Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

A graça na nossa democracia...

Entende-se hoje que “disparate” é sinónimo de graça e que “disparates ôcos e absurdos”, dos quais só os próprios autores (ou apenas “diseurs”) são o supra-sumo da graça televisiva ou do espectáculo de palco em Portugal, devem ser fomentados e aplaudidos!


É pena porque serão, de facto,” graças”, “gracinhas” ou “graçolas” mas só para os inteligentes e muito “up-to-date minds” muito “in”, todavia cerebralmente circunvolucionados bem ao contrário do que seria de esperar na espécia humana que até parece representarem!


Vem isto a propósito de dois casos a que assistimos – muito pouco, na verdade, para generalizar mas, feliz ou infelizmente, o bastante para aquilatar um pouco da porcaria que, para mim – e não estarei só nesta dramática conclusão - representam hoje na outrora grande arte do espectáculo e de representar.


Acho que nem os bobos da corte se permitiriam tais desmandos e deboche públicos... isto mesmo quando El-Rei comia à mão, retirada da banha em que era servida, a carne assada ou a perna de borrego, limpando a seguir os gordurosos queixo e barba à fina renda branca do seu real gibão!


O primeiro caso que aqui refiro foi o de um tal electricista, com graça natural, é certo, mas feito vedeta á custa de um palavreado e de um corolário de palavrões e asneiras, não só orais como gestuais também, tudo acompanhadas de posições e insinuações “porco- realísticas” que punham em delírio algumas plateias de mentecaptos e de portugas “democratas” do estilo “sucialista” que de socialistas tinham muito pouco ou mesmo nada... Mas o dinheirinho, que sobejava nos bolsos dos delirantes espectadores – alguns muito provavelmente custeados pelo subsídio de desemprego ou pelo salário mínimo garantido - pingou no bolso dos “engraçados” e, sobretudo, nos cofres da produtora de tais bestialidades que, certamente, ao abrigo da liberdade de “expressão” ou apenas beneficiando dela, jogava “bem por baixo” e por forma a bater a concorrência – uma espécie cega de “vale tudo” para a obtenção da melhor cotação de “share”!


O segundo é o que actualmente surge nos nossos écrans de televisão e dá pelo fedorento nome de uns quantos simpáticos e domésticos felinos mas, em minha opinião, iníquamente apostrofados de “fedorentos” tal é o tremendo e pútrido fedor que conseguem espalhar à sua volta bem ao contrário do que acontece com os ditos e úteis animais que cuidam bastante bem da sua higiene corporal!


E a gente vê! E, pelos vistos, a gente gosta!... E quem não gosta (como eu)... engole, tem de engolir, quando tem a desdita de, por força das circunstâncias, se encontar na companhia de alguém que se exalta e quase perde a cabeça perante tal espectáculo...


Pelo que me parece está na moda o bajular-se o absurdo, o ôco e tudo o que seja desprovido de toda e qualquer graça que não seja desse tipo... Que tristeza! Que pobreza! Que País e que governantes que tão amplas liberdades consentem ao filhote que começa – e mal, muito mal, diga-se – a dar os primeiros passos em democracia!


Não quero censura... Longe disso!... Queria decência apenas... Reserva apenas... Queria conservar belo o que Deus fez belo e não para ser enxovalhado, emporcalhado, escarnecido por um dos animais a que conferiu "a razão", excluindo, por vezes e infelizmente, a razoabilidade...


Queria que, nas entrelinhas, no que apenas se insinua porque sem coragem para o escrever ou dizer, se não insultassem pessoas ou instituições apenas para tentar fazer graça, queria poder dizer basta ao “mal-dizer” da ignomínia já que de “amor” pouco falam, talvez porque nem sequer saibam o que isso seja! Era só isto que eu queria.


E já agora pergunto: - Que é feito do Código Penal?

publicado por Júlio Moreno às 20:00
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