Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Coisas que se não dizem… sacos azuis que hoje são peçonha!...

Em tempos que já lá vão, e há muito, infelizmente!, comandava eu uma Companhia numa Unidade do Exército, cuja caserna, (superlotada), era uma autêntica vergonha de sujidade e de humidade nas paredes, (por muito que fosse lavada) quando foi anunciada para muito em breve a visita do general Comandante da Região Militar.


 Comprometido e preocupado, aproveitei a ocasião do almoço na messe de oficiais para falar com o Comandante sobre o assunto tendo-me ele respondido que tratasse de caiar a caserna com os fundos do saco azul que a Companhia deveria ter…


 Surpreendido, indaguei ainda: . “Saco azul? Mas eu nunca ouvi falar nisso!...”


– Vá ao Conselho Administrativo que lá lhe explicam..." - respondeu-me o Comandante, de forma evasiva e dando-me uma pancadinha no ombro.


No final do almoço foi a primeira coisa que fiz.


Dirigi-me ao Conselho Administrativo da Unidade e aí perguntei a um velho e saudoso capitão do QSGE o que era isso do Saco azul da minha Companhia, ao que ele, rindo-se, me respondeu em tom de veras enigmático:


- “Vá ao Primeiro-sargento da sua Companhia e peça-lhe para lho dar…com isso já poderá pintar duas casernas…”.


Foi, pois, com a maior surpresa, que o velho a amigo Primeiro-sargento da Companhia, abrindo o cofre de que eu e ele tínhamos a chave e o segredo mas que eu nunca abrira, retirou de lá de dentro uma considerável soma de dinheiro que disse ser “aquele” o famoso saco azul.


- “Mas como é isso”? - indaguei surpreso e inocentemente. - “O dinheiro nasce aí? Donde vem isso?”.


Então, com a velha sabedoria dos muitos anos de tarimba, ele, sorrindo, respondeu-me :


- “Lembra-se da quantidade de dispensas de fim-de-semana que eu lhe levo para assinar e para o pessoal ir a casa?”


– “Claro que lembro – respondi – e sempre com os fundamentos que me tem explicado, de necessidades várias, de mérito, etc..!”


-”Pois é – respondeu ele – os fundamentos estão todos certos e são verdadeiros, só que as importâncias dos ranchos que seriam consumidos e assim não o são revertem para os “sacos azuis” das Companhias que dispensam o pessoal e todos os meses o Conselho Administrativo nos faz a entrega dessas importâncias. Compreende agora donde vem o dinheiro?”


Mandadas comprar à drogaria da esquina as tintas e os pincéis necessários, abismado e espantado ainda com tamanha e santa ignorância e, sobretudo, com tão indesculpável inocência, devo ter comandado então:


- “ Companhia! Firme”. Mão… pincéis! Esquerda… volver!... Em frente; - caiar!...”.


E a Companhia ficou de tal forma um brinquinho que até foi gabada pelo seu asseio durante a visita que o general nos fez daí a dias!...


E fala-se hoje tanto de sacos azuis e de tantas cores! – É mesmo de quem não sabe o que mais dizer ou não tem memória ou simplesmente quer enganar o Zé Povinho!

publicado por Júlio Moreno às 14:43
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