosíssimo este comentário do ex-ministro que talvez devesse ter acrescentado - procurando rememorar alguns factos de uma sua intervenção pública relativamente recente - que qualquer dia só vai para o Serviço Público quem queira beneficiar económicamente do seu exercício sem se importar minimamente com a "res publica" que pressuporá, no meu modesto entender "um serviço competente, dedicado e desinteressado", exactamente o que demonstrou não ser seu critério este senhor e ex-ministro pois, se bem me recordo, foi depois de ter aceite a pasta das Finanças e de ter feito umas "contitas" ao seu "deve e haver" pessoal, que decidiu, com alguma estupefacção pública, diga-se, que o melhor seria marimbar-se para o serviço público e retirar-se para o recato do seu bem-estar de folgadas e legalmente acumuladas reformas já que no computo geral de todos os interesses em causa - serviço ao País e serviço pessoal, era este último que ficaria a perder!


Perdoe-me, pois, a ousadia, senhor ex-ministro, mas já mesmo antes da democracia do 25 de Abril e porque nas veias me corria já esse desgraçado sangue - de meus avós herdado - que me fazia por o bem dos outros acima do meu bem pessoal, eu tinha por hábito, e talvez por defeito, não calar o que a minha razão ditava fosse quem fosse o alvo da minha observação ou crítica.


Por isso mesmo entendo dizer aqui que V.Exa., ao fazer as observações que fez e muito para além das eventuais implicações técnicas que lhe estejam, porventura, subjacentes, terá perdido uma belíssima ocasião de estar calado pois, contrariando a sua douta opinião, penso que a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BPN e a concomitante e muito peculiarmente demonstrada desatenção do Banco de Portugal foram, não só positivas como até brilhantes e utilíssimas para o País, que teve, assim, a oportunidade de ver, bem à luz do dia, que o tempo dos "intocáveis" já passou há muito fossem eles simples operários ou reputados mestres universitários e senhores do correspondente doutoramento isto desde que algo houvesse que lhes devesse ser apontado como menos correcto na sua actuação.


Ora foi esse o mérito da "inquisitorial" posição assumida pela Comissão Parlamentar de Inquério (como alguém teve mesmo a ousadia de chamar-lhe) e onde, e é bom que se diga que, dentre todos os intervenientes e atentos "inquisidores", se salientou muito especialmente o trabalho de dois que, deveriam, à partida, militar em campos ideológicamente opostos e, por via disso, nunca, por nunca convergentes - o CDS e o PCP. 


Mas, porque assim não foi, e aqui realçarei - sem demérito para os restantes, repito-o - o mérito e a oportunidade das intervenções dos senhores deputados Nuno Melo e Honório Novo, com o que serei levado a concluir o óbvio: - que a verdade e o bem público deverão ser as supremas razões de qualquer intervenção política...


O Povo, na sua proverbial e inquestionável sabedoria, se chamado a pronunciar-se sobre este assunto, não só que bem por certo me daria razão, como até talvez tivesse dito mesmo que seria a hora de V.Exa. meter a viola no saco.


E já agora uma perguntinha que tenho aqui atravessada na garganta: - para que serve a Inspecção do Banco de Portugal que tão chorudos vencimentos (e reformas) paga aos seus funcionários, a começar pelo seu Presidente - dos mais bem pagos da Europa e do Mundo, pasme-se! - se os resultados palpáveis são os que o inquérito amplamente veio a demonstrar? 

publicado por Júlio Moreno às 13:28
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Do Portugal Diário da IOL

Farrah Fawcett
"Farrah Fawcett morre aos 62 anos
2009/06/25 | 18:19RedacçãoJCS

"Actriz faleceu esta quinta-feira vítima de cancro
"A actriz Farrah Fawcett faleceu esta quinta-feira em Santa Monica, Califórnia, aos 62 anos. A norte-americana, famosa pela sua participação na série televisiva «Os Anjos de Charlie», travava há vários anos uma batalha contra o cancro.
"Segundo a imprensa norte-americana, Fawcett estava internada no St. John's Health Center onde recebia tratamento para o cancro rectal diagnosticado em 2006.
"À revista «People», o companheiro de longa data Ryan O'Neal confirmou o falecimento da actriz, acrescentando que esteve com ela até aos últimos momentos de vida. «Ela partiu e está agora com a mãe, a irmã e o Deus dela. Eu amei-a com todo o meu coração, vou sentir muito a sua falta. Mas ela agora está num lugar melhor», disse.
"Considerada uma verdadeira sex symbol durante os anos 1970 e '80, Farrah Fawcett distinguiu-se na televisão, cinema e teatro. Em 1986, venceu o Globo de Ouro ao protagonizar o filme «Extremities», realizado por Robert M. Young. A actriz foi também nomeada por diversas vezes para os Emmy Awards.""

