Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

Até acho graça

Até acho graça quando, quem hoje se refere a Salazar, numa quase mórbida e esclavagista unanimidade, nunca deixa de o fazer enfatizando a sua política ditatorial, tal como hoje se refere no PD da IOL, na Internet, onde o seu nome surge em parceria com o de Álvaro Cunhal, a propósito da eleição dos dez portugueses mais ilustres

E acho graça porque, tal é o “vírus” instilado no sangue das novas gerações, que estas, não só demonstram uma ignorância crassa quanto à sua figura – e não só neste campo, como em muitos outros dantes – e no seu tempo! - constantes do programa da 4ª classe da velha instrução primária e hoje sofisticadamente omitido até ao final dos múltiplos e moderníssimos ensinos universitários; refiro-me ao conhecimento dos ossinhos do corpo humano – com natural ressalva para os estudantes de medicina, mas não para todos, entenda-se! – do sistema orográfico de Portugal, dos seus rios e afluentes, para falar apenas no que de mais paradoxal me surge em pensamento, e sem falar já na tabuada e nas contas de dividir e de multiplicar, as mais difíceis e que até primeiros-ministros conseguem confundir! – como, quando o conhecem, papagueiam incessantemente o monocórdico ou histérico discurso que lhes terá sido ensinado pela ignorância ou ressabiada vingança dos seus próprios pais e, o que mais grave será ainda, na terra da hoje prometida e proclamada “liberdade”, veiculada na própria Constituição da República a qual, revelando bem a mentalidade tacanha, mesquinha e medrosa dos que, auto-proclamando-se lídimos representantes do povo - cuja maioria desconhece e pelo qual, afirmando-se “políticos” e sagazmente confundindo, se fizeram eleger - a fizeram e votaram, aí lhe consagra velada proibição, sem nexo e flagrantemente contraditória, ao prescrever: - no seu artº.37º nº 1.que “todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio… sem impedimentos ou restrições.” – o que eu agora faço - para, logo adiante, no seu artº 46º, nº 4. afirmar e dispor que “…não são consentidas associações… nem organizações… que perfilhem a ideologia fascista.”, sabendo-se, como se sabe, que o nome de Salazar vem sendo indissoluvelmente associado pela tradicional ignorância popular ao fascismo e até ao próprio nazismo!

Porém, caindo em mim e passada que me foi a natural perplexidade do momento, acho que terão feito bem os portugueses ao colocarem no patamar da sua principal escolha dos dez nomes dos cidadãos que, até hoje, consideram mais ilustres os de Salazar e Cunhal pois, não obstante o grande e profundo fosso ideológico que sempre os separou, muito ambos tiveram de comum: – ambos souberam ser líderes, crentes lúcidos das ideias que professaram, um na própria pátria, outro na pátria de exílio que o acolheu; - ambos foram tiranos e não tergiversaram nas políticas que julgaram ser seu dever prosseguir a bem do colectivo: - Salazar criando a Pide e perseguindo o comunismo, Cunhal agindo em consonância com a KGB e ferozmente reprimindo o capitalismo, cujo ténue brilhar se vislumbrou no Leste, na conhecida e sanguinolentamente reprimida primavera de Praga e por cuja orientação terá sido tornado responsável pelo regime soviético de que foi fiel e convicto servidor.

Salazar foi honesto, refez as finanças públicas e mal ou bem restaurou a credibilidade internacional de Portugal, da lama onde havia caído com as sucessivas arremetidas revolucionárias vividas e sofridas até 1926, restaurando as finanças públicas e, mercê de uma hábil política de dois gumes evitou que Portugal entrasse no conflito da segunda Guerra Mundial que arrasou a Europa e parcialmente o mundo! Nasceu em berço humilde não se beneficiou com o exercício da política, acreditou no que fez, não mentiu ao povo e morreu pobre!

Cunhal, nasceu em berço de ouro, foi fiel à sua política que sempre julgou certa e adequada ao bem do povo que, na sua imaginação marxista, sempre quis proteger e defender, renegou a riqueza, nunca mentiu ao povo e morreu igualmente pobre.

Nada melhor, pois, do que uni-los na votação que ora decorre. Como os extremos se tocam e, pessoalmente, acredito numa realidade esférica e, portanto, circular, acharia bem que a ambos fosse conferido o primeiro lugar “ex-aequo” para grande vergonha dos que hoje lhes vão usurpando créditos e funções.
publicado por Júlio Moreno às 15:02
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