Domingo, 19 de Setembro de 2010

A SENTENÇA - 2

Confesso-me perplexo.

Perplexo e de certo modo surpreendido com o conteúdo da Sentença, ou melhor dito, do Acórdão do caso Casa Pia, publicado na íntegra na Internet!

Não é minha pretensão criticar, minimamente, os aspectos jurídicos do referido documento – que, para tal não terei preparação credenciada  se bem que, no meu íntimo, se me afigurem bastante instáveis as suas “fundações”, incapazes, a meu ver, de resistir a alguns safanões, mesmo de magnitude 2 ou 3 da escala de Richter,  e isto porque todo o raciocínio que dele decorre parece por demasiado alicerçado na “convicção” dos digníssimos magistrados, que mostram piamente acreditar (influência do nome da Instituição?) nas declarações de presumíveis “profissionais” da mentira e da simulação – como o teriam de ser para, no mínimo, justificarem as suas prolongadas ausências da Instituição que os acolhia - e esquecendo, com transparente evidência, os “arguidos” que, porventura com a verdade, apenas se tentaram defender,e tudo isto sem atenderem minimamente ao consagrado princípio  “in dúbio pro reu” (1)  - como me parece e talvez a uns quantos milhares de pessoas que bem se recordarão de os ver rondando e esperando nos habituais “pesqueiros” da nossa cidade,  perante a condescendente “passividade” de quantas Catalinas (uma das quais ex- directora do Colégio de Santa Catarina, da Casa Pia de Lisboa, entre 1975 e 1987, e que então de nada se apercebeu!...) e ex-Secretárias de Estado (2)  (que certamente os conheceriam tão bem quanto a maior parte da comunidade lisboeta mas que, como Pilatos, bem souberam lavar as suas mãos,) - os confessos prostitutos a que o documento em questão e o direito apelidam de “queixosos”.

Mas, dizia eu que não era minha pretensão o analisar os fundamentos do Acórdão proferido, até porque não tenho qualquer preparação jurídica que tal me consinta – mormente num País agora cheio de leis novas! – mas sim comentar o que aqui me atrevo a apelidar de pervertida convicção de tudo informar abertamente – democraticamente como se diz hoje – mesmo quando as narrativas consubstanciam actos licenciosos e libidinosos que as boas práticas teriam aconselhado a ocultar do conhecimento curioso das crianças que, como todos sabemos, têm hoje pleno acesso a qualquer recanto da Internet!

Que possam aceder a sites pornográficos porque estes se não acham fechados a cadeado pelos pais que verdadeiramente o não são, isto não obstante como tal pretendam ser reconhecidos, ainda aceitaria, contrariado mas aceitaria. Agora ver “pornografia”, pormenorizadamente descrita num respeitabilíssimo documento oficial, assinado por meritíssimos Juízes e por estes, por alguém por eles ou com o seu tácito consentimento, tornado público na Internet era coisa que nunca me teria passado pela cabeça quando, em tempos idos, analisava processos e redigia pareceres numa desaparecida Repartição de Justiça do Comando-geral da GNR onde estive alguns anos exercendo o que eu mesmo denominava e reconhecia como sendo profícuo “curandeirismo” jurídico!...

E já agora: - será que a confissão (amplie-se o conceito para “negação de culpa”) dos arguido quando desacompanhada de provas (testemunhais e documentais/materiais), de nada continua a valer em Juízo e que o artº. 193 do actual Código Penal, que abaixo se transcreve, (3) não terá aplicabilidade neste caso?  

Responda quem souber.

Seguem as notas de rodapé:

(1)    In dubio pro reo é uma expressão latina que significa literalmente na dúvida, a favor do réu. Ela expressa o princípio jurídico da presunção da inocência, que diz que em casos de dúvidas (por exemplo, insuficiência de provas) se favorecerá o réu. É um dos pilares do Direito penal, e está intimamente ligada ao princípio da legalidade. O princípio in dubio pro reo, segundo René Ariel Dotti, aplica-se "sempre que se caracterizar uma situação de prova dúbia, pois a dúvida em relação a existência ou não de determinado fato deve ser resolvida em favor do imputado." (in Wikipedia).

(2)    “- A jornalista Felícia Cabrita referiu em tribunal, no passado dia 10 de Julho, que a ex-secretária de Estado da Família Teresa Costa Macedo lhe forneceu, baseada em relatórios dos anos 80, uma lista de figuras públicas implicadas no abuso sexual de menores. Logo a senhora, sentindo-se acossada pela verdade, veio desmentir a jornalista. Sucede, porém, que estive presente no estúdio da SIC, quando Teresa Costa Macedo entregou à jornalista o papel com o nome de tais personalidades. Por isso, não tenho dúvidas em afirmar: Teresa Costa Macedo mente! – (in “Vale a pena lutar”, de 17Jul2006, por Pedro Namora às 12h29)

(3)    Artigo 193º

Devassa por meio de informática

1 - Quem criar, mantiver ou utilizar ficheiro automatizado de dados individualmente identificáveis e referentes a convicções políticas, religiosas ou filosóficas, à filiação partidária ou sindical, à vida privada, ou a origem étnica, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.

