Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Plágio

Da Diciopédia Portuguesa da Porto Editora:


“Plágio – substantivo masculino – 1. Acto ou efeito de plagiar. 2. Roubo literário ou científico, plagiato (do gr plágios, “oblíquo”, pelo lat. plagiu-, “plágio”)””.


Foi isto precisamente o que me aconteceu e descobri um dia, há muitos anos, em finais da década de 80, praticado por um imberbe e “inocente” mocinho “letrado” que era tido em alta estima pela Direcção da Empresa de Serviços que o empregava e que, por ironia do destino, fora um dia fundada por mim e por alguns amigos dedicados e aonde regressei por capricho do destino e por escasso tempo pouco antes da minha reforma.


Em tempos atrás, ao serviço de uma outra Empresa, tinha efectuado um exaustivo estudo de segurança para os CTT, nomeadamente para o PPI (Protecção do Pessoal e das Instalações) e, nesse estudo, fizera questão de apresentar, como então me parecia impor-se, uma ligeira introdução à temática, sempre complexa, da segurança privada que, digo-o sem vaidade, dominava bastante bem a ponto de ser considerado por altos responsáveis da banca, designadamente do Banco de Portugal, como um dos homens que mais segurança sabia no nosso país o que, lisongeando-me, como era natural, não me deslumbrava nem envaidecia sequer, sabendo, como o sabia, que muito mais haveria que aprender e descobrir em tal matéria – e o que hoje se passa vem demonstrar o quanto estava certo quando assim pensava e o dizia então.


Porém, um dia o acaso fez com que o tema da segurança e da formação viesse á baila numa das reuniões que tivemos com a Direcção da minha ex-Empresa e que, na ocasião assessorava, e a propósito daquela me fosse mostrado o “excelente” trabalho desenvolvido por esse rapazito que, no dizer de um dos Directores, tanto prometia na sua função de formador tal era a qualidade do trabalho que produzira já...


Para meu espanto e total estupefacção o “trabalho” era uma cópia fiel e “ipsis verbis” do texto introdutório realizado anos antes - e do qual ainda haverá, seguramente, algum exemplar arquivado na administração dos velhos CTT, então Correios de Portugal, além de ser viva a amiga que então o dactilografou, ainda nas instalações do Alto da Barra, correria o ano de 1978 - e do qual ele havia assumido a respectiva autoria!


Confesso que, por momentos, ainda pensei em denunciar a fraude – o “roubo”, tal como acima a Enciclopédia o define e o próprio Código Penal prevê e classifica, mas a idade do prevaricador a par da sordidez do acto fez com que me calasse para só hoje o revelar como um episódio apenas dos muitos que têm perpassado ao longo da minha vida.


Acho, no entanto, que perdoar foi um gesto nobre que pratiquei e o silêncio que só hoje rompo foi para que os intervenientes, se alguma vez lerem estas linhas, fiquem sabendo que eu me dei conta do que se passava.


E é tudo na crónica de hoje. Perdoei, é certo, mas assim acho que, mesmo assim, fico agora um pouco mais aliviado...

publicado por Júlio Moreno às 01:14
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