Terça-feira, 29 de Maio de 2012

O que é feito do Serviço Nacional de Saúde? Onde está Portugal?

Finanças Públicas, austeridade, dinheiro, FMI e BCE, são tudo termos ou siglas em voga nos últimos tempos e que o Povo vai ouvindo e aguentando ou, caso não ouça porque não entende ou não aguente porque já não pode mais,vai ”morrendo” sob a visão miúpe e vesga, mais do que dúbia, de um tecnocrata do meio financeiro, outrora cobrador de impostos e hoje arvorado em Ministro da Saúde!

 

Tudo isto se passa em Portugal, no pequeno e grande Portugal onde há fortunas fabulosas, compadrios e fabulosas confabulações além de senhores que se permitem fugir para Paris, já que roubar mais não poderão, enquanto outros, que já roubaram, vão vivendo - coitadinhos! – exilados em ilhas paradisíacas onde a mão do novo “fisco” ou a espada da Justiça não lhes chega!...

 

Nunca pensei que o país descesse tão baixo e me pudesse algum dia encontrar perante uma Justiça tão injusta, tão morosa e complacente e que, a menos que mude rapidamente de rumo, em breve poderá vir a ser considerada conivente com as fraudes que diariamente se vão praticando a coberto de leis iníquas e cujo real alcance muito poucos se permitirão descortinar e muito menos conhecer.

 

O Estado não paga o que deve mas exige que os que lhe devem, nem que seja só em pura imaginação sua!, lhe pague…ou... penhora! Os “bancos” transformaram-se em confortáveis “maples” onde . à sombra de uma matemática mais do que duvidosa, praticam diária e impunemente, através dos lacaios que os servem, os mais violentos e crueis crimes de usura! Pretendem que lhes seja devolvido o que nunca emprestaram ou... penhora!

 

A economia, dita de merceeiro mas que, bem ou mal, sempre nos ia guiando no nosso dia a dia, transformou-se em altíssima ciência onde a maioria dos cérebros priviligiados que a cultivam, dizem só asneiras já que todos discordam uns dos outros sobre os mesmíssimos temas, apresentando para os mesmíssimos problemas, as mais díspares soluções!

 

A saúde degrada-se e cada vez mais se restringe num país que teve a sorte de ter um HOMEM que a criou, organizou e elevou a patamares nunca antes alcançados e que hoje, impotente, assiste revoltado ao desmoronar da sua Obra! Hoje o Estado, lenta mas inexoravelmente vai negando e corrompendo o SNS, esperando que os seus cidadãos, envelhecidos e doentes, vão morrendo, tanto quanto possível de causas ditas naturais mas a que será imperioso apontar o dedo para dizer que “mortos", "assassinados” por uma política de teórica, criminosa e de duvidosa racionalidade economicista de meios onde se fecham clínicas e hospitais, recusando transporte e agravando os custos da medicação aos que dela imperiosamente necessitam, assim permitindo ao Estado poupar as reformas dos que vão morrendo e efectuar, mantendo, situações de gravíssima injustiça que consente que Mexias e não Mexias proliferem e venham, usando uma linguagem pseudo-técnica que ninguém entende, justificar publicamente o injustificável!...

 

Desgraçado País este onde nasci, cresci e trabalhei acreditando. Desgraçado País que vejo hoje tratar os seus filhos como coisas, números, estatísticas e percentagens de um qualquer burocrata mais ou menos vesgo.

 

Desde já me penitenciando e, se necessário, mesmo retratando, se o que adiante transcrevo não corresponder à verdade, passo a dar conta de mais uma das inúmeras situações escandalosas e que recentemente a tal “mão amiga” que delas me abastece, me revelou:

 

“Felizmente não estão muito mal.

“Fazem parte dos QUADROS da PT os filhos/as de:- Teixeira dos Santos.- António Guterres.- Jorge Sampaio.- Marcelo Rebelo de Sousa.- Edite Estrela.- Jorge Jardim Gonçalves.- Otelo Saraiva de Carvalho.- Irmão de Pedro Santana Lopes.


“Estão também nos quadros da empresa, ou da subsidiária TMN, os filhos de :- João de Deus Pinheiro.- Briosa e Gala.- Jaime Gama.- José Lamego.- Luis Todo Bom.- Álvaro Amaro.- Manuel Frexes.- Isabel Damasceno.


“Quando necessita de "pareceres jurídicos", a PT recorre habitualmente aos serviços de:- Freitas do Amaral.- Vasco Vieira de Almeida.- Galvão Telles.