2 - A tentativa é punível.

publicado por Júlio Moreno às 21:03
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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

A SENTENÇA

TRANSCRIÇÃO da notícia Portugal Diário da IOL das 16h51 de hoje:

“Casa Pia: acordão já não será entregue esta quinta-feira

“Problema informático está a atrasar o processo

“O acordão final do processo Casa Pia já não será disponibilizado esta quinta-feira às partes, de acordo com informação que a juíza presidente do colectivo que julgou o caso, Ana Peres, transmitiu esta tarde a advogados e que estes deram conta aos jornalistas.

“Anteriormente, o advogado Adelino Granja, que defende uma das vítimas do caso, disse que um «problema informático» atrasou a entrega do acórdão do processo Casa Pia aos advogados, o que estava previsto para as 17:00.

“«O Conselho Superior da Magistratura (CSM) cometeu um erro crasso, porque na quarta-feira anunciou que o acórdão não era entregue nesse dia por causa dos prazos, mas, afinal, era um problema informático», criticou Adelino Granja.

“Num esclarecimento à agência Lusa, uma fonte oficial do CSM confirmou que, «conforme comunicou a juíza presidente, surgiu um problema informático devido à impressão e gravação do acórdão em suporte digital».

“Fonte ligada ao processo explicou depois à Lusa que se tratava de um «problema de formatação dos textos» que compõem o acórdão e que a juíza Ana Peres estava a ter o apoio de um técnico da Direcção-Geral da Administração da Justiça.””

 

Exactamente.

Tenho, para mim, que o País não está informatizado mas sim “matizado de informação”, tal é a forma da cara que não joga com a careta!

E é logo com a Justiça que isto se passa! Logo com a Justiça e quando esta se ocupa de uma sentença nunca antes vista (de duas mil páginas) e com arguidos JÁ CONDENADOS e a penas que nem o mais severo juízo popular acreditaria que viessem a ser possíveis!

 Será que o Ministério Público não irá requerer um exame pericial ao sistema informático capaz de justificar perante a Nação e a sua opinião pública, e perante si mesmo, o estrondoso falhanço de mais este “simplex” invento? Falhar assim, deste modo tão escandaloso e logo numa altura destas em que todas as dúvidas se tornam possíveis, pertinentes e legítimas é algo com que o Tribunal deve ter muito cuidado, muito cuidado mesmo!

Curiosamente, esta situação cheira-me ao tipo de ingredientes que levaram, na velha França do século XVIII à tomada da Bastilha em Julho de 1789, com a diferença de que aqui se chamaria tomada do “Campus da Justiça” e bem poderia ocorrer em  Setembro de 2010!

Vergonhoso, meus amigos, vergonhoso seria talvez a palavra que se poderia adequar à presente situação se lhe não obstasse a gravidade de que ela se reveste, desde logo a requerer designações menos vulgar mas muito mais contundente…

Esperemos para ver e esperemos com a paciência que nos for possível.

publicado por Júlio Moreno às 22:29
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Não entendo e gostava que me explicassem…

Não entendo como é permitido que os supermercados – sofisticadamente apelidados de “grandes superfícies” que de tudo se cobram, ali, bem na hora e à passagem nas caixas - paguem aos fornecedores dos produtores que vendem, muito especialmente aos dos produtos ditos perecíveis, não produzidos em linhas fabris de produção e beneficiando de uma bem programada economia de escala, só 180 dias após o seu fornecimento, facto de que só há poucos dias me apercebi porque ouvi a notícia no telejornal!

Penso que 90% dos consumidores não se dá conta de que é isto mesmo o que se passa pelo que, aqueles que o sabem e poderiam mesmo fazer as contas a tão iníqua e, pelos vistos legal, forma de rendimento a que hoje se chamará rendibilidade, não o fazem ou por comodismo ou por medo!

É que são milhares ou milhões os euros que ficarão retidos durante meio ano e renderão milhões aos que os detêm sem qualquer outro trabalho ou risco que não seja o de pagarem, se calhar, vencimentos miseráveis aos que lhes fazem a contabilidade assim como aos que, hoje com risco de vida, fazem os respectivos transportes – quase sempre a horas certas, de uns locais certos para outros locais certos, que serão as casas fortes dos bancos onde irão ficar pouco tempo já que, agora por conta destes, correrão para as mãos dos que lhes vão mendigar empréstimos usurários e para os quais só lhes faltará dar como garantia a própria vida!

Nos intervalos, estes senhores em vez de jogarem nas roletas dos casinos jogam noutra muito mais sofisticada, que abrange o mundo e todas as moedas que nele circulam e que será a chamada Bolsa de Valores!...

É a chamada circulação fiduciária que alimenta hoje – e cada vez mais - todos os parasitas que vivem à custa dos que, trabalhando de sol a sol, ou noutros misteres de árduo labor humano, verdadeiramente dão de comer aos políticos e aos aristocratas das finanças que, mal vêem o caso mal parado, logo se decidem a passar alguns tempos de férias nas Caraíbas ou Seicheles enquanto que os outros, em prevaricando, as poderão passar à sombra, que não ao sol, de uma qualquer penitenciária!