Comentário:

Faleceu no mesmo dia de Michael Jackson. Era linda! Pouco mais velha era. A doença que a vitimou continua sendo mortal... Que se saiba não deixou dívidas. apenas saudade e corações detroçados!...

Mas teve um tratamento bem diferente no que aos "media" concerne, não acham? É esta a justiça dos homens e dos "lobies" que os poluem...

Paz à sua alma e que Deus a tenha no seu eterno descanso!
publicado por Júlio Moreno às 14:50
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Eu sei que corro o risco...

235.gif Eu sei que corro risco de ser alvo de imensas críticas por parte da juventude actual, avessa a quanto é tradicional e verdadeiramente sério e valoroso, para se entregar, de alma e coração, a forjados "mitos" e "devaneios ilusórios" que, criados pela mística do marketing, não passam de escassíssimos momentos de "adrenalina" (como agora lhe chamam, muitos sem sequer saberem o que isso é!).


Vem isto a propósito da morte de Michael Jackson e de quanto de verdadeiramente extraordinário a rodeou como notícia a ponto de fazer com que as TVs interrompessem as suas emissões, alterando-as por completo (como aconteceu com a SIC) onde um locutor repetitivo e com um ar consternadíssimo, tal como o obrigava o "métier", pronunciando centenas de vezes o nome do malogrado cantor-dançarino, tudo fez para tornar dramática e quiçá inolvidável uma hora que mais não era, não foi, nem será nunca, do que uma hora vulgar. igual a tantas outras e, talvez, bem menos merecedora de elogios do que muitas, milhares talvez, das que ocorrem por esse mundo fora e nem lembradas são.


Mas, a traços muito gerais, quem foi Michael Jackon, a perda mundial que hoje se lamenta? Apenas um menino pobre, que nasceu negro, com inegável jeito para a arte do canto ligeiro e da dança frenética e desengonçada do "pop" e que, à medida em que, crescendo e obrigado pelos pais, ao que se sabe, o êxito lhe foi acontecendo, resolveu renegar a própria raça, submetendo-se a plastias e a tratamentos de pigmentação de pele para se tornar branco - sintoma de uma tara verdadeiramente execrável por supor que alguma vez um homem deixa de o ser por ser branco ou negro! - e que ultimamente se viu envolvido em sucessivos escândalos de pedofilia, dos quais terá sido ilibado, ao que se julga e noticia, que foi crescendo a cultivar tiques e estranhas exigências, paranóicas e próprias de vedeta (como a de um túnel para sair directamente do carro para o camarim sem passar pelo público jóvem que o aclamava e queria admirar) e deixando, afinal e ao que consta, milhões de dólares em dívidas mundanas sem se lembrar de que o terceiro mundo é uma realidade palpável de há séculos e que tristemente se projecta, e bem, nos nossos dias, que nele morre gente, sobretudo crianças que mais não são do que milhões de pequenos Michaels Jaksons dos quais, ao que se sabe, sempre se olvidou.


Endeusar um homem destes por muito que se goste da arte que representa? Não. Por mim nunca! Desejar-lhe que descanse em paz e durma o sono sereno da morte com a indulgência que Deus omnipotente lhe quiser proporcionar, são os meus votos e que aqui deixo expressos nestas breves linhas que hoje dedico bem mais aos que tão mercantilisticamente comentaram a sua morte do que a ele mesmo já que a ele o faço no silêncio do meu recolhimento e na tristeza que a minha alma sente sempre que algum ser humano abandona este mundo!


E a minha, quando chegar, quem a comentará? Só uma escassa meia dúzia de amigos que sei que tenho, muito embora muitos deles se me tenham já adiantado no caminho que todos teremos de percorrer um dia...


Michael Jakson morreu, É tudo.

publicado por Júlio Moreno às 10:45
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Foi bem evidente

Sim. Foi bem evidente o nervosismo do Chefe do Governo quando interrogado acerca da “operação” TVI e na qual a PT, empresa do Estado detida pala CGD e na qual detém uma “golden share”e se propõe adquirir parte, ao alegar, no meio de um vigoroso esbracejar – que se fosse dentro de água lhe impediria bem por certo o afogamento mas que, não o tendo sido, já não estarei assim tão certo de que possa vir a ter esse mérito! – ao alegar, dizia, que desconhecia por completo o assunto e que o Estado se não metia em questões que apenas dizem respeito aos privados demonstrou à saciedade pública que, se não mentia, pelo menos não dizia a verdade toda, o que virá a dar no mesmo.

