Sábado, 5 de Agosto de 2006

Quem espera …

Diz o povo, e com razão, na sua milenar sabedoria, que “quem espera, desespera…”, o que é bem verdade pois já muitas vezes experimentei o sabor amargo da frustração por não receber o que esperava ou o mais amargo ainda da ausência de alguém que se quer presente.

Não sou do género de desesperar com pouco nem de “ferver em pouca água”, que é o que acontece quando se entra naquele estado febril de excitação e de desatino em termos de comportamento perante uma qualquer contrariedade. Nunca fui assim excitável e, paradoxalmente, quanto mais razões teria para me alvoroçar ou desassossegar mais sereno fico.

Hoje foi um desses casos. Esperei e, talvez por já não estar muito habituado a esperar, por alguém, como era o caso, por coisas ou por situações importantes, senti como se operava a gradual mudança do meu estado emocional, marcada por um certo acelerar do ritmo cardíaco e do consequente apressar da respiração ao mesmo tempo que uma inefável sensação de angústia me inundava o peito dando-me a conhecer, por fim, os clássicos e tradicionais sintomas da ansiedade.

E, nesse estado, é curioso como, mesmo em sossego, o nosso espírito consegue simular o mais extenuante exercício físico, percorrendo quilómetros no espaço e no tempo para encontrar semelhanças em todos e de todos os tipos de acidentes e casos de catástrofes conhecidas ou confabuladas!

Acho que, nos atribulados tempos que vivemos e no caso de uma ausência ou de um atraso conjuntural, nunca somos levados a admitir uma razão plausível, pacífica e normal, onde o perigo não entre como causa; e se, num esforço de razoabilidade, esta nos ocorre ou nos esforçamos por admiti-la, logo de seguida a repudiamos e o seu lugar surge ocupado por outra causa muito mais catastrófica e de muito maior dimensão do que aquela que nos amargurava antes! Por estranhas conexões e sincronismos, vamos juntando todo um “puzle” imaginário de desgraças que outro propósito não têm senão alimentar o nosso espírito perante aquele vazio que sentimos.

Assim aconteceu comigo hoje quando os minutos tomaram a dimensão das horas e estas a dos anos, numa progressão geométrica do tempo que, assim, ia e foi crescendo, sempre num desmedido e sofrido aumento. Mas não pode ser.Tenho de aprender a superar estas crises. São infantis.
publicado por Júlio Moreno às 21:58
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