Não será isto, exactamente isto, o que se passa nestes nossos países ditos “democráticos”?

publicado por Júlio Moreno às 11:49
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Domingo, 5 de Setembro de 2010

Apontamento de que já me ia esquecendo…

Na passada quinta feira, passaria pouco das sete e meia da tarde, quando, em velocidade reduzida – a que permite as condições da via em questão - nos dirigíamos, de carro, para casa ao longo da estreita e sinuosa marginal de Vila Nova de Gaia que conduz ao mar passando pela Afurada.

Subitamente, eis que surge na nossa frente, mesmo à saída de uma curva apertada, de pirilampo azul a acender e a apagar, um batedor da PSP logo seguido de um outro que, em alta velocidade, abriam caminho a duas ou três viaturas do Estado (de serviço público, portanto) que deveriam transportar pessoas muito importantes, tão importantes que bem poderiam ter dado cabo da vida dos pacatos cidadãos com os quais se cruzassem, como aconteceu connosco, acaso não nos tivéssemos podido encostar à direita, ali exactamente sobre o rio Douro…

Não vi nem Bombeiros nem INEM que pudessem justificar um tão manifesto excesso de velocidade num local onde esta deve ser criteriosamente reduzida. A viatura principal era de alta cilindrada, preta e bem reluzente, escoltada por imprevidentes ou subservientes agentes de trânsito da PSP que, porventura, não terão sabido ou tido a coragem de se submeter à Lei, que, mais do que a ninguém, lhes compete cumprir em vez de às ordens de uma qualquer importante personalidade para quem a vida de terceiros pouco ou nada contará!

Foi pena, foi mesmo pena que os anos tivessem passado e eu não estivesse ainda no activo da GNR porque, à fé de quem sou, que o caso se teria complicado ali mesmo, e, se calhar, complicado muito, como já um dia tive ocasião de o fazer com o próprio Ministro do Interior na presença do então Ministro da Marinha aquando de uma visita do Presidente da República a Guimarães.

Mesmo assim vou procurar saber de quem se tratava só para pessoalmente lhe agradecer o cuidado…

publicado por Júlio Moreno às 20:10
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Onde estamos? Para onde vamos? Nº 2

No comentário anterior prometemos vir aqui falar de trabalho, de emprego e desemprego e, como o prometido é devido, cá estamos …

Portanto é o que nos propomos fazer hoje, assim sejamos capazes de metodizar e transportar para a escrita o enorme e fervilhante fluxo de ideias que, sobre este assunto, vem, de há muito, tumultuando o meu pensamento…

Começaremos pelo trabalho e pelos tempos do pleno emprego, dos quais me recordo ainda perfeitamente quando, na concomitante situação de empregado e empregador, os vivi na prática e na estranhamente próxima mas já tão longínqua época dos anos sessenta, princípios de setenta, antes da revolução que terá vindo libertar a meia dúzia de espíritos que se diziam “amordaçados” para, a prazo – o que na altura não foi sequer previsto – vir a aprisionar outros na mais angustiante e ignominiosa das prisões: - a de se ser livre mas sem rumo!

Não resisto à tentação de recordar aqui, neste brevíssimo parêntesis e para quem a memória, às vezes, já prega algumas partidinhas, que aqueles que então lograram livrar-se das mordaças de que tanto se queixavam, rapidamente “viraram” - como dizem os nossos irmãos brasileiros e tal como aconteceu na ex-URSS - em influentes potentados económicos, acumulando inusitadas riquezas pessoais obtidas, não se sabe bem como mas que se supõe terem-no sido por uma muito hábil e sábia noção da oportunidade aliada a uma falaciosa dialéctica em que se mostraram exímios, dando assim sentido ao celebérrimo aforismo popular de que é “com papas e bolos que se enganam os tolos”!  

Mas, voltando ao tema: - Nesses tempos, recordo-o bem, havia trabalho e pleno emprego.

Comentava-se e sabia-se pelo que nem sequer notícia era!.

A sociedade civil – e a militar, como se veio a verificar depois - só com o eventual derrube do sistema político vigente se entretinha, enquanto, tranquilamente, passeava nas ruas das grandes cidades e circulava nas estradas de Portugal em plena segurança, não obstante a guerra que, então, se vivia mais uma vez em África sem que, no entanto se esquecessem os heróis dos tempos de Mouzinho e a época em que essa guerra era unânime e patrioticamente celebrada, tendo ainda em consideração que os delinquentes, tanto os que só roubavam carteiras como os que praticavam crimes mais graves ou só sonhavam por bombas, muito poucos se comparados com os de hoje, se encontravam, em bom recato, na cadeia.

 Nessa época, o termo desemprego confinava-se apenas à "malandrice" e a um ou outro caso de um "patrão pouco cumpridor" mas quase não figurava na linguagem quotidiana do cidadão a não ser que se comentassem notícias avançadas pelos jornais e oriundas dos países onde se viviam as proclamadas amplas liberdades!