"Assim não há lugar para os colegas da faculdade destes meninos, muitos dos quais terminaram os cursos com média superior.

"Assim, muitos estão a aguardar o primeiro emprego, outros no desemprego ou a trabalhar numa área diferente da sua licenciatura.

"Lá calhou!...""


Vivam os velhos do Restelo como eu, ou melhor, que “morram” o mais tarde que lhes for possível e só quando Deus quiser, que não a "troyka"! 

 

E já agora: - muito me lembrei ontem do 28 de Maio!


publicado por Júlio Moreno às 15:23
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Futebol: - será verdade o que ouvi dizer?


Imagine-se que ouvi dizer há dias que a selecção nacional de futebol se prepara para gastar 33 mil euros/dia, sim, leu bem, trinta e rês mil euros por dia durante este europeu enquanto que a Espanha irá gastar aproximadamente 4 mil!???...


A ser verdade, estamos todos doidos ou quê? Que tem o Governo e, em última instância, o Presidente da República a dizer a isto?

publicado por Júlio Moreno às 16:38
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Domingo, 27 de Maio de 2012

"Reflexão filosófica de 1920"

      Ayn Rand, filósofa

 

Mão amiga (como é meu hábito dizer) enviou-me o precioso, oportuno e perfeitamente actual pensamento de Ayn Rand que aqui seguidamente reproduzo sem qualquer comentário que o não saberia, porventura, fazer: 

Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa:


"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

Sugestão (nunca comentário): . Quem concordar que o diga aqui e expressamente, como se pusesse apenas a mão no ar (embora assinando por baixo...)





 

 

 

 

 

 

publicado por Júlio Moreno às 23:39
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Detroit

São 17h50 desta tarde de domingo, dia 27 de Maio de 2012. Vejo a TV e, nesta, a TVI24. O programa é sobre a calamidade que se abateu, e cada vez mais se abaterá, sobre o “american dream” que hoje mais não será do que o “american nightmare”!


Falam agora no que vem acontecendo em algumas cidades americanas onde as câmaras deixaram de pagar as pensões devidas aos seus funcionários (bombeiros e policias, por exemplo), pensões essas pelas quais eram inteiramente responsáveis, apenas porque e com a maior “desvergonha” alegam que… não têm dinheiro!

 

Na cidade de Detroit – nos meus tempos de adolescente a grande capital do automóvel – Cadillacs, Buiks, Dodges, Plimouths,Oldsmobiles, Nashs, etc, etc, - hoje completamente degradada, com enormes e outrora magestosos edifícios na mais completa ruina e onde os cidadãos foram convocados para uma reunião especial da câmara para lhes ser anunciado que, em face do total desmoronamento da economia local, foi decidido que as autoridades apenas se iriam ocupar de alguns bairros da cidade (os mais ricos!), que se assinalavam coloridamente nos mapas que entregaram aos munícipes presentes, e nos quais se comprometiam a arranjar as ruas, a reparar e repor a energia eléctrica, a água e o aquecimento, caso estes sistemas se avariassem. Nos demais – a grande maioria da área urbana, de mais de 340 km2 – nada fariam por falta de dinheiro e deixariam que as casas se desmoronem ou fossem destruidas pelos sucessivos fogos que já ninguém apaga!!!...

 

Incrível, no dealbar do sec.XXI, no século que se segue ao expoente do progresso alcançado com os voos orbitais e a descida do homem na Lua!...Dinheiro!? Falta de dinheiro!? Mas então como existem empresas como a Nasa, a Vacum Oil Company, hoje Mobil Oil, para já não falar nas fabulosamente grandes empresas de armamento que vêm permitindo aos políticos americanos o intervirem nas vários conflitos que se têem verificado por este mundo fora, com particular relevo para o criminoso, ignominioso e a todos os tÍtulos miserável tráfego de armas a que se vêm dedicando a maior parte deles – particularmente Richard Bruce "Dick" Cheney –“ (born January 30, 1941) served as the 46th Vice President of the United States (2001–2009), under George W. Bush2 (vidé WIKIPÉDIA) - Donald Rumsfeld, o que destroi com bombas para construir depois… os clãs Bushes (pai e filho), Kennedys e comandita, etc., etc. – que continuam vivendo em magníficas mansões, jogando golfe e passeando nos fabulosos iates e jactos particulares que compraram e continuam comprando com dinheiro criminosamente angarioado à sombra dos negócios escuríssimos, clandestinos e ilegais com que enganam e, a menos que travados, tencionam continuar a enganar o Povo que, dócil e pacientemente, finge ignorar o que fazem, deixando-os impunemente prosseguir nos roubos de milhões e milhões de dólares no meio dos quais, coitadinhos!, patrióticamente lá vão sobrevivendo… Acho que digo bem: - sobrevivendo.

