Quarta-feira, 19 de Julho de 2006

Divagações e tontices em noite abafada e quente

Como serão os outros mundos para além do meu?

Já aqui disse, há tempos, que tudo na vida me parece ser esférico, elíptico ou circular. É assim com os astros do mundo físico e galáctico conhecido e assim me parece que seja com o raciocínio e com os nossos próprios sentimentos. Se calhar tudo é redondo e se encontrará em constante movimento mesmo o que aparentemente nos pareça estático!

Assim é que quando caminhamos, supondo que em frente, na realidade, estaremos a caminhar em círculos, as mais das vezes regressando ao ponto de partida se não estivermos percorrendo uma espiral, círculo de círculos e infinita em termos de conceito.

Na espiral e sem que o princípio se altere, acontecerá apenas uma constante variação do círculo, sucessiva e indefinidamente reduzindo ou aumentando o raio mas sempre nos oferecendo um caminhar sem fim e que talvez uma vida só não chegue para percorrer sem que dele haja desistência; se não houver desistência esse caminho será infinito tal como a espiral que lhe servir de guia.

Vem tudo isto a propósito da indagação que de há muito faço sobre como serão os mundos dos outros. Serão esféricos ou circulares como o meu? Será que os que os vivem e percorrem noutra trajectória que não seja circular e, não regressando à origem, conseguem terminar as tarefas ou obras a que se tenham proposto? Será que pensarão ter superado o impossível e atingido o fim da espiral? Graficamente, e bem ao contrário da minha, poderão as suas vidas ser representadas por rectas ou segmentos delas?

A tudo isto associo às vezes o que seja a velocidade da luz e se, já que tanto as formas como as cores que vemos são o produto da sua reflexão cujas imagens se projectam não só na nossa direcção como também, e nas mais diversificadas perspectivas, para o espaço, se poderemos algum dia - como diria Einstein - viajando a uma velocidade superior à da luz, encontrar e reviver os acontecimentos do passado.

Como a velocidade da luz é mensurável -1.079.252.848,8 km/hora ou 299.792.458 metros por segundo ou, arredondando números, 300 mil quilómetros por segundo - e como é exactamente conhecida essa medida, bastaria que nos pudéssemos deslocar a uma velocidade ligeiramente superior para captar as imagens projectadas no passado, sucessivamente mais distante em função da nossa viagem! Fantástico! Alucinantemente fantástico mas não conceptualmente impossível, para já em termos puramente teóricos, mas – quem sabe? – se algum dia em termos realisticamente físicos!

E o pensamento? O raciocínio, a memória…. as sensações? Esta estranha e inefável capacidade de viajar bem longe, de sentir, recordar, pensar, discernir e relacionar, sem o obstáculo das distâncias e tantas vezes sem sabermos ou podermos sequer definir os seus porquês!

“Não há machado que corte a raiz ao pensamento,,,” – cantava Zeca Afonso. E os sonhos, será que também são redondos e que alguma outra coisa, que não só a própria vontade, algum dia os poderá cortar?
publicado por Júlio Moreno às 16:23
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