Recordo até que alguns trabalhadores menos honestos chegavam mesmo a chantagear os seus patrões, ameaçando-os, inopinadamente e sem qualquer aviso prévio - não obstante a lei já o previsse como obrigatório - de abandonar o seu posto de trabalho caso lhes não fossem satisfeitas determinadas e, as mais das vezes, utópicas reivindicações. E, casos houve, anedóticos por vezes, em que disso mesmo fui interveniente e testemunha e que, un dia talvez me disponha a referir aqui. Porém, o certo é que na maior parte das vezes, se as reivindicações pretendidas não fossem satisfeitas ou credivelmente prometidas, tais ameaças eram mesmo cumpridas, certos como o estavam os seus autores de que, ao virar da esquina, logo encontrariam quem de novo os empregasse ainda que noutro qualquer mister, conexo ou não com o que vinham desempenhando até aí e não requeresse particulares e específicos conhecimentos.

Os computadores eram ainda visões do outro mundo e o conhecimento desse facto era condição prevalecente no cuidado e precaução postos na formulação das exigências nesse campo.

Assim vivia o mundo do trabalho, sem o acesso a determinadas facilidades e “diversões” da vida actual, dita moderna e na qual avulta toda a perversidade de um deliberado e fácil esquecimento de princípios a par de um imaturo, muitas vezes desordeiro e não menos fácil, de costumes onde avultam a pornografia e o sexo como ingredientes principais. E essas facilidades e “diversões” que então não eram permitidas, não o eram só pela real escassez dos recursos económicos de cada um mas também, e principalmente, pela visão e a força do pastor que então guiava o rebanho português.

Aqui chegados, cumpre-me esclarecer de que tenho para mim como verdade que todo o rebanho precisa de um pastor sendo que, o que varia, será apenas o comprimento da vara e a sua natureza. Uns, tocam afinadinhos e regidos apenas pela fina e frágil batuta de um maestro. A outros, porém, só um bom cajado, serrano e bem “ferrado” na ponta, os fará obedecer - vidé citação mil vezes já aqui feita e que uma vez mais se me afigura útil recordar(1)!

Todavia, nem por isso, era então concebível que a alguém faltasse o pão ou as batatas à sua mesa, bem ao contrário do que hoje vem acontecendo e já com muito perigosa e acentuada frequência…

Paralelamente o urbanismo – trazido pelo incremento que vinham já tendo os modernos meios audiovisuais de comunicação, refiro-me particularmente à televisão que, embora a preto e branco, não deixava de pintar em cores berrantemente tentadoras esse “novo mundo” que se vivia nas cidades, fazia com que já se notasse nos campos algum desmazelo ou mesmo abandono das culturas, enquanto que, à volta das grandes cidades, em barracas – quiçá importadas do “modus vivendi” ultramarino – onde então, como dissémos, decorria a chamada “guerra colonial” – se amontoavam famílias inteiras ávidas de uma modernidade que ainda não entendiam e sem se aperceberem de estarem caminhando para aquela mesma “luz” azulada e traiçoeira que tão bem atrai os insectos para a morte. E os que assim procediam, faziam-no sem se darem conta da promiscuidade que já então começavam a cultivar e que nunca poderá ser comparada ao são, não obstante pobre e difícil, viver naquelas casas de aldeia, feitas em toscos pedaços de pedra de granito, de um só aposento no piso superior e onde apenas cortinas garantiam a privacidade e o ambiente era climatizado e desinfectado pelo fumo das lareiras e, no Inverno, aquecido pelo calor que, durante a noite, provinha dos currais sobre os quais fora construído…

Feita esta brevíssima síntese do que era a vida de alguns milhões de portugueses daqueles tempos, “orgulhosamente sós” como alguém, com rara felicidade da expressão, um dia disse, passemos ao que veio a acontecer depois de 74 até aos dias de hoje em que todos são aparentemente ricos em bens e sapiência - com tantos licenciados em tantas novas profisões mas todos eles, por definição, incompatíveis com o regresso aos campos que permanecerão sem que haja quem os trabalhe, tenho, para mim, que ainda um dia teremos de comer as notas de euro que, bem cozidinhas, talvez sejam comestíveis... E serão esses os envergonhadamente "novos pobres" que se não confundirão com aqueles que nadam nos milhões de súbita e duvidosa proveniência, e tão bem cultivam a suprema arte e sabedoria do embuste, “parecendo o que não são…”, como diria o sábio poeta Aleixo!, e talvez sendo o que ele mesmo dizia parecer ser: - além de ignorantes crassos, oportunistas sem escrúpulos… (Aleixo dizia mesmo “ladrão”!)

E foi assim que, com o 25 de Abril se abriram as portas às lutas laborais onde sempre foi pressuposto essencial que trabalhadores e patrões fossem inimigos pelo que deveriam permanecer em constante conflito.

De facto, o trabalhador e o patrão, qualquer que seja o pretexto e sempre como se o patrão não fosse, ele mesmo, um trabalhador também - quiçá o mais interessado, produtivo, perseverante e consciente – tudo o que, desde Marx e sobretudo desde essa sinistra figura que foi o Lenine dos anos de 1917 e das lutas de classes -  se estabeleceu foi que, fossem quais fossem as situações, patrões e empregados tinham de ser inimigos à força e inimigos tão figadais que bem se poderiam destruir entre si desde que em obediência militante às ordens das organizações parasitárias e de índole sempre quezilenta que então se criaram, como os sindicatos de origem socialista e comunista que logo passaram a decretar greves a esmo e, pouco a pouco, ano após ano, mês após mês, foram conduzindo o País à trágica situação em que hoje se encontra, precisamente quando o mundo ocidental – predominantemente “democrático” - se vê a braços com a gravíssima crise económico-financeira que o avassala!

