Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Recordações de infância (mas que título tão gasto!...)

A avenida era asfaltada, lisinha e larga e mesmo no cimo, em frente do hotel, enorme no seu vazio de Inverno, ficava a casa dos meus pais que era a minha.
Teria os meus quatro anos e uma das coisas de que mais gostava era de levar o meu belo automóvel azul, de pedais, volante de madeira e faróis que, à noite, ate pareciam que acendiam, para a avenida, cujo movimento era praticamente nulo.
Aproveitando a descida, dava então aos pedais com quanta força tinha para ganhar suficiente velocidade e poder sentir que realmente tinha um carro e estava a conduzi-lo.
Um dia, porém, lançado a toda a velocidade e a meio da descida, resolvi, subitamente, inverter a marcha e voltar para trás pelo que rodei o volante para a esquerda esperando que o balanço adquirido me desse para percorrer alguns metros em sentido inverso…
Em má hora o fiz e péssima ideia a minha! Mal começou a curvar para a esquerda, o carro, no seu todo, tombou sobre a direita e, comigo dentro, deu várias voltas sobre si mesmo, amolgando-se todo, raspando a linda pintura azul, que ficou uma lástima, e arrancando um farol cujo gancho, por capricho do destino, me apanhou o queixo e mo rasgou num fundo golpe que teve de ser suturado com 3 ou 4 agrafes daqueles metálicos que o meu pai, no seu consultório, usava, por vezes, para “fechar” feridas abertas que lhe apareciam.
Um enorme penso no queixo que mais pareciam as barbas do Pai Natal completava o quadro e era uma das consequências visíveis – a outra era o próprio carro! – daquele meu acidente de automóvel.
Porém, quando pensava que ia ser muito acarinhado, cumprimentado e perguntado sobre as melhoras que sentia ou não sentia, o “negócio” saiu-me furado e bem furado pois o meu pai, que na altura jogava (e bem) golfe, meteu-me, no fim dessa tarde de meio Inverno ainda, no carro dele juntamente com o saco dos ferros e mais de cem bolas de golfe mandando-me para o fundo do campo de treino apanhar as que ele, sem nunca se cansar, para lá ia atirando usando o ferro 3, o ferro com que sempre saía nos “fairways” compridos pois nunca gostou de jogar nem o “drive”, nem o “brassy” nem o “spoon” grandes madeiras de inclinações diferentes.
Em vez de estar “de baixa médica”, como julgava que iria estar, era o meu próprio pai que, sendo médico, me impunha aquela punição de por mais de hora e meia lhe vir trazer as mais de cinquenta bolas que seguidamente voltava a bater isto talvez numas vinte e tal viagens de uns duzentos a duzentos e cinquenta metros cada uma…
Nunca mais voltei a virar, nem mesmo hoje, o volante para a esquerda numa descida… mas sob o queixo, quando o levanto para fazer a barba vejo bem a pequena cicatriz que lá ficou do meu primeiro acidente de automóvel…
publicado por Júlio Moreno às 00:52
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