Mas à noite, Manuela Ferreira Leite – que, de dia para dia, se vem firmando e afirmando como a mais séria opositora a Sócrates não só pela clareza das suas firmes e claríssimas respostas como pela inflexibilidade que demonstra em não se deixar cair no falacioso “jogo” de certos comentaristas e entrevistadores – veio dizer, claramente, com todas as letras e sem a mais pequena tibieza ou margem para dúvidas –o que vem sendo raro em política – que o nosso primeiro “mentira” pois era claro que sabia das intenções da PT já que esta nada poderia fazer à revelia do governo que, como se disse, detém, na empresa uma “golden share” o que desde logo a inibe de decidir o que quer que seja que não tenha a aquiescência e o patrocínio do accionista governo encabeçado pelo primeiro-ministro.

É caso para dizer que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo, como diz o Povo, ditado que mais uma vez ficou amplamente comprovado naquela mesma sessão aquando da enorme “confusão” feita pelo primeiro-ministro, logo depois “mentida e desmentida” pelo ministro da agricultura a respeito do afastamento, renúncia ou coisa que o valha de um determinado colaborador que, a dada altura, se terá visto como constituído arguido no já famoso caso “Free Port”, caso este que tanto incomoda o nosso primeiro talvez porque esteja vendo como o “buldozer” da Justiça se vem aproximando perigosamente da sua própria pessoa onde têm surgido casos nunca antes vistos na alta política nacional como os já bem conhecidos de engenheiros que o não são, de exames de inglês feitos por fax e fora de horas – a propósito diga-se, de passagem, quão ridículo e triste, é ver-se o nosso primeiro com o desplante e a desfaçatez que lhe são tão peculiares, atrever-se, no estrangeiro e em público, em cerimónias oficiais, onde intervinha em representação do País. a papaguear um inglês desengonçado e quase sem sentido perante auditórios que se não coibiram de esboçar pequenos surtos de riso no decurso de algumas das suas mais dissonantes e infelizes “tiradas” linguísticas - , isto além de diplomas passados e datados ao domingo, de moradias de alto valor adquiridas a metade do preço do mercado e do mais que o futuro se encarregará de, pouco a pouco, nos vir a desvendar.

Por tudo isto e porque é consabido que o Director da TVI Eduardo Moniz não é homem que se deixe vergar por pressões, venham elas donde vierem, e porque tem a seu lado uma mulher de igual calibre, nem sempre partilhando das embrulhadas em que o governo se deixa envolver, antes as denunciando e indo mesmo para os Tribunais quando o “papão” pretende assustá-los, por tudo isto é bom de ver-se que o governo esteja desejoso de se ver livre de tão incómodos críticos como serão o Director da TVI e a sua mulher…

Desgraçada política esta em que vivemos mas que acreditamos esteja chegando ao fim, repondo-se, finalmente, os princípios éticos de conduta e de claríssima transparência que sempre a deveriam ter orientado e dos quais tão desviada tem andado nestes últimos anos.
publicado por Júlio Moreno às 11:39
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Outra coincidência do 2 de Abril...

Sem quaisquer comentários e apenas como nota de mais uma coincidência das já várias notadas em 2 de Abril e a que antes fizemos referência, não resisto à transcrição de um artigo do Jornal "O Público" dado à estampa por uma jornalista sem mêdo e que, caso raro entre muitos dos seus pares, até sabe escrever.


Segue a transcrição do artigo que mão amiga fez chegar hoje até mim sem mais comentários que, a serem feitos, só poderiam pecar por defeito e presunção da minha parte:


"Público, quinta-feira, 2 de Abril de 2009


"Nunca se deve dar poder a um tipo porreiro


"O porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país No início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras. Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa. Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera. O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor. Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país. Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim, tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento. E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras.


"Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia. Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomina a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro.


"E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros. O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo ministério público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados. O procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos...


"Toda esta gentinha é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade. Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gentinha não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam.


"Jornalista : Helena Matos, do Público""


Parafraseando o célebre "daqui fala o feitor do seu marido...", apetecia-me dizer: - "Daqui fala um filho dos muitos bons feitores deste País..."

publicado por Júlio Moreno às 17:01
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