E o mais estranho é que, para justificação da sua absurda existência e mais absurda ainda actividade, pois sempre insistiram no erro de, invocando indispensáveis benefícios laborais, sobranceiramente desprezar, fingindo ignorá-los, os reais motivos que levaram muitas Empresas estrangeiras a instalar-se em Portugal, País onde existia ordem em lugar de anarquia, a moeda era forte e solidamente sustentada pelas valiosíssimas reservas de ouro existentes no Banco de Portugal (e hoje, ao que dizem, completamente desbaratadas já que constituiriam, de facto, uma pesada herança), a concorrência “vigiada" por forma a evitar-se que extravasasse para a burla e adulteração de produtos e o trabalhador era internacionalmente reconhecido como íntegro e perfeito no mister que exercia, pelo que os níveis médios de produção em Portugal se poderiam considerar excelentes e bastante atractivos para o capital que essas mesmas Empresas aqui investiam, não me constando que então e em qualquer delas houvesse escravatura, pelo que tais greves eram decretadas por razões de índole unicamente política e, em termos laborais, perfeitamente fúteis, chegando a sua utopia ao ponto de esquecer que os verdadeiros donos das Empresas sempre teriam "a faca e o queijo" na mão já que teriam do seu lado o inquestionável direito de dispor livremente do que lhes pertencia e de, se assim o quisessem porque as condições não eram mais do seu agrado, as deslocar de Portugal para outros Países mais favoráveis, isto sem que nada se lhes pudesse opor, quer em termos teóricos quer mesmo físicos, como os anedóticos impedimentos da saída de máquinas e de mercadorias ou mesmo o sequestro de pseudo responsáveis.

Encerradas as Fábricas ou as Empresas atingidas pela onda de tão irresponsáveis greves e concretizadas as suas deslocações para Países de Leste, que logo "se apresentaram ao serviço" sem mais se lembrarem de Lenine que, como aconteceu na própria e desmantelada URSS, passaram a ignorar, logo os perniciosos efeitos de uma tal situação se foi espalhando pelo mundo dos negócios, amedrontando os possíveis e futuros empresários de outros Países que em Portugal tivessem pensado fixar-se dadas as garantias que, durante os anos em que não houve nem a fome nem o crime que as amplas liberdades hoje determinam e consentem, e que o nosso País seria suposto continuar a dar mas que não deu.

Daqui surgiu o desemprego a um ritmo acelerado e tão avassaladoramente galopante que os governos que, directa ou indirectamente, o consentiram, assustados e temendo agora a maciça fuga de votos que tal situação pudesse provocar e, a prazo, talvez mesmo uma “contra-revolução” – o Povo tem memória! – logo se apressaram a iniciar precipitados programas financeiros e sociais de apoio aos desempregados e, exagerando na "receita", como infelizmente acontece quando se age sem convicção mas por medo e com precipitação mal disfarçada, deixando-se deslumbrar pela aparente facilidade com que a Comunidade Europeia despejava, dia após dia, no nosso País, os milhões de euros que iriam fazer de nós um País novo, mas já sem identidade, porque nem isso souberam devidamente acautelar, logo se apressaram a tornar tais subsídios extensíveis à novíssima gama de parasitas que se foi criando à sombra do temível flagelo social que é o desemprego, e que, tal como se de uma praga se tratasse, logo se propagou do verdadeiro indigente e infeliz drogado de rua, alguns dos quais por opção própria, ao burlão e vulgar calaceiro, e destes últimos, até ao mais elevado grau da nova escala social, que ardilosamente beneficiando de leis feitas à pressa, logo os reivindicou também para si deles passando confortavelmente a viver sem dar quaisquer contrapartidas que os legitimassem.

E foi assim que, enormemente auxiliado pela informática, criadora da robótica que tanta mão-de-obra vem dispensando em todo o mundo – e nós não constituiremos excepção - o desemprego foi crescendo no nosso País até ao ponto, nunca antes sequer imaginado, de atingir os 11% da população activa que hoje atingiu.

Sou partidário de uma União de Trabalhadores para se poder opor, com oportunidade e eficácia, a algumas Associações Patronais e aos seus, eventualmente, perversos desígnios. Mas sou igualmente partidário da proibição da livre actividade de certos Sindicatos irresponsáveis que constantemente atiçam os trabalhadores contra os patrões como se de inimigos se tratassem, beneficiando da pouca cultura dos primeiros e da enorme e muitas vezes criminosa sagacidade dos segundos, arrasta a população obreira para greves infundadas e inconsequentes em termos de aquisição de benefícios, esquecendo-se de que, neste domínio, como em muitos outros, não só é a união que faz a força mas que é igualmente necessário que esta se faça no correcto sentido, como também de que os donos das coisas sempre tiveram, e sempre terão, o direito de se defender contra quem quer que seja que os pretenda esbulhar daquilo que lhes pertence.

