Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Política: ciência ou arte de enganar um Povo!

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De há muito que tenho para mim, como axiomático, este conceito que, dia após dia, mais corpo e consistência vai ganhando no meu espírito! E não será só no meu, como no de muitos outros que comigo estarão nesta tão simples como linear reflexão e que as mais das vezes só não fazem de viva voz ou porque acham que não valerá a pena, porque se não querem incomodar ou porque – o que será mais grave! – sentem medo das consequências de tal afirmação quer por benesses que percam quer por punições que sofram! Eu, porém, que sempre fui reconhecido por não ser um “yes man” – o que me terá valido a escolha feita pelo General Spínola (o militar mais integro e ilustre que conheci!) para consigo colaborar – e porque estou numa idade em que, bem ao contrário do que seria de supor, já nada me mete medo, ao mesmo tempo que creio haver um certo número de verdades que terão de ser ditas, custe o que custar, doa a quem doer, decidi-me a dizer o que penso embora procurando sempre pensar no que digo!… E entre elas surgirá, talvez como motor das muitas demais que sempre ficarão por dizer, esta de que a política se vem revelando, salvo raríssimas e honradíssimas excepções, como a arte ou a ciência de enganar um povo!

Quando Aristóteles, na antiga Grécia, considerou ser o homem um animal político, longe estaria de supor o quanto de exacto e verdadeiro encerravam tais palavras, bem por certo sem pensar que o homem pudesse ser simultaneamente político e animal, como político interesseiro ou corrupto e como animal não mais do que uma besta!

Explico: - quando Aristóteles proferiu este “conceito-frase” estaria bem longe de supor que mais de vinte séculos depois a férrea lógica do seu axioma fosse tão presente e permanente cada vez mais se reforçando em ambos os sentidos antes apontados!

Vem isto a propósito de dois homens, um bastante mais do que outro, pertencerem ao número dos maiores criminosos deste século que ainda há bem pouco começou. Ambos são políticos ou agem como tal. Ambos são líderes ou como tal se julgam. Ambos conduzem os seus próprios povos, decidem do seu destino e, não contentes com isso, atrevem-se mesmo à ingerência no destino de outros a quem impunemente e defendendo-se com o receio da realidade que criaram (o terrorismo) assassinam diariamente dezenas de inocentes pelo simples facto de se esquecerem – o que lhes competia ter sempre presente – que nunca a violência gerou outra coisa que não fosse violência e que a criminosa guerra levada a cabo contra o Iraque não foi como nunca será ganha pelo simples facto de ser auto-alimentada por um ódio cada vez mais visceral e crescente como crescente é o símbolo pelo qual se batem os seus guerreiros.

Bush e Blair, cortesmente recebidos pelo primeiro-ministro de Portugal, Durão Barroso, “a bordo do porta-aviões Terceira” – imitando Churchil, Roosevelt e Stalin que se reuniram a bordo de um cruzador para, no culminar da II Grande Guerra, decidirem do destino dos vencidos – e aí combinaram a estratégia a seguir na guerra de criminosa agressão que, dias depois, sem qualquer legitimidade que não fosse a falsa consciência de um poder bélico que a realidade se vem encarregando de desmentir e invocando falsas razões com que enganaram os povos, levavam a cabo contra um país soberano e que, a bem ou a mal, pacificamente ou pela força, vinha mantendo em relativa paz e proporcionando uma relativa tranquilidade aos seus naturais e visitantes, entre os quais centenas de portugueses que aí exerceram e demonstraram a fama que justamente têm no exercício das suas variadas profissões e artes no estrangeiro, o que muito deve ter enraivecido o sr, Donald Rumsfeld.que, ao que consta, se prepararia para se lançar em mais uma enorme negociata de reconstruir o país que ele próprio ajudara a destruir.

Assim se desencadeou uma guerra sem que houvesse o menor pretexto que não fosse o de esmagar um povo para melhor depois o explorar e com ele ao seu ouro: - o petróleo, a escassear já nas reservas estado-unidenses e nos campos da Pensilvânia. O pretexto foi o das armas químicas que nunca foram encontradas, nem sequer vestígios delas, e o resultado foi um país destruído, um chefe de estado escandalosamente assassinado após o culminar de um julgamento-farsa, idêntico ao de Nuremberga embora muito menos negro do que este!

E hoje no dia-a-dia e tal como já Sadamm profetizara, assistimos a um constante morticínio de xiitas assassinados por sunitas e de sunitas assassinados por xiitas e, pelo meio, alguns cadáveres de soldados americanos vão surgindo – já passam de 3 mil os militares mortos!, na “mãe de todas as batalhas”– com grande mágoa do presidente fantoche e simiesco que a grande nação americana elegeu como seu chefe num dos seus raros momentos de loucura colectiva mas que, por tê-lo feito, bem caro virá a pagar um dia.

A “guerra” do Iraque nunca irá terminar como terminou a do Vietname. Não haverá acordos, pactos ou um reatar de relações enquanto o ódio que a desencadeou não se aplacar no espírito do mundo islâmico o que só o desaparecimento físico dos seus reais mentores poderá aplacar e fazer cessar um dia! E, quando a humanidade de tal se aperceber, não haverá no mundo lugar algum que os acolha e onde consigam esconder a ignomínia que consigo carregam para se livrarem da terrível vingança que sobre eles recairá um dia. Melhor fariam se, como homens que se afirmam ser, renunciassem aos respectivos cargos – Blair já disse que o faria – e procurassem um bom cirurgião plástico capaz de lhes alterar as feições como vulgarmente fazem os criminosos de delito comum que por tal forma pretendem subtrair-se à justiça dos homens, que nunca à justiça de Deus!
publicado por Júlio Moreno às 22:54
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