Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Bombaim - porque sangra a humanidade...

Primeiro eram as cavernas, os grunhidos, as fêmeas parideiras que, para perpetuarem a espécie por instinto, eram arrastadas, para o animalesco coito, pelos cabelos desgrenhados enquanto os varões, para comer, se desferiam recíprocas mocadas com que iam rebentando as cabeças daquele a que se convencionou ser “sapiens”... Seguiram-se as hordas de sanguinários grupos que, de serra em serra, de vale em vale, iam adubando a terra com o sangue que, nas suas ferozes lutas, derramavam; ora vencidos ora vencedores nasciam para lutar, matar e em nome de outro valor que não fosse o da mera posse, vadiavam e vandalizavam quanto na sua passagem fossem encontrando... A eles se opuseram por alguns tempos as pseudo-civilizações greco-romanas onde o povo, anónimo como sempre, se deixava escravizar e dominar por estirpes de loucos que, ao som das cítaras, cultivavam espectáculos de horror e morte para seu divertimento em paralelo com os primórdios da evolução da mente e as sabedorias dos filósofos que ainda hoje perduram e perdurarão eternamente... Depois e por largos séculos, em nome de uma santa religiosidade que se auto negava e destruía, a humanidade foi crescendo e com ela produzindo as ancestrais e dúbias virtudes mas onde o sangue era sempre o princípio, o meio e o fim. E o mundo, já dividido, mais se dividiu ainda. De um lado as cruz de Cristo, erguida por homens com estranhas armaduras, de pele branca e cabelos loiros ou castanhos e do outro o estandarte do levante empunhado por valentes corpos cobertos por mantos que ondulavam ao vento, de peles tisnadas pelos inclementes e abrasadores sois e areias dos desertos.

No meio, qualquer que fosse o grupo, facção ou crença, sempre as guerras, a morte e o sangue...

Simultâneamente e no hemisfério oriental, tornado mais conhecido quando finalmente se descobriu que o planeta era redondo e que girava em torno do sol, quando a ocidentalidade se contrapôs à orientalidade dos hábitos e costumes, aí também se sucediam as ancestrais dinastias e os dramáticos cultos, sublimados por homens sábios de olhos semi-cerrados, quase em bico, de pele um pouco amarelada e do ocidente ainda quase ignorantes e ignorados, mas que igualmente evoluiam no seio de lutas fratricidas, sempre com o sangue servindo para lavar as honras quando não, e apenas, para ganhar as honrarias que, no seu entender, tanto e tanto os enobreciam!

Lá como cá, o eterno homem sempre sedento de sangue e vertendo-o sempre sem glória!

E veio o século das luzes e a loucura dos duques, condes e barões que nos levaram do neodespotismo iluminado a Napoleão e em que aqueles que se lhe poderiam ter oposto se deixaram levar por títulos e brazões, pouco a pouco se distanciando, cada vez mais, do povo que renegavam e tirânicamente dominavam, continuando a senda sanguinária que as cabeleiras empoadas dos salões da época em vão procuravam ocultar...Seguiram-se a Primeira Grande Guerra, a Segunda e, de permeio, várias outras se foram espalhando localmente, como em Espanha, aqui e ali, sempre fazendo com que jorrasse da inesgotável fonte humana o sempre generoso e puro sangue dos povos envolvidos e para onde eram arrastados sem que nem sequer compreendessem os “porquês”...

De permeio, e mais recentemente, eis que surgiu outro elemento e facto social mas, nem por isso, menos tenebroso e terrível: - o progresso! A Revolução Industrial que começando a produzir em série daí fez nascer uma ciência nova, hoje florescente e rapidamente se tornou a raínha das ciências, mista de oportunisticos conceitos sócio-matemáticos, elevada à categoria de quase santidade e produzindo pequenas maravilhas como as da “economia de escala”, criando e descriando emprego, fomentando as mais legítimas e fugazes ilusões a par das mais crueis decepções, miséria e fome....

Em paralelo foram crescendo novas tecnologias, complexas mas altamente rentáveis, servindo amplamente os que se entretinham, quase se masturbando, com décimas percentuais de crscimento ou de deficit criados, a informática, a robótica e a mais poderosa arma do mundo moderno: - a comunicação social que o tornou mais pequeno mas, por estranho que pareça, cada vez mais afastado e longínquo em termos étnicos, sociológicos e morais!

Assim e por isso, como criticar aqueles que, com um cinto de explosivos amarrado ao corpo e acicatados por um ódio feroz que habilmente inoculado por caciques em que acreditam e lhes fazem ver que será essa a única forma de poderem, não na vida mas na morte, alcançar a igualdade e as benesses que as televisões lhes mostram, de Nova Iorque, de Londres, de Paris e de Bruxelas quando eles, esfarrapados e famintos, tendo como alimento o pó e a fé que lhes é habilmente distorcida por quantos deles se servem e beneficiam exactamente pelo facto de só poderem comer pedras e pó e terem andrajos como cobertura para a nudez do corpo, atacam e morrem como mártires fazendo-se explodir junto daqueles que de outro modo nunca poderiam alcançar!

No meu íntimo, bem no meu íntimo eu lhes perdoo porque, sofismadamente ensinados a distinguir entre Jesus, Alá e Buda, sem terem qualquer percepção da existência de um só Deus com diferentes nomes e uma só doutrina, bem por certo nunca terão ouvido as últimas palavras Dele que, pela voz do Filho também lhes perdoou quando, agonizando na cruz, disse: - “Perdoai-lhes Senhor que não sabem o que fazem!...”

E seria bom que os que das sacro-santas economias se ocupam e à custa delas se vão alimentando e despudoradamente enriquecendo, se não esquecessem também das proféticas e bem actuais palavras que afirmavam que mais fácil seria um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico ou poderoso entrar no Reino dos Céus!
publicado por Júlio Moreno às 18:45
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