Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Ora aí está!

Despenalizada vai ser a prática do aborto por vontade (será que se poderá ler igualmente “por capricho”) da mulher até às dez semanas!

Ganhou o SIM por 59,25% contra os 40,75% do NÃO, confirma-o hoje o PD da IOL não esclarecendo, no entanto, que estas percentagens se referem “apenas” ao computo dos votantes! E sendo assim é mais uma mentira! Mentira, desta vez de um jornalismo apressado ou um embuste com o qual, mais uma vez, quem anda a reboque da glória europeísta e totalmente esquecendo o mar que nos fez grandes, nos quer mimosear! E é mentira porque o que o Povo realmente disse é que “se estava nas tintas" para o plebiscito e, por conseguinte, nem lá pôs os pés! Da totalidade dos recenseados, foram 56,39% os que não votaram! Que pensavam estes? Sim ou não?...

Voltando às contas e feitas estas, os vencedores foram, afinal, 59,25% dos 43,61% dos “reais” votantes, o que quer dizer que, dos portugueses – do Povo -, apenas 25,83% por cento, isto é, mais ou menos ¼ da população do País disse “sim” ao nosso primeiro e à nossa esclarecida intelectualidade!

Esta é que é a verdade, a verdade insofismável dos factos.

E já agora mais algumas questões, ou engulhos, se assim o preferirem: - o aborto “por capricho” da mulher (respeitosa e expressamente daqui excluo “ab initio” os abortos que tenham real justificação – e se continham, afinal, na lei vigente e, porventura, noutra que a própria consciência do julgador pudesse vir a ditar), este aborto “por capricho” não vai custar dinheiro aos portugueses que tão cheios andam dele como o comprovam os desempregados, os cortes absurdos ne saúde e na educação, a par dos megalómanos projectos de TGVs e de aeroportos da Ota?

E as meninas que por aí andarem a dar umas “quecas” (linguagem que não uso mas que é hoje oficialmente aprovada pela televisão nacional e emérita e frequentemente usada por Sexa. Herman José), em se “chateando” com os “gajos” e já não querendo deles a semente, germinada, que nelas e "tão gostosamente" deixaram plantar, vão-nos custar quanto?

Quantos doentes mais terão de esperar pelas suas consultas, e pelas suas “urgentes” cirurgias?

Quantos mais hospitaizinhos vão ser criados com o "descaminho" dos dinheiros poupados à custa das maternidades e das urgências que se fecharam?

Quantos mais técnicos irão ficar a cargo do exaurido orçamento da saúde?

Quantas mais “taxas” (moderadoras, claro!) e por que valores, nos vai este senhor ministro aplicar a mais ou pagar aos espanhóis que tão inteligentemente nos vêm sabendo colonizar de há uns anos a esta parte, restando-nos saber por quanto tempo mais vamos ficar empenhados e dependentes deles que não deixarão de aqui vir fazer render o seu magnífico negócio que, com as facilidades concedidas, tudo indica virá a ser próspero e florescente, como o serão os novos negócios e iniciativas tecnológicas tão miraculosamente esperadas pelos nossos governantes para nos fazerem sair da crise em que nos mergulharam com toda a sua competência e o seu saber?

Quanto mais vou eu ter de pagar pelos remédios que diariamente tomo para me ir mantendo vivo e como relíquia dos anos 30?

Com os métodos e processos anticoncepcionais que hoje existem e que tão largamente vão enchendo a bolsa dos fabricantes de preservativos e de pílulas, justificar-se-ia mais este processo que, seguramente, irá usar-se como mais um método anticoncepcional?

Só que este terá a enorme vantagem de ser de borla e até dar para ver como é “na real” – se a gravidez incomoda se não incomoda, se dá náuseas se não dá náuseas, se se sente algum afecto pelo feto (tem graça, até rimei!), como será a fotografia dele, etc,? Não tenham dúvidas de que tudo isto acontecerá de facto e de que um dia choraremos ainda pelo preço de tamanho progresso alcançado!

É que, quando a polícia vem dizer ao público “em caso de assalto não resista”, diz ao assaltante, "nós só por acaso poderemos intervir e não temos meios...", com isto incentivando os criminosos à prática de assaltos com maiores ou menores consequências para os assaltados!

Do mesmo modo, quando o governo vier dizer às meninas “do dia” (que as “da noite” essas de há muito o sabiam já) que podem fazer abortos à vontade e gratuitamente, virá igualmente incentivar, ou melhor, dar um empurrãozito a uma novíssima classe de “prostitutazinhas de bem” que, sem medo agora do que dantes temiam e talvez as refreasse um pouco, indo, assim, dar largar às suas tentações e devaneios sexuais - sobretudo depois das aulas que tão reclamadas são no secundário - e que ainda estou para ver se, como na física e na química acontece, com ou sem aulas práticas! - que, de antemão, sabem passar a ser inofensivos e, sobretudo, inconsequentes?...

E já agora outra pergunta: - e o jardineiro que plantou, no único canteiro que, para o efeito, a natureza lhe deu por disponível, a semente agora rejeitada não terá, por acaso, uma palavra a dizer no meio deste imbróglio? Não será caso para mais um plebiscito a fazer futuramente e com o qual entraríamos, definitivamente, na era tão esperada da inovação tecnológica da "plebiscitologia" que o governo tão obstinada e desesperadamente pretende e a intelectualidade persegue?

Interrogo-me finalmente, e já agora com muita apreensão, sobre quem nos irá governar no futuro se, em pegando a moda, nos começarem a escassear os políticos, ou se estarão muito seguros todos aqueles que já perfizeram, como eu, de vida, mais de 3 500 semanas! Não venha por aí um qualquer outro plebiscito a querer saber se a decisão de fazer livremente “abortar a vida” - pois que de vida sempre se tratou! - após a 3 501ª semana poderá ou não ficar ao livre arbítrio do senhor presidente da junta de freguesia depois de muito ouvido e aconselhado pelos senhores agentes das finanças ou da segurança social!...
publicado por Júlio Moreno às 14:26
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1 comentário:
De contoselendas a 14 de Fevereiro de 2007 às 00:01
Caro Must Be, sobre a legalização/ despenalização do aborto,cá para mim parece que aqueles que pensam que vão andar por ai a "fazer amor" sem as percauções devidas e depois recorrer ao aborto vão se sair mal ou pelo menos o bolso deles vai ficar mais leve quando forem a uma clinica privada, para não ficar na lista de espera da sala de abortos do serviço publico.Um Abraço.


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