Domingo, 14 de Janeiro de 2007

A minha alma pasma!

A minha alma pasma-se e o meu pobre intelecto confunde-se com quanto vou vendo e ouvindo, nestes dias do já tudo inventado, até a maledicência soes e descabida de gente que, em lugar de coração, terá um músculo cardíaco melhor ou pior afinado – à vezes a necessitar de conserto – e, em lugar de cérebro, um emaranhado desconexo de neurónios que a natureza lhes terá lá colocado certamente com uma diferente e bem diversa intenção daquela para que vêm sendo usados.

Vem isto a propósito, para alguns, e a despropósito, para outros, de um certo programa televisivo que nos brinda com um execrável aperitivo de almoço em que uma pequena roda de intelectuais do designado “jet-set” nacional, bem euro-nutridos mas completamente falhados como pessoas, discutem e pontificam sobre o que nada entendem e tudo sobre o que se diz – ou inventa - de quem e por quem estiver na ribalta da ocasião ou nas balofas colunas de revistas baratas já cheias de caruncho mental!

Porque julgo saber o que é democracia e porque julgo também saber o que é dignidade e liberdade, porque entendo o humor e até a graça libertina e saudosamente revisteira, é que não entendo “aquilo” e que “aquilo” se permita, a menos que tenhamos, sem que eu me desse conta, regressado a alguns séculos atrás, ao tempo dos bobos da corte e dos seus malabarismos e dichotes, às vezes de tão inoportuno e pútrido mau gosto, que até o rei, que na altura comeria gordas pernas de cabrito com as mãos e limparia as beiçolas besuntadas com as finas rendas das suas requintadas vestes, os mandava açoitar na praça pública substituindo-os de seguida ou mesmo pondo-os a ferros já que nem aos próprios bobos era, como ali parece ser, tudo consentido!

Mas vejam, amigos, vejam e continuem a ver, divirtam-se que eu, em me apercebendo que tal despautério se aproxima, apenas um só e único sentimento e propósito me assaltam: - o primeiro, de pena, de pena pela tristíssima figura que fazemè à qual se prestam perante quem os vê; e o segundo, a necessidade imperiosa de mudar de canal para poder almoçar em paz e na paz da minha efervescente e pouco condescendente consciência.

Pena da televisão que temos, pena dos que, com tal programa, se deliciam – assim como um outro de outra estação que faz gáudio público de encenadas infidelidades sob a batuta barata de um péssimo apresentador brasileiro, pena de uma apresentadora que se vinha firmando como uma das melhores da nossa TV e pena, muita pena, dos visados que, não deixando, muito certamente de ter os seus telhados de vidro, se vêm daquela forma e tão publicamente enxovalhados e expostos na sua intimidade que em certas alturas me interrogo mesmo se não seria caso para intervenção do próprio Ministério Público!
publicado por Júlio Moreno às 22:25
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