Quinta-feira, 27 de Julho de 2006

Faça-se uma transfusão…

Começo a pensar que a guerra do médio oriente, a que, candidamente, políticos e analistas apelidam de “crise”, não mais terá fim. E não terá fim por variadíssimas e distintíssimas razões das quais, aqui, me permitirei apenas enunciar algumas sem me atrever a preconizar uma solução que não passe obrigatoriamente por uma “transfusão”. Passo a explicar-me:.

A história do médio oriente actual começou aquando da “atribuição-distribuição” dos “terrenos para construção” feita ao abrigo de um “plano director”elaborado e aprovado apenas pelos grandes vencedores da segunda guerra mundial. Sem que se consiga ainda descortinar bem porquê, - pois o espaço era grande embora desértico na sua maior parte - todos receberam o seu palmo de terra e “alvarᔠà excepção dos palestinianos e dos curdos que, ainda hoje, buscam o sítio onde edificar a sua casa.

A uns e a outros move a hereditária e secular teimosia de quererem ocupar espaços ocupados - a velha questão de saber-se quem serão os donos das terras!

Sem argumentos e porque as suas vozes, literalmente, bradavam no deserto, vêm recorrendo regularmente à violência que, muito embora com períodos de acalmia nos intervalos das erupções, nunca deixou verdadeiramente de existir. Esta a causa remota, ou aquilo a que chamarei a grande causa.

Agora as causas próximas.

A mais evidente, suponho, será a que se relaciona com o consumismo da vida moderna que requer o petróleo daquela zona como seu suporte essencial.

Todavia a necessidade de manter operativa e rentável uma indústria de que quase nunca se fala, - refiro-me à indústria de armamento, que alimenta uns largos milhões de pessoas (e votantes) entre investigadores, produtores, distribuidores e intermediários, publicitários, vendedores e pessoal de “marketing”, armazenistas, retalhistas e traficantes -, e de proceder, regularmente, à actualização e consolidação dos seus “stocks” (não vão algumas bombas ou mísseis ultrapassar o prazo de validade após o que já ninguém os quererá!) - será também causa, e bem determinante, da eclosão, um pouco por todo o lado, mas de preferência longe dos civilizados centros de produção, dos conflitos a que ciclicamente vamos assistindo por entre inflamados discursos de condenação, surtos de viagens e reuniões políticas e vagas de recolhas de donativos e outras artes de “dolce fare niente”

Vejo a guerra de hoje, a táctica dos líderes islâmicos envolvidos e o seu fundamentalismo como como vejo um vírus maligno que, insidiosamente, logre penetrar num desprotegido organismo vivo (leia-se, como opção para organismo vivo, os desgraçados, ignorantes, paupérrimos e facilmente fanatizáveis povos muçulmanos), aí formando pequenos grupos de células nocivas que, reproduzindo-se, neutralizando as células saudáveis ou com elas por tal forma se misturando, a breve trecho não permitam a sua diferenciação de forma a poder aplicar-se o antídoto eficaz que não destrua, ao actuar, umas e outras.

O Hezbollah pertencerá a este grupo. Tendo encontrado, instável mas saudável, o Líbano, por tal forma, insidiosa e paciente, elaborou a sua táctica e soube infiltrar-se e mesclar-se com os seus naturais, que hoje se torna impossível, para Israel, distinguir os bons dos maus, isto é, quem o ataca e não ataca, pelo que este, ao defender-se, não pode mais saber se mata culpados ou inocentes. Israel prossegue a sua necessária e desesperada luta pela sobrevivência como Estado seguindo a velha máxima de que a melhor defesa reside no ataque; por isso ataca o território libanês e, consequentemente, o Líbano. Os “hezbollahs” acreditando nas inquestionáveis virtudes e méritos da sua luta, vão-se defendendo como podem e lançando os mísseis que lhes "emprestaram" sobre uma terra que querem seja sua. Uns e outros matam e morrem enquanto que, em civilizadas reuniões, no conforto de cómodas poltronas, fumando, bebendo e tossicando para enfatizar discursos, os seus “empresários” analisam as estratégias a aplicar na luta e avaliam os próximos valores bolsistas…

Com o sangue assim tão contaminado, a solução residirá – penso eu - em procurar sangue ainda puro e fazer-se uma transfusão. Mas - e já agora - se este tipo de transfusões colectivas se mostrar viável porque não fazê-las não só aos “operários” mas também aos “patrões” não só desta mas também de outras regiões do globo?
publicado por Júlio Moreno às 13:02
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