Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

O excesso de velocidade e o contra-senso

Venho seguindo com particular atenção – até porque o assunto, em tempos, já foi objecto das minhas preocupações e obrigações profissionais – a questão, ou melhor, a problemática de se saber quais as causas que mais influenciam a enorme e mortífera sinistralidade rodoviária deste país.

E, dentre as muitas que os especialistas vêm destacando, logo ressalta, com particular incidência, a eterna questão do excesso de velocidade como se desse facto apenas os condutores, e só esses, fossem os verdadeiramente responsáveis.

De registar a estudada preocupação que os agentes de trânsito e outros presumidos responsáveis deste País têm, quando inquiridos por elementos da comunicação social nos locais onde se registaram acidentes graves – mortais, na sua grande maioria, dentre aqueles que se tornam objecto de notícia – em evitar a imediata declaração de excesso de velocidade como a causa mais do que provável do acidente que verificaram, remetendo para uma posterior análise de peritos, as conclusões acerca das suas verdadeiras causas.

Compreende-se, entende-se e aceita-se que assim procedam, bem como as reiteradas tomadas de posição dos elementos da auto denominada associação dos cidadãos “automobilizados” – creio ser esta a designação – que, do mesmo modo interpreta as causas mais vulgares da nossa sinistralidade muito embora, e com toda a razão e oportunidade, diga-se, indique também outras como: – falta de sinalização adequada e sua subsequente manutenção e actualização, incúria na conservação do bom estado – leia-se piso - das rodovias e na colocação de adequadas estruturas de protecção, etc., etc..

Porém, e regressando às considerações iniciais sobre o excesso de velocidade, nunca vi ninguém “apontar o dedo” àquilo que, suponho, seja a sua verdadeira, mais genuína e gritante causa que desde logo como que se escancara à vista de todos menos daqueles que, por uma razão ou por outra, não a querendo ver, teimam em ignorá-la: - refiro-me à alta cilindrada dos veículos e aos consequentes avanços técnicos que possibilitam a acérrima disputa entre os fabricantes de cada marca que buscam constantemente um cada vez mais elevado rendimento dos motores, mais e mais capazes das mais altas velocidades de “ponta” bem como das melhores “performences” no tempo que levam a atingir dos zero aos cem quilómetros por hora!

Claro que, para quem tem pressa em chegar de Lisboa ao Porto e está na posse de uma máquina que, com toda a facilidade, atinge os duzentos e muitos quilómetros horários, mesmo que seja um “menos dotado” (e esses são sempre os piores!) a conduzir – isto para lhe não chamar um “nabo”, o que o próprio nunca ou muito raramente reconhece - para esses, de que servem os sinais que, em enorme profusão, ornamentam as bermas da auto-estrada, limitando as velocidades e aconselhando prudência, marcando até no pavimento a distância aconselhável ao veículo que siga à nossa frente?

De nada, absolutamente de nada. Enorme dispêndio do erário público mas de eficácia nula ou muito, mesmo muito reduzida!

Assim sendo, porque não legislar no sentido de que tais condutores, quando apanhados no cometimento de tais infracções, sejam “irrecusavelmente” obrigados a novo exame de condução e, simultaneamente compelidos – já que a velocidade lhes parece estar na alma – compelidos, dizia eu, a dar umas voltinhas num qualquer autódromo sempre nos limites máximos da velocidade das suas máquinas sob pena de, não o conseguindo aí ou não o fazendo por medo consciente do que possa tocar à sua integridade física – à sua, que não à dos outros de que se não lembram quando desenfreadamente “correm” nas vias públicas - ficarem definitivamente inibidos da faculdade de conduzirem automóveis?

Multas? De que servem? Quem tem posses para adquirir tais “bombas” certamente que também terá possibilidade de as pagar. Sejamos, pois coerentes: - ou a imposição de limitadores mecânicos ou electrónicos de velocidade nesses veículos ou a proibição pura e simples da sua importação e venda ao cidadão comum ou a imposição de uma sanção do tipo das que acima descrevemos.

Creio que os excessos de velocidade diminuiriam substancialmente mas… que governo seria disso capaz?
publicado por Júlio Moreno às 01:26
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