Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Foi interessante o sonho que tive…

O hospital onde era a consulta ficava num ermo onde era o único edifício e enorme. Depois de um portão onde a terra para, estacionar o meu carro que era o único, estava revolvida de fresco, como numa quinta e, nalguns locais, com sulcos tão profundos que era mesmo preciso contornar.

O médico que me atendia era uma médica. Eslava suponho, muito embora se esforçasse por falar um português o mais correctamente possível mas que, não o conseguindo, era perfeitamente inteligível.

Era uma mulher de uns trinta e poucos anos, estatura média, magra e de pele clara, mas morena, feições correctas e regulares, sem serem, no entanto, demasiado angulosas e rígidas revelavam, no entanto, uma docura difícil de descrever .. Usava o cabelo preso, muito liso na cabeça e descendo-lhe pelas costa num negro rabo de cavalo impecavelmente limpo e escovado que contrastava flagrantemente com a sua bata branca..

Era uma mulher bonita e cativante sem querer, no entanto, dar nas vistas o que, bem por certo, aconteceria se quisesse arranjar-se para um jantar à luz de velas para que fosse convidada

Enquanto cuidadosa e meticulosamente, me observava, ia falando de si e assim pude aperceber-me de que estaria em Portugal refugiada porque, sendo seu pai um general político no seu país, havia sido aí preso e condenado, com o que desaparecera havia muito tempo, desconhecendo ela mesma se ainda viveria.

Tinha uma filha, de 10 ou 11 anos, que, sendo particularmente rebelde, como ela fora, confessou-mo, lhe ia dando algumas preocupações. Tudo isto fez com que a consulta tivesse sido particularmente agradável e o tempo se passasse rapidamente.

Passada a prescrição fiquei de regressar passado algum tempo, intrigado, porém, com aquela mulher que tal curiosidade fizera despertar em mim.

No dia aprazado, regressei à consulta, verificando que tudo estava alterado. O portão fechado, a terra completamente revolvida, de modo a que só máquinas agrícolas ou veículos militares por lá poderiam passar.

De qualquer modo consegui parar o carro, outra vez o único, e subir as escadas que me conduziram ao labiríntico consultório. Ela lá estava. Risonha e feliz desta vez. Mais linda que antes, pois, de todo aquele rosto irradiava luz e sonho.

Observou-me com o mesmo cuidado e a mesma atenção mas ao termina-la, inesperadamente e com o maior dos à vontades cavalgou-me os joelhos sentando-se nas minhas pernas e, passando-me os braços pelos ombros e à volta do pescoço, disse-me baixinho: - Soube do meu pai. Está vivo e vai ser solto. Volto para a minha terra. Porque desde o primeiro momento senti que te amava, peço-te que venhas comigo, que passes tu a ser agora o emigrante…

Acordei na altura com um irritante som de um telemóvel para cuja hora, infelizmente, o programara na véspera…
publicado por Júlio Moreno às 13:34
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