 

Mas a pergunta que subsiste e que a mim mesmo, um pouco temerosamente, me faço é esta e inevitável: - até quando?

 

Ver Detroit como acabo de a ver na TV e “saber” Detroit como na minha adolescença “soube” é algo que quase me sufoca a alma e me revolve as entranhas…Acho que vou assim começando a compreender os ódios, os assaltos, os assassínios e até certas guerras. Só me admira que, perante as verdades nuas e cruas que me são dadas a ver, haja tão poucos e tão poucas ainda!...

publicado por Júlio Moreno às 22:09
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Não resisto a recordar "Os Lusíadas" na sua versão mais actualizada...

"Os Lusíadas - Extrato de Versão atualizada!

"I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

"II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas...
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

"III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano...
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

"IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Mais Lixado""
 

Curiosamente, não conhecia este Luiz Vaz nem esta novíssima versão do seu belíssimo poema. Todavia e fazendo jus - inteiro jus, diga-se - a quem teve a amabilidade de me enviar este excerto devo aqui registar não só a sua oportunidade como igualmente o enorme mérito que terá tido em recordá-lo à nossa "esquecida" gente... Bem haja por isso.

publicado por Júlio Moreno às 21:15
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Estou sempre a aprender…


Hoje, - isto foi ontem à noite! - na TVI24, acabo de saber que o PC, pela voz de um seu novel deputado, se preocupa com a “saúde da democracia”! É preciso "ter lata e muita lata": - o bom do Estaline também se preocupava com a saúde da democracia? E o Lenine? E todos os que detiveram o poder comunista antes deste resvalar para a “bancarrota” e para o descrédito universal?…


Acabo igualmente de aprender que há hoje, em "crescendum", um novo (e inconstitucional) poder em Portugal: – o poder da comunicação social, que eu diria muitas vezes “anti-social” (vidé o tipo de relato, isento e circunstanciado, que vêm fazendo das greves dos últimos tempos tentando, eu diria que desesperadamente, acender rastilhos que pouco ardem...) – e que se coloca em pé de igualdade com o poder do Presidente da República, da Assembleia da República, do Governo e dos Tribunais!...

 

A vida privada de uma senhora jornalista não se pode por em causa – concordo plenamente com isso; não podia, mesmo, estar mais de acordo com o sagrado princípio da inviolabilidade da vida privada do cidadão aqui plenamente aplicável – mas já discordo - e esta será uma das piores mazelas da democracia - que a vida de alguns cidadãos, proeminentes ou não, porque desafectos a determinado(s) partido(s) político(s), possa ser discutida e, a maior parte das vezes, aleivosamente deturpada, enxovalhada e conspurcada ao abrigo do anacrónico (mas sempre revitalizado!) e alegado “direito do sigilo das fontes” (claro! que certas fontes de água, mesmo que esta esteja reconhecidamente inquinada, não poderão deixar de correr...) se venha revelando como eficientíssima couraça protectora de tantos e tantos jornalistas metidiços e pouco escrupulosos que têm surgido das diversas fornadas das actuais Escolas de Jornalismo onde, para além de aprenderem a escrever com erros e que nem a falar parece terem aprendido, tantas e tantas são as asneiras - ex: "interviu" por interveio - que tenho ouvido aos microfones da TV e da Rádio!


Continuo a assistir a TVI24 e o que vejo e ouço agora é uma autêntica peixeirada!...


Vou continuar a instruir-me...

publicado por Júlio Moreno às 11:11
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Não resisto…


Por ser verdade… e mão amiga mo ter enviado não resisto em transcrever aqui o texto que segue (sem comentários…);

 

"Nação valente e imortal"

 

Segue a transcrição:

“Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.


“Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver


“- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
“- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo

 

que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.


“As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.


“Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
“Loureiro para o Panteão já!
“Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!


“Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.


“Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram


“Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara.

Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.


“Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.


“Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.


“Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
(crónica satírica de António Lobo Antunes, in visão abril 2012)””

publicado por Júlio Moreno às 01:06
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