E já agora uma pergunta: - alguém alguma vez viu um funcionário sindical, - alguns dos quais empregados e em funções desde o 25 de Abril! -fazer alguma greve contra o seu patrão, o próprio Sindicato em que trabalha e que o emprega? Acho que não, já que é muito mais fácil mandá-las fazer aos outros e ficar de fora a ver os resultados…  

(1)    Já em 46 A.C. Júlio César dizia no Senado, em Roma, que por cá, nestas paragens havia um povo que se distinguiria dos demais já que se não governava bem nem se deixava governar… Proféticas palavras!  

publicado por Júlio Moreno às 18:23
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

Do Portugal Diário da IOL:

Foi deste bloco noticioso, que me habituei a ler sempre que posso, que resolvi extrair hoje este artigo que tanto me faria rir não fora a tristeza que  me invade a alma ao verificar que mentes, que poderiam ser brilhantes – direi mesmo, que teriam a obrigação de ser brilhantes -  se deixam deslumbrar pelo fusco brilho das suas ideias – que sentem, afinal, como as mais luminosas do seu “limitado” Universo!

De facto, o artigo que relata as novas conclusões deste cientista, astrofísico – se é que verdadeiramente as retrata e o próprio articulista se não enganou na respectiva interpretação – é tão fértil em “zonas escuras” que não explica, como, em termos de pura lógica, não resiste a uma mera análise de conteúdo tantas serão as contradições que encerra.

Vejamos:

- Porque será que Deus só poderia ter criado o Homem na Terra e não em outro qualquer planeta de outra galáxia que não a nossa, quiçá em época diferente da que se julga corresponder à da nossa criação sendo, por isso, redundantes a criação, por Ele, de outros Homens e de outros Universos para os acolher?

- Se foi o Big Bang o verdadeiro criador do mundo, que teoria científica explicará como foi criado o “B” desse mesmo Big, que o mesmo é dizer o primeiro átomo ou síntese de matéria tirada de um “nada” que terá de ter existido para que algo pudesse ter sido “criado”?

- Que importará à constatação da existência de Deus esse outro planeta que gira em torno de uma outra estrela que não o sol? Quantos mais não iremos conhecer e a girar do mesmo modo quando outros Hubbles que, no futuro, vierem a girar no espaço forem capazes de descortinar realidades muito para além daquelas que já hoje conhecemos ou apenas suspeitamos da sua existência?

- Quando afirma que, a verificarem-se determinadas circunstâncias, seria possível conhecer a mente de Deus, parece não entender que esse mesmo facto, longe de provar o que quer que seja em Seu desabono, mais confirma a Sua existência de verdadeiro Criador e só nos vem revelar um pouco da sua “imodéstia" intelectual ao admitir que poderia penetrar a mente de Deus sem ser ele mesmo o Deus que nega existir?

Será que Stephen Hawking reviu bem o que escreveu e criteriosamente observou a argumentação factual que descreve e na qual se apoia, humildemente se desapegando, como ser humano e falível que é, da ciência estritamente “física” e palpável em que será perito mas que nunca logrou, desde Kant, descobrir a verdadeira essência do que será a “Razão” e daí a sua “Crítica da Razão Pura”?

Segue a transcrição do artigo e muitas, muitas folhas em branco que desde já ofereço nesta Internet, cujo limite serão os “giga-mega-bites” das máquinas que venham a utilizar e que não terão fim, para quantos me quiserem ler e me possam ou queiram vir elucidar aqui aquilo que, para mim, permanece, desde sempre, incompreensível e só alcançável com recurso ao que ninguém soube ainda explicar mas que existe em muitos milhões de pessoas de há mais de dois mil anos: - a Fé!

Segue o artigo em questão:

 

“Cientista britânico garante que não foi Deus que criou o Universo

“Stephen Hawking considera que a prova que sustenta o argumento é o facto de ter sido observado um planeta que girava em torno de uma estrela distinta do Sol

Por Redacção - data  02 de Setembro de 2010 às 14: 23

“O cientista britânico Stephen Hawking anunciou, esta quinta-feira, a publicação de um novo livro onde exclui a possibilidade de Deus ser o criador do Universo, ao contrário daquilo que defendia numa teoria anterior.

“Da mesma forma que o darwinismo já tinha, no passado, rejeitado a necessidade de um criador no campo da biologia, também o conhecido astrofísico britânico argumenta agora - numa obra que em breve estará nas bancas - que as mais recentes teorias científicas rejeitam o papel de um criador do Universo.

“Stephen Hawking afirma que o Big Bang - a grande explosão que originou o mundo - terá sido uma consequência inevitável das leis da física, o que contradiz a teoria que o cientista tinha defendido no passado, no livro «Uma Breve História do Tempo», publicado em 1998 e rapidamente transformado num êxito de vendas.

“Nessa obra, Hawking sugeria que não existia qualquer incompatibilidade entre a existência de um Deus criador e a compreensão científica do Universo, chegando mesmo a afirmar que se a comunidade científica chegasse a descobrir a teoria completa, tal «seria o triunfo definitivo da razão humana» já que, nesse altura, «seria possível conhecer a mente de Deus».

