Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

Nunca pensei…

Sinceramente, sempre achei difícil a língua chinesa com os seus cerca de 40.000 caracteres (se não erro!) mas sempre achei deliciosos e cheios de poesia os seus milenares e sábios conceitos que frequentemente cito nos limites dos meus rudimentares conhecimentos da matéria. Sobretudo gosto muito daquele que diz que "aprender é como remar contra a maré... quem não avança recua...", o que parece ser o caso paradigmático da nossa verdadeira índole, já por Caius Julius Caesar retratada em 47 a,C

O que nunca pensei, porém, é que os contextos das línguas chinesa e portuguesa fossem tão diametralmente opostos como acabam do o provar os nossos ilustres ministros da economia e dos negócios estrangeiros, sob o alto patrocínio do nosso primeiro!

Quem poderia imaginar que o que aqui, em Portugal, os bons salários, competitivos e perfeitamente ajustados à realidade da economia das famílias e dos reformados, - da nossa economia global como parte saudavelmente integrante da pujante economia europeia – aqui, onde os cêntimos abundam e onde os preços da energia, dos combustíveis e dos bens de primeira necessidade se pagam, com gosto, a níveis europeus, beneficiando ainda de interessantes, oportunos e “sui generis” IVAs – quereria dizer, em chinês, salários abaixo da média europeia, exorbitantes preços dos bens e produtos, trabalho desmotivado e desmotivador por não encontrar paralelo ou equilíbrio com as despesas que cada qual tem de fazer para sobreviver, razão pela qual a china industrial será bem-vinda já que se sentirá aqui bem recompensada e seguramente competitiva no que toca aos custos de produção e estratégicas facilidades de penetração europeia?

E quem poderia imaginar ainda que, enquanto aqui se louvam, promovem e incentivam os acordos e as parcerias sociais, (o diálogo como tanto se houve proclamar nas bancadas do governo), na China já se achem tais parcerias desinteressantes, desmotivadoras da economia e as reais fautoras do atraso em que o país de encontra? – O que eu concordo que se sinta, que se pense mas nunca que se diga!

Eu sei que Portugal e a China se encontram em diferentes continentes e em hemisférios quase opostos deste nosso planeta, mas o que nunca pensei é que nos encontrássemos tão diametralmente opostos no discurso oficial e público, negando lá o que aqui se afirma ou faz passar…

A coisa não me cheira bem. Cheira-me à venda apressada e sem jeito de um produto podre, a uma certa falta de pudor e de vergonha, porque assim “mentindo” tão descaradamente, das duas uma: - ou o governo vem mentindo aos portugueses ou está agora a mentir aos chineses com a agravante de se ter de desculpar a gregos e troianos quando estes por aí vierem e disputarem os postos de trabalho que se julgavam protegidos!

Mas não. Se calhar estou enganado e o que aqui digo não é mais do que uma das minhas “chinesices” ou mais uma “trova” de escárnio e mal-dizer!... Na volta fui eu, se calhar, quem mentiu.
publicado por Júlio Moreno às 19:45
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