Domingo, 21 de Janeiro de 2007

Já chega, Povo, acorda!...

Eu próprio, que sofro de obstrução respiratória crónica grave (enfisema pulmonar) e vivo com uma garrafa de oxigénio na minha diária companhia, tendo, não obstante isso, de ter sido socorrido por várias vezes na Urgência do Hospital Santos Silva, em Vila Nova de Gaia, para pequenas “afinações” e “ajudas”da máquina motora, já tive oportunidade de “provar” na pele os resultados das “novas instruções” do INEM pois já por uma vez, e numa situação de terrível aflição!, estive a bordo da ambulância dos abnegados e sempre disponíveis Bombeiros Voluntários da Aguda - a quem aqui presto o meu mais sentido e grato preito de homenagem - bastante tempo parado, em frente a minha casa, enquanto estes obtinham e forneciam umas não sei quantas informações aos senhores do INEM através dos meios de comunicação que tinham disponíveis. Foi a primeira vez que tal me aconteceu e, à medida que o tempo passava e eu ia tendo consciência disso e do tipo de perguntas feitas pelo teor das respostas que iam sendo dadas, mais aflito me sentia ao ponto de quase ter desfalecido, o que dantes nunca me acontecera pois, chamada a ambulância, que tardava um máximo de 5 a 10 minutos, sem mais perguntas e, devidamente assistido com oxigénio, como lhes era solicitado, eu estava a caminho do Hospital onde era prioritariamente assistido e onde a simples vista daquelas batas amarelas dos médicos e médicas da urgência desde logo me aliviavam os sintomas e os efeitos conhecida que é a influência somática que a mente exerce em tais estados!

Porém, uma “guerra” qualquer estalou entre Bombeiros e INEM, guerra essa de cujas origens, causas e efeitos, nunca seriamente me informei já que pensei tratar-se apenas de mais uma questão burocrática de hierárquica precedência, guerra de “galões” como teria dito na gíria do militar que já fui.

Porém, em face das últimas notícias vindas a público ultimamente – duas mortes por notória e comprovada ineficiência de socorro - quatro horas e meia de atraso no caso do Algarve e quatro horas de atraso no de Odemira, para já não falar no trágico naufrágio e morte dos seis pescadores na Nazaré, que soçobraram a meia dúzia de braçadas de terra! – todos autênticos “crimes” de burocrática e governativa negligência de quem se refastela tranquilamente nas poltronas dos seus gabinetes, e se nega mesmo, como soberana e desprezível arrogância, a responder em público à directa, correcta e oportuna interpelação de um deputado que lhe perguntava se sabia, ele, ministro, o que era estar na pele de um paciente, recebendo a magríssima pensão de reforma que recebem os trabalhadores agrícolas do Alentejo e, doente, ter de percorrer centenas de quilómetros em busca do socorro, preconizado agora de eficiente mas que comprovadamente não o é, se sabia ele, ministro, o que isso era! - percebo agora bem que em tal “guerra” não estará ausente a mão sinistra do actual e reformador ministro da saúde (que manda grávidas e doentes/feridos graves aos solavancos – como a ministra da educação às crianças das escolas que fechou, e só por isso em risco de vida - por dezenas ou centenas de quilómetros receber a assistência que dantes logo ali – bem ou mal - lhes era prestada).

Talvez desse um bom professor de matemática (agora que ela anda tão por baixo!) mas o que dá é, seguramente, um péssimo e totalmente desumanizado ministro da saúde, não percebendo que à parturiente e ao doente/sinistrado não interessam números ou estatísticas mas apenas que o assistam e que o salvem, e demonstrando desconhecer por completo o que é o extraordinário fenómeno da empatia “médico-doente”, “socorrista-doente”, ou “bombeiro-doente” – e negligenciando totalmente, talvez por ignorância! o foro psico-somático em que se declaram e desenvolvem as doenças no comum das pessoas (felizmente não seus semelhantes porque a maioria ainda terá coração!).

Perante isto que vejo pergunto-me: - até quando aguentará o Povo esta situação que, dia após dia, mais se degrada embora em tom de galhofa se comentem as chorudas indemnizações pagas a administradores de organismos públicos substituídos nos respectivos cargos por não serem da cor politica de quem os passa a tutelar?

Até quando aguentará o Povo uma situação que não lhe convém e só convirá a meia dúzia que se divertem a fazer contas às percentagens dos lucros e perdas em que se movem e em que os números reais se contam por milhões, pontificando na Assembleia e na bancada do governo como absolutos donos da verdade, às vezes em largos e grotescos gestos, muito falando e pouco ou mesmo nada dizendo?

Alguém me dizia há dias – com o que concordo o mais absolutamente possível – que para ser político ou primeiro-ministro não é necessário ser doutor ou engenheiro, o que é necessário é ser-se honesto, o que, pelo que se já se vê, e mais se verá um dia, se começa já muito a duvidar…

E mais não digo, porque eu sou do tempo em que nem a minha avó nem a minha mãe ou as minhas tias sabiam de que cor eram os estofos do carro do Estado que o meu avô tinha à sua disposição pois nunca lá sequer entraram e agora há ministros que nomeiam, com o maior despudor, desfaçatez e ar de delicada inocência, familiares muito próximos para seus assessores com vencimentos e outras mordomias mais de vinte vezes superiores à minha actual reforma, após 13 anos de oficial do exército e da GNR, vinte e dois de gestor de empresas onde centenas de postos de trabalho se criaram e mantiveram, além de quatro anos de “coagido” afastamento profissional, em dolorosa itinerância europeia, já que, ao cabo de duzentos e cinquenta e quatro dias de prisão “revolucionária” (de 23 de Abril de 1975 a 23 de Dezembro do mesmo ano, sem interrogatório nem julgamento, saindo como entrei), e, quando em liberdade, vi o meu lugar e o meu futuro usurpados por aqueles a quem dera a mão e covardemente depois ma negaram, sabendo dar-se bem com gregos e troianos a cujo comando e cor, qual camaleões de ocasião, rapidamente se souberam adaptar…
publicado por Júlio Moreno às 12:17
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