“No novo livro, intitulado «O Grande Desígnio» e que estará à venda a partir de 09 de Setembro, precisamente uma semana antes da visita do papa Bento XVI à Grã-Bretanha, o astrofísico sustenta que a ciência moderna não deixa lugar à existência de um Deus criador do Universo.

“O cientista considera que a prova que sustenta o seu argumento é o facto de ter sido observado, em 1992, um planeta que girava em torno de uma estrela distinta do Sol. Hawking alega que essa observação comprova a possibilidade de existirem outros planetas e universos. O que significa, em seu entender, que se a intenção de Deus seria criar o Homem, estão os restantes universos seriam redundantes.””

publicado por Júlio Moreno às 18:07
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Antes de ter tido tempo…

                 Sim. Antes de ter tido tempo de preparar o novo “post” prometido sobre trabalho, emprego, desemprego e outras coisas mais… de novo uma mão amiga, a quem me cumpre agradecer, e muito, me envia hoje um texto, escrito por um Mestre do qual me absterei de, aqui e abusivamente, divulgar o nome, mas que completa, de uma forma cabal e primorosa, o meu pensamento sobre o assunto: - “ESCOLA”!

Abaixo o transcrevo sem quaisquer outros comentários ou considerações – a que nunca me atreveria – que não seja a de o considerar o “complemento indispensável” de “ Onde estamos? Para onde vamos? Nº 1 “, minha entrada do passado dia 28 de Agosto. Segue, pois, a transcrição:

 

UMA AVENTURA NA ESCOLA

“Sim, sim, Leitor, que espero esteja gozando umas boas férias, pese embora o diabo da crise, isto é a incompetência de largos anos de governação xuxalista (guterrista/socretina), intercalados de não menos incompetente governação barrosista/santanista (o homem até fugiu para Bruxelas, que aquilo, sim é que é vida, moules frites e tudo) simulacro de governo, com o Dr. Jorge Sampaio a intervir quando convinha ao PS, e a Drª Manuela Ferreira Leite a pôr-se de lado, reservando-se para outras oportunidades, que não soube aproveitar, tantos foram tiros nos pés que deu ou deixou dar, naquela subordinação ao cavaquismo presidencial. Ia a escrever quixotismo; era uma enormidade comparar o Cavaleiro da Triste Figura, do genial Cervantes, ao oportunismo da genial personagem, que se diz Presidente de todos os portugueses.

“Sim, sim, Leitor, ia eu a dizer antes desta atempada  divagação estival, infelizmente decorrente de factos verídicos e não de uma qualquer insolação, causada pelo infernal calor que este Julho/Agosto tem trazido.

“Sim, sim, leitor - prometo que é de vez – o título é de muito conhecida obra da parceria Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada, incluído na colecção “Uma Aventura”, onde tem o número 8 e vai, pelo menos, na 17ª Edição, que foi a que em tempo comprei para o meu neto André e com a qual, por oportuno acaso, fui dar na estante dos livros juvenis, à mistura com uns velhíssimos Salgaris, vindos da meninice e uns mais velhos Júlio Verne. Tão velhos que registam umas enthusiamantes, e emprehendedoras, phrases sobre a mystificação scientífica que seria o conhecimento da distância Da Terra à Lua, Lua onde Júlio Verne, via “Gun-Club (Union-square21)” pretendia mandar os seus heróis. Mistificação científica que vem muito a propósito do objectivado neste escrito, se puser termo “a esta órbita elliptíca” para onde me deixei arrastar, no antes do tema que propus tratar. Palavreado, dirá o estimado e estimável Leitor – PALAVREADO.  

“Seja. A verdade é que a Isabel Alçada de que falei - e por isso esta irreverente forma de a designar que nada quita à honra e direito que têm todas as Mulheres Portuguesas a exigirem um “Senhora Dona” (já aqui lembrei o porquê, julgo) é a escritora e não a Senhora do mesmo nome que julga ser Ministra da Educação e que, para se convencer que o é, vem se metendo em Aventuras, que não passam de mistificações, grafadas como aprendi, tão falsas como falsa foi a “Viagem feita ao mundo Lunar por Domingos Gonzalez aventureiro hespanhol”, de que deu conta (é Verne que me ensina), em 1649 João Baudin.

“Mas, com a devida vénia à escritora e à tão esquecida Ana Maria Magalhães, o título da obra adapta-se que nem uma luva à acção ministerial, especificamente à última aventureira “mystificação scientifica” – o acabar com os chumbos na Escola portuguesa – medida tão de rir, se trágica não fora, como a visão de Loche, num panfleto que nos diz haver na Lua “hippopotamos, verdejantes montanhas franjadas de oiro, brancos cabritos montezes e até habitantes com azas membranosas como os morcegos”  Uma diferença, porém. Das mentiras do folheto publicado em 1849 “riram-se os franceses”. O que então significava: riu-se o MUNDO. Nas “mystificações” da sorridente personagem ministerial há quem acredite, apoie e até aposte: a maioria socretina da Assembleia da República, pelo menos, isto se o PSD do jovem dr. Passos Coelho não se lembrar de acreditar também ou, não acreditando, mas em nome de não abrir uma crise política, votar a favor, como fez, permitindo tudo isto, ao votar a “lei da Avaliação”, cumpliciando-a. Cumplicidade de que também não está isenta a FENPROF pelo acordo com a ministra dos sorrisos.

