Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Os tempos, os saberes e as mentalidades…

Ao longo dos séculos sempre houve tempo, eles mesmos são o exemplo disso.

Sempre houve saber, uns sabiam mais do que outros, uns interessavam-se, eram curiosos e gostavam do saber para sua própria satisfação pessoal e necessidade económica, enquanto que outros não se interessavam por aprender o que quer que fosse, excepto o valor da honra pelo uso e abuso dar armas, vivendo do que os seus pais tinham aprendido, à sua sombra e sob a sua protecção e projecção sociais, sem sentirem nem curiosidade por saber nem a mínima necessidade em se instruírem.

Instruírem-se? E para quê? Para quê se tinham tudo! Os prazeres mais frívolos que eram a carne da mulher que raramente a sua beleza pois a verdade dessa raramente era exterior mas sim e cada vez mais interior, sempre fugindo, as que não fossem da mesma estirpe ou origem, e cada vez mais se escapando a esses conquistadores de capa e espada, para os quais o destemor da morte, a estulta virilidade dessa maneira demonstrada era o valor supremo a atingir pelo homem que o fosse entregando, deste modo, ás mãos de um fortuito acaso algo que, por ser de Deus, nunca lhes pertencera!

Os que eram instruídos estavam socialmente muito abaixo de si.

Eram as mentalidades a marcar a sua presença, a mostrar à saciedade que existiam e, se bem que servissem a muitos, para outros de nada serviam, posto que, por ignorarem “como”, nunca se atreviam a usá-la, temendo, talvez, fazerem má figura!

Assim se atrofiaram as mentalidades, se minguaram os cérebros e se destacaram, pela negativa e do ponto de vista social, aqueles que tinham de saber para sobreviver, apenas para que reparassem neles e lhes dessem com que se alimentar e alimentar os que tinham tido a fortuna ou o azar de se lhes haver ligado…

Era o Código do Conde de Liepe que, no seu Código Napoleónico, mandava que o sargento tinha obrigatoriamente de saber ler e escrever porque o capitão, em sendo fidalgo, poderia não saber…

Nos dias de hoje a situação repete-se, ou melhor, mantém-se e, diria mesmo, que afincadamente se cultiva.

A ignorância grassa e o dinheiro abunda talvez no vazio deixado pela primeira.

Em lugar de crime fala-se de política: - em lugar de haver criminalmente responsáveis fala-se em politicamente responsáveis e o mundo singra no meio da graciosidade das guerras preventivas, das sucessivas e tão interessantes crises do petróleo e dos jogos de computador onde a brutalidade satisfaz os que têm dinheiro para os pagar enquanto alimenta quem os fabrica ou produz, aqui se diferenciando o produtor-autor do produtor-fabricante, e vivendo o segundo normalmente à custa do primeiro!

E os que já se não distraem em “play-stations” com aterrorizadoras corridas de automóveis e lutas monstruosas e fratricidas de monstros inimagináveis ainda no dia anterior, esse correm para os panos verdes dos casinos ou para os bares onde as raparigas exibem os seus corpos nus, ou a acelerado caminho disso, enrolados à volta de uns tubos de metal, com isso se saciando do vazio das respectivas almas quando não tirando dos fundos das gavetas os metálicos proveitos que tais exibições lhes rendem.

Pensando em tempos, saberes e mentalidades de hoje, pergunto-me se
não haverá outro mundo, no meio de tantas galáxias, para onde eu possa emigrar em busca da santa ignorância para começar a aprender de novo a fazer o fogo mediante a fricção de dois pauzinhos…
publicado por Júlio Moreno às 22:01
link | favorito
Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


.posts recentes

. Mais uma vez mão amiga me...

. Um tristíssimo exemplo de...

. A greve como arma polític...

. A crise, o Congresso do P...

. O PRESIDENTE CAVACO SILVA

. Democracia à portuguesa

. ANTÓNIO JOSÉ SEGURO

. Cheguei a uma conclusão

. A grande contradição

. O jornalismo e a notícia ...

.arquivos

. Setembro 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Maio 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Junho 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

.favorito

. Passos Coelho: A mentira ...

. Oásis

.links

.participar

. participe neste blog

blogs SAPO

.subscrever feeds