Sábado, 4 de Novembro de 2006

Que Deus o desperte!

Do PD do IOL de 4-Nov-2006: - “O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, garantiu sexta-feira que nem a impopularidade nem os resultados das eleições de terça-feira vão desviar George W. Bush do seu objectivo, a vitória no Iraque.”

É espantosamente incrível ao que leva o fanatismo ideológico, a arrogância e a incompetência daqueles que se julgam os cérebros deste mundo e que, através de uma política execrável, cheia de ambiguidades e de mentiras, lograram, com artifícios de bastidores e corruptos compadrios, alcançar o voto do povo americano para se conservarem no poder o tempo necessário à “pré-destruição” do próprio planeta!

Não são só os Estados Unidos a perder a guerra do Iraque – bem como todas as outras em que se metam para essas bandas – é o mundo inteiro que perde na batalha a sua liberdade, a sua segurança e a sua esperança de viver! Já não diria de viver melhor mas tão apenas e somente de viver!

Bush, Cheney e aquela execrável eminência parda que dá pelo nome de Donald Rumsfeld, bem como todo o séquito menor – assessores, secretários, informadores e especiais amigos - que os auxiliou na preparação da mais tenebrosa e monstruosa maquinação do post-guerra (refiro-me à II Guerra Mundial onde quase todo o mundo se envolveu) que precedeu a guerra preventiva contra o Iraque, feita não para derrubar um ditador – que ditadores não faltam por esse mundo fora e com eles esses senhores nunca se preocuparam - mas sim para garantirem para o seu reinado o privilegiado abastecimento da perecível fonte de energia que é o petróleo, Bush e essa corja, que se revelam incapazes e impreparados para resolverem as mazelas da sua própria casa – a catástrofe de New Orleans onde o auxílio às vítimas nem sequer foi prestado e onde a incompetência técnica de uma administração inoperante ficou bem patenteada aos olhos incrédulos de um mundo que não queria acreditar; a crise na saúde pública cuja manutenção é, cada vez mais, privilégio dos ricos e em cujas decisões prevalecem os interesses das seguradoras desses ditos seguros de saúde em detrimento dos parecerem médicos por mais urgentes ou fundamentados que sejam (exactamente o caminho que certo sector político-economicista, mascarado de socialista, pretendia para Portugal); a proliferação dos “sem abrigo” que morrem pelos cantos das metrópoles como Nova Iorque, Chicago, Los Angeles e centenas mais, demonstrando claramente a inoperância total de uma segurança social que não passa de palavras mas que dá abrigo a milhares de tecnocratas e burocratas que nem esse seu execrável trabalho fazem bem – Bush, vem dizer pela voz do seu “segundo”, Dick Cheney, que nada nem ninguém o desviarão do propósito de alcançar a vitória no Iraque.

Que sarcasmo! Que arrogância! Que torpe mentira! Vitória? Mas que vitória? Que vitória é essa onde os seus soldados continuam a cair como tordos em época de caça? E não só os soldados como também os desgraçados civis que se encontravam nas torres de Nova Iorque a 11 de Setembro? Que vitória é essa em que acabaram à forca com uma paz que, embora também mantida pela força, era, no entanto, uma paz? Que vitória é essa se a cada dia que passa mais se acende a vontade de lutar no coração daqueles que, sem qualquer esperança nas benesses deste mundo e levados por líderes fundamentalistas e fanáticos de tudo se servirão para levar o terror aos quatro cantos do mundo? Que vitória é essa que faz enriquecer os mercenários, os traficantes de armas e os fabricantes de intrigas que, como praga mortal e mortífera, a cada dia mais crescem por todo o lado e sem qualquer possibilidade de controlo?

Talvez um tanto ingenuamente me interrogo se é para isto que o povo americano deu o seu voto aos políticos e os elegeu! Se foi para isso que o povo americano fez a Guerra da Secessão, da igualdade e da justiça social e política, acabando de vez com a discriminação dos negros! Se foi para isso que desembarcaram em Dunquerque ajudando a Europa a livrar-se de um dos maiores flagelos que alguma vez a atingiu: - o nazismo! Se foi para isso que, sendo massacrados em Pearl Harbour, souberam com valentia e determinação vencer em Guadalcanal e derrotar um império de meia dúzia de fanáticos, que, usando um povo de milhões, os atacou e tão traiçoeiramente agrediu na sua própria casa!

Mas as coisas, como tudo nesta vida, tem o seu curso e sofre evoluções. Hoje a guerra não é mais a mesma, a guerra convencional onde prevalecia, para além do horror que ela mesma encerrava, um certo pragmatismo de atitudes e um certo número de valores éticos, como os da Convenção de Genebra. Hoje a guerra não é mais o que foi, sobretudo quando, como com Júlio César, eram os generais que marchavam à frente das suas legiões ou quando, frente a frente, em fileiras cerradas, franceses e ingleses disputavam ridiculamente, através dos seus oficiais com uniformes de punhos de renda, a honra e a primazia de efectuar a primeira descarga dos seus fuzis! Hoje a guerra, como ficou provado com Fidel de Castro e Che Guevara e os americanos o sentiram com Ho Chi Minh no Vietename, hoje a guerra é cada vez mais traiçoeira, cheia de golpes de mão, de ataques fortuitos e suicidas, espalhando o terror e o pânico em todo o mundo onde haja uma comunidade humana, uma guerra onde meia dúzia de guerrilheiros audazes e destemidos, podem desbaratar e dizimar centenas de soldados bem armados e equipados mas que desconheçam ou não apliquem a sua tática baseada no factor surpresa e no "bate e foje", e o senhor Cheney tem o arrojo e a suprema audácia de dizer que vão vencer!?

Um dia, porém, a história se repetirá e aqueles que hoje se julgam ricos e todo-poderosos, detentores da verdade universal, cairão e cairão às mãos do povo que agora julgam dirigir e comandar. Temo que esse dia não tarde. O sinal foi dado quando, pela primeira vez na história dos Estados Unidos, generais de quatro estrelas, unidos e a uma só voz, deram o seu aviso ao presidente fantoche. Acautelem-se senhores Bush, Cheney e Companhia, pois de tão conhecidos que são, não haverá lugar no mundo onde se acoitem e possam proteger quando o povo e os velhos generais disserem: basta!

Talvez então o mundo volte a ter paz e a verdadeira guerra se resuma à luta contra os fora de lei que sempre proliferaram em épocas como as que hoje vivemos e que costumam resistir – até com violência – ao regresso aos bons costumes. Só que isso demorará décadas se não séculos e não será alcançado sem sacrifício, inclusive da vida das autoridades que contra eles tiverem que intervir. Este foi o paraíso a que nos conduziu a arrogância e a incompetência de um homem que, quis o destino, foi colocado ao leme de um dos países mais poderosos do mundo mas cujo povo vive adormecido e inconsciente da realidade da sua força. Que Deus o desperte!
publicado por Júlio Moreno às 13:04
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De contoselendas a 5 de Novembro de 2006 às 14:46
Olá.Parabens por este póst.Uma lucidez.Pena que poucos possam ter a oportunidade de o ler,mas isso são outros ques.Um Abraço.


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