“A imaginação da ministra pode ser brilhante ao escrever centenas de Aventuras nos mais díspares locais ou pelas mais diversas razões, mas é criminosa nesta infeliz Aventura na Escola onde se meteu e nos meteu. Na ficção tem direito a tudo (não esqeçamos que até Poe ficcionou a chegada do Homem à Lua), mas na realidade do processo educativo português não podemos permitir mais Aventuras. Nós, Povo; o Governo; a Assembleia da República; o Senhor Presidente da República se verdadeiramente lhe interessa Portugal. Infelizmente a coisa vai. Criminosamente, desprestigiaram-se os Professores. Desertificou-se o país, fechando Escolas numa mistificação dita para favorecer a aprendizagem, mas que mais não é que o eduquês em plenitude total. Na mesma linha ignorante ou sabiamente economicista criaram-se (nunca é de mais insistir) gigantescos Centros Educativos ao arrepio do pedagogicamente viável a que acresceram os “mega-centros”.

“Mas a grande aventura acaba de chegar com a proposta de acabar com os chumbos nas escolas. À cara dos papalvos atira-se que é para seguirmos o que de melhor se faz de educação por esse mundo. O inefável cabotino do Senhor Aníbal (ou lá como se chama o homenzinho que fizeram, por comodidade ou desinteresse – outra razão não vejo - presidente de uma dita Associação de Pais) acha bem desde que se entenda Escola como grande armazém onde se depositem  crianças e jovens para os pais poderem trabalhar, namorar ou passear livremente. Tudo está bem. Se acrescerem um canudo, melhor. Mas não é só o Senhor Aníbal (ou lá como se chama o homenzinho) que está nessa. Os socretinos abanam a cabeça e repetem que é como se faz lá fora, sim Senhor. Boa malha, Senhora Ministra!

“MENTIRA – “mystificação scientífica”. O Professor Doutor Santana Castilho mostrou magistral e documentadamente no Público de 4 de Agosto corrente, que tudo não passa de uma ignorante grosseria. Lá fora não é assim! Bem pelo contrário. Mas a sorridente Senhora, que julga ser ministra, e os acólitos do economicismo ignorante continuam na deles – liquidar a Escola, tarefa a que já denodadamente se entregara a ministra Dona Lurdes, entachada e agraciada por isso.

“Quer a ministra dar excelência ao Ensino, ao Processo Educativo, à Escola? Quer acabar com alguns chumbos, pois nunca poderá erradicar a totalidade do não falhar – ensinava há muito, Gauss, cuja expressão de normalidade (Curva de Gauss - média e desvio padrão) foi desenvolvida por Abraham de Moivre; disse-o, mais modernamente, Radice e ensinam hoje todos os verdadeiros Pedagogos? Quer?

“Em primeiro lugar reponha a dignidade dos Professores. Forme-os capazmente. Esqueça o “eduquês” e o “pedagoguês” Retire-lhes toda a carga burocrática com que foram esmagados. O Professor deve ser um Pedagogo, não um burocrata, um manga-de-alpaca. Abra, na medida do lógico e pedagógico, as pequenas Escolas do interior. Legisle no sentido de os Professores as ocuparem, as viverem e se lhes darem. Motive-os para a docência do POVO. Fá-los-á respeitados, desejados, queridos. Equilibre as outras. Acabe com os grandes centros [des]educativos. Reveja currículos. Repudie o facilitismo que gera indisciplina. Tenha em conta que a Escola não é um armazém, mas um local onde se deve promover a felicidade do aluno, ser humano, através do saber e da consciência de que lá fora não é melhor. A Escola tem de "Ensinar a SER. [E assim,] antes de tudo, ser” (Sebastião da Gama – Diário). Ouça quem sabe. Não ficcione, não invente, não mistifique e sobretudo não minta. Relembre outra vez esse místico da Educação que foi Sebastião da Gama (a Isabel conhece-o): Mais que não ser ignorante, importa não ser mau, nem desonesto, nem impuro…" A Dona Lurdes e o Pedreneira eram-no. Walter Lemos um acomodado poço de ignorância travestido de pseudo saber, como hoje, em outro cargo, ainda é. Os três liquidaram a Escola. Não cumplicie. Não seja, aqui, Aventureira, deixe as Aventuras para os seus apreciados livros.

“É altura de dizer basta!!

“Infelizmente a hora tarda. Como lembrava um e mail da net “não somos [um povo] pacífico, mas sim [acomodadamente] passivo”.

“Urge que se desfaça o nevoeiro, hoje mais denso ainda, a que Pessoa reduzia Portugal.

“Como cantava outro poeta; “A pé e às armas, nesta hora baça” É urgente “nova manhã de Ourique””.

publicado por Júlio Moreno às 12:56
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